Notas iniciais
" ...Com um espasmo de choque e incompreensão arregalei os olhos. Peter devia estar incorporando a interpretação no mesmo tom que o cantor. Porque não era possível! Ergui o rosto e fitei-o confusa. Sua expressão de insegurança voltou. A mesma expressão que ele fez no carro a caminho de Wakea Kane poucas horas atrás. "Gostaria de assistir um show seu" - eu disse. Ele é músico Impossível! Pensei repentinamente atordoada..."

No caminho de volta, Peter pegou a saída em Malibu Rd e estacionou perto de uma lanchonete McDonald’s. O clima ainda estava muito quente, oque não me surpreendia. E eu comecei a sentir o cansaço descer em meu corpo.

– Algum pedido?

– Hmm, hambúrguer com fritas e Coca tá ótimo – sorri.

– Ok – disse ele, afastando-se.

Peter deixou as chaves na ignição e a calefação ligada. Nos primeiros minutos revi nosso dia até aquele momento. Então um burburinho de vozes vinda da lanchonete despertou-me de meus devaneios, virei no banco olhando pelo vidro de trás do carro. Um grupo de pessoas, a maioria meninas adolescente, abanavam as mãos entusiasmadas. Não entendi bem o porquê daquele movimento, olhei com mais atenção, alguns fleches de câmera fotográfica piscaram. Devem ser turistas. Voltei-me para frente e resolvi dar uma olhada no celular. Não que eu me interessasse muito em quem poderia me ligar. Quem eu queria estar, já estava comigo, Peter.

2 Novas Mensagens: Nina

1ª “Hey Myn! Espero que tenha muito energia ainda, porque temos uma festa para ir! Haha É uma boate aqui na cidade. Você vai estar livre? Me responde assim que puder, para eu sair da casa do Bane mais cedo e ir encontrar com você. Honi :*

2ª “ Haha, ps: aposto que você está com ele!

Eu dei uma risadinha. Ela é esperta.

Quanto a festa… Não sei oque vai acontecer depois daqui… Resolvi não responder. Guardei o celular na bolsa. Passou-se não mais que dois minutos e Peter apareceu na porta do carro, segurando dois pacotes de papel vermelho em uma das mãos e dois refrigerantes na outra, inclinei para a esquerda e abri a porta, ele entrou.

– Hamburguer com fritas e Coca – estendeu a mão oferecendo-me os dois pacotes de hambúrguer.



Peter se aproximou do hotel e desligou o motor. O chapéu cobria os olhos e em sua boca havia uma sugestão de sorriso. Peter pegou em minha mão, deslizou seu dedão desenhando círculos. Virei-me um pouco para o lado, de modo que pudesse vê-lo de um angulo melhor. Olhei em seu rosto a meia luz.

– Você é linda – disse em um sussurro claro.

Meu biquíni estava molhado por baixo da regata branca úmida. Meus cabelos cheios de areia. Aos menos os cachos estavam no lugar. Eu acho. Como ele poderia dizer uma coisa dessas, estando eu nessas condições?

Ele percebera minha analise – você é linda e está linda agora. Mesmo cheia de areia – ele deu um sorriso torto.

– Você é inacreditável! – dei-lhe um breve selinho e recostei minha cabeça em seu ombro.

– Você que me faz ser assim – Seus dedos entrelaçaram-se nos meus. Esse ato fez meu coração acelerar um pouquinho. Uma sensação maravilhosa. Isto na verdade estava acontecendo com muita frequência, meu coração se descontrolar quando eu estava ao seu lado. Eu não entendia ao certo oque eu sentia, mas para que entender mesmo? Estava sendo tão bom! Ergui meu rosto para que Peter pudesse ver meu sorriso, ele me retribuiu com seu sorriso de covinhas. Soltei uma risadinha.

– Oque foi? – disse.

– Você sabe o efeito que causa nas pessoas com esse sorriso? É injusto. – disse em um falsete de indguinação.

Peter deu um risinho, apertando os olhos meia-lua em fendas e exibindo seus dentes brancos. De repente ficou um pouco mais sério.

– Você sabe o efeito que você causa em mim? – disse erguendo meu queixo com os dedos para olhar em meus olhos. Sem esperar resposta ele disse – Estou aqui agora com você e poderia permanecer por horas, toda a noite ou a semana. Não sinto vontade de ir embora, quando estou com você é só isso que desejo, estar com você. Esqueço tudo, e você é só oque importa. E quando cada encontro nosso chega ao fim fico ansioso para o próximo. Você sempre faz isso? Cativar as pessoas, tornando-as dependentes de você? É oque aconteceu comigo. – seus olhos sondavam os meus intensamente.

Por um minuto as palavras sumiram de minha boca, senti-me tonta. Não de uma forma ruim, mas leve como se estivesse girando lentamente em um carrossel. Meu coração fora acariciado por suas palavras. Fitei o volante por alguns segundos, pensando em como dizer oque estava prestes a dizer. Olhei em seu rosto, seu olhar buscando uma resposta. Desviei meus olhos para seu peito, devagar ergui minha mão direita e toquei-o. Seu coração bombeava acelerado. Senti um prazer enorme ao sentir seu coração, sorri levemente e peguei a mão direita dele e levei-a ao meu peito. Erguendo o olhar encontrei seus olhos. Sorrimos sentindo o pulsar de nossos corações, quase audível. Uma canção. E ao ver seu sorriso meu coração parou abruptamente e enlouqueceu mais acelerado. Rimos baixinho.

– Preciso lhe dizer? Você pode sentir. É isso que acontece quando estou com você Peter.

Sustentando meu olhar, aproximou-se lentamente, até nossas testas colarem. Permanecemos assim, fitando-nos nos olhos, até seus lábios tocarem os meus. Seus beijos embriagaram-me; sob minhas pálpebras via-me dançando com as nuvens, deslizando pelo céu azul havaiano. Era desorientadora, a sensação de êxtase a satisfação que senti. Nossos lábios dançando em sincronia suave, ambas as mãos em nossos peitos e nossa canção a pulsar. Muito revelador. Uma declaração muda no som e gritante em intensidade.

Perdi a noção dos segundos ou minutos. Depois do que pareceu uma eternidade, nossos lábios se afastaram com selinhos. A mão de Peter deslizou de meu peito para minhas costas, ele puxou-me para mais perto, aconcheguei-me em seu peito. Grandiosa foi a sensação de segurança e proteção que eu senti.

Oh, her eyes, her eyes make the stars look like they’re not shining.

Her hair, her hair falls perfectly without her trying.

She’s so beautiful and I tell her every day…” Peter cantou baixinho e lentamente.

Com um espasmo de choque e incompreensão arregalei os olhos. Peter devia estar incorporando a interpretação no mesmo tom que o cantor. Porque não era possível! Ergui o rosto e fitei-o confusa. Sua expressão de insegurança voltou. A mesma expressão que ele fez no carro a caminho de Wakea Kane poucas horas atrás. “Gostaria de assistir um show seu” — eu disse. Ele é músico… Impossível! Pensei repentinamente atordoada. Agora eu olhava além da janela sem ver. Sentindo o peso do olhar dele em mim, Peter fitava-me apreensivo, esperando uma reação. Voltei a olhar em seu rosto, depois de alguns segundos rastados, sussurrei: “Bruno?”. “Bruno” – repeti mais para mim mesma.

Ele fez que sim com a cabeça. Não sorria, seus olhos cheios de expectativas. Abri a boca para falar mas som algum saiu por entre meus lábios, então fechei-a novamente. Pisquei os olhos e balancei de leve a cabeça para os lados tentando reorganizar os pensamentos.

Senti uma mescla de traição e incredulidade apertar meu peito. Afundando-me no banco do carro. Eu o conheci como Peter. Como descubro que ele é outra pessoa?! Uma secura súbita em minha boca, a respiração ficou irregular. Não sabia oque dizer, oque pensar. Primeiramente não sabia nem como entender aquela situação!

– Eu… – comecei, sem ousar encara-lo. Limpei a garganta, tentando encontrar alguma instabilidade em minha voz – eu não sei oque… pensar. – minha voz falhou. Franzi o cenho mais do que confusa.

– Me descul…

– Psiu. – interrompi-o. – Não se desculpe. Não tem por que. – Minha voz agora mais estável, eu ainda não tive coragem de olhar seu rosto.

– Pete… er… Bruno… Eu… Amanhã… – Eu disse incoerente. Fiz menção de abrir a porta e sair, sumir dali, mas Bruno ainda segurava minha mão.

– Jasmin… – olhei para ele atordoada. Seus olhos eram suplicantes. Senti meu peito apertar mais, sufocando-me. Desviei o olhar para meus joelhos e olhei da porta para Bruno e dele para a porta de novo. Então ele soltou minha mão. Não antes de beija-la. Não pude reprimir um sorriso, muito menos de me coração palpitar no peito ao toque de seus lábios quentes. Pois ele ainda era o Peter não era? O moreno perfeito.

Vislumbrei mais uma vez seu rosto e desci do carro. Foi preciso três tentativas para eu conseguir fechar a porta. Fiquei parada na calçada vendo o Gênesis vermelho-vivo dar a partida e desaparecer de vista.


*Continua!


Notas finais
Visite meu blog, tbm posto lá! Pra qm n tem conta aq . http://bruno-iwroteourstory.tumblr.com/