How Do You Say I Love You?
14 Isso é demais pra mim!
Notas iniciais
Foi quando esbarrei na camareira derrubando a pilha de toalhas que ela carregava nos braços que voltei a mim. Até então eu subira até o corredor em um estupor nervoso.
- Ai,! Me desculpe! – disse eu em inglês.
- Tudo bem, tudo bem. – então ela olhou para mim, sua expressão tornou-se estranha. Seus olhos arregalaram-se ligeiramente e ela uniu as sobrancelhas. – Deixe comigo, pode ir. – disse bondosamente.
Franzi o cenho fitando o chão e continuei o caminho do corredor até meu quarto. Esquecendo-me imediatamente do incidente com a camareira. Tive certa dificuldade para abrir a porta com as mãos trêmulas, entrei no cômodo escuro. Parei com a mão na maçaneta, virada para a porta encostei minha testa na madeira. Minha mente estava bloqueada... Eu simplesmente não entendo! Soltei um pesado suspiro. Sentindo-me sufocada pensei em ir até a varanda com urgência buscar um pouco de ar fresco, mas eu sabia que lá fora estaria quente e abafado, então liguei o ar-condicionado. Sentada na cama por cima das mãos, fitei os desenhos da tapeçaria oriental. Eu estava em estado de choque, perplexa! “haha” — soltei uma risada cética tosca. Não poderia ser verdade. Poderia? Peter... é o Bruno? Peter é o Bruno Mars! Levei as mãos a cabeça atordoada, joguei-me de costas na cama. Fitando o teto como uma tela de TV, revi minha conversa com ele no carro. Seus olhos suplicantes perfurando os meus e como ele ficou visivelmente preocupado. Mas isso não mudava muita coisa, não queria dizer que realmente se importasse. Como ele se apresenta a mim com outro nome? Por quê? Ele queria brincar comigo! Isso sim! Como pude ser tão idiota!!? Ai meu Deus!, e eu me apeguei a ele!
Levantei abruptamente da cama, olhei ao redor do quarto. Vi o notebook encima da escrivaninha de onde não saiu desde o dia do meu embarque. Sentei-me na cadeira e abri o aparelho. Tamborilei no tampo da mesa impaciente, esperando o computador ligar. O som do Windows soou, digitei minha senha rapidamente e enfiei o modem na entrada do notebook. Suspirei asperamente e digitei no Google “Bruno Mars”. Alguns segundos passaram-se – torcendo para que eu estivesse louca e a pesquisa nada tivesse a ver com o cara que eu conhecia. Uma lista imensa de resultados apareceu na tela. Não fora preciso muito, mirei no segundo link na lista. “Imagens de Bruno Mars” Meu coração doeu de tão forte que bateu. Senti-o martelar em minhas têmporas. Fiquei tonta, enjoada.
- É ele – eu disse. Minha voz ecoou em minha mente. Fazendo-me entender pela primeira vez. – É ele.
Fechei o notebook com violência. Com um rompante abri a porta dupla da sacada, fui ao peitoral e apoiei-me segurando com força nas grades brancas, de cabeça baixa respirando descompassadamente. Ora eu sentia raiva, ora sentia-me traída, confusa, ou louca. Não pode ser! Bruno Mars! Isso é demais pra mim.
Meu celular tocou dentro da bolsa, no chão perto da porta. E olhava a cidade lá embaixo sem nada ver, mergulhada em pensamentos. Imaginei que fosse... ele. Mas lembrei-me de que Nina havia me chamado para uma festa ou algo do tipo. Ele não me ligaria tão depressa. Ligaria? Entrei, peguei minha bolsa do chão. Sentei na beirada da cama e abri a mensagem de Nina. Dizia que estava a caminho do hotel, se eu estivesse me arrumando. Não conseguiria contar nada a ela. Não agora. Vasculhei minha mente conturbada em busca de uma desculpa.
“Amiga! :D Estou ocupada ainda, sabe? Haha Desculpa, fica pra próxima? Nos vemos amanha! Divirta-se! Honi :* ”
Sei que parecia animada demais, mas foi a melhor coisa que consegui maquinar. Enviei o SMS e arremessei o celular para o outro lado do quarto. Resolvida a tomar um banho — me livrar dos grãos de areia de meus pés e cabelos seria um grande alivio. Seria bom que pudesse limpar minha mente também, desfazer toda aquela confusão – tirando as peças de roupa pelo caminho fui ao banheiro e abri a torneira da banheira.
Na cama, vestindo baby-doll, abracei o travesseiro. Deitada encolhida, olhando o céu estrelado pela porta de vidro da suíte. Senti uma leve cocega na bochecha, passei as mãos e senti meu rosto molhado. Chorando silenciosamente adormeci.
*Continua!
(E agora? ...) Oque acharam? Comentem com reviews! Obg!
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