How Do You Say I Love You?

43 Falecendo, renascendo... Medo, esperança...


Notas iniciais
*-* Hey, menines! Pleno dia 30 de dezembro e este é o ultimo capitulo deste ano que compartilho com vocês. *u*
Este capitulo superou o Nosso Favorito Encontro de Almas em quesito ' capitulo longo', então creio que merece reviews bem compatíveis.
Sempre há tanto oque dizer que é melhor resumir em "perfeito" rs, eu amo isso, mas peço que especifiquem algo, alguma frase, algo que lhe causou emoção... Importante para mim. Para eu seguir com os próximos também, é saber oque sentiram em relação a este.
Dedico este capitulo a vocês;
Aline Maurente, Leticia JC, Leticia Lourenço, Cassia Inez, Nattaly Correia, Nathália Marques, Thias Ferrer, Luciana Sousa, Lucy César, Uena Motta, Fernanda Sousa, Isabelly Fernandes, Mayara Braz, Mayara Nascimento, Eugênia Morais, Maria Clara, Leilane Lawrence, Ana Paula Machado, Julia Mandorini, Raquel Figueiredo, Fabiana Menezes, Amanda Freire, Luana Bia, Milena Hernandez, Renata Hernandez, Hooliegunner, Mari Almeida, Nathalia Belga, KateSantos... E a todas as leitoras fantasminhas. ^^'
Agradeço a todas por me acompanharem neste projeto. Por seus comentários e incentivo!
Desejo que vocês mudem para melhor neste novo ano, pois iniciaremos um novo ciclo de nossa vida. Que tenhamos força, fé, foco para fazer valer a pena, para conquistar! o/

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Diz a lenda que no antigo Hawa’i’ a religião proibia os homens e as mulheres de tomarem as refeições juntos. Por volta de dois séculos atrás (1819) o rei Kamehameba II, aboliu esta restrição religiosa e para comemorar o rei sentou-se e comeu junto com as mulheres. O prato servido na ocasião foi o luau, uma comida feita com galinha e folha de taro cozidas no leite de coco. Desde então os havaianos comemoram tudo com luau, reunindo família e amigos.

Enquanto cozinhávamos na cozinha revestida de azulejo e mármore branco Berny compartilhava das histórias havaianas. Contando-me as transformações desde a época da monarquia a revolução. A mistura cultural que a tomada inglesa trouxe às ilhas, no entanto a cultura havaiana permanecera tão forte como sempre fora. A comida típica, as crenças, costumes, vestimentas e o vocabulário da língua nativa, o qual apesar do inglês ser o idioma oficial ainda era tão presente quanto.

Berny observava-me atentamente, percebi em seus olhos a aprovação de meus dotes culinários. Quando Jaime chegou juntou-se a nós no preparo do Lomi Lomi.

Lomi lomi é um prato típico feito com salmão cru picado, uma espécie de vinagrete estilo Sashimi, picado no tamanho de cubos de tomates. Como acompanhamento; salada feita de cebola, pimentão, tomate e cebolinha.

Da porta dupla da cozinha que dava no quintal gramado dos fundos vinha o som de risos, passos correndo e latidos de cachorro. Um som família, alegre. Bruno, Erick e Pete brincavam com Liam; filho de Erick, Marley filho de Jaime. Tiara, Presley e Tiahiti não poderiam chegar a tempo do almoço, mas chegariam ao final da tarde.

Com um aperto na garganta percebi que aquela reunião familiar seria como uma despedida, tanto de Bruno quanto minha.

Bruno e eu não voltamos a tocar no assunto desde que ele fora contatado sobre a apresentação no Today Show em Nova York. Lembrei que não discutimos sobre o assunto, ficou claro que precisamos aproveitar nosso tempo juntos e como eu preparara uma noite de amor para nós; exatamente para senti-lo comigo e saber que naquele momento estávamos juntos. Deixando pelo menos naquele momento, o futuro para depois. Não iria sofrer precipitadamente.

No entanto agora este pensamento estava me perseguindo, atormentando meu sono. De uma semana passaram-se 4 dias, 5 hoje. Senti um bolo na garganta, um súbito desespero. Dois dias! Pensei assustada com a esta ideia, balancei a cabeça para dispersar tais pensamentos tão complexos. Agora não! Disse a mim mesma.

-Oque querida? Ouvi Berny.

-Hm? Nada... Passe-me a o leite, por favor – eu sorri. Não havia percebido o quanto eu estava distraída, tanto que estava pensando alto.

D. Bernadette esticou o braço sobre a mesa de carvalho para pegar a jarra de leite. Eu preparava Haupia; uma sobremesa tradicional feita de leite de coco, amido de milho e outros ingredientes básicos como açúcar e leite. Berny passava-me as instruções enquanto arrumava a salada de frutas.

-Mahalo, Berny – eu sorri pegando a jarra e passando uma quantidade para o copo de medidas.

Ao passar os olhos pela janela vi do lado de fora a grande mesa de refeições já arrumada. Ao redor tocheiros de bambu e pequenos arranjos de flores nativas como o Hibisco e miosótis, mas ainda era dia. 11h30min aproximadamente.

-Que lindo! Eu disse e franzi o cenho. Mas, luais não ocorrem apenas a noite?

Assim que falei me arrependi, senti-me enrubescer por minha ignorância. Berny se percebeu não demostrou. Com um sorriso caloroso ela disse;

-Para realizar um luau basta um motivo para comemorar. Eu estou feliz com meus filhos em casa, eu os vejo com tanta raridade. E estou feliz também feliz por tê-la em nossa família, vejo que você e Bruno realmente se gostam, Ela sorriu lançando-me um olhar afetuoso.

Correspondi seu sorriso e baixei o olhar para que ela não visse meus olhos marejados pelas lágrimas de saudade. D. Berny lembrou-me a minha mãe.

Como eu sentia falta de um cuidado daquele, como Berny tratava Bruno, Erick, as meninas, os netos e agora também a mim. Mais uma vez imaginei como mamãe, papai e o vovô estariam. Um dia antes de eu embarcar para o Hawai’i’ havia passado algumas horas com eles na praia de Copacabana; ficaram imensamente felizes por eu estar enfim realizando o sonho de minha vida, além da carreira profissional. Mas sei também que por detrás dos sorrisos havia saudades. Saudades já sentidas e as que ainda viriam por mais um tempo de minha ausência.

Minha família resumia-se e eles; meus pais e o vovô. Eu tinha primos no sul do Brasil parentes de minha mãe, mas nunca nos relacionamos proximamente, o mesmo dizia-se dos familiares de meu pai no estado vizinho.

Creio eu que eles compreendiam que eu havia crescido, tinha minha própria vida e seguia meu caminho. Não haveria porque eu viver na casa deles, como tantas pessoas que após se casarem não saem da casa dos pais. Entretanto eu poderia visita-los mais que duas ou três vezes ao ano ou ao menos ligar mais que uma vez a cada três meses. Isso morando no mesmo estado!

Como senti desgosto de mim mesma!

Havia me esquecido como era o olhar carinhoso maternal ou um almoço em família.

Isso foi necessário. Um sacrifício necessário! Repeti mentalmente. Assim como meus sábados ensolarados que passei dentro de uma sala de aula ou no quarto estudando.

Eu sempre usava este pensamento como consolação para não me culpar. No entanto isso não diminuía a saudade, a falta que eles me faziam ou as feridas, as lacunas que essa distancia poderia ter causado. Como eu ter vivido por muito tempo, tempo demais como um robô.

Lembrando-me do conselho de Peter pensei; Talvez agora que eu já havia me estabilizado eu poderia dividir meu tempo, conciliar. Apenas administrar. Eu iria mudar! Havia decidido isso. Mesmo que eu soubesse que não seria tão fácil. Nos negócios ou no mercado temos de estar envolvidos, sempre jogando. Afinal é lutando que se vence. Não se pode nunca ficar negligente.

Mas eu ia tentar.

Por tudo que eu tinha vivido ali no Hawai’i’ até agora, sem trabalho ou compromissos relacionados... Lembrei-me de como é importante, indispensável ter as pessoas que amamos ao nosso lado. Ter as pessoas que amamos ao nosso lado... Mais uma vez meus pensamentos voltaram ao mesmo ponto. Peter... Era como andar em círculos... Até quando eu fugiria disso? Eu precisava lidar com o inevitável. Respirei fundo e pigarreei para evitar que as lágrimas escapassem de meus olhos.

Terminando então o preparo da comida Berny, Jaime e eu pomos a mesa e apreciamos uma deliciosa refeição juntos.

Observei cada um a mesa, captando cada detalhe. O jeito que Jaime punha o cabelo atrás da orelha e corrigia Marley a mesa ao mesmo tempo em que ria de suas travessuras. Erick com Liam em seu colo, o olhar supervisor de Katy, sua esposa. Berny servindo a sobremesa com um olhar caloroso sobre todos a mesa. Pete conversava risonho e descontraído com Jake, o marido de Jaime e Bruno. Ah, Peter! A forma que seu maxilar se movia com a mastigação, seus cachos castanhos claros contra a luz do sol. As covinhas marcadas nos cantos dos lábios em um sorriso contido enquanto comia.

Perguntei-me em como eu fora parar ali. Eu não planejara entrar em um relacionamento assim. De forma geral. Amigos, sogros, sobrinhos, cunhados... Namorado.

Era para ser um almoço, um luau feliz, mas em minha garganta eu sentia um bolo que nem com meus maiores esforços amenizava.

Temi não vê-los mais, não ter mais momentos como aquele. Eu quis ficar. Quis também que Bruno pudesse permanecer. Mas em outro lugar eu também tinha alguém que me amava e esperava por mim. Sentimentos, corações, questões as quais eu não poderia esquecer ou abandonar.

Eu tinha de voltar.

E Bruno tinha de seguir sua carreira. Oque seria de nós?

Presley, Tiahiti, Tiara, Paul segurando a mão de Jaimo, filho caçula de Jaime e Jake, irromperam pela porta dos fundos arrancando-me de meus devaneios. Agradecida eu sorri em vê-los, precisava aproveitar aquele dia. Eu estava dispersa demais e no momento eu precisava estar com eles.

Imediatamente Marley levantou-se da mesa, puxando Liam pela mão correu de encontro ao irmão recém-chegado.

Após terminarmos a sobremesa descansamos sentados na varanda com vista para a praia como da primeira vez.

- Não haveria como você ter aprendido Hula em outro lugar se não aqui no Hawai’i’ – disse Berny.

-Eu já assisti a vídeos na internet, mas não tem o mesmo espirito... É mais que uma dança. A senhora já se apresentou em luais com Hula?

-Pensei que já tivéssemos intimidade suficiente para nos tratarmos por você – ela sorriu.

Ergui meu olhar da areia molhada para seu rosto – Desculpe Berny – disse.

Ela deu um riso breve. Demos mais alguns passos pela margem do mar. Há poucos metros de onde estávamos Bruno tocava seu violão sentado em uma cadeira de praia, cantando rodeado pelos sobrinhos. Pete, Erick, Paul e Jake conversavam fitando a imensidão do mar à frente. Duas antigas palmeiras davam-lhes sombra. Paramos ao alcançar Jaime, Presley, Tiara, Tiahiti e Katy que faziam leis com flores coloridas.

-Sim, já. Eu era dançarina também, assim que conheci o Pete. Em um evento em especial nos encontramos – ela sorriu. Por um instante imaginei o motivo da separação, mas jamais ousaria tocar no assunto.

- O Hula é mais que uma dança, você não se engana Jasmin. É uma tradição passada de geração a geração. Remota do Período Histórico Matriarcal – Berny olhava para além do horizonte, o azul do mar fundindo com o azul-celeste. Seus olhos refletiam a paisagem e a forma que seus cabelos balançavam com a brisa acentuava sua tonalidade vermelha. Sorri com esta semelhança entre nós, contemplando o oceano de águas azul-elétrico deixei que a voz melodiosa de minha sogra e amiga soasse.

“O Hula é interpretação de um texto. O conhecimento do canto, conhecido por Mele é que gera a base para um repertório rico em movimentos repletos de significados e variações. Aqui no Hawai’i’ não é apenas uma dança, é um estilo de vida baseado religião ancestral de nosso povo. Com cantos a variedades de ritmo. Esta aí porque o Hula só pode ser realmente ensinado e aprendido aqui no Hawai’i’, um Kumu Hula , o mestre de Hula só pode ser formado no Hawai’i’. Rica em acessórios naturais; repleta de lendas, orações e amor a Mãe Natureza. Trata-se de uma dança devocional. E assumiu caráter de performance após a ocupação estrangeira no Hawai’i’. Cada movimento faz alusão a um elemento natural, desde a montanha até as ondas do mar, desde sentimentos como o amor e emoções como a raiva humana. Assim a dança Hula é para o povo havaiano uma reflexão da vida.

Berny deu uma pausa. Neste momento um golfinho se aproximou, emergindo das águas saltou alto e mergulhou novamente na água. Fomos atingidas por uma borrifada de água fresca. Outro golfinho emergiu e saltou, seguido por outro e mais dois; nós rimos e os vimos nadarem em sincronia de volta para o oceano sumindo de vista.

“Existem três tipos básicos de Hula: Hula Kahiko; antiga e devocional, que por sua vez é dividida em vários tipos; Hula A’uana; moderna e Hula Ku’i como você bem reconheceu no luau que é uma mescla dos dois estilos.

Sorrindo ela deu mais um passo e sentou-se ao lado de Jaime, pegando um punhado de flores e começando a montar uma lei.

-Tente fazer um – disse Tiara alegremente.

-Veja; você precisa encaixar as flores assim – demonstrou Jaime, juntando o cabo de uma flor ao miolo de outra de forma a liga-las.

Sentei-me junto a elas levantando a bainha de minha saia longa para me acomodar melhor.

-Estas flores você reconhece – sorriu Tiahiti apontando com um dedo para um monte de flores de cinco pétalas amarelas, rosadas e de outra espécie brancas.

Eu sorri – São Jasmins – falei pegando uma delas.

-Sim – assentiu Tiahiti.

Eu comecei a unir as flores de Jasmin e uma a uma deram forma a um colar.

-Cada colar tem seu significado – disse Presley arrumando os colares prontos – Os feitos de penas representam poder, usados pelas pessoas importantes. Os de flores variadas representam alegria com suas cores e os de Jasmin são usados pelas noivas – seus lábios esticaram-se em um sorriso sugestivo.

Senti minha face corar e sorri baixando o olhar para minha montagem de lei de Jasmins. D.Berny pigarreou discretamente e para meu alivio rapidamente;

-A lei tem um significado de celebração, é como um troféu – ela disse complementando a explicação sobre as leis.

Ao terminarmos nossos colares e os colares para a família fomos até cada um coroa-los com as leis. Jaime ofereceu a seus filhos, Marley e Jaimo e a seu marido, Jake; D.Berny ofereceu a Liam; Katy a Erick; Tiara a Pete; Tiahiti a Paul e eu parei a frente de Peter.

Ele usava seu boné preto, com camisa aloha completamente desabotoada exibindo seus músculos e pele bronzeada com o brilho do suor. Ele emanava testosterona. E eu me senti tonta, ainda mais quando ele se pôs de pé e umedeceu os lábios avermelhados com a língua. A minha frente Peter sorriu.

Respirei fundo e senti minha respiração pesar. Queria sentir sua boca quente em minha pele, seu peito duro em meus seios.

-Também me sinto assim – ele disse baixinho e baixou os olhos para a bermuda preta, segui seu olhar e ergui as sobrancelhas. Quase gemi ao ver o volume sob o tecido. Bruno ergueu uma sobrancelha e sorriu torto.

Pigarreei – Aloha – falei erguendo lhe o colar de flores coloridas. Peter inclinou a cabeça e eu coloquei a lei sobre seus ombros largos.

-Mahalo – sorriu.

Dei um passo à frente e envolvi sua cintura com os braços, Peter beijou o alto de minha cabeça. Senti uma emoção mesclada à satisfação e medo apertar meu coração. Estava feliz por estar em seus braços e sentia um medo terrível de não estar mais.

-Bruno, você pode tocar mais um pouco de música? Pediu Berny.

Bruno sorriu e fez um aceno afirmativo com a cabeça, ele beijou-me os lábios e foi pegar o Ukelele que jazia ao lado do violão na areia.

-Vem, Myn! Tiara pegou em minha mão e me puxou para onde Presley, D.Berny, Katy, Tiahiti e Jaime colocavam suas coroas de flores e suas saias de rafia.

-Esta é a sua – Presley ofereceu-me uma coroa de Jasmins amarelas, inclinei a cabeça para que ela me coroasse.

-Está pronta para o Hula? — falou Jaime.

-Sim! Eu ri.

Posicionamo-nos lado a lado de frente para o mar, a nossas costas os rapazes nos observavam. D.Berny virada de frente para nós indicou os passos iniciais; erguendo os braços na lateral do corpo; indicou os passos dos pés que eram duas pisadinhas leves sem sair do lugar com cada pé, um de cada vez e um após o outro, em movimento constante. Depois o movimento dos quadris, ondulantes e circulares, ambos os braços para a esquerda, depois para a direita. Tais movimentos lembravam claramente as ondulações do mar.

-Pegou, Jasmin? – disse Berny após uma serie de repetições de todos os passos ao mesmo tempo.

-Yeah! Eu disse exibindo os passos recém-aprendidos.

Elas riram.

-Ótimo! Então vamos para o próximo passo, Berny virou-se para a esquerda; seguimos então para a troca de lugares, as batidas de palmas e giros intercalados aos passos anteriormente aprendidos.

O som do Ukelele, risos, o revolver das ondas do mar, o vento, os pássaros em algum lugar envolvia-nos e pude sentir meus pés não mais tocando a areia. Bruno cantou músicas do Israel Kamakuwiwo’ole, não apenas em inglês e para minha grande surpresa e admiração cantou também em havaiano.

Israel Ka’amo’i Kamakawiwo’ole que também usava o nome Bruddah I Z era descendente de linhagem pura havaiana, o mais famoso músico e cantor havaiano. Falecera na década de 90 por complicações de saúde adquiridas pelo excesso de peso.

Dançar Hula sem dúvida fora algo espiritual. Há uma sincronia entre quem dança ao seu lado, uma ligação que é conduzida pelo Mele, o conhecimento dos cantos, dos movimentos.

Presley fora correndo até a varanda onde Peter e Jake serviam suco de abacaxi; Marley, Jaimo e Liam seguiram-na e nós fomos logo atrás.

Peter recostou-se no peitoril de madeira da varanda, eu estava há poucos centímetros dele. Um sopro de ar fresco esvoaçou meus cabelos levando-os ao meu rosto e alguns cachos a minha boca. Peter segurou-me pela cintura e puxou-me para ele, com os dedos tirou meus cabelos de meu rosto.

-Sabe que eu te imaginei mexendo ao quadril daquele jeito encima de mim não é? – sussurrou ao meu ouvido.

Eu dei um longo gole em meu suco, passando a língua nas bordas do copo enquanto erguia o olhar para mirar em seus olhos.

-Querida não faça isso se não a possuirei aqui mesmo – sua voz soou ardente, venenosa; com uma mão no meio de minhas costas ele comprimiu meu corpo contra o dele. Eu só fiz lamber os lábios e morder o lábio inferior em seguida.

-Conheço outra utilidade para essa língua – o hálito dele soprou quente em meu ouvido. Senti meu corpo mole em seus braços firmes.

-Estou louca para que me mostre – sussurrei contra a pele de seu ombro.

Bruno que tinha o rosto entre meus cabelos inspirou profundamente. Beijei-lhe a boca breve e provocante e quando tentei me afastar ele disse;

-Ainda não, – seu braço apertou a minha volta.

Eu sorri entendendo o porquê. Discretamente eu levei a mão a sua parte intima; senti-a pulsar e ao meu toque enrijecer mais.

“Oh” Eu disse. Peter me deu um selinho, tentando disfarçar o gemido baixo, para que ninguém além de nós ouvisse.

O pessoal estava distraído em conversa animada no gramado a alguns metros de nós. Deram-nos um momento a sós.

-Se eu não me afastar não vai descer – eu disse embriagada pelas imagens eróticas que inundavam minha mente.

-Não, não vai. Nem se você sair, porque eu vou ficar olhando o movimento da sua bunda enquanto anda – ele desceu a mão por minhas costas e apertou-me o glúteo.

Eu arfei – Oh, Peter, vamos perder o controle.

-Sim, porque somos explosivos no sexo. Ele deixou o copo de lado e levou a mão aos cabelos de minha nuca, puxando-os aproximou seu rosto de forma cruelmente lenta, fitando meus lábios, de testa franzida; eu só fiz esperar pelo toque de seus lábios nos meus, olhando para seu rosto perfeito tão próximo do meu.

Senti o toque suave de seus lábios macios nos meus de repente tomarem intensidade em um beijo puramente sexual. Tonta, ainda consegui tatear cegamente e equilibrar meu copo no peitoril de madeira. Abracei-o, sentindo seu cheiro de homem encher meus pulmões, sua pele do peito nua colada a minha pele exposta pelo biquíni.

Paramos de nos beijar com grande esforço. Recompus-me e por entre as folhas do coqueiro que nos tampava parcialmente vi Marley correr ao nosso encontro. Ele subiu os degraus de madeira.

-Tia Jas, a vovó perguntou se você quer conhecer o lago – disse ofegante e virou-se, correndo ao encontro de Liam e Jaimo que o esperavam brincando com os colares de flores e microfones nas mãos.

Encontrei o olhar de Berny e sorrindo fiz um aceno afirmativo com a cabeça.

-Já volto, amor – eu disse a Bruno.

-Estou começando a ficar com ciúmes.

Eu ri e dei-lhe um selinho.

-Não olhe pra minha bunda se quiser que o Bruninho desça – eu disse virando as costas. Desci os degraus indo de encontro a Berny, sabendo que Peter acompanhava meus movimentos traseiros.

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A cerca de dez metros da casa, além da extensão gramada do quintal dos fundos havia as margens de uma pequena mata. A qual, imagino eu, contornava as margens da ilha. Berny conduziu-me pela curta trilha entre as raízes até as margens do lago Ko Moe, de águas verdes-esmeralda. Por entre as finas árvores era possível ver a praia, o por do sol.

São necessários os quatro elementos presentes em um luau; Terra (areia da praia), Água (mar), Ar (vento da noite, vinda do oceano) e Fogo (fogueiras ou tochas acesas), ensinara-me Berny. Ela rira quando eu lhe dissera que ela poderia dar aulas aos turistas, fazer palestras se quisesse e teria sucesso, pois aprender com Berny estava sendo muito mais abrangente do que aprendi pela internet ou até mesmo em livros.

Após alguns momentos de silêncio enquanto caminhávamos até um tronco de árvore para assistir o por do sol, ela disse; Como vai a Clinica?

Mordi o lábio. Provavelmente ela perguntara para mudar para algum assunto sobre mim, mostrando que se interessava também pelas minhas questões, mas eu não sabia bem o que dizer. Minha vida no Brasil parecia ter sido em outra vida.

-Hã, está bem – franzi o cenho – Há dois psicólogos e duas secretárias especializados na área que trabalham comigo, estão cuidando de tudo enquanto eu estou fora – terminei a frase pensativa.

Tocar no assunto trabalho, carreira lembrava-me que em breve, mais breve do que eu desejava eu voltaria a rotina de trabalho, não pelo trabalho em si, eu amava oque fazia, mas pelo fim...

Pelo fim das férias.

-Você parece relutante em falar sobre seu trabalho. Ocupa muito de seu tempo imagino...

-É... Hesitei, — passo pouco tempo com minha família... Sensível demais e ainda com aquele nó na garganta minha voz falhou e não ousei continuar.

-Não se preocupe Jasmin. Berny pousou sua mão quente e macia sobre a minha que jazia sobre o tronco de árvore no qual estávamos sentadas.

-Veja, eu ficaria feliz se Erick e Bruno morassem aqui no Hawai’i perto de mim. Foi difícil vê-los partirem para longe, saírem por ai sem ter certeza de onde pisavam. Meu coração ficou realmente inquieto por anos. Mas eu seria uma mulher infeliz se privasse meus filhos de tudo que eles conquistaram, se eu os visse frustrados por não irem atrás de seus sonhos. Hoje sei que eles têm suas próprias vidas e há muito tempo não são só meus, são de seus filhos e esposa no caso do Erick, de seu trabalho e fãs... Nós pais entendemos isso, sua família certamente também compreende – ela sorriu afetuosa.

Ergui as sobrancelhas encantada por sua compreensão. Bernadette Hernandez era uma mulher sensível e amável.

-Mahalo, Berny – eu sorri levemente pondo minha outra mão sobre a dela. Berny sorriu e aumentou o aperto de nossas mãos.

Ficamos por uns instantes em silencio, olhávamos a nossa frente o sol começar a baixar.

-Berny? Hesitei.

-Sim? Incentivou.

-Peter... Pigarreei incapaz de continuar, aliás eu mal sabia oque dizer, mas por certo Berny entendeu, pois após alguns segundos enquanto ela ouvia as palavras não ditas em meu silencio ela disse;

-Sabe Jasmin, ainda tenho algo a lhe ensinar – então se levantou, seus olhos castanhos intensos nos meus.

“Os quatro elementos da natureza! — anunciou com entusiasmo.

-Ar; — ergueu os braços – Ola i ke ahe lau makani; Há vida em uma brisa de vento – ela fechou os olhos e pude ver seus cabelos balançarem com a brisa — Diz-se quando o dia está quente demais e é aliviado por uma brisa, mas vale para qualquer situação, entenda – voltou então seu olhar para mim.

Água; Ola ika wai aka’ opuai; A chuva proporciona a vida.

Terra; Uwe ka lani, ola ka honua; Quando os céus varrem, a terra vive. Ua mau ke ea oka’ ai na i ka pono; A vida na Terra é perpetuada na retidão — ela disse e fez uma breve pausa.

Percebi que ela não mencionara o elemento fogo, mas não disse nada pois Berny ainda não havia terminado de falar.

- O Espirito Aloha – anunciou – Aloha se refere a uma forma poderosa de resolver qualquer problema, atingir qualquer estado mental ou de espirito que se deseje – ela pôs-se a andar de um a lado a outro calmamente enquanto discursava.

“Na língua havaiana Aloha significa muito mais que ‘Alô’ e ‘Adeus’. Seu significado é maior; ‘Alo’ compartilhar, ‘Oha’ com alegria, ‘Ha’ da energia da vida ‘alo’. Ou seja, ‘Alo oha ha alo’. Você se conecta ao Mana, o poder divido para trazer saúde, felicidade, prosperidade e sucesso verdadeiro – Berny sorriu. Com um gesto das mãos convidou-me a me pôr de pé.

Levantei-me e me pus a sua frente, Berny estendeu os braços e com as mãos sobre meus ombros ela fitou intensamente em meus olhos.

-Agora eu lhe falarei sobre o quarto elemento. Fogo; A’ ole ole lo maia na kai ua ia ente – seus olhos faiscavam – Jasmin, o fogo nunca dirá que ele já teve o suficiente. O fogo da ira ou do amor queimará quanto tenha alguma coisa alimentando-o. Berny meneou a cabeça.

Sustentei seu olhar, percebendo de onde viera essa troca de palavras silenciosas, das quais Peter era dotado; ele fora criado por uma mulher magnifica. Meu coração se encheu de conforto repentino. O fogo do amor queimará quanto tenha alguma coisa alimentando-o. Este pensamento ecoou em minha mente se afogando em meu coração, uma esperança se agarrando com garras ávidas para não morrer. Franzi levemente a testa em reação a mescla de consolo e aperto incomodo no peito.

-Vejo que compreende – sorriu Berny – Nunca encontrei uma moça que compreendesse tão delicada, respeitosa e espirituosamente o Espirito Aloha. Por isso eu lhe desejo; Aloha. Ao proferir a palavra sua voz ganhou um tom poderoso de autoridade, alto e claro. Como borboletas dançantes, elegantes, a palavra soou por seus lábios, como sinos de vento graves, como a brisa do mar.

Sim. Eu compreendera, mas ainda restava-me um medo; poderíamos nós alimentar o fogo estando tão distantes?

O aperto insistente em meu peito dizia-me que eu não poderia perdê-lo, eu não podia deixar Peter.

Bruno dirigia concentrado pelas ruas movimentadas; com um braço apoiado na janela do carro e uma mão no volante parecia despreocupado, mas seus olhos estavam semicerrados, olhando atentamente o caminho que seguia.

No aparelho de som tocava Bob Acri baixinho. Cansada eu me aproximei e recostei minha cabeça em seu ombro. Peter se moveu para me acomodar em seu peito, mudou o braço no volante envolvendo-me e puxando-me para mais perto. Ali era quente, eu me senti completa. Na proteção de seus braços as nuvens cinzentas se afastavam.

Enquanto eu tomava banho, Bruno preparava algo para nós comermos na cozinha, provavelmente um sanduíche já que culinária não era um de seus maiores talentos. Penteei e sequei meus cabelos deixando-os livremente soltos. Vesti um conjunto de cetim verde-claro e quando ia descer vi de relance o exemplar de “Querido John” encima da poltrona próxima à porta da varanda.

Recuei alguns passos e peguei o livro. Fitei a capa perdendo-me em pensamentos. Qual seria o fim desta história de amor? John e Savannah superariam as complicações que a distancia os impunha? Seus caminhos inconstantes enfim se uniriam de uma vez?

Respirei fundo. Faltavam apenas três capítulos para eu saber tais respostas.

Segurando o livro com ambas as mãos, desci a escada de madeira. Atravessei a sala de estar e de jantar, virei à esquerda percorrendo o corredor cheguei à cozinha e fui assaltada pelo cheiro de frutas tropicais e misto-quente recém-saído da chapa. Parei na porta observando-o. Peter terminava o coquetel decorando-o com uma fatia de limão.

-Jas... Ele ergueu o rosto surpreso, um lindo sorriso esticava lhe os lábios. Ele afastou uma das cadeiras altas de metal para que eu sentasse. Ao terminarmos nosso lanche bebíamos de nossos coquetéis, nossos olhos ligados, sem piscar fitamo-nos por um longo momento. Eu sabia oque se passava pela mente dele; o mesmo que se passava na minha. Oque tínhamos ali era algo a qual nunca imagináramos, algo que temíamos perder.

-Oque é isso? Peter indicou o livro que eu ainda segurava com força ao lado do corpo.

-Ah, é o “Querido Jhon”. Pensei que poderíamos terminar de lê-lo, falta tão pouco.

Bruno sorriu – Vamos nos sentar em um lugar mais confortável – levantou-se, contornou a bancada e envolveu minha cintura com um braço. Fomos para a sala.

O ambiente iluminado pelos abajures com luz dourada; piso de linóleo lustroso, mobília de carvalho e tons de creme e vermelho na decoração davam um clima aconchegante.

Peter recostou-se em almofadas, com as pernas esticadas encima do sofá. Eu deitei em seu peito, sentada entre suas pernas. Eu podia ouvir sua respiração soprar em meus cabelos.

“...Eu continuava a avançar. Ela estava sacudindo o feno da roupa e se preparando para voltar ao celeiro, quando, inadvertidamente olhou na minha direção.

Ela deu um passo, olhou novamente e congelou no lugar...”

Eu li me esforçando para não deixar minha voz vacilar. Depois de anos sem se verem Jhon havia ido procurar Savannah. Como seria? Após tanto tempo! O nó em minha garganta apertou mais um pouco.

“Por um longo momento, nenhum de nós se moveu – prossegui com a leitura – Com seu olhar fixo no meu, percebi que fora um erro ter vindo, ter aparecido assim sem avisar. Sabia que deveria dizer algo, qualquer coisa, mas nada me veio à mente. Só consegui olhar para ela. As memorias vieram como uma avalanche, todas elas...” “Senti os braços dela em volta de mim, seu corpo quente e acolhedor. Por um segundo era como se nada tivesse mudado entre nós. Quis que aquele abraço não terminasse nunca. Mas quando ela se afastou, quebrou a ilusão e nos tornamos estranhos outra vez”.

A este ponto meu rosto já estava banhado em lágrimas. Peter estava quieto demais atrás de mim, sua respiração lenta. Os personagens do ilustre Nicholas Sparks vivenciavam as emoções que tanto temíamos se aproximar. Como alguém poderia ficar com outra pessoa se não a que ama? Por caridade ou compaixão? Como Savannah pode se casar com outro? Eu não conseguia entender... Mas será que a distancia nos ensinam coisas que antes eram incompreensíveis?

Eu sabia que oque saia pelos lábios de Peter eram as palavras impressas no livro a nossa frente, mas ouvir tais palavras de seus lábios causou-me um terrível sofrimento...

“Será que vamos nos ver de novo?”

“Não sei”. As palavras queimaram em minha garganta. “Mas espero que não”.

“Como pode dizer isso?” – ela perguntou com a voz vacilante.

“Porque significa que Tim vai ficar bem. Eu tenho a sensação de que tudo vai acabar como deveria.”

“Você não pode dizer isso! Você não pode prometer isso!”

“Não”, disse. “Eu não posso”.

Nos olhos dela, vi medo e tristeza, raiva e traição. Mas, acima de tudo vi a suplica para que eu mudasse de ideia.”

...

Bruno virou a ultima pagina do livro e eu me virei para ele, enlaçando seu pescoço com os braços. Um soluço irrompeu de meu peito e de repente eu estava chorando como não fazia há anos. “Ele desistiu dela... Eles não ficaram juntos”... Eu lamentava baixinho repetida vezes contra a pele de seu ombro. Eu temia que nós acabássemos como John e Savannah. Eu não queria partir. Bruno por favor, não vá — Eu quis dizer, mas não o fiz.

Ele me abraçou, segurando-me com força junto a ele. Quando meu choro sessou, as lágrimas secaram, eu desvencilhei-me gentilmente de seu abraço. Os olhos de Bruno estavam vermelhos, a expressão entristecida.

-Jas... Sussurrou acariciando minha face com a ponta dos dedos.

-Peter... Disse no mesmo tom fraco. Ele deslizou seus dedos por minha bochecha e segurou meu queixo. Logo meus lábios se moldaram aos dele. As poucas roupas que usávamos foram ao chão; seu corpo moreno pôs-se sobre o meu e unimo-nos da maneira mais profunda que duas pessoas podem estar. Nossas almas dançaram juntas, enredadas como nossos corpos, galgaram os caminhos doces da paixão, o ardor do desejo e do medo que juntos calamos com nossos suspiros. Falecendo no triunfo e renascendo como fênix. As horas se passaram e repetimos esta viagem até nosso ultimo fio de força.

*Continua!

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Notas finais
Ultimo cap do ano, comentem com todas as forças! NÃO VALE :" amei tudo, tudo perfeito" por favor especifique algumas coisas, cite trechos, coisas especificas, pode ser mais de uma, o cap é grande... ; ) Pleas ? honis :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.