Notas iniciais
Demorei mil anos, mas acho que tá legalzinho e divirtam-se. Não sei quando vou postar um novo capítulo, pois me perdi totalmente na história. HAEUAHUEH. Mas enfim, a trama vai continuar.

Foi um susto e tanto quando aquela garota apareceu diante do pulo. Ela tem um aspecto simpático, levando em conta a sua mutação, porém não sou o tipo de pessoa que confia tão fácil em alguém.
Dan, Malu e Thalles estavam conversando com ela, debaixo da cachoeira, enquanto Giu estava sentada na beira do lago, mexendo em sua bolsa e procurando algo. Continuei no mesmo lugar desde que cheguei, em cima de uma pedra no alto da montanha. Preferia ver tudo de cima, para garantir que nada iria acontecer novamente e nos pegar de surpresa.

Abri um novo maço de cigarro que estava no bolso da minha calça, e com a mesma mania de sempre, virei um, peguei outro acendi e traguei. Olhando para aquele lugar, deserto, longe de qualquer coisa me deu uma ótima ideia que não iria se realizar. Ficar ali, construir uma casa e simplesmente sumir do mapa seria uma ótima opção, mas na nossa atual situação, cada devaneio é inútil. Até tudo isso acabar, não teríamos paz. Pode durar dias, meses, anos, até uma eternidade, é frustrante. Gostaria muito que isso acabasse logo sem mais pessoas morrerem.

Estávamos tentando fazer contato com o pessoal da mansão, mas sempre falhava. Ficamos preocupados com o que poderia ter acontecido lá, porém estávamos tão ocupados com o que poderia acontecer conosco que deixamos pra lá. Qualquer preocupação em vão seria letal.
A tal garota, Daniela, parecia ser uma boa pessoa e confesso que talvez possamos usá-la para encontrar Anna.
Estava observando Giu sentada lá em baixo e fumando sozinha. Resolvi que deveria conversar com ela.
—''Hey, Giu!''-
Ela ficou olhando em volta, procurando de onde foi que a chamaram. Acenei e logo ela se levantou e caminhou montanha acima ao meu encontro e por fim, alguns minutos depois ela chegou ao topo da rocha.

—''Oi?.. Aconteceu alguma coisa?'' — Perguntou ela.
—''Não.''- Respondi. -''É que te vi lá sozinha, pensei que quisesse conversar.''-
—''Relaxa, tá tudo bem. Só ando me sentindo estranha.''- Disse ela.
—''Eu também.. Isso começou logo depois daquela explosão.''- Falei.
—''É, sei lá. Tá tudo estranho ultimamente. Espero encontrar Anna logo e voltar pra casa.'' — Disse ela sentando-se na rocha.
Ficamos um tempo ali, em silêncio apenas observando os outros se divertindo na cachoeira.
—''Sabe o que poderíamos fazer?''- Disse.
—''O que?''- Disse ela me olhando com uma expressão de dúvida.
—''Pular daqui e assustá-los.''- Respondi rindo.
—''Boa ideia, dá uma adrenalina. Vamos!''- Disse ela tirando a roupa.
Giu estava com um biquíni preto e eu apenas com um short cinza. E então, demos as mãos e pulamos.
Quando toquei a água e fiquei submerso, todo o meu corpo estremeceu com o choque da água fria e o quente do meu corpo. Um choque térmico delicioso misturado com a adrenalina de pular daquela altura. Fomos xingados e rimos muito, mas todos concordamos que já era hora de sair e continuar procurando Anna, até que a garota lobo disse que nos ajudaria e que perto dali havia um galpão abandonado, mas parecia estar sendo habitado nessas últimas semanas. E que nos levaria até lá. De início eu não confiava tanto nessa garota, mas parece que agora ela é uma boa pessoa e quem sabe uma nova integrante da mansão. Conversaríamos sobre isso no caminho.

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Narração por Martinato.

Eu realmente já estava cansado dessa palhaçada toda. A minha vontade era colocar todos eles em uma casa e atear fogo. Quem sabe fazer cosplay de Hitler por alguns minutos. Fazer churrasquinho de mutantes. Assistir meus amigos se ferindo e até morrendo para sobreviver e não deixar nada acontecer com os outros, é frustrante, sem poder ter força suficiente pra derrubar todos de uma vez só e mandá-los pro espaço. Queria muito largar tudo e sumir de novo, deixar tudo e nem olhar pra trás, mas haviam pessoas ali com quem eu realmente me importava e não poderia fazer isso com eles. Ver aqueles corpos sem vida no chão da sala me angustiou demais, e preferi continuar na minha, sério, sem expressões, manter o orgulho acima do sentimento.
—''Paula, a casa vai ficar totalmente segura com a cúpula?''- Perguntei sério.
—''Com a cúpula, sim. É impossível derrubarem ou atravessarem.'' — Respondeu ela sem tirar os olhos da tela e dos controles.
—''Ótimo''- Disse. -''Vocês aí que não estão fazendo nada, ajudem a tirar esses corpos daqui e arrumem um lugar pra eles.''- Finalizei subindo as escadas e indo em direção ao meu quarto.

Muitos ali deviam estar pensando muitas coisas ruins ao meu respeito, mas na real? Eu não me importo, quero que eles se fodam. São meus amigos, mas tem horas que eles realmente me tiram do sério. Peguei meu celular e os fones, deitei em minha cama e coloquei Charlie Brown Jr pra tocar. Fechei os olhos e fiquei curtindo a vibe. Estava pensando em muitas coisas que eu poderia fazer pra terminar logo com isso, mas não conseguiria nada sozinho e ninguém iria querer entrar nessa comigo. Na situação atual ninguém iria querer arriscar a vida por algo que valeria a pena. Estava quase adormecendo quando me assustei com Janaina batendo na porta do meu quarto, e pedi para que entrasse.
—''Jantar tá servido.. se quiser comer, só descer ok?'' — Disse ela fechando a porta, sem esperar uma resposta.
Não estava com fome, toda essa situação me fez perder a vontade de comer. E olha que isso é difícil de acontecer, mudei a música e me foquei nela até que adormeci. Tive uns sonhos muito estranhos enquanto dormia, parecia um tipo de aviso. Pensei que poderia ser alguém mexendo com a minha cabeça, até que acordei assustado com uma coisa. Me vi em um local totalmente diferente do que eu já havia estado, era uma espécie de campo, como se fosse um bosque. Uma garota aparecia e mexia comigo, passávamos o dia juntos mas em um momento ela tentou me matar. Isso realmente foi estranho, pois acabei fritando ela. Ela era gostosinha, mas né, fazer o que tive que me defender.

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Estava muito calor, e andar no meio daquela mata já tava me dando agonia. Já estávamos andando a horas. Tínhamos pouca água, estava calor demais, e nossas mochilas pesadas estava nos desgastando. A garota do qual o apelido é Loba, não parecia nem um pouco cansada, devia estar acostumada a andar tanto tempo no sol e sem água. Malu e Giu já estavam exaustas, quase não conseguiam se manter em pé, pediram mais de duas vezes para que parássemos em algum lugar pra descansar, mas não havia sombra o suficiente e Loba disse que a floresta era perigosa, deveríamos continuar andando. Mas como já estávamos todos exaustos, paramos alguns metros a frente, embaixo de uma árvore grande com algumas frutas penduradas, do qual não consegui distinguir.
Todo o ambiente em volta era pura mata. Em todos os cantos haviam grandes árvores, algumas com troncos grossos e algumas com troncos finos, porém firmes. Nem todas tinham frutos.
Assim que decidimos parar, todos se jogaram em um canto pra descansar, até Dan estava cansado.
—''Falta muito pra chegarmos no tal galpão?'' — Perguntou Thalles.
—''Não, acho que mais duas horas de caminhada.''- Respondeu Loba.
—''Não aguento andar nem dois minutos. Podemos deixar isso pra mais tarde?''- Perguntou Giu.
—''Não podemos andar por aí a noite. É mais perigoso do que na luz do dia.''- Respondeu Loba.
—''Malu, não dá pra fazer uma chuvinha aí não? Pelo menos nós ficaremos refrescados e conseguiremos andar.''- Perguntou Thalles.
—''Eu tô cansada. Mas acho que dá pra fazer chover um pouco.''- Respondeu ela, ficando de pé e flutuando alguns metros acima de nós.
Começou a ventar bastante e o sol foi tampado por algumas nuvens nubladas e logo começou a cair as gotas geladas da chuva.
Guardamos nossas bolsas dentro do tronco da árvore, para não molhar e estragar os celulares e molhar nossas roupas, iriamos precisar delas depois.
A chuva estava maravilhosamente gostosa, se eu fosse uma mulher, estaria tendo um orgasmo múltiplo agora. O incrível era que só chovia no local onde estávamos, Malu era realmente uma ótima bruxa do tempo. Estávamos totalmente encharcados, mas deu uma bela refrescada. Malu fez a chuva parar e deixou o tempo nublado para tirar aquele calor horrível, descansamos por um tempo e então decidimos continuar andando a procura do tal galpão.

Após duas horas de caminhada conseguimos achar o tal galpão, mas ele parecia quieto demais. Loba decidiu ir sozinha pra verificar o que havia lá e depois voltaria pra nos avisar. Colocamos nossas coisas em uma árvore que havia ali perto, caso fosse necessário sairmos ás pressas de lá, enquanto esperávamos Loba voltar, até que alguns minutos depois ela voltou.
—''Bom, querem primeiro a notícia boa ou a ruim?''- Perguntou ela.
—''Qualquer uma.'' — Respondi.
—''A boa é que a tal garota que vocês descreveram tá lá dentro sim, mas tá amarrada com cabos de aço. Vai ser meio difícil soltá-la.''- Respondeu ela.
—''E a ruim?'' — Perguntou Giu.
—''A ruim é que tem muitos homens lá dentro. Acho que não conseguiríamos derrotar todos eles sozinhos.'' — Disse ela.
Todos olhamos uns para cara dos outros, tentando pensar em algo que poderíamos fazer. Mas realmente estava difícil pensar no que fazer.
—''Tive uma ideia''- Disse Malu. — Todos olhamos pra ela com a esperança de ter uma boa válvula de escape.
—'' Vamos fazer o seguinte: Eu vou tentar fazer uma puta de um temporal e aqui vai ficar alagado. Logo, vai entrar água dentro do galpão e inundar um pouco. Nisso, alguém vai sair de lá de dentro, o que é meio óbvio e vou atacá-los com raios, vão todos morrer eletrocutados. Mas alguém vai ter que entrar lá e retirar a Anna, porque pode acontecer de ela ser eletrocutada junto. Ou o galpão pegar fogo com algum raio.'' — Disse ela.
Pensamos em várias outras possibilidades. Até mesmo em Thalles se teleportar lá, pegá-la e desaparecer. Mas não iria conseguir teleportar todos ao mesmo tempo e teríamos que correr.
Decidimos então que a ideia de Malu era a melhor a se fazer, e fomos aos preparativos.

Malu voou até o teto do galpão e ficou esperando o momento certo. Assim que arrumamos lugares seguros para não sermos mortos, ela começou com a chuva forte e os trovões. Os ventos deviam estar á uns 80km por hora. Giu e eu subimos em uma árvore e nos amarramos com uma corda. Loba entrou dentro de um buraco no tronco de uma árvore e tentava se proteger. Thalles se amarrou ao tronco de uma árvore e estava apenas esperando o sinal de Malu para se teleportar lá pra dentro e retirar Anna.
Alguns minutos depois, o vale todo estava alagado e a água já havia invadido o galpão, assim alguns dos homens saíram de lá de dentro atrás dos seus carros para tentar fugir. Malu deu o sinal para Thalles se teleportar e pegar Anna, enquanto ela mandava raios extremamente fortes de encontro com a água e só conseguíamos ver os corpos dos engravatados flutuando sobre a água.
Nós não queríamos matar mais ninguém, isso só geraria mais guerra, mas não poderíamos evitar. Ou matamos ou morremos.
Thalles estava demorando tempo demais para sair de lá, mais do que esperávamos. Giu e eu nos desamarramos da árvore e fomos pro chão, a água estava na altura dos nossos joelhos. Pegamos Loba e corremos pra um lugar mais alto, longe do galpão. Um tempo depois, Thalles apareceu do nosso lado com Anna, e então Malu sobrevoou o galpão, e mandou um raio que o fez explodir. A última coisa que eu vi antes de correr, foi aquela luz vermelho alaranjado subindo pelo ar e iluminando todo o local.

Anna estava desmaiada, então a colocamos nas costas de Loba que estava transformada e conseguiria levá-la sem preocupações. Dan havia pego nossas coisas e assim, procuramos um caminho seguro para seguir, enquanto pensávamos no que iriamos fazer para voltar até a mansão.