How I Met Your Mother
9 1.09 - Conversations, Reflections & Schemes
Notas iniciais

(5:00am – 6:00am | 15 Horas – 14 Horas Antes do Casamento)
— OK, hora de acordar, galera! — Depois de bater à porta, Sebastian entrou no quarto dos filhos já exclamando. Eram apenas sete horas da manhã de um domingo, e ambos não abriam os olhos antes das dez.
— O que eu fiz para merecer isso, pai? — Lily resmungou, escondendo-se nos lençóis.
— Nunca uma verdade tão verdadeira foi dita pela Chatily. — Ted esfregou os olhos. — Por que o senhor está fazendo isso com a gente? Acordando-nos às sete da matina?
— Porque foi exatamente isso que eu fiz no dia do casamento “Finchel”.
— Ai, jura? — Esbravejou o garoto. — Todo mundo acorda cedo em dia de casamento, tá. Mas o que isso tem a ver com o roubo do nosso sono?
— Eu queria que vocês sentissem na pele como é ser acordado por alguém batendo à sua porta. — Seb se acomodou na cadeira giratória que havia ali. — Sabiam que foi assim que eu acordei naquele dia?
— Não me diga que o tio Sam foi se explicar às sete da manhã... — A garota finalmente resolveu prestar atenção no que o pai dizia.
— Quase isso. Era pior.
— Pior?
— Eram apenas cinco horas da manhã.
— COMO É? — Ambos os gêmeos gritaram em uníssono.
— E depois... não foi o Sam que bateu à porta.
— Então quem foi?
— Calma, deixem-me contar.
Sebastian estava com pena de quem o acordara as cinco e pouca da manhã, porque a) ele tinha ido dormir tarde pensando na revelação que fora jogada no seu colo, b) seu melhor amigo galinha que poderia meter a língua na boca de qualquer uma, tinha resolvido justamente beijar a garota por quem ele tinha sentimentos. Esses dois pequenos fatos o deixaram com um mau humor dos infernos e possivelmente a primeira pessoa que seria o alvo dessa fúria seria o idiota que decidira acordá-lo.
Ele vestiu a calça jeans que tinha tirado no dia anterior e a primeira camisa de algodão que achou nas suas coisas, o moreno só desculparia quem estava o acordando tão cedo, se o prédio estivesse em chamas ou algo assim:
— Mas, que diab... Ah. – Seb tentou não fazer uma careta, mas quem estava do outro lado, era justamente quem ele não queria ver tão cedo. – Oi, Marley. Aconteceu alguma coisa?
Era notável seu nervosismo, esfregava os braços como se estivesse com frio mesmo usando a blusa azul de mangas longas e seu olhar denunciava seu temor com algo:
— Aconteceu. – as sobrancelhas dele se uniram em preocupação e ela notou seu erro, quando voltou a se explicar, gesticulava exageradamente com as mãos – Não aconteceu algo grave, eu só não conseguia dormir e senti que precisava vir aqui.
Sebastian coçou a cabeça, ainda meio grogue e chateado com algumas coisas, fitou sua cama e depois a morena:
— Então, você decidiu que não conseguia dormir no seu quarto e precisava vir dormir no meu? – Marley empurrou o ombro dele com uma força exagerada.
— Claro que não, cabeça de vento! Eu percebi que precisávamos conversar.
Sebastian assentiu, sorrindo de leve, o clima entre eles desanuviou, mas era claro que ainda havia algo errado, muitas coisas aliás, ele recuou, a dando espaço para que entrasse no quarto:
— Eu vim para conversar sobre o meu ataque de ciúmes. – ele arqueou uma sobrancelha, esperando por outra informação que não saía da sua cabeça. – Queria conversar sobre nós. Sei que caras odeiam conversar sobre sentimentos, mas não é como se pudéssemos continuar ignorando por mais muito tempo.
O nervosismo dela acabou passando para o moreno e eles estavam muito perto, a cama bagunçada atrás de Marley, dava voo para muitos pensamentos inquietantes:
— Eu acho justo, só podemos conversar lá fora? – sugeriu, apontando para a varanda.
Marley assentiu levemente e os dois seguiram para “fora” do quarto, Sebastian respirou fundo o ar puro e deu uma olhada no céu que começava a ganhar tons de laranja conforme o amanhecer se aproximava.
Ambos fitaram o horizonte por um momento, ele percebeu que sua acompanhante não tocaria no assunto do beijo e decidiu que não levaria isso a tona, as coisas estavam complicadas demais sem esse fato:
— Eu não sei o motivo de ter feito aquilo. – ela começou e depois deixou o ar escapulir num sopro, Seb notou o quanto parecia cansada e frustrada. – Na verdade, eu sei, estava com ciúmes, mas é complicado, não sei ao certo o que sinto por você na maior parte do tempo, o que sei é que gosto de quando passamos um tempo juntos e do jeito que você sorri para mim quando acha que estou distraída. Gosto de tudo isso e não sei se estou confundido as coisas, confundido o que acho que sinto e o que você sente.
Ela confessou e sem coragem de olhá-lo, se apoiou na cerca de madeira, fitando os prédios abaixo deles. Sebastian ficou em silêncio com os braços cruzados, a observando por um tempo e relembrou tudo que sabia e sentia por Marley nesses últimos doze meses. Sebastian também não entendia muito bem o que sentia por ela na maior parte do tempo e ele sabia que a morena tinha vindo procurar algum tipo de solução, mas como conseguiria lhe dar isso, se ao menos tinha certeza sobre o queria de verdade?
Quando o moreno arranjou coragem de se aproximar e se apoiar na cerca também, observando o seu perfil, notou que o corpo dela se retesou, era bom saber que não era o único se sentindo assim:
— Eu me sinto do mesmo jeito. – a surpresa no rosto dela o teria feito rir, se o momento não fosse tão sério. – Isso tudo é uma grande confusão e acho que vamos precisar arranjar uma solução juntos. – O moreno segurou a mão dela.
O Sol finalmente surgiu totalmente no horizonte e os olhos azuis não conseguiram apreciar a vista, estavam ocupados demais fitando um ao outro.
— É uma cena muito linda de se imaginar, mas... e aí? No que deu essa conversa? — Ted começou a ficar impaciente, porque seu pai simplesmente parou de falar.
— Bom... essa é a parte onde vocês querem me matar. — O garoto fez uma cara de interrogação. — Não posso contar o que eu decidi com a Marley.
— O QUÊ, HEIN? — Foi a vez de Lily exclamar. — O senhor cria esse mistério todo pra no final esconder a solução? Por quê? Oh, Santa Giovana dos Forninhos, o que eu fiz pra merecer isso? Dá pra responder? — Dramática, a jovem ergueu as mãos aos céus.
— Olha, Chatily, para que ’tá feio. — O irmão falou, pronto para jogar um travesseiro na cara dela.
— Pai, eu peço a sua permissão para matar o Ted.
— Ninguém vai matar ninguém aqui, me ouviram? — O mais velho levantou o tom de voz, fazendo com que os filhos se acomodassem em seus lugares. — Se eu contar a solução agora, vocês vão ficar indignados e farão centenas de perguntas desnecessárias depois.
— Como assim, “desnecessárias”?
— Desnecessárias porque eu não responderia todas elas. — O pai respondeu. — De qualquer maneira, só vou contar o que nós decidimos quando for a hora.
— Tô cansado de esperar por respostas nessa vida. Vou atrás delas. — Disse Lily.
— Ah, coitada... — Ironizou o irmão.
— Mais uma vez, pai, posso matar o Ted?
— Chega, né? Eu ia contar a parte Finchel de hoje, mas já que vocês só sabem brigar...
— Alguém aqui falou em “matar”? Eu pensei ter dito “amar”! — A postura dela logo mudou.
— Mas é cínica mesmo...
— Finny! — Rachel despertou de seu “sonho ruim” — ela odiava a ideia de “pesadelo” — e acabou acordando o noivo ao lado.
— O que houve, Rach?
— Tive um sonho ruim... — Ela passou as mãos pelos próprios cabelos.
— Calma, respira e depois me conta. — Ele coçou a cabeça e em seguida se sentou na cama.
— Tudo bem, tudo bem... enfim, eu sonhei que ficava irritada com algum ato de preguiça e seu, depois eu reclamava da monotonia das nossas vidas e aí... aí...
— “E aí” o quê?
— Aí eu pedia o divórcio.
Finn riu da criatividade de sua noiva. Algo que não deveria ter feito, porque levou um soco logo depois.
— Desculpe pelo ataque de risos.
— É bom se desculpar. Sabe o quanto eu fiquei assustada com esse sonho? — O Hudson negou com a cabeça. — E se isso realmente acontecer no futuro? E se eu ficar cansada da sua existência e vice-versa? E se tudo piorar nos próximos anos a ponto de eu não conseguir te amar mais? Ou pior, e se você não me amasse mais depois de um tempo? O que aconteceria com o “até que a morte nos separe”? Acabaria antes da nossa morte ou o quê?
— Amor, fica calma... foi só um sonho. — O grandão passou seus braços em volta da mulher, abraçando-a com ternura e beijando o topo de sua cabeça em seguida.
— Eu tenho medo do nosso amor acabar, Finn. — Ela sussurrou, ameaçando chorar.
— Hey, quem disse que o nosso amor vai acabar? — Disse ele. — Foi apenas um sonho ruim, Little Rach. Por mais que você tenha os seus defeitos, não significa que eu vou me irritar com eles a ponto de te largar sozinha nesse mundo em algum dia... e se você também me ama do jeito que sou, por que o contrário aconteceria? Afinal, ninguém é perfeito. Veja, nem a Barbra Streisand ficou longe das críticas negativas por conta de seu nariz.
— Como sabe disso? — A Berry perguntou, já enxugando as poucas lágrimas.
— Você praticamente vive e respira Streisand, como não saber? — Com essas palavras, Finn a fez rir outra vez. — Viu? Consegui te deixar melhor. Agora olha para mim. — Ela ergueu a cabeça e ele a segurou com o dedo indicador no queixo. — Ainda são cinco e meia da matina, e tudo o que eu quero agora é poder usufruir das minhas últimas horas de sono antes do nosso casamento épico... e eu quero que essas horas de sono sejam as melhores. Então me faz um favor, deita de lado e me deixe dormir agarradinho com você, vai?!
— Com essa sua cara de Gato de Botas pidão, nem tenho como recusar. — Rachel se acomodou no seu lado da cama, deixando que os braços do maior passassem por sua cintura e estacionassem ali.
— Hey, Rach, eu já disse que te amo?
— Centenas de vezes. Mas nunca me canso, diz de novo?!
— Rachel, eu amo você.
— Eu também te amo, Finny.
— Oh, então o amor desses dois já era fofinho aí? — Lily parecia um tomate apaixonado de tanto amor pela parte “Finchel” da história.
— Sim, e consequentemente, era uma tortura para mim, sabe, ver esses dois usando palavras infantis na hora de se atracarem por aí. Sério, não façam isso quando namorarem.
— Como se o senhor deixasse eu conhecer garotos, não é? — A garota rebateu.
— Faz que nem eu, Lily... primeiro, faça o papai confiar nos amigos do sexo oposto. Quando ele perceber que você pode muito bem separar “amizade” de “relacionamento sério”, aí ele vai te deixar namorar.
— Hey, como você sabe do Esquema Sebastian Smythe Para Namoros? — Seb arregalou os olhos para Ted.
— Ué, a mamãe contou!
— Esperem aqui. Daqui a pouco eu volto pra contar como o resto da turma acordou... mas antes, eu preciso ter uma conversinha com a mãe de vocês sobre segredos. Acho que ela ainda não aprendeu que eles precisam ser escondidos.
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