Hottest Seduction
11 Capítulo 11 - Almoço em família
Notas iniciais
“Bom dia.” Sorri para a senhora de idade que estava dentro do elevador. Apertei o botão do quinto andar e aguardei o elevador entrar em movimento. Ignorei o arrepio que percorreu meu corpo devido o olhar que a senhora cravava em mim. Sorri novamente, tentando ser simpática.
Era a primeira vez que eu vinha ao apartamento do Dimitri sozinha. Era estranho sentir-me a visita quando, na verdade, eu adoraria sentir-me em casa. Queria poder, ao chegar, o porteiro me saudar e liberar a minha subida à ter que esperar uma ligação até o apartamento dele para que liberasse a minha entrada. Eu não poderia me queixar tanto entretanto. Minha inclusão ao ambiente da casa dele ainda era muito recente para que eu tive uma chave pendurada no meu chaveiro de nazar.
Era muito mais prazeroso e divertido quando Dimitri me buscava em casa, pelo menos, na primeira vez que ele me buscara, eu havia me divertido bastante com a tensão pré-sexo rondando entre nós. Eu estava nervosa e ansiosa e o olhar da senhora ao meu lado também não estava ajudando em nada. Eu teria roido todas as minhas unhas recém pintadas de rosa bebê pela manicure da minha mãe se eu tivesse um par de andares para subir em sua companhia. Não pude deixar de reparar que eu desceria antes. Eu queria muito fugir daquela minuciosa avaliação.
Era cedo demais ainda, mal passava das 10 horas da manhã do sábado. O sábado em que, em breve, seria o almoço com a família de Dimitri. Eu não sabia o que esperar, se a mãe dele gostaria de mim, ou as irmãs dele. Não sabia nem porque ele já queria que eu tivesse esse almoço com sua família, mas cá estou eu, controlando toda a minha ansiedade para não estragar as minhas unhas delicadamente pintadas.
Lembro-me na quinta-feira, Dimitri mandara a inspetora Marie me chamar no últimos vinte minutos de aula. No início, pensei estar encrencada, mas refletindo a minha semana, não teria motivos para me preocupar. Assim que entrei na sala dele e fechei a porta atrás de mim, Dimitri suspirou.
“Minha mãe quer te conhecer.” Ele falou.
“Como assim?” Parti para sentar-me no colo dele. Abraçando-me, continuou.
“Sábado ela dará um almoço pra te conhecer.”
“Por quê? Como ela soube? Você contou?” Dimitri roçou a ponta do nariz contra minha têmpora direita.
“Ela descobriu. Ela sempre descobre.” Abraçou-me apertado. “Mas é bom que ela te conheça logo.”
“Dimitri...” Suspirei. “Sua mãe é professora...”
“E daí?” Ele se endireitou em sua cadeira, estudou-me. Ele sabia onde eu queria chegar, fingir-se de desentendido só pioraria para ele. Ergui as sobrancelhas e saltei do colo dele.
“Dimitri, sua mãe é professora e eu sou sua aluna. Ela vai me odiar. Puta merda, ela vai me sacrificar! Vai achar que é sua culpa estarmos juntos!” Surtei andando de um lado para o outro. “Eu não posso ir lá! Não antes do ano acabar.” Gemi. “Caramba, ainda tem dois semestres. Eu não achei que ficaríamos juntos tão rápido assim. Que droga! Dimitri, eu te ferrei! Te prejudiquei!” Sussurrei.
“Chega! Respira fundo!” Ele saltou de seu sugar também e me segurou pelos ombros. “Você não me prejudicou e nem me ferrou, Roza. Eu sabia muito bem onde eu estava me metendo quando decidi dar um passo a mais na nossa relação.” Sorriu. “Não que fosse fácil resistir à você. Foi muito difícil no começo do ano.” Acariciou a minha bochecha. “Vamos ao almoço e ver o que a dona Olena tem a te falar, mas saiba, eu não vou te deixar. Aceitei correr esse risco e espero que você também aceite.”
Sorri com a lembrança. O sorriso e o beijo que vieram logo em seguida, ainda fazia com que o meu corpo se arrepiasse. Sorri, inconscientemente e envergonhada. Eu esperava ter um beijo daqueles quando entrasse no apartamento dele.
Apertei o pequeno vestido florido em rosa e branco entre meus braços e a minha barriga, esperava que a escolha fosse delicada o suficiente para que a mãe dele não tirasse conclusões precipitadas sobre mim. Não custaria nada expor o lado meigo de Rose Hathaway.
Eu havia falado para os meus pais que almoçaria na casa do Christian e depois eu iria com a Lissa para casa dela e iríamos para a balada – explicando o por quê do vestido dentro do saco de TNT, embora ela não tivesse visto a minha escolha nada propícia para uma balada – durante a noite e, portanto, eu voltaria no domingo à tarde. Eu teria tempo o suficiente – nunca era, na verdade – de ficar com o meu Camarada e aproveitar muito do final de semana.
“Licença.” Falei para a senhora que seguiria para o oitavo andar, quando desembarquei no andar do apartamento de Dimitri. Ela acenou indiferente, ainda mantendo o olhar curioso sobre mim. Será que ela conhecia Dimitri? Será que ela era daquelas senhorinhas fofoqueiras? Aguardei a porta do elevador fechar-se e entrar em movimento novamente. Fofoqueira ou não, eu não queria dar mais bandeira que estava indo para o apartamente de um homem. Quer dizer, não dar mais na cara, né?! Toquei a campainha do apartamento. Mexi no meu cabelo, esperando estar impecável para ele e sua família. Não era do meu feitio ser uma garota fútil, mas com a enorme probabilidade de Olena já não gostar de mim sem nem me conhecer, o mínimo que eu poderia fazer era me arrumar. Então eu passei uma parte da manhã no cabelereiro.
Parado na porta, estava ele mais maravilhoso que nunca em seu pijama e sua cara de sono. Eu precisei rir, eu realmente tinha acordado-o.
“Eu não esperava que você viria tão cedo.” Ele explicou, dando-me passagem e bagunçou seu cabelo com as mãos. Parei para dá-lo um suave beijo nos lábios, pegando-o de surpresa. Arriscaria em dizer que ele ainda estava dormindo.
“Bom dia, Camarada.”
“Bom dia, Roza.”
Pegou minha mala do meu ombro e o embrulho do meu vestido dos meus braços. Fechou a porta atrás de mim.
“Eu achei que você acordasse mais cedo, Camarada. Achei que a fama de dorminhoca fosse minha.” Ri
“Você tem, Roza. Eu fiquei trabalhando durante a noite e acabei indo dormir muito tarde.”
“Acho que podemos dormir mais um pouquinho antes de nos arrumarmos pra ir almoçar, o que você acha?” Deixei meus sapatos na ponta do sofá.
“Só dormir?”
“Você já quer sexo?” Eu ri. Caramba, Dimitri é uma máquina de fazer sexo!
“Mais tarde.”
“Hum, Camarada, você tem me prometido muito sexo recentemente. Vai precisar ser espetacular, hein!” Brinquei.
“Sou sempre esperacular, Roza.”
Segui Dimitri até o quarto, abraçando-o por trás. Isso é verdade. Os dois sexos – e aquela ocasião no escritório que eu ainda não sei dizer se foi propriamente sexo – que tivemos foi maravilhoso e hoje não seria diferente. Ele pendurou meu vestido dentro do armário e deixou minha mala sobre uma prateleira vazia na parte interno do armário com a porta de correr. Eu arranquei a minha calça jeans enquanto ele ainda estava guardando as minhas coisas, não teríamos sexo, mas eu não consigo dormir se a calça estiver me apertando muito. Como é o caso. Odeio essas calças que parecem que você foi embalada à vacuo dentro, mas era justamente esse tipo de calça que me deixava gostosa de uma maneira nenhum pouco vulgar, mas totalmente sexy.
“O que- o que você está fazendo?” Dimitri gaguejou, admirando as minhas pernas e a minha calcinha verde água. Não era a que eu pretendia usar de noite, mas era apresentável, tanto no tamanho quanto na discrição.
“Não consigo dormir de jeans, Camarada.”
“Quem não vai conseguir dormir agora, sou eu.” Comentou sorrindo.
“É só não olhar.” Joguei-me na cama.
Dimitri deitou-se ao meu lado. Escalei alguns centímetros da cama para estar deitada parcialmente sobre seu corpo escultural. Encostei minha cabeça no peito dele, sentindo seu perfume natural envolver-me, seu coração bater contra a minha bochecha e sua respiração ritmadamente lenta, acalmar-me Eu estava deliberadamente confusa. Era difícil saber se eu gostva mais do seu cheiro natural ou de sua colônia. A primeira opção, certamente. É claro que foi por sua colônia que eu me apaixonara, mas sua fragrância naturalmente máscula era o que fazia meu coração bater mais forte. Escovei seu pescoço com a pontando meu nariz para absorver o máximo daquela combinação possível, numa longa inspiração, absorvi um tanto do perfume do sabonete também.
“Roza...” Reclamou. “Você vai me excitar assim, amor.”
“Só vou parar porque você me chamou de amor e eu estou chocada demais pra fazer qualquer outra coisa.” Mordi meu lábio inferior. Não exporia minha empolgação, mas amor? Ai meu Deus! Dimitri me abraçou, ignorando a minha nudez da cintura para baixo. Sorri, toquei o peito dele com a mão esquerda, entrelacei nossas pernas. Ele riu baixinho pela forma com que eu me enrolei em seu corpo. Infernos, é normal se sentir tão feliz e empolgada porque o cara que você ama te chamou de amor?Ele deu um beijinho na minha testa e esperei o sono chegar até mim. Eu tinha dormido o suficiente durante a noite, mas eu não dispensaria uma boa meia hora de soneca agarrada ao meu camarada.
Arrumei as alças grossas do meu vestido, puxei o pequeno zíper do lado esquedo. Alisei o pequeno e sutil vestido no meu corpo. Refleti se não fora infantil demais para a ocasião, mas considerando o sol lá fora, tentei convencer-me de que o vestido estava de acordo com a estação. O sol da primaveira brilhando um tanto fraco do lado de fora da janela. Tudo bem, talvez nem tanto condizente quanto eu esperava que fosse. Tentei evitar pensar que aquela estampa evidenciava a nossa diferença de idade. Mordi meu lábio inferior, encarando o espelho a minha frente. Eu arriscaria dizer que eu estava me observando há mais de dez minutos. A duvida cruel era: mantenho o vestido ou troco pela calça jeans. Difícil saber, e perguntar à Dimitri não adiantaria. Ele falaria que estou linda de qualquer forma.
“Eu também sou apaixonado por ficar te olhando, mas juro que vou morrer de ciúmes se você tentar beijar o meu espelho.” Ele brincou. Não pude deixar de rir. Observei-o. Meu Camarada estava gostoso demais numa polo branca e no jeans de lavagem azul escura. “Você está tão bonita.”
“Não achou muito infantil?” Voltei a encarar a menina no espelho. Droga, eu realmente pareço a garota de 17 anos que sou. Dimitri uniu-se à garota do espelho e passou as mãos nos meus ombros nus.
“Você está linda, Roza.”
Inclinou-se na minha direção. Olhando-me pelo espelho, beijou suavemente meu pecoço.
“Se esse vestido não estivesse recheado com esses peitões e essa bunda que eu amo, estaria infantil, mas em você... Está quente.”
“Dimitri!” Ri, assistimos minhas bochechas corarem de vergonha e de desejo. O vestido foi propício para o calor que rodeou o meu corpo. Tudo culpa de Dimitri.
“Vamos, Olena não gosta muito de esperar.”
Calcei minhas sapatilhas branca e segui Dimitri. Eu comecei a ficar novamente nervosa em saber que conheceria a família dele. Dimitri fechou a porta atrás de nós.
“Camarada?” Sussurrei, vendo-o apertar o botão do elevador.
“Sim?”
“Você. É... Nunca me falou do seu pai.”
“Ele nos abandonou depois que a Viktória nasceu. Eu soube depois que ele havia falecido por cirose. Ele bebia muito e batia na minha mãe. Foi um alívio quando ele decidiu sumir das nossas vidas.” Deu de ombros.
“Eu... Sinto muito.” Eu sentia mais pela mãe dele do que pelo progenitor estúpido.
“Tudo bem, Roza.” Finalizou o assunto. Aquele era um terreno desagradável para ele. Saber o primordial foi o suficiente para mim.
Oitavo andar era o nosso destino final. Dimitri apertou o botão do elevador e me abraçou. Infernos, eu sentia como se eu fosse fazer uma prova que decidisse a minha vida. Os três andares passaram tão rápido que eu mal tive tempo de me preparar psicologicamente.
“Tudo bem?” Perguntou suavemente. Entrelaçou seus dedos nos meus. Com um balançar de cabeça em confirmação, Dimitri tocou a campainha. Não adiantaria negar, eu deveria estar ali. Não diria que eu estava obrigada, mas eu precisava cumprir por Dimitri, por mim e por nossa relação. Será que todos passavam por essa sensação de ir à forca ao conhecer sua sogra? Era exatamente assim que eu me sentia.
A garota que atendeu a porta era a versão feminina de Dimitri, mas em uma versão alegre e extremamente empolgada. Seu vestido da rodado de tom pastel deixava-me tranquila, mas nervosa de qualquer forma. Ela era a irmã mais nova de Dimitri. Ela tem a minha idade ou menos, não sei dizer.
“Vikka.” Dimitri chamou a irmã, provavelmente, tentando desviar a atenção da minuciosa avaliação que ela estava fazendo de mim. Corei. Pelo olhar sério da garota, não parecia que eu tinha agradado.
“Oi, Vikka.” Sussurrei um tanto desconfortável sob o olhar de águia da menina. Sorri, tentando parecer amigável.
“Entrem...” Sorriu discretamente.
O apartamento não era muito diferente do de Dimitri. Entretanto, o aroma adocicado, a organização impecável me fez pensar se aquele era um vício de família. Até mesmo os brinquedos dos sobrinhos de Dimitri estavam organizados dentro de um pequeno baú entre o sofá e a parede da varanda.
“Vó.” Dimitri sussurrou para a senhora e avançou em sua direção para um abraço caloroso. Sorri, assistindo o Camarada quase se ajoelhar para abraçar a senhora. “Vó, esta é Rose, minha namorada.” Sorri para a senhora e tentei controlar a vontade louca de chorar pelo meu novo status civil. Sua namorada. Isso soava muito bom, certo?! “Rose, esta é minha avó, Yeva.” Acho que as apresentações eram dispensáveis, visto que Dimitri já havia nos apresentado pela foto.
“É a senhora do elevador.” Sorri amigável como mais cedo. “É um prazer conhecê-la, senhora Yeva.” Como eu pude não reconhecer a semelhança? Era por isso que ela tanto me encarava. Suspirei aliviada. Puta merda, felizmente eu fora educada e estava apresentável durante a manhã. Só Deus sabe as conclusões que aquela senhora poderia tirar de mim apenas com um encontro casual no elevador.
“Nada de senhora, criança. Me chame de Yeva.” Ela voltou sua atenção para o novelo de lã. Seja o que fosse que ela estava fazendo, certamente era mais importante que eu. Quase encolhi os ombros. Que momento mais inoportuno para me chamar de criança, afinal, estou transando com o nego dela, não sou mais criança.
“Claro, Yeva. Me desculpe.” Sorri um tanto envergonhada. Fiquei feliz pela educação que Janine me deu, caso contrário eu já havia mandado aquela velha para o inferno. Que belo início!
“Ora, mãe, não seja rude com a moça.” Saltei pelo susto da nova voz invadir o ambiente, mas não deixei de sorrir ao identificar a semelhança das feições daquela família. “Olá, senhorita Mazur.”
“Oi, senhora Belikova.” Respondi com a mesma polidez. Foi com Olena que eu tive o contato mais acalorado da família. Ela me recepcionou com um belo abraço apertado. Sorri, me sentindo confortável pela primeira vez, retribuí.
“Olena é o suficiente.” Sorriu, libertando-me de seus braços.
“Claro, Olena.” Sorri um tanto empolgada. Finalmente alguma simpatia. Eu já estava ficando mais do que insegura por tamanha hostilidade. Minhas unhas feitas iriam pelo ralo se a hostilidade continuasse e eu fosse obrigada a roe-las. Olena não tivera a reação que eu esperava. A repulsão era a única ideia que rondava a minha mente. Infernos, eu namoro – segundo Dimitri – o coordenador de onde eu estudo!
“Vikka e eu estaremos na cozinha, se precisarem de algo...”
“Claro, mãe.” Dimitri respondeu, a nota de desconforto em sua voz fez meu coração pular uma batida. Ele estava tão nervoso por quê? Nunca havia trazido uma garota para a mãe conhecer? Nunca trouxera uma garota e aluna com quem ele esta tendo sexo para a mãe conhecer? Ou... Droga, não faço ideia!
“Olena?” Chamei-a. Droga, maldita mania de falar antes de pensar!
“Sim?” Ela parou na porta da cozinha.
“É... Gostaria de uma ajuda?” Sorri.
“E você sabe cozinhar?” Viktória lanço um olhar altivo em minha direção. “Achei que você tivesse uma cozinheira em casa.”
Eu ri baixinho. “Até tenho, mas pra umas escapadas noturnas, você se obriga a aprender algumas coisas.” Viktória sorriu, reconhecendo algo que ela provavelmente também já fizera.
“Vem!” Chamou. “Só não quebre os pratos.”
O almoço foi agradável. A típica culinária russa deve ter sido uma estratégia para me afastar de Dimitri. Foi difícil encarar o Borshch – algo que Dimitri passou um tempão tentando me ensinar a falar, novidade: nenhuma, não aprendi até agora –. A aparência, no princípio, foi bastante repugnante, mas uma colherada atrás da outra, você acaba se acostumando com o sabor diferente. Felizmente, em seguida, Olena serviu um Pelmeni, algo que eu certamente me acostumaria a comer. As almôndegas embrulhadas em massa era delicioso, algo que o meu paladar aceitou facilmente, bem, era diferente de fato, mas era bom. Eu provavelmente farei com que Dimitri cozinhe isso para mim, em troca, podemos ter um... Momento prazeroso na cama. Mas a melhor parte, sem sombra de dúvidas: o enorme pão de mel. Comi pelo menos a metade sozinha. Bastante vergonhoso da minha parte, mas a culpa era do meu pai que me fez viciar em canela com menos de 3 anos. Especiarias orientais, o que eu posso fazer se são as minhas origens?! Dimitri será obrigado a cozinhar um desses toda a semana para mim. Meu Deus, estou negociando comida por sexo! Pelo pão de mel e algumas horas extra na cama com o meu camarada seria a combinação mais perfeita da minha vida.
Eu sabia que o clima bom do almoço havia terminado quando Vikka saltou de seu lugar à mesa e disse que iria encontrar o namorado. Olena sorriu cúmplice para a filha até vê-la sair pela porta. Vikka mandou um tchauzinho da porta e uma piscadela para mim. Eu me endireitei no meu lugar e rezei – ou algo parecido – para que a bronca não fosse muito ruim. Olena sorriu para mim. Devia ser extremamente visível o meu nervoso. Nem a mão de Dimitri sobre a minha foi capaz de me fazer relaxar.
“Então, Rose... Você estuda na Saint Vladimir, né?” Ela começou.
“Sim.” Dimitri apertou a minha mão. Ele esperava por esse sermão tanto quanto eu. Comecei a me sentir enjoada, esperando a bomba explodir.
“E você sabe que esse relacionamento de vocês pode prejudicar o Dimitri?”
Abaixei a cabeça. É claro que eu sabia. “Sim.” Respondi, olhando a xícara com chá à minha frente. Levei as minhas mãos para a xícara, pelo visão periféria, vi o olhar significativo que Dimitri lançou para a mãe.
“Seus pais sabem?”
“Não ainda.” Tomei um gole do chá amargo.
“Você sabe que eles podem prejudicar o Dimitri quando souberem, né?”
“Eu não vou deixar!” Falei mais ríspida do que eu esperava, mordi meu lábio inferior. “Desculpe.” Sussurrei envergonhada, olhei para Olena que balançou a cabeça aceitando o meu pedido desculpas.
“Eu sei, mas Ibrahim não é do tipo que deixa as coisas barato assim.”
“Você conhece meu pai?”
“Eu conheço.” Dona Yeva, na ponta da mesa, manifestou-se pela primeira vez.
“Como?” Cerrei as sobrancelhas. Meu pai nunca havia comentado sobre a família Belikov, muito menos tê-los convidado para um dos inúmeros jantares que ele dava em casa.
“Nada que você tenha que saber.” Ergui as sobrancelhas. Essa velha não vai com a minha cara mesmo.
“Mãe.” Olena censurou-a. “De qualquer forma, Rose, seu pai pode muito bem prejudicar o Dimitri e mesmo que você tente, não fará diferenças, nem maior de idade você é.”
“Faço 18 daqui dois meses.” Apressei-me a dizer. Foda-se que eu não era maior de idade ainda. Meu amor por Dimitri não era o suficiente?
“Mas esse relacionamento começou antes. Até seu pai querer enxergar a verdade, ele pode achar que Dimitri está te forçando a algo. Ele não o conhece.”
“Eu vou falar com ele.” Dimitri se apressou a dizer.
“Que diferença faria, Dimka? Você ainda é coordenador dela.”
“Vou procurar outro emprego. Não existe só Saint Vladimir em Montana.”
“Não, Dimitri! Espera um pouco.” Toquei a minha testa e suspirei. “Não precisa ser assim.”
“Tem que ser assim Roza. Posso encontrar uma escola tão boa quanto St Vlad e com um salário tão bom quanto.”
“Dimitri...”
“Se eu encontrar outro emprego antes que seu pai saiba de nós, ele não vai ter como me prejudicar.”
“Dimka, não vai adiantar de nada. Quando o relacionamento de vocês começou, Rose ainda era aluna da escola em que você trabalhava.” Olena reforçou. Suspirei. Respirei fundo, esfreguei as mãos no meu rosto. Eu não iria chorar. Não poderia, mas eu tinha total consciência do prejuizo que eu traria para ele. Mas eu serei egoísta o suficiente para afirmar: Não vou me afastar de Dimitri. Bem, não se ele não quiser.
“E o que você me indica fazer então? Me afastar dele?”
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