Notas iniciais
Heey, primeiro capítulo! Escrevi com muito carinho, então espero que gostem. Minha escrita não é lá as mil maravilhas, mas estou escrevendo a fanfic justamente para melhora-la :p Bem, espero que gostem!

Eu olhei pela janela de meu quarto antes de partir. Lá embaixo, havia o jardim que me fazia sorrir todas as manhãs sempre que eu abria a janela branca de meu quarto para deixar a luz do sol entrar. Era estranho pensar que eu não teria essa visão novamente tão cedo.

Peguei minha mala de mão, abri a porta de meu quarto e andei tranquilamente até a sala, observando tudo com cautela. Eu não iria ver aquele lugar tão cedo, então resolvi que iria guardar cada pedaço dele na minha mente, afinal, foi ali que havia acontecido as melhores partes da minha vida: festas de aniversário, noites do pijama, brincadeiras, natais, páscoas...

Quando cheguei na sala, ela estava vazia. Meu pai não estava em casa ainda, mas iria chegar em breve para me levar no aeroporto. Não, ele não estava se mudando comigo.

Meus pais se separaram quando eu era muito pequena. Antes, moravamos todos em Nova York, felizes, uma família. Quando se separaram, minha mãe ficou na cidade, e meu pai se mudou para São Francisco, e eu fui com ele, já que ele tinha melhores condições de cuidar de mim na época. Além disso, minha mãe, Atena, não me queria.

Eu vejo Atena uma vez por ano. Durante duas semanas nas férias de verão vou para Nova York, aonde ela mora, e fico lá boiando e as vezes saio com uns amigos que fiz lá ao passar dos anos. Ela estava sempre trabalhando, e nunca me dava muita atenção, então eu só ia a sua casa para falar que passei um tempo na casa de minha mãe.

Com o tempo, Atena foi ganhando muito dinheiro, e quando se tornou uma respeitada arquiteta de Nova York, a dois anos atrás, me pediu para morar com ela, mas eu não aceitei. Além de já ter uma vida aqui, eu sabia que não valeria a pena. Ela não iria dar a mínima para mim, apenas pensar em trabalho, trabalho, trabalho e trabalho. Mas agora, meu pai perdeu o emprego, vai ter que se mudar para um apartamento menor e mais barato, e eu terei que viver com ela. Não tem escapatória. E hoje é o dia de fazer isso.

Além de morar em uma cidade nova ainda terei que manter um relacionamente indesejado a distância. Tenho um namorado, Luke, e estamos juntos a um ano, e a um ano sofro em suas mãos. É uma longa história que esconde um segredo que nunca poderei contar a ninguém, se não quiser perder as coisas que mais me orgulho.

Cinco minutos se passam e meu pai adentra a sala de estar. Tem uma aparência cansada e parece estar tenso, deve estar voltando de uma entrevista de emprego. Ele passa direto por mim e vai até o banheiro, mas posso ver que ao me notar seus olhos ficam marejados. Os meus também, mas tento evitar que as lágrimas desçam. Logo ele volta, e me abre um sorriso forçado. Eu devolvo, não conseguia sorrir.

-Bem, vamos, então?- Ele disse, e eu não aguentei. Me levantei e o abracei forte. Ele beijou o topo da minha cabeça e acariciou meus cabelos.- Ei, Annie, fica tranquila.

-É temporário, certo?- Eu perguntei, com a voz embargada. Como eu ia sentir falta daquele abraço.

-Claro, eu vou arranjar um emprego e em breve você volta a morar aqui.

-Vou sentir saudades.- Eu olhei nos olhos dele e ele sorriu. Aquele era um sorriso verdadeiro de meu pai, o sorriso que carregava um misto de felicidade e tristeza. É complicado de entender.

-Vou ligar todos os dias, ok?- Ele disse, e eu assenti com a cabeça, me separando dele e enxugando as lágrimas. Ele sorriu, bagunçou meus cabelos loiros e foi a caminho de meu quarto buscar as malas.

Três minutos depois estávamos dentro do carro. Meu pai dirigia em silêncio, e no rádio tocava uma música antiga dos Beatles. Luke me encontraria no aeroporto, e eu não estava com saco para ouvir seu discurso idiota.

-Luke vai ir?- Meu pai perguntou, e eu assenti com a cabeça.- Você gosta mesmo dele, não é?- Ele perguntou. Ele fazia essa pergunta sempre que tocava no nome do Luke, e todas as vezes eu sentia vontade de responder a mesma coisa: não. Mas claro, eu não podia. Acho que meu pai sentia que eu não gostava do Luke, mas sei lá.

-Gosto- Respondi, e ele assentiu e voltou a prestar a atenção na estrada. O sol não estava muito forte hoje, e provavelmente choveria mais a noite. Se não chovesse enquanto eu estivesse dentro daquele avião a metros do chão, estava ok para mim.

Depois de algum tempo chegamos ao aeroporto, que ficava quarenta minutos de carro da minha casa. Acho que eu deveria dizer minha antiga casa, mas sei lá, aquela sempre seria minha casa, sempre seria meu lar.

Chegamos uma hora antes do horário de meu vôo, meu pai pegou a mala grande no carro e eu peguei a de mão. Luke nos esperava na entrada, com um sorriso. Cumprimentou meu pai com um aperto de mão, e me abraçou e me deu um selinho.

-Ansiosa?- Ele perguntou, ainda me abraçando. Dei um sorriso triste.

-Mais ou menos- Respondi- Mas estou ok.

Ele me deu um beijo na testa e se virou para meu pai, oferecendo ajuda com a mala. Eles entraram no prédio, e eu fiz uma breve careta e peguei minha mala de mão. Luke tinha dessas de parecer um ótimo namorado quando alguém estava perto, o que era entediante se você conhecia ele de verdade. Há um ano espero me ver livre dele, mas parece que nem comigo me mudando, ele quer me deixar em paz, e ir viver a vida. Esse namoro forçado não me faz feliz, e não deve fazer ele feliz também.

Fui fazer o check-in, e depois de cuidar de despachar a mala e pegar o cartão de embarque, eu e Luke fomos comer. Pedi um sanduíche e suco de laranja, Luke pediu o mesmo, só que refirgerante no lugar do suco, e meu pai que já havia comido preferiu nos deixar sozinhos. Ele achava que eu e Luke precisávamos de um tempo.

-Então, Annabeth. Nova York- Ele disse, com um tom sério, como um pai dá uma bronca no filho que chega bêbado em casa. O encarei, e ele deu sorriso cínico- Não me olhe assim, sabe que não tenho medo de você. Mas você tem medo de mim.

-E o que te faz pensar isso?- Perguntei e ele olhou para os lados.

-Bem, se você não tivesse medo...- Ele pausou a fala para dar uma mordida em seu sanduíche e dar um gole em seu refrigerante.- Você já teria terminado comigo há um ano.

Continuo séria, mas não há nenhum indício do que eu esteja sentindo em meu rosto. Ele dá mais duas mordidas em seu sanduíche e volta a olhar para mim.

-Vamos falar sério agora, e do que realmente importa. Você está indo morar longe de mim, não vou poder ficar de olho em você ou impedir você de ir nessas festinhas que essa tal de amiga sua, Thalia, dá, mas saiba que se eu ficar sabendo de qualquer coisa, você está ferrada.

-Eu sei- Eu disse, mas como ele iria ficar sabendo de qualquer coisa? Ele só tinha o pai e a mãe em Nova York, e acho que eles não iam as “festinhas de Thalia”.-Você não tem que se preocupar.

-Mesmo? Acho que não...- Ele disse- E aquele ficantezinho seu do verão passado? Matt?

-Matt nem mora em Nova York- Revirei os olhos- Ele é britânico. Nunca mais vou ver ele.

-Acho bom- Ele se aproximou e me deu um selinho. Terminamos de comer em silêncio, e logo que terminamos, meu pai chegou a mesa e seguimos para o portão de embarque.

Após muito choro, beijos e abraços, acabei de me despedir de meu pai e fui para Luke. Dei um abraço e um beijo demorado, e fingi chorar quando olhei para os dois. Na verdade eu estava chorando, mas apenas por estar deixando meu pai. Ele também estava com os olhos marejados, então o abracei uma última vez.

-Eu te amo pai- Eu disse, e ele sorriu. Uma lágrima sua pousou em meu ombro, mas eu não liguei.

-Eu também te amo, Annie- Ele se separou, me deu um beijo na testa e me olhou bem nos olhos.- Se cuida, certo?

-Certo- Assenti com a cabeça e enxuguei as lágrimas. Abracei Luke mais uma vez, e ao entrar no portão de embarque olhei para trás mais uma vez. Meu pai fez um “tchau” com as mãos e sussurrou um “eu te amo”. Sorri, e sussurrei de volta.

Luke sorriu cínico e fez movimento de beijo com os lábios. O ignorei, e continuei andando, e as lágrimas continuavam a cair. Sabe-se lá quando eu os veria novamente.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ Comentem o que acharam e me faça muito feliz :D