How To Break A Heart
1 Capítulo Único
Notas iniciais
How to Break a Heart
“É isso que você está procurando?”
Spencer pergunta a pessoa de capuz que revirava de forma incansável suas gavetas. Ela tem uma chave em mãos e esse é o motivo do desespero do desconhecido. Spencer nem pode acreditar que finalmente – depois de quase dois anos – tinha a possibilidade real de descobrir a identidade de seu algoz.
O desconhecido endurece. Spencer sente uma pequena pontada de satisfação. Era incrívelmente delicioso não ser quem fica com medo pela primeira vez desde que consegue se lembrar.
Estranhamente reconfortante.
“Eu perguntei se era isso que você estava procurando?” Ela torna a questionar, dessa vez se aproximando um passo hesitante.
Uma chuva torrencial começou a cair do lado de fora. Era um cenário perfeito e até um pouco macabro para a revelação que poderia mudar sua vida. Mais um passo é dado. O desconhecido recua conforme Spencer avança. Como se pudesse calcular cado passo que ela dá em sua direção. Como se conhecesse o som que suas botas fazem sobre o piso.
Mas é de A que estamos falando. A sempre sabe tudo sobre elas.
Então o desconhecido começa a se virar. Sabia que Spencer não o deixaria escapar antes de descobrir a verdade. Ela havia sido aquela que mais dera trabalho para o team em todo esse tempo. Seu raciocínio rápido, sua inteligência singular, sua vontade imensa em descobrir a verdade sobre tudo. Ela sempre fora a pedra no sapato.
Seu rosto ainda é encoberto pela escuridão da noite, mas de algum modo sente que Spencer já o reconheceu. Sua expressão se fecha. A mandíbula trinca e a testa franzida faz com que as sobrancelhas grossas quase se juntem.
“Toby?” Sua voz rouca pingava descrença. A mão que segurava a chave começou a tremer. Podia jurar sentir a visão embaçar. Os olhos castanhos estavam arregalados em negação e os lábios partidos em um ‘o’. “Era você todo o tempo?”
Ele engole audívelmente. Uma parte de Spencer quer acreditar que isso é só um sonho ruim e que ela logo irá acordar e perceber que nada disso realmente aconteceu. A outra parte sabe que essa é a dolorosa verdade. Mas ela implora mentalmente para que ele diga que não.
“Spence.”
É o suficiente para ela sufocar um soluço. Seu nome escapando daqueles lábios rosados faz seu coração trepidar. Era a sensação de mil facadas sendo cravadas em seu peito.
“Por que?” É o que escapa dos lábios de Spencer. Uma única pergunta, carregada de tanta dor que parecer a sufocar. O ambiente se torna tão tenso que pode ser sentido por qualquer um.
“Não é o que parece, Spence.” Toby se aproxima de forma vacilante e quem começa a recuar é ela. Toda a sensação de triunfo que sentira minutos atrás é esquecida e lançada para o fundo de sua mente. Spencer sente suas costas chocando contra a parede e luta contra a vontade de se encolher. “Por favor, me deixe explicar. Eu juro para você que isso tudo tem explicação.”
As lágrimas começam a rolar pelo rosto de Spencer. Ela tenta bravamente as fazer retroceder, mas a cada segundo que a revelação da participação de Toby no team A se fixa mais em seu cérebro, as lágrimas caem com mais força.
“Eu não quero ouvir.” Ela implora em desespero. Não sabia se seu coração aguentava descobrir mais sobre a farça que todo o seu relacionamento foi criado. Já era doloroso o suficiente sem saber os detalhes. “Eu não quero. Por favor, vai embora. Não quero ouvir nada vindo de você.”
“Você vai me ouvir, Spencer!”
“NÃO!” O grito que sai de seu lábios o faz congelar. Os olhos azuis começam a encher de lágrimas ao ver a destruição que causara na garota a sua frente. “Você não pode me obrigar a ouvir sobre como todo o nosso relacionamento foi uma farça completa. Eu dormi com você Toby. Me entreguei a você de um modo que nunca tinha feito com ninguém. E pra quê? Levar uma apunhalada tão desleal nas costas? Você.. você era meu porto seguro pra pousar Toby, e agora tudo isso...tudo isso se... f-foi.”
Ela deixou a dor a consumir. Por um momento isso era tudo que podia sentir. Seu coração em frangalhos pulsava de forma inquieta e dolorosa. As lágrimas já escorriam sem pudor nenhum pelo rosto bonito.
As memórias de todos os momentos perfeitos que dividiram durante o namoro parecem queimar seu cérebro. Os toques que pareciam marcar sua pele com uma delicadeza permanente? Agora a lembravam das mãos de A a sufocando no trem. Os lábios cheios que tocavam os seus com doçura e amor? Eram os mesmos que a contavam mentiras. Os olhos azuis quentes que sempre a encaravam com adoração? Agora traziam a tona toda a frieza de uma pessoa perturbada e calculista.
Toby se aproxima mais um passo. Sua mão ainda enluvada levanta e ele faz menção de tocá-la. Seu próprio coração se aperta ao ver Spencer se encolher e afastar do toque antes tão buscado. Ele sabe que destruiu a única coisa boa que aconteceu em sua vida, mas também sabia que não poderia esconder a verdade para sempre. Se pelo menos Spencer o deixasse explicar.
“Eu sinto muito.” Sua voz esta mais baixa, não passando de um sussurro. “Eu realmente sinto muito, Spence.”
“Sente muito? Sente muito?” Ela repete como uma pessoa maníaca e isso o assusta. Nunca a vira agir dessa maneira. Mas também nunca tinha quebrado seu coração além do reparo. “Eu quero que você saia.”
“Spencer.”
“Não. Eu não quero mais te ver. Sai daqui, por favor!”
E ele saiu. Não sabia mais quanto tempo aguentaria com a fachada endurecida antes de desmoronar completamente. Não sabia quanto tempo ainda poderia retardar suas próprias lágrimas. O tom de voz de Spencer era tão desolado, quebrado e abatido que tudo que mais queria era enrolar o corpo miúdo nos braços e fazer toda aquela dor desaparecer.
Mas não podia. E isso o fez deixar o amor de sua vida chorando e completamente despedaçada.
Assim que a silhueta de Toby desapareceu, o corpo de Spencer começou a escorregar. As pernas não aguentaram mais o próprio peso e cederam. Só lhe restavam forças para deixar as lágrimas rolarem e um grito estrangulado escapar dos lábios.
A tinha conseguido. Destruiu completamente seu coração e tirou a única coisa que julgava certa e segura em sua vida.
Não tinha mais um coração. Só um vazio imenso que jamais seria completado e uma dor aguda que jamais apaziguaria.
Toby dirigiu até seu loft sem derrubar uma única lágrima. Se recusava a acreditar que tudo havia acabado. Não podia se permitir ser fraco e humano fora da segurança de seu lugar. Lá dentro se tornaria o cara que estragou tudo com a namorada. Lá dentro seria o cara que destroçou seu próprio coração. Mas aqui fora não. Aqui A poderia ver.
Suas mãos tremiam quando encaixou a chave na fechadura e precisou respirar fundo. Mais alguns passos e poderia fraquejar. Só mais alguns passos. A primeira coisa que fez ao entrar foi ligar a luz. E o que viu o fez congelar.
A mesa estava linda e meticulosamente arrumada, algo que o remeteu imediatamente a Spencer. A disposição alinhada dos pratos e as velhas que adornavam eram completamente ela. Mais alguns passos foram dados. Seus olhos azuis derivaram pelo ambiente e pararam em uma pequena placa de madeira. Foi vencido pela curiosidade e fechou a distância.
Era um Scrabble. Nele estava escrito Gliceraldeído e Goofball. As exatas palavras usadas no primeiro scrabble que haviam jogado. E logo abaixo as palavras Eu amo você. Dessa vez não impediu as lágrimas de cairem. Deixou que descecem sem pudor nenhum e não tentou as limpar. Os soluços se tornavam cada vez mais pronunciados e podia jurar que qualquer pessoa que passasse perto do loft poderia ouvir sua dor.
Quase perdeu um recado anexado ao lado da placa, tão absorvido pela própria dor, mas reconhecia a letra. Era Spencer. E aquilo o fez sentir mais miserável do que já estava. Queria morrer pela dor que havia causado em si mesmo, mas ainda mais, pela dor que havia causado no coração dela. A tinha conseguido. Já não existia mais nada que pudessem tirar dele. Perdera a única pessoa que era seu porto seguro e que tinha seu coração.
‘Para T. Meu lugar seguro para pousar. Pra sempre sua garota. S.’
Era o fim de uma história de amor que poderia ser épica.
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