How Do You Say I Love You?
16 Se estiver comigo, nada temo.
Notas iniciais
O sol emergia a leste das águas serenas do oceano pacifico. Sua luz dourada refletia em meu cabelo fazendo-o parecer mais ruivo que de costume. Parei na orla da praia, ofegante, com as mãos na cintura observei o amanhecer, enquanto recuperava o folego.
Eu acordara cedo, antes do nascer do sol. Pus minha roupa esportiva, Ipod em mãos e fui correr na praia. Nada como um pouco de caminhada para reorganizar a mente.
O som suave das notas de Debussy soava em meus fones. Eu tentava por tudo não me deixar dominar pela raiva ou pela tristeza. Nesse dia que passou sem eu encontrar com Peter, senti sua falta. Mas não conseguia deixar de pensar em sua mentira. Lembrei-me de seu coração batendo sob minha mão, de seu beijo terno e intenso, lembrei-me de seu sorriso carinhoso. Isso não poderia ser falso, não sei como, mas eu sentia que não era.
De volta ao hotel tomei um banho com água fresca, penteei os cabelos – soltos como de praxe – vesti short jeans cintura alta e uma curta blusa vintage de alça com bojo na cor azul claro. Ao contrario de ontem, hoje Nina trabalharia a maior parte do dia. Então resolvi sair para dar uma volta, sem destino definido. Eu não sabia oque esperar do dia. Nenhum sinal de Peter desde anteontem, a não serem suas ligações perdidas.
Passei pelo salão da recepção desviando de alguns turistas fotografando, desci os primeiros degraus da escadaria. A luz solar inundou meu corpo com uma sensação gostosa, ajustei os ósculos de sol e olhei diretamente a minha frente. – como se alguém tivesse chamado meu nome, ou seria simplesmente por que eu sentira sua presença?
Em um carro azul claro e reluzente – um clássico dos anos 80 – Bruno estava encostado. Suas pernas estavam cruzadas à frente do corpo e uma de suas mãos no bolso de sua calça social vermelha enquanto outra apertava o cigarro em um trago. O sol era refletivo pelo seu topete impecavelmente penteado e brilhante, havia uma expressão de tensão mesclada com sensualidade e mistério em suas sobrancelhas levemente unidas franzido sua testa. Mas por trás dos óculos RayBan era difícil discernir com exatidão.
Tive tempo de ver tantos detalhes porque fiquei parada, estática no meio da escadaria. Como se alguém chamasse por seu nome também, repentinamente ele ergueu mais o olhar, diretamente para mim. Meu coração martelava em minha cabeça, senti-me tonta, as pernas bambas, me concentrei tentando lembrar a mim mesma de como respirar. Com esforço para mexer as pernas desci os últimos degraus de mármore. Bruno sustentou meu olhar, com certeza aquela blusa cor de areia havaiana de botões contrastara com sua pele morena, o deixava muito sexy. Respirei fundo, impossível não confundir as coisas quando o vejo. Provavelmente ele estava aqui para conversarmos. E eu não conseguia deixar de pegar fogo só de olhar para ele. Mas com firmeza fui a sua direção, afinal ele ainda me devia uma explicação.
Bruno retirou os óculos, repeti seu gesto.
- Oi – ele disse com voz terna, seus olhos com seu poder esmagador fitavam-me.
- Oi – sustentei seu olhar, como se fosse possível desviar os olhos dos dele.
Um segundo de silencio pairou no ar. Eu não começaria a falar, esperei.
- Jasmin, gostaria de conversar com você. Te explicar tudo.
Virei o rosto para o lado fitando a praia Mahina sem nada ver.
- Você está com raiva de mim?
Silêncio.
- Tudo bem. Se não quer falar, ao menos vai me ouvir?
Silêncio.
Sem olhar em seu rosto, dei a volta pela frente do carro e parei na porta do passageiro, esperando-o abri-la pra mim. Bruno seguiu-me com o olhar, confuso e hesitante. Olhei em seus olhos e deles para a porta. Bruno entendeu isso como um sim, um sorriso distendeu seus lábios, as covinhas se formaram em suas bochechas. Fiz força para não me deixar levar por seu charme e beleza incontestáveis. Entrei no carro, ele fechou a porta e tomou seu posto atrás do volante. Nenhum de nós falou durante o percurso. Uns 25 minutos depois Bruno parou numa calçada, ao lado de uma longa estrada que percorremos e que se estendia quilômetros além. Deserta.
Antes que Peter o fizesse, eu abri a porta e desci. Por detrás dos arbustos que ladeavam o lado oeste da estrada, vinha o cheiro salgado do litoral, desci da calçada em direção à praia. Caminhei pela areia branca em direção ao mar de águas azuis-piscina. Meu coração tresloucado batia acelerado em meu peito. Eu não sabia oque dizer, não sabia oque pensar, mas eu queria estar ali.
- Lindo não acha? – não o ouvira se aproximar, quando virei Bruno estava atrás de mim. – A maioria dos turistas passam direto, a ignoram, em busca das praias mais famosas, porém lotadas.
Eu não disse nada. Olhava fixamente para o horizonte, o céu azul e as águas como um só. Depois de alguns segundos de silencio ele disse.
- Jasmin, primeiro quero que saiba que eu nunca quis magoa-la. Eu não menti pra você...
Encarei-o cética.
- Ah, Peter... Opa,! Desculpe. Bruno, com certeza você não mentiu. Claro que não.
Em reação a minha ironia ele respirou fundo. – Jasmin, te entendo. Mas por favor, me deixe explicar.
Virei o rosto, dei alguns passos. Sentei-me em um tronco de arvore caído, embranquecido pelo sol e pelo sal ali perto. Olhei para ele esperando. Mais uma vez ele entendeu como um sim. Aproximou-se alguns passos e sentou-se em uma rocha a minha frente, com uma certa distancia. Olhei em seu rosto, nossos olhares se encontraram.
- Imagino oque esteja pensando... Que eu quero brincar com você, que sou um vaidoso... Mas não é nada disso. – deu uma pausa, mas como eu não protestei ele prosseguiu.
“Eu havia desembarcado há dois dias. Enfim retornado ao Hawai’i, após anos muito difíceis, voltei triunfante. Rever a família, descansar, me apresentar com meus amigos de banda. – pegou um graveto e começou a desenhar na areia. Seus olhos perderam o foco, como imerso em lembranças – Marquei com o Phil de encontra-lo no bar do hotel para acertarmos assuntos dos shows. E quando entrei naquele bar, mal imaginava eu que minhas férias iriam tomar um rumo, uma dedicação totalmente diferente do que eu imaginara. – ele ergueu o rosto, procurando por meus olhos — Vi você.
“E quando você sorriu para mim eu senti que não podia ir embora sem falar com você. Phil me chamou para ir ao Iate Club, recusei, quis ficar. – Um sorriso distendeu seus lábios – Discuti internamente se deveria ir e cumprimenta-la. Te observei, e percebi que esperava alguém. Percebi que me olhava, mas me perguntei se não seria uma fã, e apenas isso. – senti meu rosto pegar fogo, ele percebera que eu olhava pra ele.
“Em um impulso decidi e estava ao seu lado lhe oferecendo uma bebida antes mesmo de me dar conta de tê-lo feito. Você aceitou, conversamos e nada de fotografias, autografo ou gritos. Quando me questionou sobre meu nome, me surpreendi. Devia ter ficado ofendido – ele riu – mas não, pelo contrário, senti-me grato. Eu estava sendo tratado como quem sou, não apenas pela fama. Isso aproxima muitas pessoas de você. Mas quantas delas são sinceras? Então me apresentei como Peter. – Mais uma pausa, agora seus olhos perfuravam os meus. – Esse é o meu verdadeiro nome, Jasmin. Peter, Peter Gene Hernandez. Bruno é uma apelido dado pelo meu pai, desde quando eu era muito pequeno. Mars, foi um acréscimo na adolescência, as meninas diziam que eu era de outro planeta. Deu de ombros. Eu corei novamente, lembrando de ter pensando a mesma coisa sobre ele. Tão romântico que parecia ser de outro mundo.
“- Adotei-o como nome artístico, e é assim como me tratam. Entenda, eu não maquinei nada para engana-la. Eu não queria ser tratado diferente só por ser cantor. Por isso quando mencionamos nossas profissões eu me mantive tão reservado, sem dar muitos detalhes claros. Eu temi que passasse tempo demais e você não se desse conta que eu sou um artista. Temi que acontecesse oque aconteceu. E imaginei como te contaria, como eu ia fazer você perceber... Então eu cantei, não vi outra forma. Me surpreendi com sua reação, imaginei que não fosse quer mais me ver. Eu te liguei, mas entendi que precisava de um tempo.
Jasmin, seu jeito livre, divertido e natural me encantou. Me fascinei por sua simplicidade, sua liberdade. Não podia me despedir de você sem ter certeza de que a encontraria novamente. Você me cativou, Jasmin... E não quero que se afaste de mim. Desculpe-me, por não tê-la contado, por tê-la confundido. Eu... – sua voz pareceu embargar, ele hesitou, mas não concluiu a frase.
O silencio só não era absoluto pelas ondas que quebravam a poucos metros de nós. Refleti sobre tudo que ele acabara de confessar. Surpreendi-me com a onda de ternura que senti em meu coração. Não importava afinal...
- Bruno... – seu olhar ficou atento e ávido – não se desculpe. Como me diria? “Hey! Sou um cantor muito famoso, sexy e desejado por todas as mulheres!” – ele riu, eu sorri também. De repente o clima estava mais leve. – Eu não o reconheci Bruno, desculpe-me por essa confusão. Ele sorriu e baixou a cabeça, suas covinhas marcadas nas bochechas. Peter, Bruno... Ele causava a mesma loucura em mim. Senti-me fascinada por sua beleza, quis beijar seus lábios avermelhados e úmidos.
Mas de repente, uma onda de pânico me fez suar e arregalar os olhos. – Oque foi? Perguntou Bruno assustado.
Afinal, oque eu estava pensando? Como eu me deixara levar? Eu não poderia ter me envolvido tanto. Não com ele sendo o Bruno Mars! Com uma súbita secura na boca e respiração entrecortada. Baixei os olhos, tristonha. Bruno sentou-se ao meu lado no tronco de árvore, com um aperto o coração senti o toque macio de sua mão na minha. Ergui o rosto para olhar o dele, não consegui falar em voz alta oque gritava dentro de mim. Eu só entendia uma coisa. Eu o queria. E esquecera tudo, qualquer duvida ou confusão em relação aquele homem que retinha minha mão na sua. Segurei sua mão com firmeza, olhei em seus olhos. Querendo chorar, abracei-o, ele não pode ver as lágrimas que rolaram em meu rosto.
- Jasmin ... – ee apertou seus braços ao meu redor.
- Você me perdoa?
- Oh, Bruno. Não, eu o aceito. – Abracei-o com mais força. Senti o calor de seu corpo reconfortar-me. Mas não por completo. Ainda havia uma questão.
Sequei as lágrimas e sai do abraço delicadamente. Bruno sorriu, aquele sorriso de lábios fechados e covinhas, a ternura em seus olhos fez-me questionar como alguém poderia ser tão belo. Não me refiro à beleza exterior, belo de alma. Acariciei seu rosto delicadamente. O mesmo sorriso, o mesmo olhar de Peter. Não havia diferença. Ele confiava em mim e eu nele.
- Você é incrível Bruno. Me pergunto como pode alguém que conheço a pouco despertar tais sentimentos em mim. Tão simples, porém profundos. Com você eu me sinto tão... livre. Estou começando a achar que... – naquele momento reconheci oque escondia em meu subconsciente...
- Você tem medo? – ele disse.
- Medo de que? — sustentei seu olhar.
- Medo de dizer que esta apaixonada.
Seu olhar enxergava além de minha alma, agora eu tinha certeza.
Fiz que sim, corando – tenho medo, estou insegura Peter... agora sabendo quem você é.
- Você sempre soube quem sou – corrigiu ele – Por que tem medo? Não tenha medo minha querida – seus dedos deslizaram gentilmente em minha face.
- Tenho medo de não vê-lo mais...
- Eu estou aqui, não estou?
- Sim, mas e quando tiver que voltar a Los Angeles, Bruno? E eu ao Brasil... Ele ficou em silencio, sua expressão revelava o quanto essa questão também o confundia.
- Jasmin, eu não sei... Eu não sei se eu aguentaria ficar sem você, eu te quero, eu te quero muito. Quero ficar com você, se você me quiser. E depois... veremos oque fazer.
Absorvi lentamente oque ele acabara de dizer. Ele me queria, queria ficar comigo. Uma parte de mim vibrou de alegria. Outra, temeu, oscilei entre o medo de me apaixonar, ainda mais por ele... e ele partir... Então lembrei-me do que Julia mandara por SMS “ Aproveite como se não houvesse amanhã”. Oque eu tinha a perder? Eu não seria covarde a ponto de deixar de viver cada segundo possível com ele. Eu sentia uma coragem inacreditável ao seu lado.
- Vamos deixar este detalhe pra lá, por enquanto. – sugeri com um sorriso tristonho.
- Vem cá minha ruivinha... – Bruno pegou em minhas pernas e me encontrei em seu colo. Meu corpo ardeu com o fogo da paixão e nossos lábios se encontraram avidamente. (...)
* Continua!
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