Human
3 Capítulo 2 - A Formatura |Flashback|
(Impossível é uma palavra muito grande que pessoas pequenas usam para te oprimir! – Chorão).
(E eu vou embora esta noite
O chão em que eu piso está aberto
Eu tenho me segurado com muita força
Mas não há nada aqui)
[Story Of My Life – One Direction]

Dezembro de 2010, Brasil.
– Agora eu sei exatamente o que fazer, bom recomeçar poder contar com você, pois eu me lembro de tudo irmão, eu estava lá também, um homem quando está em paz, não quer guerra com ninguém – eu estou cantarolando enquanto termino minha maquiagem.
Hoje é minha formatura do 9°. Depois de um ano cheio de zoeiras, risadas, encrenca, brigas, amizades, abraços, tapas, xingamentos, colas e provas mais difíceis que o diabo, finalmente um pouco de paz.
Ironicamente, eu sinto que hoje realmente tudo vai mudar na minha vida. Nunca fui daquelas meninas emocionais como a Geovanna e a Cris que quase inundaram a sala de aula e a escola no último dia de aula, então realmente não sei por que estou me importando com uma formatura que eu nem ia.
A decisão de eu ia à formatura foi tomada pela minha mãe junto com a mãe de uma das minhas melhores amigas. Como nós duas nos conhecíamos a mais de oito anos e éramos melhores amigas a 5, a mãe da Victória (minha amiga) decidiu me chamar para ir na mesa dela e pagar metade da cadeira.
Minha mãe nem me deixou negar e já foi aceitando por mim. O lado mais que positivo dessa ação é que meu pai não pode negar pagar um vestido novo pra mim.
Ajeito o cabelo e calço os saltos (se eu não cair até o fim da noite será um milagre!), ouço batidas na porta do meu quarto e caminho meio insegura (com medo de cair) até ela e a abro.
– Meu Deus! Você tá linda! – e aqui está a minha melhor amiga. Na verdade sempre a achei mais bonita e simpática que eu, além de corajosa por me aguentar, afinal sou insuportável e reconheço isso.
– Haha! Olha tu, moça! – ela me dá um sorriso e me oferece a mão esquerda.
Seguro sua mão com força e saímos as duas do quarto, assim que chego à sala dou de cara com a minha mãe que está segurando as lágrimas.
– Não ouse chorar, dona Angelina. – dei uma bronca nela, sorrindo logo em seguida.
– Eu não ia chorar! – ela fungou, disfarçando.
– Tá, tá! – dei um abraço de leve nela e caminhei vacilante até a porta da sala – Até amanhã! – havíamos combinado que eu iria posar na casa da Vitória quando acabasse a festa.
– Não beba! E Não aceite coisas de estranhos! – minha mãe grita assim que estou no portão.
– Ok! – mas sei que estou mentindo, porque se tiver batida, eu vou beber pra caramba!
–
Nem vejo a hora passar enquanto danço Poker Face da Lady Gaga com minha outra melhor amiga, a Angela, e assim que pego meu celular quando finalmente me sento em uma das cadeiras da mesa, me assusto. 2hrs 22min. Vejo nove ligações perdidas da minha mãe e seis do meu pai. Pro meu pai me ligar, a coisa é séria!
Levanto e me encaminho até a saída. Decido retornar a ligação do meu pai, que é a mais recente.
– Alô? – ele atende no terceiro toque.
– Papai, o que houve?
– Nath, vem pra casa agora! – ele responde mandão.
– O que? Pai! Você disse que eu ia ficar na casa da Vitória e amanhã você ia me buscar! – retruco.
– Natália, não complica mais. Vem só pra casa, ok?
– Tá. – desligo o celular e entro no salão novamente.
Começo a procurar pela Victória ou pela mãe dela e depois de vários minutos rodando igual uma barata tonta bêbada, finalmente a acho.
– Mana, meu pai tá pedindo pra eu ir pra casa. – pronuncio assim que a vejo, interrompendo a dança dela com seu namorado.
– Vish, Nath, vou ligar pra minha mãe e ela te leva rapidinho, ok? – Victória diz, disca o número do celular e depois de alguns minutos a mãe dela aparece do meu lado. – Mor, até qualquer dia. – Sim, a gente tinha a mania de nos chamar de ‘Mor’.
– Até, mor! – dou um abraço nela e sigo sua mãe até a saída de novo. Não demora muito pra que nós estejamos no carro.
–
Uns 10 minutos depois estávamos na minha casa. Congelei assim que vi um carro preto na frente do portão e quase desci do carro da ‘tia’ em movimento. Assim que ela estacionou, eu pulei pra fora, gritando um obrigada e boa noite, abri o portão e corri pra dentro.
Encontrei meu pai e minha mãe acordados e um homem desconhecido do lado.
– Mas que foi que aconteceu? – disse nervosa.
– Filha, você sabe que o Samuel não é seu pai, certo? – minha mãe pronunciou, sem olhar nos meus olhos.
– Sei. – disse desconfiada – Você disse que meu pai morreu antes de eu nascer.
Samuel, ou como eu preferia chamar pai, havia se casado com minha mãe a mais ou menos oito anos e era pai do meu irmãozinho, então de qualquer jeito eu o considerava meu pai.
– Não foi completamente verdade. – ela disse, ainda olhando pra baixo.
– Como assim? – perguntei nervosa.
– Seu pai está vivo...
– Hã?
– E ele é Tony Stark.
– O QUE? – meu grito foi ouvido na casa inteira, não sei como meu irmão não acordou.
– Filha, me entenda! Eu era jovem, imprudente... – minha mãe tentou começar a falar.
– Mas não tinha o direito de me esconder algo assim! – quase gritei de novo, histérica.
– Me desculpe Nath... Por favor... – os olhos da minha mãe estavam cheio de lágrimas e ela tentou se aproximar.
– Não! – me afastei, esbarrando no homem desconhecido – E quem diabos é você? – perguntei irritada.
– Sou Agente Phil Coulson da S.H.I.E.L.D., vim aqui para lhe levar para conhecer seu pai, se for de seu desejo. – ele se apresentou.
– Ele sabe sobre mim? – perguntei um pouco mais calma.
– Descobriu há pouco tempo. – o Agente olhou para minha mãe. – Sra. Machado, posso leva-la?
– Não! – minha mãe grunhiu entre dentes.
– Acho que essa não é sua decisão. – resmunguei. – Eu vou.
– Nath, filha, por favor... – agora minha mãe implorava.
– Quando vamos Agente? – viro-me pra ele.
– Hoje mesmo se quiser. – ele responde.
– Só espere eu arrumar minhas malas.
Andei em passos firmes até meu quarto, pegando uma das únicas malas que tinha aqui em casa e comecei a colocar minhas roupas nela. Não demorou muito. Peguei minha mochila antiga da escola e fui até minha estante, pegando meus livros (tinha por volta de 20) e colocando com cuidado, também peguei meu diário, meu celular, meu fone de ouvido, meu tablet e uma caneta. Peguei algumas caixas de sapatos, colocando algumas das minhas Melissas e meus All Star.
– Vamos? – eu carregava as coisas com dificuldade e o Agente percebeu isso e veio me ajudar.
– Não faça isso, Nath... – agora Samuel pedia.
– Desculpe, pai. Mas eu já fiz. – e sai de casa, sem me despedir e não olhando para trás.
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