How many secrets can you keep?
7 Capítulo 7 - Um lugar para chamar de lar.
Chegando á Santo André, deixei o carro no estacionamento do outro lado da rua, em frente ao parque. E ficamos cerca de 10 minutos para atravessar a rua, por conta da quantidade de carros que passam.
Entramos por um caminho de asfalto cinza, em meio á grama e árvores e ao lado uma grande placa escrito ''Parque Central''.
Peguei o celular em meu bolso e liguei para Yash e ele logo atendeu.
''Yash, onde você tá?'' — Perguntei de início.
"'Estou no palco, corre pra cá.'' — Respondeu ele.
"Certo, estou indo.''- Falei desligando o celular.
Continuamos andando, fumando e conversando até chegarmos a um palco de madeira meio oval e com cobertura numa espécie de triângulo laranja. Ele era um lugar definitivamente bonito por conta do lago que há atrás.
Olhei em volta e logo bati o olho no cara alto, meio gordinho, com os cabelos amarelos. Usava uma bermuda azul, camisa branca de gola azul e tênis brancos. Ele tem poderes de criar portais e teleportar a si mesmo e a outras pessoas para outros lugares.
Conversava com Coru que estava ao seu lado, usando sapatilhas, short curto azul meio rasgado e camisa branca com uma coruja desenhada.
Avistei também Leo, Marti e Tomi. Andei em direção a eles e abracei-os.
Fui andando pelo local e encontrei Isadora, uma garota magra, alta e bem bonita. Estava vestida numa calça jeans, tênis pretos e uma camisa branca simples. Ela tem poderes de telecinese e pode mover objetos, coisas e pessoas. Também pode ler pensamentos usando a sua mente.
Ela estava brincando com Thalles, um garoto alto, magro e bem bonito que estava se teleportando de um canto para o outro e irritando Isa.
Ele vestia uma camisa branca e bermuda preta com tênis azuis escuros e um alto topete formado pelos cabelos negros.
Sentado em um canto estava Dan, um homem alto, careca, moreno e sarado. Usava óculos quadrados e uma regata cinza mostrando seus braços malhados. Ele tem poderes de força e regeneração do corpo e células.
Sentado em um canto com sombra estava Gui, com um fone de ouvido. Ele é alto, mas não muito. Branco e olhos claros. Ele não gosta muito de sol, acho que é pelo fato de seus poderes serem gélidos. Apelidamos ele de ''Garoto de Gelo''.
Thay foi ao seu encontro e sentou ao seu lado e ficaram conversando. Mille estava junto com Dan, olhando uma revista.
Eu e Anna fomos conversar com Yash..
''E aí, Yash. Quanto tempo.'' — Falei
''Ai deuses, que saudade de vocês, venham aqui, me abracem.'' — Disse ele sorrindo.
''Ah, então.. Como conseguiu reunir todo o pessoal de novo? Muita saudade disso tudo..'' — Disse.
''Ah, nem foi tão difícil. Achando um, fui encontrando todos. HAHA.'' — Comentou ele.
Entendi... E pra onde iremos? Vamos viajar pra outro país ou algo do tipo?'' — Perguntei.
''Ah, segredinho..'' — Falou ele.
''Então, como vai ser?'' — Perguntei.
''Vou reunir o pessoal e dar o recado'' — Respondeu ele.
Yash foi pedindo para as pessoas irem para o centro do local e ficarem quietos porque ele iria dar um recado.
''Então, galera. Eu chamei todos vocês aqui porque eu precisava dar um recado. Bom, logo depois de todo o acontecido eu falei com a Coru, mesmo ela estando no exterior e nesses dois anos nós conseguimos um local.. Um local para treinar, viver e etc. Podemos morar todos juntos e nos proteger. Há lugar para todos.'' — Terminou ele dando a palavra á Paula
''Enfim, depois de tudo o que aconteceu naquela época, muitos me odeiam que eu sei. Eu preferiria ter morrido á entregar vocês, mas eles me torturaram. Eu sei que foi um erro e que muita gente morreu, mas eu não pude fazer muito. Foi então que na minha viagem eu consegui muitas coisas. Dinheiro, e etc. Aí consegui contato com Yash e ele foi procurando locais para que pudéssemos nos hospedar e viver todos juntos. Então ele achou esse lugar e eu fui financiando junto com ele. Por fim compramos e eu dei a ideia de unir todos nós para mudar pra lá. O que vocês acham?'' — Terminou ela
''Acho legal, mas como vai ficar pra todos morarem lá?'' — Perguntei.
''Então, nós precisamos da colaboração de todos, porque não podemos bancar tudo sozinhos. Até porque nós já conseguimos o lugar e tudo o que precisa para a proteção.'' — Respondeu Yash.
''Ahn.. Ok. Mas como vamos fazer para ir todo mundo pra lá?'' — Continuei.
''Bom, vocês podem ir para as suas casas e pegar seus pertences e nos encontrar aqui.'' — Disse Paula.
''Ok, então vamos fazer assim, pessoal.'' — Disse me referindo a todos. — ''vocês podem ir para as suas casas e pegar seus pertences e nos encontrar aqui ás 22h. Pode ser?'' — Terminei.
Todos concordaram em uníssono e foram pegando suas mochilas, se despedindo e saindo do local.
Eu e Anna ficamos um tempo lá, sentados na grama, fumando e olhando o pôr do sol. Ela estava quieta de mais, e então eu perguntei: '' Cê tá bem? Aconteceu alguma coisa?''
''Sei lá, só sinto falta de ter todo o pessoal reunido.'' — Respondeu ela.
''Ah, eu também sinto falta, mas não podemos mais voltar no passado, sei lá.'' — Comentei.
''É, pode ser. Mas como vai ser nossa vida agora? Eu fico pensando nisso.'' — Perguntou ela.
''Bom, agora pode ser melhor que antes. Mas e aí, você vai querer ir pro tal lugar, ou continuar na sua casa?'' — Falei.
''Ah, eu acho que vou com vocês. Não tem mais motivos pra eu ficar sozinha lá, até porque eles já me acharam e seria perigoso ficar sozinha. Espero que eles não tenham quebrado minha casa.'' — Respondeu ela.
''Então vamos lá buscar suas coisas, depois pegamos as minhas e voltamos para cá.'' — Falei me levantando e dando a mão para ela.
Fomos andando em direção a saída do parque e atravessamos a avenida para ir até o carro. Entramos e liguei o rádio. Fui passando as músicas e parou em ''Why'd You Only Call Me When You're High?'' do Arctic Monkeys.
Anna aumentou no último volume, saí do estacionamento e fui em direção a via sentido centro.
Passamos em um shopping perto de casa, para comermos. Deixei o carro no grande estacionamento ao lado e fomos entrando pelo caminho ladrilhado com cobertura verde e entramos no shopping subindo as pequenas escadas. Andamos em direção ao Mc Donald's e olhando algumas lojas. Pedimos os lanches e sentamos em uma mesa para comer e ficamos conversando sobre o que iria acontecer de agora em diante. Terminamos e estávamos saindo do shopping quando parei em uma loja e fiquei observando umas jaquetas. Logo saímos do Shopping e entramos no carro. Saí do estacionamento e peguei novamente a via sentido bairro.
Chegando na casa de Anna, deixei o carro do outro lado da rua e abrimos os portões entrando na casa. Era nostálgico estar lá, após tantos anos e esses dias corridos, mal lembrava como era.
Quando entramos a casa estava em perfeito estado, assim como havíamos deixado, mas havia algo diferente dentro dela. Eu sentia um peso emocional diferente. Me aproximei dela e falei em seu ouvido.
''Prima, acho que tem mais alguém aqui além de nós. Haja normalmente e vai pegando suas coisas e colocando na mala. Vou ficar observando.'' — Falei.
''É, eu já percebi isso. Ok, vou ir pegar as coisas. Liga o rádio e coloca uma música, depois a gente pula a janela e eles nem vão perceber.'' — Disse ela.
''Ok, vai lá.'' — Terminei.
Liguei o rádio bem alto e sentei no sofá e peguei o celular, mandei uma mensagem para Yash.
''Carinha, acho que eu e Anna vamos nos atrasar, mais cedo tinham invadido a casa dela e eles ainda não foram embora. Vamos ver o que conseguimos por aqui. Prometo que não vamos morrer. Beijos.'' Enviei.
Anna já tinha enchido uma mochila com roupas e estava pegando alguns pertences e colocando em outra.
Comecei a ouvir passos no terraço, fui até ela no quarto e falei baixo.
''Tô ouvindo passos lá em cima, vou subir pra ver o que tem lá, joga as mochilas no portão que já vamos sair.'' —
''Tá bom, já terminei de guardar as coisas, toma cuidado. Já vou atrás de ti.'' — Falou ela.
Aumentei mais o rádio e fui para a cozinha, e parei em frente a um grande armário branco onde há uma geladeira ao lado, e do outro lado uma grande pia com um fogão branco ao lado.
Abri a pequena porta cinza e esperei uns instantes, e sai olhando para as grandes escadas em tom laranja. No qual ainda estava vazia.
Fui subindo cautelosamente, e podia sentir a aflição dos quais estavam a minha espera.
Quando cheguei ao topo da escada, haviam muitos homens armados em formação. Uns 15, olhando por cima.
''Ora, olha o que temos aqui. Vieram pra festinha?'' — Falei abrindo um sorriso irônico.
Coloquei a mão no bolso e tirei um maço de Malboro Red e peguei um. Todos apontaram as armas em minha direção. E então acendi o cigarro.
''Nós sabíamos que vocês estariam aqui, aberração'' — Falou um homem alto, branco e vestimenta social preta.
''Aberração? Pelo que vejo, as únicas aberrações aqui são vocês.'' — Falei.
''Nós somos pessoas normais, vocês são sim, aberrações. Devem ser exterminados.'' — Respondeu o tal.
''Ah, nossa. Quer dizer que você não pode dividir o mundo com alguém diferente só por você ser um bosta sem nada especial? Oh, me desculpe.'' — Respondi olhando diretamente em seus olhos.
Ouvi Anna subir as escadas rindo.
''Eita, o que esse bando de gentinha tá fazendo aqui? Não acharam o que precisavam e ficaram esperando eu voltar? Quanta admiração.'' Disse ela lixando a ponta de uma de suas garras.
Comecei a usar meus poderes para deixá-los com medo, e recuarem. Alguns abaixaram as armas e foram andando para trás enquanto eu caminhava pelo terraço.
Puxei uma cadeira e me sentei, olhando para o tal homem alto.
"Então, meu querido. Nós estamos aqui, me diz o que você quer.'' — Comecei.
''Nós queremos que vocês morram! Isso que nós queremos.''- Gritou ele.
''Não precisa gritar, inútil. Eu não sou surda'' — Falou Anna.
''Bom, estamos aqui esperando você nos matar. Vai demorar muito ou vou ter que chamar uma ambulância pra vocês antes?'' — Finalizei me levantando da cadeira.
Novamente apontaram as armas para nós, foi então que olhei para Anna e peguei no braço dela. Ela olhou novamente para mim e balançou a cabeça em afirmação.
Arremessei-a na direção deles e fui atrás.
Anna decapitou uns dois ao mesmo tempo e foi para cima de outro chutando as bolas do tal.
Fui andando calmamente em direção ao homem alto e socando alguns e empurrando outros, quando parei em frente a ele o puxei pelo colarinho e olhei no fundo de seus olhos. Ele gritou e me deu alguns socos que doeram até. Nos socamos, rolamos no chão até que ele levantou pisando em meu pescoço.
Estalei os dedos e Anna veio correndo e pulou em seus ombros e quebrou o pescoço do homem que afrouxo o pé e caiu deitado.
Me levantei arrumando a roupa, e olhei para Anna que estava meio suja de sangue.
''Mas que caralho, ele quebrou meu cigarro.'' — Comentei olhando para Anna com indignação.
''Porra, eles quase mataram a gente e você tá pensando em cigarro?'' — Respondeu ela rindo.
''Olha, uma de suas garras quebrou''. — Disse apontando para a mão dela.
''QUE? QUEM FOI O FILHO DA PUTA?'' — Gritou ela olhando os corpos alheios.
''Não sei, mas vamos queimar esses corpos e ir embora, já tá ficando tarde.'' — Disse.
''Primeiro vou trocar de roupa, vai tocando fogo neles aí que já volto'' — Respondeu ela descendo as escadas.
Juntei todos os corpos na área sem telhado do terraço e joguei um pouco de pinga, tomei um gole e acendi um fósforo, jogando-o por cima dos corpos e as chamas subiram.
Anna voltou vestindo camisa xadrez branca, calça preta e tênis pretos.
''Vamos embora agora?''- Perguntou ela.
"Ah, vamos esperar queimar logo tudo, se não pode pegar fogo na casa.'' — Respondi.
''É verdade, vou sentar um pouco.'' — Disse ela.
Depois de tudo pegar fogo, jogamos água e descemos, já eram 20h da noite, e saímos da casa trancando tudo.
Pegamos as mochilas dela e entramos no carro, indo direto para minha casa.
Estacionei o carro na rua ao lado e abri o portão cinza entrando no quintal, subi a escada e abri a porta de metal. Estava com saudades daquela casa.
Fui ao meu quarto, peguei uma bolsa qualquer e joguei algumas roupas e coisas, tudo o que precisaria para um novo lar.
Após encher três bolsas, estava na sala procurando alguns pertences e achei um quadro, com uma foto da minha ''família'' o guardei na mochila e tranquei novamente a casa, saindo.
Coloquei as malas no porta-malas e entrei no carro, liguei-o. Olhei uma ultima vez para aquela casa e sai com o carro, descendo a rua.
Liguei para Yash que atendeu no segundo toque.
''Jhon? Onde você tá? Tá tudo bem?'' — Começou ele gritando.
''Eita, calma. Não grita. Estamos bem sim, já estou indo pro ABC. Mas como disse, vou me atrasar.'' — Respondi.
''Não tem problema, nós estamos seguros aqui. Venham logo, obrigado.'' — Disse ele.
''Ok, relaxa. Logo logo estaremos aí. Beijos.'' — Terminei desligando o celular.
Olhei para Anna que estava procurando uma música no rádio e falei.
''Quer um cigarro? HAHAHA'' -
''Me dá um aí.'' — Disse ela.
Entreguei-a um cigarro e ela achou a música que queria: Lana Del Rey — Dark Paradise.
Acelerei o carro na avenida com a música alta, e segui caminho novamente para o ABC.
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