How To Make A Friend
11 Capítulo 11
Um ar de perversidade pairava sobre eles, e marcas estranhas surgiram pelo corpo do alquimista caído no chão. Uma risada maligna e dissimulada, que ecoava aos quatro ventos foi ouvida por toda a cidade e o garoto de pele clara se levantava do chão lentamente. Ao chamar pelo nome do companheiro, sentiu a sensação de ver todos os ossos do garoto estalando, e algo se revirando dentro dele. Era uma cena assustadora. A cabeça que ainda permanecia baixa, com um ar de mistério, foi erguida e grandes olhos vermelhos foram revelados, e da boca cujo corpo tinha apenas a aparência do que algum dia já havia sido seu amigo, foi ouvido:
— Seu amiguinho não está, quer deixar algum recado? — Q-quem... Quem é você? — Acho que a pergunta mais correta seria “o que” sou eu. Mas tudo logo será esclarecido, e estaremos livres. — Do que está falando?! — Ora, do nosso plano. — “Nosso” plano? — Bom, já está chegada a hora. Irei explicar tudo, mas primeiro... Que se inicie! – tentáculos de chamas negras envolveram o corpo do jovem pequeno e um pentagrama vermelho foi invocado no chão. Ambos foram teleportados para a praça principal da cidade, que se localizava bem ao centro. Uma chama vermelha circundou ao redor dos dois e uma cúpula os encobriu. Imagens começavam a se formar. — O que está acontecendo aqui? A conversa foi iniciada pelo ser hospedeiro no corpo de Noah, e uma voz feminina sombria misturada à doce voz de Noah começou a narrar, enquanto imagens apareciam de acordo com a narrativa, parecendo estar dentro de uma história: “Durante anos, os alquimistas passaram a maior parte de suas vidas em busca da fórmula do minério precioso e mágico que poderia transmutar qualquer metal em ouro, dar vida eterna a quem bebesse de seu elixir e ser usado para quebrar a principal regra que rege o mundo da alquimia ‘A Lei da Troca Equivalente’, podendo-se obter qualquer coisa sem dar nada em troca, a Pedra Filosofal. Perdiam suas vidas inteiras em busca de conseguir fundir os elementos corretos para a obtenção de tal artefato. Mas, para eles, valia todo o esforço. Após séculos de tentativas fracassadas, uma descoberta roubou a atenção de todos: a criação do primeiro homúnculo. A ideia de criar vida a partir do nada parecia algo fascinante, e realmente era. Diversas criaturas nasceram e cresceram ao lado de alquimistas sábios e mantinham uma relação de extremo companheirismo, até que a ganância humana falou mais alto. Começaram, então, uma sequência desenfreada de criação de homúnculos, para que estes, servissem de escravos na tentativa ultrapassada e fracassada de conseguir a combinação para a síntese da Pedra. Gerações inteiras de criaturas artificiais foram mortas nessa tentativa alucinada dos humanos, e seus corpos retornavam ao sofrimento eterno do mundo que existe além do Portal da Alquimia. Eu, por outro lado, tive a chance de ter donos gentis e amáveis, que sempre me trataram muito bem – neste momento, Omne consegue reconhecer um casal ao lado de Noah, eram seus pais – Porém, não tive escolha. Enfurecido pelo sofrimento de meu povo, eu quis pôr um fim em tudo aquilo e queimei o vilarejo inteiro, com as minhas chamas negras, deixando apenas restar o casal que cuidava de mim, e o seu filho. Foi quando eu me lembrei de que eles eram considerados os maiores alquimistas de todos os séculos, e participavam de vários conselhos com alquimistas de diferentes partes do mundo. Ao perguntar sobre a Pedra, para que eu pudesse abrir o lacre do portal que separa o meu mundo do deles, e libertar sobre a Terra todos os homúnculos que haviam sido banidos pela morte, eu percebi que eles sabiam muito mais do que me contavam. A verdade, é que eles eram os únicos alquimistas que haviam desvendado a fórmula da criação da pedra. Dois simples minérios, um dos quais o filho nojento usava como adorno no pescoço. É claro que negaram me entregar a fórmula e então eu tive que usar a força. Para meu infortúnio, os desgraçados usaram suas últimas forças e o segundo mineral usado na fabricação da pedra, para me selarem em um local isolado da cidade, para que ninguém pudesse me libertar. Por ironia do destino, o imbecil filho de Petter e Susan foi quem me libertou de minha sepultura. E é nele que venho me escondendo e me alimentando de seus sentimentos e energia, até o presente momento. Mas, agora, que consegui dominá-lo, graças a você, eu posso finalmente concluir o meu plano”. — E onde é que eu entro nessa história? – perguntou Omne, aterrorizado. — Ora, seu tolinho, você é o meu catalisador. Você é a Pedra Filosofal! E depois que você me ajudar a abrir a fenda dimensional, e libertar nossos irmãos, iremos governar o mundo e usar esses humanos nojentos como escravos – dizia a voz dissimulada, enquanto o corpo do garoto se aproximava de Omne, como se o flertasse. — Desculpe, mas eu terei que impedi-la de fazer isso. – disse o homúnculo, se afastando – Devolva o meu amigo!
— Você ousa se voltar contra sua dominadora?! – os olhos do garoto brilharam vermelho, e chamas negras começaram a sair pelas extremidades de suas roupas, fazendo-o flutuar acima do chão, enquanto os moradores, aterrorizados, saíam correndo pela cidade, em busca de abrigo. — Isso responde a sua pergunta? – a mão do homúnculo se transfigurou em uma marreta de tamanho colossal e atingiu a criatura hospedada no corpo de Noah em cheio, arremessando-o a vários metros de distância. Omne correu em direção ao corpo do alquimista estendido no chão e tentava reacordá-lo, desesperadamente. Até que foi respondido. — Omne... P-por que fez isso? – disse pausadamente, tossindo algumas vezes. — Desculpe, Noah! Eu fiquei tão preocupado com você... Estou sentindo algo... Diferente... Acho que eu gosto muito de você... – dizia o homúnculo que parecia estar conseguindo ter a mesma habilidade de obter sentimentos humanos, assim como a homúnculo que devastou o vilarejo, com sede de vingança. — Ai, que gracinha! – o tom irônico foi seguido pela mudança de cor de olhos, e a criatura que dominava novamente o corpo do jovem alquimista golpeou Omne com uma rajada de chamas negras, que o arremessou para longe – Você não tem chances contra mim! A disputa entre homúnculos perdurou algum tempo, fazendo enormes estragos por toda a cidade, colocando-a em destroços rapidamente. Por todos os lados em que se olhava, via-se chamas negras e vermelhas sendo inflamadas e chamuscando tudo, enquanto o pobre homúnculo tentava derrotá-la, sem chance de vitória. Mais uma vez, Omne foi acertado em cheio por um golpe e caiu de joelhos perante a soberana da escuridão, que segurava uma enorme bola de chamas negras por entre as mãos. Seria o último golpe. — Eu não preciso de você vivo, preciso apenas de seu corpo. Agora, vamos acabar com isso de uma vez... — Espere! E-eu... Eu me sujeito a ser seu servo. — Huhuhu, agora está querendo ficar do mesmo lado que eu? Acho que é um pouco tarde para isso... – dizia, abaixado, alisando o queixo do pobre homúnculo quase derrotado, caído de joelhos no chão – Porém... Toda rainha precisa de um rei. E você parece ser um ótimo partido. – completou com um sorriso malicioso. O homúnculo se levantou do chão e ficou de frente para a criatura no corpo do amigo. — Você ser fiel à sua rainha, lacaio? – disse deslizando as mãos por entre os ombros de Omne. — Eu juro. — Então prove a sua lealdade. Neste momento, ela surpreende-se quando o homúnculo a puxa para perto de si, e a agarra. — Nossa, que apressadinho... — NOAH!!
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