How Far We've Come
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Sei que o capítulo está pequeno... Mas é importante, saibam disso ~não, não estou enrolando para começar a postar os capítulos da missão U-U Bem talvez... Mas não vem ao caso~
Explosões. Fogo. Fumaça. Gritos. Isso é tudo que lembro.
A avenida estava um caos completo. Mortais corriam para todos os lados, semideuses (dos dois lados) caídos, monstros lutando... Até que o topo do Olimpo se iluminou com uma luz dourada, como o alvorecer. A compreensão daquilo fez meu estomago se apertar.
– Cronos foi derrotado! – alguém gritou. Pela voz contente, só podia ser um semideus do lado dos deuses.
Minhas pernas agiram mais rápido do que eu. Coloquei a espada apressadamente na bainha e saí correndo o mais rápido que minhas pernas conseguiam. Se os deuses me pegassem, estava ferrada.
– Carol, aonde você vai? – gritou uma voz de criança.
Parei e olhei para trás. Melanie Levin, minha meia-irmã de apenas dez anos. Seus cabelos cor de mel estavam sujos com poeira e os olhos chocados em me ver fugindo.
– Melanie... – comecei a dizer.
Um rugido assustador veio de algum lugar. Poseidon, aquele que derrotou Tífon. Dei um último olhar a minha irmãzinha e saí correndo o mais rápido que as minhas pernas conseguiam.
– COVARDE! – gritou Melanie às minhas costas – VOCÊ É UMA COVARDE, CAROLLYN!
– Carollyn! – Troian me acordou sacudindo-me – Pare de gritar, droga! Quero dormir!
Sentei-me na cama. Sequei as lágrimas, torcendo para que a escuridão do quarto a escondesse.
– Desculpe-me – murmurei enfiando a cara no travesseiro novamente – Prometo voltar a guardar meus fantasmas só para mim.
Anne roncava feito um porco, Troian resmungou algo sobre pessoas escandalosas e voltou para sua cama. Deitei-me de barriga para cima e encarei o teto. Alabaster nos deu dois quartos, um para os garotos e outro para nós. O quarto tinha dois beliches, Anne ficou em uma e Troian e eu dividimos outra.
Demorei a dormir de novo, e só acordei quando notei as garotas saindo do quarto. Já deve ser de dia, nunca dá para saber aqui em baixo.
Coloquei uma muda de roupa limpa e fui para Refeitório tomar o café da manhã. As imagens das lutas que lutei com Cronos, as palavras de Reyna na minha mente... Minha dor de cabeça estava forte. Sentamos-nos todos numa mesa, como o almoço de ontem. Com a diferença que agora o peso de uma missão suicida estava sobre nossos ombros.
– Então – Caleb disse – Sabem quantos sátiros são necessários para trocar uma lâmpada?
– Não importa, todos os sátiros morreram – respondeu James.
Um silêncio cobriu a mesa.
– Só tentei melhorar o clima da mesa... – murmurou Caleb cutucando sua tigela de cereais.
Comemos em silêncio, ninguém falando nada. Olhei para cada um dos meus companheiros. Eu os conheço há um dia e já daria a vida por eles. Eles de fato merecem viver mais do que eu. Traí os deuses, mas principalmente, traí meus irmãos. Troian tem uma família na Inglaterra, uma família preocupadíssima com ela. James tem o irmão aqui. Peter tem o pai em algum lugar seguro na Europa. Gostaria que eles pudessem rever os parentes.
Uma lembrança se iluminou na minha mente tão clara quanto a luz do sol.
Levantei-me subitamente, fazendo os outros se assustarem. Um sorriso meio maluco brotou nos meus lábios e os assustou ainda mais.
– Carol? – chamou Anne.
Não respondi. Vire-me e corri até a mesa da diretoria dos refugiados. Reyna e Alabaster tomaram um susto quando cheguei, quase pulando em cima da mesa.
– Carollyn Black! – exclamou Reyna – O que houve?!
– Estamos sozinhos – falei dando uma gargalhada louca – Estamos sozinhos! Sem deuses gregos no Olimpo!
– Dã – disse Alabaster – Porque você acha que estamos aqui?
– Não é isso – minhas mãos tremiam de alegria enquanto pegava o colar do meu bolso – Os deuses do Olimpo eram o que protegiam o mundo contra a magia das trevas, não é? Nossa mãe, Hécate, é...
– A deusa da magia, boa e ruim – Alabaster fitou o colar perplexo – Carol, você é um gênio.
Creio que devo explicar a história do colar: Cada filho de Hécate ganha um colar quando é reclamado, e cada colar lhe dá o poder de controlar um elemento. Bem, na verdade, nós já nascemos com uma vocação especial para um determinado elemento. O meu elemento é fogo. O de Alabaster, água. Quem tem o colar, tem o poder.
Os Olimpianos nunca admitiriam o uso de magia das trevas por parte de semideuses, mas considerando que estão no Tártaro e que vamos usá-la para salvar suas cabeças imortais... Está tudo bem.
Alabaster arrancou seu colar do pescoço e me entregou. Peguei o colar como se valesse um milhão de dólares, o que é um absurdo. Ele vale muito mais.
– Nós partiremos amanhã de manhã – informei a Reyna – E nós não vamos falhar.
* * *
Passei o resto daquele dia trancada em uma sala parecida com um laboratório de uma escola mortal, a não ser pelo fogo grego, as runas mágicas e a fumaça sinistra que saía das poções.
Ouvi Anne entrando para me deixar o almoço e algum tempo depois, um lanche para a tarde. Não toquei em nada. Fiquei totalmente concentrada em organizar suprimentos, preparar mochilas, fazer poções e lembrar feitiços tão antigos que haviam sido escritos em um grego tão velho que quase não pude traduzir.
Acabei dormindo sentada na cadeira, com a parte superior do corpo esparramada no balcão. Lembro-me de ouvir a porta se abrindo, de alguém me pegando no colo e me levando para o dormitório como se eu fosse uma boneca de pano. A pessoa me cobriu e me deu um beijo na testa, estava tão cansada que nem pude abrir os olhos.
– Descanse bem – sussurrou a pessoa. Era Alabaster, no fim das contas.
Meu coração doeu ao constatar que Alabaster se preocupa comigo como irmãos mais velhos fazem. Eu não me preocupei com ele quando fugi. Mais um motivo para ir nessa missão e tentar melhor o mundo em que meu irmão e meus amigos vivem.
Virei-me no travesseiro e apertei o colar de Alabaster e o meu na mão. O meu era quente com o fogo, o do meu irmão era frio como gelo. Soltei um suspiro. Magia é tão complicada.
Fale com o autor