Notas iniciais
☼ Bom, o título da história vem de um verso da música "sick of losing soulmates" da dodie. Quem quiser conferir, o link do clipe lindinho tá aqui: https://www.youtube.com/watch?v=8qGFAkyfjDU ☼ Essa é a minha pequena e modesta contribuição para o Pride Month. Agradeço a Noora, Prongs, Red e Violet por encabeçarem mais uma vez esse projeto bonito. ☼ Agradeço também a Foster pela capa maravilhosa que vestiu tão bem a historinha. Boa leitura! :)

Lily Luna Potter gostava de garotas. Isso nunca havia sido sequer um mistério para si; desde pequena suas paixões platônicas infantis giravam em torno do mesmo gênero: Artemisia Lufkin (a primeira mulher a dirigir o ministério da magia e também a responsável pela realização do torneio da Copa Mundial de Quadribol na Grã Bretanha), Amelia Earhart (a pioneira da aviação norteamericana foi a responsável direta para o fato de, entre os 8 e 9 anos, Lily só aceitar sair de casa usando óculos aviadores), Victoire Weasley (a melhor babá do mundo e também sua prima mais velha).

Durante a infância, Lily não queria apenas crescer e ser como elas. Queria crescer e se casar com qualquer uma delas, o que quer que isso significasse. E embora todas as suas quedinhas infantis tenham passado e se mostrado inviáveis por variados motivos ao longo do tempo e na passagem para a adolescência muitas coisas se perderem (dentes de leite, pulseiras da amizade, tênis-patins-piscantes, a terrível mania de usar gloss com sabor de tutti frutti...), seu interesse por meninas se manteve – com a diferença de que agora as garotas que lhe chamavam atenção tinham idade próxima a sua, estavam vivas e não tinham laços consanguíneos com Lily.

Portanto, diferente de uma porção de pessoas (bruxas e trouxas), a sexualidade de Potter nunca a assombrou, de modo que ela sequer precisou elaborar muitas conjecturas a respeito. Isso se devia a inúmeros fatores, é claro, mas talvez o mais evidente é que ela considerava ter um ótimo núcleo familiar. Apesar dos pesares comuns enfrentados ao conviver com outros seres humanos, a verdade é que Lily se sentia sortuda. Harry e Gina eram pais legais e algo na criação que eles haviam dado a ela devia ser responsável por aquele ar de segurança ao andar pelo mundo que Lily possuía. Seus irmãos também não eram nada maus: Teddy, que só passava temporadas com os Potter, havia lhe ensinado a ter bom gosto musical; James, apesar de implicante, havia lhe ensinado a ter carisma. E Albus...

Bom, Albus havia lhe ensinado, pelo exemplo, tudo que ela não deveria fazer. Lily se sentia um pouco culpada ao pensar nisso, mas era verdade. Al era o legitimo e incorrigível portador de uma personalidade melodramática. De algum modo, todos os dramas familiares o envolviam e ele sempre era o centro das preocupações paternas – embora sofresse de complexo de irmão do meio e se sentisse incompreendido por todos. Para alguém que queria ser invisível, era impressionante a quantidade de vezes que Albus arrumava um jeito de atrair a visibilidade para si.

Fora assim com a seleção para a sonserina, com a amizade com Scorpius Malfoy, com o padecimento-romântico-eterno por Izzy e depois com todas as dúvidas – em alto e bom som – sobre a própria sexualidade, até por fim aquela saída do armário no primeiro jantar em família nas férias passadas.

A urgência-de-tudo e o quanto Albus se levava a sério deixavam Lily levemente entediada. Mas não a entendam mal: ela amava o irmão com todo o seu coração. Só não conseguia evitar a vontade de girar um pouquinho os olhos quando ele bancava o ator principal de alguma peça muito ruim. Felizmente, quase sempre o sentimento se esvaia quando ela ganhava dele nos jogos de videogame.

E Lily ganhava com frequência.

Naquela noite morna, por exemplo, apenas uma semana após voltarem para casa por conta do recesso de verão, sua Sonya Blade estava acabando com o Subzero do irmão quando ela sentiu o galeão esquentar no bolso do jeans. O coração saltou uma batida premeditando de maneira correta de quem era a mensagem: Isobel, confirmando que ficaria em casa.

— Izzy? – Al perguntou e algo no rosto de Lily deve ter confirmado, porque ele continuou: — Ela não vem, não é? – adivinhou, voltando os olhos para a TV. Lily guardou o galeão no bolso sem responder a mensagem ou o irmão. De algum modo, seus dedos ficaram pesados depois disso. Ela teve dificuldade de lembrar os comandos que sabia até de olhos fechados. Albus conseguiu reverter o round. Em poucos minutos, ele estava rindo do milagre que era a vitória em Mortal Kombat.

Lily suspirou. Aquele era um jogo que ela não conseguia vencer. Mas para essa metáfora fazer sentido na história, permitam-me contar um pouco mais sobre os Potter: Albus e Lily foram os últimos a entrar em Hogwarts. Como era caçula, Lily foi selecionada para a Grifinória quando Al era um sonserino secundarista e James já era o principal pesadelo dos monitores grifinórios. Apesar disso, ela não teve dificuldade alguma em trilhar seu próprio caminho durante a sua jornada acadêmica.

Ela era uma aluna razoável e, como seus pais e avô, tinha um gosto por voos, o que eventualmente lhe rendeu a entrada como artilheira-reserva para o time de quadribol de sua casa no terceiro ano e, no final do quarto, uma vaga titular. Para além do quadribol, Lily também participava da atividade opcional de voo sincronizado, uma modalidade recente em Hogwarts. Mais do que seu sobrenome, a serenidade de quem parecia estar confortável na própria pele fazia com que as pessoas se sentissem magnetizadas por Lily. Ela era afável e fácil de lidar, o que sempre fazia Hugo, seu primo e fiel escudeiro, achar estranho o fato de ela não ter sido selecionada para a lufa lufa como ele.

Nem tudo na vida acadêmica de Lily, no entanto, eram flores. Apesar de tirar notas medianas, era difícil manter o padrão quando se tratava de História da Magia. Para alguém que crescera tão interessada em biografias de mulheres – bruxas e trouxas – incríveis, era de se supor que ela nutriria alguma aptidão para a matéria, mas o professor Binns havia matado qualquer possibilidade de isso acontecer desde a primeira aula. Não importava o que fizesse, Lily não conseguia vencer o sono.

Com a proximidade dos N.O.M.S, ela achou que seria sensato entrar em um grupo de estudos. E foi assim que ela conheceu Isobel Amelia Dawson, uma corvinal do mesmo ano de Albus, aficionada por História e por histórias. A amizade foi quase instantânea. Em pouco tempo, elas se tornaram inseparáveis. Isobel era a primeira bruxa católica que ela conhecia. Na verdade, era a primeira bruxa católica, latina e bissexual que Lily conhecia, e foi com ela que aprendeu uma porção de coisas culturais das quais não tinha a menor ideia.

Lily aprendeu um monte de palavras em espanhol. Aprendeu a reconhecer diferentes sotaques a depender da região em que era falado. Conheceu as novelas, histórias trouxas mirabolantes que costumavam terminar com uma grande festa de casamento; e também as fotonovelas bruxas que fizeram um enorme sucesso abaixo da linha do Equador entre os anos 50 e 70. Ela também descobriu que Isobel usava o pingente da cruz mais como um amuleto de família do que como um artigo de fé e que ela acreditava em Deus mais como a Força vital de Star Wars do que como um pai-supremo da iconografia tradicional. Ela também soube que a figura história de Jesus parecia interessante – de acordo com Izzie, o que estragava era o fandom. E por tudo isso, ela não achava que seus traços identitários eram contraditórios: eles marcavam sua visão de mundo, de onde ela vinha e o orgulho que tinha desses micromapeamentos.

Lily a achava deslumbrante. E em algum momento, Albus começou a achar também (e consequentemente a dizer em voz alta, porque era isso que ele fazia). Quando os dois começaram a sair juntos foi quando a vida até então agradável começou a virar um filme de terror pessoal para Lily. Ela ainda não estava apaixonada por Isobel – e se estava, vinha fazendo um bom trabalho em esconder isso de sua parte consciente –, mas não gostava das perspectivas de como aquilo podia acabar mal, sendo Al seu irmão e Izzy sua melhor amiga.

E tinha tudo para acabar mal, Lily sabia. Albus amava ideias. E Isobel, por mais inacreditável que fosse as vezes, era uma pessoa, para todos os fins. Ele esteve muito apaixonado pela ideia de estar com ela, mas depois a realidade soterrou a fantasia e ele ficou igualmente apaixonado pelo plano de experienciar outros aspectos da própria sexualidade, algo que Izzie o incentivou a fazer.

Relacionamentos abertos, assim como os fechados, podem ou não dar certo. O de Al e Iz não funcionou, mas apesar da premonição de Lily, o término não foi tenso, nem lhe rendeu dor de cabeça por conflito de lealdade. Dentro do possível, eles continuaram amigos e Lily precisou dar o braço a torcer: Al se saíra um pouco mais maduro do que ela havia premeditado.

O problema é que de vez em quando... De vez em quando Al olhava para o vazio por muito tempo e isso fazia Lily conjecturar se ele não estava repensando suas escolhas de vida. O segundo problema é que nos últimos dois verões, Izzy tinha tirado pelo menos uma semana para passar com os Potter. Primeiro, ela tinha ido como convidada de Lily, depois como convidada dos dois e agora, justo no ultimo verão que elas dispunham juntas (Isobel havia se formado e pretendia passar uma longa temporada na América do Sul, talvez até mesmo arrumar um emprego em Castelobruxo), ela havia declinado o convite e Lily não conseguia não culpar o irmão por isso.

Tudo bem, ela se culpava um pouco também: não parecia um bom sinal todos aqueles sonhos com um teor quase erótico que seu cérebro vinha produzindo nos últimos meses e que sempre envolviam Isobel. Também não parecia saudável todo aquele apego à amiga, não com ela indo embora e Lily tendo um longo e último ano escolar pela frente ainda. Não era como se sua vida fosse acabar; ela ainda tinha Hugo, Lorcan, Lys, sua equipe de voo e de quadribol e ainda assim... Ela só sentia uma insana vontade de chorar.

Então agora você sabe: esse era o jogo que Lily sentia que não podia vencer.

— Você não pode deixar Al ganhar daquele jeito. – James disse minutos depois, seguindo a irmã para a cozinha. (Ele claramente não sabia o que nós sabemos.). – Não faz bem para a cabeça dele. – sussurrou como se o irmão do meio sofresse de alguma doença terminal. Em outra circunstância, Lily teria rido um pouco, mas seu humor estava mesmo ruim.

Isso James notou antes de ela sequer defender Al:

— Não deixei, ele as vezes faz coisas surpreendentes mesmo. – deu de ombros, como se não fosse importante.

— O que houve, Lils? – raramente James fazia a postura de “irmão mais velho”, mas Lily constatou, com horror, que ele estava fazendo agora.

— Não é nada demais. Achei que Izzie passaria uns dias aqui em casa. Não vai dar.

— Ah.

— “Ah” o que? – ela perguntou um pouco exasperada de que algo em seu rosto denunciasse aquela tempestade de sentimentos que estava lhe acometendo por dentro. James era uma pessoa com incrível sensibilidade visual. Ele podia não ser bom ou não ligar muito para o que você estava dizendo, mas lia e entendia expressões como ninguém.

— Você está fazendo a mesma cara que fez quando perdeu o Sr. Lindíssimo aos 4 anos. – averiguou. – Eu não entendi que seria um baque tão grande pra você se eu, bom, fizesse alguns experimentos científicos com a pelúcia, mas suponho que esse seja o momento de reparar os meus erros. – disse, mais para si do que para ela.

— Eu não tenho ideia do que você está falando, mas

— Olha só, até reprimiu a memória traumática. – continuou. – Tadinha.

...mas eu não preciso que você faça nada. – Lily pontuou e ele concordou de maneira solene com a cabeça.

Ela deveria saber, conhecendo-o como conhecia, que aquilo não o pararia. Ela deveria saber, mas mesmo assim tomou o copo d’agua e desejou boa noite, ao invés de ficar e garantir que ele tinha prestado atenção em sua última fala. Talvez, bem no fundo, Lily tivesse esperanças de que ele não a ouvisse e a ajudasse com aquilo que ela nem tinha coragem de verbalizar ainda.

Foi exatamente o que James fez, embora não desse para saber assim, logo pela manhã do dia seguinte. Lily acordou e tudo parecia normal. Nenhuma denuncia de que ela precisaria ser corajosa e lidar com os próprios sentimentos antes mesmo do pôr do sol. Ela lavou o rosto inchado de sono, tomou café da manhã com os pais e calçou o all star vermelho de caminhada para fazer o que sempre fazia em manhãs quentes tediosas: subir a colina mais próxima e ficar rebatendo frisbees dentados com um taco de beisebol. Depois ela montaria sua vassoura e passaria outro par de horas treinando manobras em completa paz e solitude.

Talvez não fosse o suficiente para esquecer Isobel e todo aquele drama do qual sua mente não fazia questão de fazer parte, mas seu coração sim. Fosse como fosse, ela estava mais do que disposta a tentar. Gina e Harry sabiam que sua amiga havia sido namorada de Albus. Seus irmãos também. O resto da família não, (com exceção de Rose e Hugo), mas ainda assim...

Parecia complicado e meio doloroso. Lily odiava coisas complicadas. Esse era o departamento de Albus. Ela gostava de coisas simples, de camisas sem estampa (como a que estava usando agora), sorvete de um sabor só. Somente o necessário, o extraordinário é demais, ela resmungou, chutando pedrinhas enquanto se lembrava da música de um filme infantil que via com Hugo na casa de tia Hermione quando era pequena.

Protegendo os olhos com a mão em concha e se xingando por ter esquecido os óculos de sol, ela marchou em direção ao seu plano para matar-a-manhã como quem marcha com convicção em nome do próprio país. E teve relativo sucesso em tudo que se propôs a fazer, tanto que mal viu a hora passar.

— Isso parece perigoso. – a voz familiar a desconcentrou.

Lily, montada em uma vassoura de cabeça para baixo a cinco metros do chão, quase sofreu um acidente sério.

— Meu ponto exato. – Izzie correu para mais perto quando, por um segundo, pareceu que ela ia cair, antes de se recuperar graciosamente.

Na hora do pouso, Lily ficou muito autoconsciente de várias coisas: 1. a considerar a altura do sol no céu, já havia passado muito da hora do almoço e talvez fosse por isso que seu estomago estivesse furioso; 2. ela estava suando e parecia uma péssima maneira de encontrar com Isobel; 3. Izzy não usava nenhuma mochila nas costas de modo que ela deveria ter passado em sua casa e deixado suas coisas lá e talvez até visto Albus e... 4. nem todas as atividades de verão do mundo seriam suficientes para distrai-la daquela visão: Isobel estava encantadora vestindo uma cropped de manga comprida verde água. Ninguém deveria ficar tão bem numa cor tão ruim e 5. nenhuma das coisas anteriores realmente importava ante o fato de que ela estava ali.

Realmente ali.

Antes mesmo de dar oi, Lily apontou para um banco de madeira há uns vinte metros de distância. Ela e Harry haviam instalando-o ali, muitos anos antes. O pai havia lançado um feitiço de proteção à luz solar de modo que era sempre refrescante se sentar ali, independente do horário.

— Então você veio. – Lily disse, sentindo-se estupida.

— É. – Izzie enfiou as mãos nos bolsos, e dava para dizer que ela se sentia um pouco estúpida também. – James apareceu lá em casa com um discurso cuja base pareceu saída da música “amigo estou aqui”, sabe, de Toy Story, mas não dava pra ter certeza porque ele estava falando muito rápido e ele é um cara persuasivo, então a próxima coisa que eu sei é que eu estava numa moto voadora, sobrevoando o céu do leste de Londres. – ela inspirou. – Porque você não me disse que ia ficar chateada com a minha ausência?

— É só... – Lily olhou para baixo. – “chateada” não é a palavra correta. Um pouco deprimida, sim. Mas não chateada com você, só com a situação.

— Ainda assim, você não me contou.

— Pois é. – Lily suspirou. Ela não havia contado um monte de coisas. – É só que toda a situação entre você e o Al... eu não queria insistir e te deixar desconfortável.

— Eu confesso que parte do convite foi declinado pelo receio que eu tive de ver seus pais. Acho que eu só fiquei com vergonha. – Isobel admitiu, um pouco do sotaque transparecendo na voz. – Mas eles foram bem legais comigo quando cheguei. E a coisa com Albus, Lily, você sabe, já tem um tempo.

— Eu sei é só que... As vezes Al fica meio perdido e eu... – ela corou, com medo de concluir a frase. Não queria que suas suposições dessem falsas esperanças para Isobel, muito embora Isobel não parecesse alimentar nenhuma esperança em relação ao assunto.

— Ah. – Izzy sorriu como quem sabia de algo que Lily não sabia.

— O que? – a ruiva apertou os olhos, curiosa.

— Ele tá apaixonado. – disse com simplicidade. – Mas não é por mim, é... – e então ela se lembrou que era um segredo, de modo que fechou a boca. Lily assentiu com a cabeça, porque não havia duvida na voz de Isobel e isso lhe tirou um peso grande das costas.

— Isso é bom, eu acho. – Lily murmurou, torcendo de verdade pelo irmão. – Espero que ele tenha... sorte?

Isobel gargalhou genuinamente.

— Acho que ele não vai precisar. – ela pensou em Scorpius por um segundo antes de fitar Lily. – Enfim... acho que a outra parte sobre ter declinado o convite é que vou sentir muito sua falta, Lils. É estranho ter me formado. Por um lado, sinto como se não soubesse direito qual próximo passo, apesar de já ter todo um plano pro futuro.

— Você também não me disse. – Lily acusou, mas estava sorrindo de um modo compreensivo.

— Eu sei. – Izzy admitiu e as duas olharam para frente, em silencio por muito tempo.

— É estranho que a gente saiba até o ciclo menstrual uma da outra, mas tenha parado de conversar sobre esses detalhes importantes? – Lily quis saber, ainda sem coragem de encará-la.

— Não. Quero dizer, as vezes a gente precisa organizar as coisas primeiro dentro da nossa cabeça antes de falar.

— Você faz parecer que é fácil. – Lily pontuou e Izzy riu de novo.

— Mas eu não acho que seja nem um pouco fácil. – ela rebateu.

— Talvez a impressão seja essa porque, pra mim, fica mais fácil quando falo com você. – Lily ponderou, sentindo um formigamento estranho na base da garganta. – Acho que estou no meio de uma novela. – confessou e os olhos de Isobel brilharam.

— Ah, é? – perguntou, incentivando-a continuar. – Envolve uma gêmea do mal? Perda de memória após acidente fatal? Triângulo amoroso? Gravidez surpresa? Conceito deturpado de alma gêmea?

Dessa vez foi Lily quem riu com vontade. Era mais fácil, de fato, quando elas conversavam. Tomando coragem e respirando fundo, ela decidiu expor o elefante azul na sala. Ou, naquele caso em específico, na grama.

— Envolve gostar da ex namorada do meu irmão que por acaso também é muito minha amiga. – o all star vermelho era tudo que ela podia ver naquele instante em que suas bochechas pareciam pegar fogo. A dor da humilhação. A exposição da vulnerabilidade. Tudo isso fazia seu corpo arder numa febre de mil graus. Mas ela sabia que se queria continuar amiga de Isobel (e ela queria) o único modo possível era sendo honesta. Corações partidos podiam ser consertados, mas relacionamentos, independente da natureza, se construíam a base de confiança mútua.

— Ah.

— Não é um plot muito bom. – Lily riu com amargura.

— Mas é um que tô feliz em conhecer. – Izzie respondeu, pousando uma mão sobre o braço dela. Isso fez com que Lily levantasse a cabeça outra vez. – Eu não tenho a menor ideia de como nós... – o jeito como ela usou “nós” fez com que o coração de Lily se acendesse como um candelabro antigo de mil velas.

— Como nós poderíamos vencer? – Lily nem notou que estava usando a analogia errada, mas Izzy entendeu e concordou com a cabeça.

— Isso. – havia receio na voz dela, mas sua mão direita seguia pousada no braço de Lily. A menina, por sua vez, se mexeu apenas o suficiente para segurar a mão da amiga.

— Nós podemos descobrir juntas. – Lily conjecturou e o modo com Isobel apertou sua mão pareceu uma confirmação antes mesmo dela responder:

— Sim. Nós podemos.

Notas finais
Espero que a leitura tenha sido leve. E pra todo mundo que, assim como eu, se identifica com a sexualidade de alguma das personagens, fica o lembrete :) Dá pra vencer. Um beijo e bom mês pra tds nós ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!