Hot Cold Blood - Klaroline.

9 Capítulo 9 - Mansão Mikaelson.


POV KLAUS

A viajem da volta seguiu calma e de uma paz nunca antes experimentada pelo homem.

Caroline ainda se encontrava desmaiada no banco de trás do carro devido a quantidade de sangue no álcool que corria em suas veias. Eu ri internamente da cena. Tentei a alimentar do meu pulso algumas vezes, mas ela sequer esboçava reação quando eu a forçava engolir meu sangue. Confesso que estava preocupado, comas alcoólicos não duram tanto tempo assim para vampiros. Ou talvez ela nunca esteve nesse estado antes. Seja lá o que for, melhor ela permanecer em New Orleans aos nossos olhos do que ter amigos intrometidos da loira se metendo no mundo dos adultos e do qual não foram chamados.

Entrei pela sala com Caroline no colo e antes que pudesse entrar no quarto fui interrompido.

— O que aconteceu à Caroline, Niklaus? — Elijah disse curioso. A coloquei na cama e o respondi.

— Sempre desconfiado, irmão. Talvez deva perguntar a própria quando ela acordar. — E dei um sorrisinho que pareceu o irritar.

— Talvez eu pergunte. — Disse um pouco venenoso, mas com a mesma calma assustadora de sempre.

Peguei minha jaqueta e a coloquei, me dirigindo para fora do quarto e novamente Elijah me impediu de sair pela porta, ainda desconfiado.

— Sobre a viagem... — Ele apontou para Caroline apagada na cama. – O que foi aquele enigma?

POV ELIJAH

— Já disse que não fiz algo a ela. — Ele deu um sorriso cínico bem típico tentando trocar o assunto.

— O enigma, Klaus! — Eu disse num tom um pouco mais alto do que meus irmãos estão costumados a ouvir, mas a vida do bebê e da Hayley depende do que tenha acontecido desse desfecho.

— O que quer saber, irmão? — Klaus disse em um tom ameaçador tentando me intimidar.

— “Ainda que nas luzes se encontre, a escuridão predomina.”. — Eu disse enfático e não me preocupou muito a reação dele, muito menos me intimidou.

— Vegas em geral. Especificamente uma boate que usava humanos para canalizar poder para bruxas praticantes de magia negra. — Klaus disse olhando em meus olhos como se me mandasse parar de falar.

— “Roletam a vida em sons intermináveis.”. — Continuei.

— O cassino do qual fomos para investigar uma pista. — Disse completamente sem humor.

— “Ainda que inimigos, o laço dos amantes os levam à passagem do paraíso.”. — Insisti e ele teve uma reação um tanto... inesperada, devo dizer? Percebi que meu irmão ficou sem graça, e nada deixava Klaus dessa maneira. Um breve e mortal silêncio tomou conta do ambiente e Klaus olhou para Caroline e depois de volta para mim.

— Dois idiotas usaram o nosso corpo para se comunicarem entre si e com nós dois.

— O que quer dizer? — Não que eu quisesse realmente saber de toda a história, mas estava curioso pela sua reação.

— Eu e Caroline... Nós... Bom... — Ele engoliu seco e continuou, ainda um pouco tenso. – O que interessa é que uma bruxa nos deu algo para continuarmos. — E me entregou um papel.

— O que é isso? Que nome é esse? — Peguei curioso, havia algo escrito e queria saber o que era. – E como ela sabia sobre você e a criança?

— É o que pretendo descobrir, se você fizer o favor de sair da minha frente e não me perturbar mais com perguntas idiotas sobre enigmas tão idiotas quanto. Tudo bem assim, Elijah?

A incorrigível arrogância do meu irmão. Aconteceu algo importante em Vegas do qual ele não quer falar, mas nunca era bom irritá-lo.

— Como quiser, Niklaus. — Dei espaço e ele saiu apressado.

Hayley saiu do seu quarto e nos encaramos alguns segundos. Ela entrou e ficou em pé ao lado da cama olhando Caroline dormir.

— Bom, pelo menos está respirando. — Ela riu e eu também. – E cheirando a álcool. E sabemos o quanto a combinação álcool + Klaus pode resultar em algo maluco. — Ela falou acariciando sua barriga. – Talvez ela tenha o irritado.

— Meu irmão é impulsivo e temperamental, mas se tratando da Caroline, com ou sem humanidade, imagino que não tenha feito algo a ela. — Na verdade eu quis mais tranquilizá-la do que realmente acreditar no que eu disse.

— E se tratando de mim, Elijah? — Ela disse se aproximando de mim de um jeito desconfortável e eu já estava no auge do meu controle.

Peguei suas mãos e as coloquei em meu rosto, suspirando profundamente e antes que pudesse fazer algo do qual me arrependeria, saí sem que ela pudesse notar.

POV CAROLINE

Eu apaguei em Las Vegas e acordei em New Orleans, e pior, na cama de Klaus.

Passei pelo corredor que estava vazio. Desci as escadas e fui direto para a cozinha.

Parece que fui abduzida e devolvida com uma fome de três mamutes e com uma dor de cabeça que era certeza que eles teriam sentado em mim por engano.

— Puta que pariu! — Exclamei e ouvi uma risada atrás de mim.

— Bem vinda de volta da sua primeira ressaca pós coma alcoólico como vampira. — Rebekah disse rindo novamente e me entregando uma bolsa de sangue.

Eu a bebi como se fosse a última do mundo. Aliviou, mas não o suficiente. Coloquei as mãos nas têmporas e ela continuou.

— Só não está pior porque Klaus deu o sangue dele à você. — Olhei com estranhamento.

— Se isso fez com que amenizasse minha dor, então tá. — Dei de ombros.

— Não vejo a hora dele não precisar mais de você. — Ela disse ácida, como se eu fosse me importar.

— Nem eu. — A encarei e saí. Precisava dormir mais meio século apara conseguir recuperar minha energia. Dessa vez na minha cama.

Ao subir, me deparei com Elijah parado na porta do quarto que quando sentiu minha presença, virou-se para mim.

— Caroline. — Ele disse cordial.

— Elijah. — Retribuí.

Eu entrei e ele me seguiu, contando tudo o que ocorreu em New Orleans desde a minha saída e me disse que seria melhor para mim se deixasse a cidade, já que Klaus tinha conseguido o que queria. Deixar a bebê salvo.

— Mas a bruxa disse... — E fui interrompida.

— Caroline. Acredito que a partir daqui eu possa lidar com o mal temperamento do meu irmão. — Elijah disse indo até a mim com cara de preocupação.

— Ah, isso. — Eu disse apontando para as poucas feridas que não estavam completamente cicatrizadas, mesmo com todo sangue híbrido. Ele assentiu. – Não foi ele. Longa história. — Me desvencilhei e Elijah estranhou minha reação.

— Tudo bem. Só espero que considere uma opção deixar Klaus... — Ele toca em meu braço que antes tinha um corte profundo e agora apenas um arranhão. – ... por nossa conta.

Eu assenti e ele sorriu, saindo quarto. Ao olhar minha imagem no espelho pude saber porque todo aquele cuidado. Eu me encontrava em um estado deplorável de dar dó. Precisava de um banho de no mínimo cinco horas e uma maquiagem muito bem feita.

Aquela maravilhosa banheira me deu tempo suficiente para elaborar tudo que aconteceu e eu não estava mais disposta a ficar chorando pelos cantos e agindo como se o mundo fosse acabar nos meus problemas. A ideia de não me sujeitar mais a Klaus e deixá-lo com sua loucura para os irmãos soou como poesia e eu estava cansada de ficar como coitada o tempo todo. Sem mais desculpas, eu seria a Caroline de sempre. Já era hora.

POV KLAUS

Saí à procura do lugar onde Rebekah disse que tinha visto a bruxa.

Entrei e falei com um padre. Kieran pareceu saber quem eu sou e como era de se esperar, não o agradei com minha presença, mas ele pareceu não desconfiar das minhas intenções.

— Tento manter o mínimo de civilidade possível nesse caos. — Ele disse se referindo a Nola.

— Entendo. — E realmente entendia, afinal, ele era um padre e líder da facção dos humanos.

— Eu espero que sim. — Falou ríspido. – Se quiser fazer parte da nossa comunidade, sugiro que siga algumas regras.

— Eu não sigo regras. Eu as dito. — Disse quase sussurrando próximo ao rosto de Kieran que pareceu não se incomodar muito.

Saí irritado e imediatamente liguei para Rebekah.

— Uma igreja? Muito irônico. — E de fato era.

— Sim. Eles a mantém no porão. Só não sei como podemos pegá-la sem que saibam. — Rebekah diz um pouco desesperançosa.

— Tem um jeito. Mas isso significa riscos e temos que arcar com as consequências.

Fui para casa me encontrar com Elijah. Precisaríamos do meu plano consistente o suficiente para dar certo.

—_____________

— Primeiro temos que tirá-la da igreja. — Elijah disse recostando na cadeira do escritório.

— Não há como fazer isso sem arrancá-la de lá, Elijah! E a presença de qualquer um de nós soará como ameaça o suficiente para ela explodir nossos miolos. Descobri coisas sobre ela que nos darão vantagens. Talvez devêssemos usar seu namoradinho como ameaça. Seria perfeito.

— Não será uma opção se um de nós não representar necessariamente uma ameaça. — Ele se levanta e sai, ficando na sala.

— O que quer dizer?

— Caroline! — Elijah gritou por ela e eu comecei a não entender o rumo das coisas.

Ela apareceu em segundos no segundo andar, ignorando minha presença enquanto descia as escadas e se aproximou de Elijah, que disse.

— Faça-nos um favor. — Ela assentiu ainda sem olhar para mim. – Ligue para Bonnie e pergunte se há alguma maneira de mascarar ou manipular uma morte. — Caroline olhou assustada e ele continuou olhando para nós dois. – No caso, a minha.

— O QUE?! — Caroline gritou e pôs a mão na cabeça como se sentisse dor. E talvez seja a ressaca a lembrando de não gritar. Bom saber disso. – Que loucura é essa? — Ela completou com um tom mais baixo e eu ri sem que ela visse.

— Exato. Que loucura é essa? — Eu disse e ela olhou para mim, provavelmente por compartilhamos alguma opinião em comum.

— Digamos que Marcel confia em você depois do desfecho com um de seus vampiros e confiará mais ainda se me entregar como um tratado de paz. Você pedirá a Marcel que me deixe em um lugar seguro por medo de represálias ou algo absurdo do tipo. Pelo que eu conheço dele, talvez peça para Davina fazer algo a respeito, e é nisso que aproveitarei a chance para tirá-la de lá. Só não contem para Rebekah. Ela pode não concordar e tentar algo extremo. Mas antes preciso de algo que eu sei que você tem, Niklaus.

— Não sei do que está falando. — Na verdade eu tinha uma ideia e esta não soava agradável.

— Você sabe muito bem, irmão. — Ele disse estendendo as mãos.

— Hahahahaha, Elijah. — Você só pode estar de brincadeira.

— OK. Então continue seu plano sem mim. — Ele disse e abriu a porta, saindo pela mesma. Caroline o seguiu.

POV CAROLINE

— Você confia o suficiente no Klaus para isso? — Eu disse e Elijah se virou para mim, ficando à minha frente.

— Não. Mas é o que temos para agora. Bom... — Ele ajeitou a manga e continuou. – Melhor que ele ameaçar matar o amigo de infância, o primeiro amor para manipular a jovem bruxa e sabemos o quanto isso pode ser devastador. — Elijah olhou para mim e eu entendi que se referiu ao que Klaus fez comigo e Tyler por puro capricho. – E com alguém que tem poder suficientes para matar todos nós, então... — Olhou sugestivamente.

— OK. Ligarei para Bonnie. — Eu disse indo para a cozinha, atualmente meu lugar favorito depois do quarto.

—________

— Desde que ele não acerte no coração, tudo bem. Se não nesse caso, a “morte” será um fato. — Bonnie disse tão receosa quanto eu.

— Esse é o problema. Nunca sabemos como Klaus reagirá. — E isso era mais certo que andar para frente, pensei enquanto pegava outra bolsa de sangue das inúmeras que haviam na geladeira. Ou Klaus pensa que sou gorda ou ele quer me deixar obesa.

— Bom. Não importa. Qualquer coisa para você retornar o mais breve possível para cá, Car, para nós. — Bonnie disse e meus olhos começaram a coçar. Dentro de segundos lembrei que eu não seria mais assim, boba, sentimental e engoli o choro.

— Obrigada, Bonnie. Amo vocês.

— Também te amamos. Se cuida.

Desliguei o telefone e antes que eu pudesse guardá-lo, eis que surge um ser atrás de mim sem que eu ao menos esperasse.

— Melhorou? — Klaus disse se aproximando enquanto eu devorava outra bolsa de sangue como se aquela sim fosse realmente a última. Não sabia se ele queria realmente saber ou se estava jogando os últimos acontecimentos na minha cara.

— Para isso acontecer eu teria que te chupar todo. — Respondi com a boca toda suja de sangue como criança lambuzada de doce e Klaus fez uma cara engraçada de assustado.

— Eu adoraria. — Disse com o sotaque matador e eu finalmente percebi a merda que falei.

— Seu idiota! Não nesse sentido! — Eu exclamei enquanto ele saía devagar só para ver minha irritação. – É drenar! Tipo, você ressecaria e estaria morto, entendeu? — Ele parou e me encarou.

— E você realmente me mataria. — Klaus abriu o sorriso mais cínico do mundo. – Só que por outro motivo.

Não que fizesse isso com frequência, não digo falar besteiras, porque este é o meu forte, mas ficar sem graça dessa maneira não parecia Caroline e meu rosto corava na mesma proporção que o sorriso de Klaus aumentava.

Por sorte Elijah apareceu antes que eu explodisse de vergonha e Klaus morresse com aquele sorriso estampado.

— Klaus... — Antes que ele pudesse completar, Klaus mostrou a adaga e entregou a ele, que olhou com preocupação.

— Não se preocupe, irmão. Já arranquei tantos corações que sei exatamente onde fica um.

POV REBEKAH

Nik acha que pode controlar tudo e todos. Descobri que ele deu Elijah para Marcel como moeda de troca e eu estava em um estado de ódio perceptível a milhas de distância. Basicamente eu tenho escolha de recuperá-lo ou não. Só escolher me aliar às pessoas certas. E eu tinha uma estratégia perfeita.

Entrei no bar particular de Marcel e lá estava ele com os seus caras.

— Sempre inconveniente, acho que seja de família. — Marcel falou e seus vampiros se aproximaram de mim ameaçadoramente. E ele espertamente mandou que se sentassem.

— Tenho algo para você, mas quero que me devolva Elijah. — E cruzei os braços esperando que ele cedesse.

— Pode falar. — Ele disse descruzando os braços. – Qualquer ajuda é bem-vinda.

— Nik está de volta à cidade, e trouxe com ele alguém do qual você pode se interessar. — Marcel arqueia uma sobrancelha esperando a resposta e todos sabem o quanto eu amo um suspense. Peguei uma bebida e continuei. – Eles têm uma pequena história antiga, mas parece que ela tem amigos suficientes que fariam qualquer coisa por ela, inclusive machucar Klaus.

— Continue. — Marcel disse fazendo um sinal com as mãos.

— Loira, olhos claros, muito bonita, temperamental, irritante e não sou eu! — Ri e ele retribuiu. – Caroline Forbes.

— Caroline Forbes. — Repetiu.

Pelo jeito, Marcel não a conhece. Melhor ainda. O elemento surpresa.

Um dos vampiros do círculo interno de Marcel me olhou com estranhamento. Eu saí e ele continuou pensativo.

POV KLAUS

Estava raciocinando sobre o que havíamos feito. Confesso que um pouco preocupado sobre o que Elijah faria disso.

Agora a única coisa que faremos é nos manter em alerta para qualquer movimento na cidade. Rebekah estava incomunicável e Caroline estava lá encima se arrumando para sair e dar uma espiada no que falam por aí. Eu ficaria aqui até o horário combinado e depois seria a troca. Caroline fica em casa e eu saio para saber as novidades. Seja o que for, Hayley não pode ficar desprotegida.

Estou distraído lendo Willian Blake quando uma loira me tirou toda a concentração de “Uma Árvore Envenenada”.

— Onde está Caroline e o que fizeram com ela? — Falei enquanto fechava o livro de poemas.

Ela estava... radiante. Nada parecida com a garota derrotada de mais cedo. Ela estava simplesmente... Caroline.

— Está aqui e essa sou eu te deixando no vácuo e saindo para curtir a noite. — Ela deu uma volta mostrando o quanto estava bonita e cheia de vida.

— Devo pedir para devolverem Caroline? Por favor se encontrar seu corpo por aí jogado em uma sarjeta a traga com segurança para casa, temos coisas para fazer. — Eu disse e ela riu alto.

— Vá se foder. — Falou e me deu o dedo do meio.

— Muito maduro. — Ela continuou rindo. – Só não se meta nas minhas coisas. — Eu disse fechando a cara tentando demostrar seriedade, com certeza sem sucesso.

— Suas coisas?! Que eu saiba você tem nada. — E saiu jogando os cabelos antes que eu pudesse fazer algo. Menina esperta.

POV CAROLINE

Dei uma volta pela cidade toda em busca de novidades, mas pelo o que parece, tem ninguém interessado em comentar sobre o irmão empalado do ser mais descontrolado do mundo.

Parei no bar de sempre. Por enquanto, este seria meu novo Grill e com uma bartender loira! Sentia falta de casa.

— Você aqui de novo? O whisky mais forte da casa, certo? — Cami virou para mim sorrindo.

— Nãããooo. — Disse divertida pondo a mão nos meus olhos. Ainda estou de ressaca. Cami sorriu e voltou com uma água tônica.

— Caroline. Preciso que me escute atentamente. — Alguém senta à minha frente e quando olhei para cima tive uma surpresa.

— O que...?

— Caroline!!! — Ele grita batendo na mesa e eu levanto, me afastando dele e ficando próxima ao balcão. – Você precisa sair daqui. — Eu olhei com estranhamento e sem entender. – AGORA!

Não dá tempo de ter uma reação apropriada. Eu estava tonta, desnorteada pelo som insuportável no ouvido quando percebo que estou no chão jogada atrás do balcão com sangue no corpo e Thomas está ferido encostado no mesmo. Por um instinto protetor, eu tinha abraçado Cami para que ela não se machucasse e Thomas provavelmente fez o mesmo me jogando atrás do balcão, já que ele estava pior que nós.

Me sentei aos poucos tentando recuperar minha força e Thomas se aproximou de mim.

— Eu preciso ir. Me desculpe. — E desapareceu.

Cami ainda estava jogada, com o corpo ensanguentado. Eu a coloquei sentada, mordendo meu pulso e dando para ela beber dele verificando seus batimentos a todo instante, torcendo para que nada ruim acontecesse.

POV KLAUS

Já tinha dado a hora de Caroline aparecer e ela não chegava. Aguardei mais um pouco e nada. Comecei a me preocupar quando nenhuma loira apareceu rindo e debochando da minha cara ou chorando bêbada ou arrebentando a porta com um olhar de mulher fatal e disposta a torturar alguém por mais uma bolsa de sangue. Mas isso não aconteceu dentro do meu limite de paciência, então saí enquanto ligava para Caroline, sem sucesso.

Disquei o número da loira e caiu na secretária pela milésima vez. Continuei andando e ligando novamente para Caroline, que parecia disposta a nunca mais atender minhas ligações.

— Caroline? Onde você está?! — Disse ainda caminhando pelas ruas que a esta hora estavam desertas, a procurando. – Me diga que o plano de Elijah se entregar para Davina deu certo. — Falei num misto de irritação e preocupação.

— Não me diga que foram vocês que tiveram essa ideia louca de mandar Elijah para a forca. — Rebekah apareceu na minha frente, nervosa e assustada – Droga, Nik! Você precisa saber de algo.

Corri para o bar. Quando me aproximei percebi que havia fogo, muita fumaça e um pequeno aglomerado de pessoas. Passei pelos fundos e vi Caroline abalada e ferida atrás do balcão enquanto segurava Cami nos braços. Antes que Caroline fizesse qualquer tipo de esforço, peguei Cami no colo e a botei do lado de fora em velocidade, fazendo o mesmo com ela em seguida.

Eu ia morder meu pulso e dar a elas, mas eu vi Caroline com o dela ainda sangrando e não me preocupei mais tanto assim com Cami, dando o meu a Caroline que o bebeu de bom grado.

— Klaus. — Caroline disse ofegante e tossindo. – Você tem que ajuda-la. Ela serve minhas bebidas. — Ela riu e foi inevitável não rir junto, mesmo que isso tenha causado mais uma crise de tosse.

Rebekah estava atrás de mim e seria bom dar uma missão a minha irmã que fizesse com que ela sumisse da minha frente antes de eu arrancar seu coração do peito sem pensar. Pedi que levasse Cami para nossa casa e tomasse conta da loba grávida, já que tinha deixado Hayley sozinha nesse momento.

— Caroline... — Eu puxei o queixo dela que me olhava nos olhos um pouco melhor que antes. – Você sabe quem fez isso? — Ela acenou que sim com a cabeça e se levantou, ajeitando a roupa tentando se recompor.

Não que eu não soubesse, apenas queria confirmar se Rebekah tinha realmente sido estúpida suficiente para nos delatar.

Eu estava puto e não havia nada que me impedisse de mutilar o culpado e colocar seus pedaços espalhados na praça dando exemplo aos demais.

— Marcel. — Ela disse e meus olhos brilharam.

Eu virei para sair e Caroline apareceu na minha frente me segurando pelo braço.

— Eu vou com você. — Ela disse enfática e do jeito que é cabeça dura e teimosa, nada a faria desistir de ter o que quer.

E sinceramente? Eu queria que Caroline experimentasse o gosto doce da vingança como um delicioso drink no final da tarde.

— UMA EXPLOSÃO? SÉRIO MARCEL?! — Eu entrei berrando na Mansão. Na MINHA Mansão que ele ousadamente roubou e agora era hora de pegá-la de volta. ­– Pare de brincar de se esconder. VENHA E ME ENFRENTE!!!

Eu acabei de cuspir as palavras e Marcel apareceu na sacada com o mesmo olhar soberbo de sempre pensando que o pouparia do sofrimento reservado a ele. Mas eu não estava com paciência e nem com disposição para um tratado. Eu queria mata-lo e o faria sem hesitar.

Caroline estava ao meu lado de braços cruzados também esperando. Quando vi um pequeno grupo vampiros se aproximando e parando alguns metros de distâncias de nós eu abri um largo sorriso. Agora sim o jogo empataria. Eu sabia que ela não aguentaria uma luta com Marcel, pois ela foi muito bem treinada pelos Salvatore e Alaric, mas Marcel... Ele foi treinado por mim.

POV CAROLINE

Confesso que estava ansiosa.

Havia um grupo pequeno de vampiros de Marcel e eu estava louca para que o show começasse. Já tinha sido ameaçada de tantas formas na minha Mystic Falls que isso pareceu brincadeira. Uma brincadeira que custaria a minha vida, mas que no momento eu não estava tanto assim para ela.

Eles avançaram em Klaus primeiro, tentando desestabilizá-lo. No primeiro, ele facilmente quebrou o pescoço, no segundo, eu ri tamanha facilidade em arrancar um braço e no terceiro, Klaus o deixou esguichando sangue no chão enquanto sofria por uma mordia violenta na jugular.

Foi quando eles desistiram e miraram em mim. Eu não sei quem os treinou, mas com certeza não foi alguém como Stefan, Damon ou Alaric, ou então eu estava com tanta raiva que para mim foi fácil me livrar também de três. Um sem coração e os outros com o pescoço torcido.

— Peguem eles. — Foi o que eu ouvi antes de ver uma multidão se aproximar de nós.

Eram muitos. Eram incontáveis. E eles estavam dispostos a nos massacrar sem piedade. Mesmo assim alguns não foram páreos. Eu e Klaus ficamos encostados um nas costas do outro, girando conforme éramos atacados e nos livrávamos deles. Às vezes ele se colocava à minha frente quando percebia que eu ia me ferir. Esse é um lado protetor que eu sabia que ele tinha, só não sabia que ainda o expressava. E eu me senti segura suficiente em dar alguns passos para frente, continuando com o ritual de arranca, torce e quebra.

Eles continuavam vindo, mas dessa vez não puros. Todos estavam transformados com os olhos negros e veias tão grossas que eu sabia que as coisas iam piorar.

Finalmente eu comecei a apanhar, já era hora. Estava fácil demais até para mim, imagina para o Híbrido aqui atrás. Mas quando você acha que as coisas estão estáveis, é aí que começa a declinar.

Um grupo maior apareceu com barras de ferro, objetos pontiagudos e correntes grossas gigantes. Eu não percebi que tinha me afastado de Klaus até levar a primeira porrada de uma tora na costela e as sentir quase rachando. Eu olhei para trás em busca dele, mas sem visão. Consegui localizar Klaus pelo grito que ele deu quando me viu ser atingida nas pernas por uma vampira punk de moicano. E vi a pior cena que poderia acontecer naquele momento.

Klaus estava acorrentado, suspenso e indefeso enquanto todos o espancavam e enfiavam objetos nele como se fosse o touro de um rodeio espanhol.

A essa altura eu já tinha me transformado. Corri até lá e peguei uma madeira jogada no chão. Estaquei um, depois outro e outro, mas eles não paravam. Um dos vampiros que me viu se aproximar demais, lançou de longe uma correte nos meus pés e me arrastou para longe. Quando outras duas acorrentaram minhas mãos eu me assustei. Certeza que seria espancada e morta violentamente a partir dali.

Eles sabiam que quanto mais demorassem, mais eu reagiria e mais força eu teria para sair, então pegaram a estaca que caiu da minha mão e foram na minha direção.

Eles pararam de tentar me estacar quando ouviram um rosnado que aumentava progressivamente até se tornar audível suficiente para todos pararem. Em segundos eles começaram a se afastar de Klaus e de mim.

Klaus estava possesso. Ele estava de um jeito que eu nunca vi antes. Seus olhos escureceram e depois ficaram tão amarelos quanto o sol. Ele estava em chamas e enlouquecido. Klaus estava na sua forma híbrida.

Ele se levantou e gritou tão alto que era certeza que toda New Orleans escutou. Puxou as correntes da perna e a do seu pulso. Arrancou a cabeça de um com ela, puxou a outra e a usou como arma para cortar outro ao meio, dividiu mais dois e continuou driblando todos enquanto andava na minha direção. Eu estava com medo, confesso, mas tão cansada que incapacitava qualquer reação minha. Klaus se aproximou rapidamente de mim e involuntariamente eu me encolhi, só esperando o golpe final. Mas ele não o fez. Klaus não me matou. Ele se posicionou na minha frente de um jeito que eu pude ouvir todos os músculos do seu corpo estalarem. Ele era poderoso e fazia questão de demonstrar sua força e agilidade mutilando todos que se aproximavam de nós.

Klaus continuava com um rosnado baixo encarando todos e ninguém teve sequer coragem de se aproximar. Eu pude ver de longe o olhar de preocupação de Thomas quando ele chegou. Foi então que Marcel desceu e ficou de frente para nós, mas distante suficiente para não sofrer a ira de um Híbrido enfurecido.

POV KLAUS

Eram tantos que pensei que não tinha mais vampiros no mundo, pois todos estavam ali e, alguns deles, prestes a matar a mim e Caroline. Eu não podia deixar isso acontecer.

Eu nunca senti pena, mas hoje foi o auge da crueldade. Eu deixei tanto sangue espalhado pelo local que Marcel se sentiu na obrigação de intervir.

Ele desceu e ficou distante suficiente para eu não matá-lo e seu fiel escudeiro apareceu se colocando ao seu lado, como se isso me impedisse de fazer algo.

Eu corri em sua direção e antes que pudessem perceber eu estava com uma mão em seu peito e outra no do seu melhor amigo e braço direito.

— Nãooo!!! Por favor não os mate! — Davina correu em direção a Marcel o abraçando.

Obviamente eu não dei ouvidos a pequena bruxa e continuei apertando os dois até sentir o coração de ambos quase explodindo nas minhas mãos.

— Se fizer isso eu ficarei de lado nenhum. — Ela disse sabendo que não poderia usar magia ou então eu acabaria de concluir o serviço e usou a melhor estratégia de jogo.

— Você ouviu o que ela disse, Niklaus. Não há necessidade disso se ela ficará do nosso lado. — Elijah apareceu em seguida tentando apaziguar a situação. Mas quanto mais Marcel e seu amigo agonizavam, mais eu me divertia.

— Fique com a casa, Klaus. — Marcel falou sussurrando em dor olhando para mim e depois para Caroline, que agora estava apoiada em Elijah. – Eu devo minha lealdade a você. Só não torture mais meus homens. — Ele olhou com lágrimas para o homem na mesma situação ao seu lado e antes que eu desse meu golpe final, Caroline segurou minha mão.

— Klaus... Vamos. Já fez o suficiente. — Ela disse com uma voz fraca, trêmula e percebi que estava assustada com a cena.

Eu não estava disposto a ceder quando ela retirou minha mão de dentro do peito do coadjuvante e automaticamente eu fiz o mesmo com a outra que segurava Marcel

— Nós. Nós fizemos o suficiente, Caroline. Nós fizemos.

Eu não costumo desistir de matar meus oponentes, mas Caroline tinha razão, foi o suficiente. Eu tinha meu irmão de volta e queria Davina aliada a mim. Não seria bom começar matando seu melhor amigo, seu quase pai, como um dia eu fui para Marcel.

POV CAROLINE

Tudo ali estava silencioso demais e pelo que percebi, não precisa de muito barulho caso queira ser discreto ao interagir com uma certa loira humana. E Klaus era mestre em discrição desse tipo, tirando a insanidade que foi aquela puta da Ópera.

Não sei quanto tempo passou desde que comecei a me olhar no espelho do quarto reparando no meu novo tom ruivo e roupas vermelhas. Já estava me encaminhando para o banheiro quando escutei alguém atrás de mim.

— Droga, Klaus! Existe porta para bater, sabia? — Virei para ele e percebi que já estava limpo e de um jeito que parecia que nada tinha acontecido. – Se está aqui para ouvir um “obrigada por não deixar que eu fosse espancada, morta e ter impedido isso massacrando todo mundo da forma mais aterrorizante possível”, aí está.

— Estou ouvindo um agradecimento vindo de Caroline ou estou apenas delirando? — Ele disse tão irônico quanto eu.

— Muito engraçadinho. Não acostume! — E ele riu.

— Você pode voltar para a sua faculdade, Caroline. Me mande um cartão postal quando chegar lá. Não use drogas e frequente todas as aulas. — Ele disse ainda rindo e se aproximando de mim.

— OK, mãe. — Não sabia se eu estava rindo pelo o que ele falou ou se pelo fato de eu finalmente estar livre para retornar as minhas atividades “normais”.

Foi quando lembrei de uma conversa que tive com Elijah no caminho e a sua preocupação com as possíveis retaliações de Marcel. E ele, somente ele sabia que eu tinha um “informante”, o mesmo que salvou minha vida e eu a dele dentro do círculo interno de Marcel e isso era um material precioso a ser usado em algum caso de intervenção direta.

— Elijah pediu para eu ficar mais alguns dias. — Eu disse tirando meu tênis e meias.

— E você prefere acatar a decisão do meu irmão Original a ter sua vida de volta?

— Só para ter certeza que você não fará besteira nos próximos dias. — Eu disse tirando minha jaqueta e a empurrando no peito dele de modo que se afastasse.

— OK, mãe. — Ele disse e caímos na risada.

— Agora saia daqui. — Eu ordenei divertida ameaçando tirar minha camiseta na frente dele.

— Só se você assumir. — Ele fez aquele tom provocador de sempre e se aproximou, abaixando minha camiseta.

— Assumir o que? Eu fiz nada. — Eu disse sem entender e ele se aproximou mais.

— Que gostou. — Klaus deu um típico sorrisinho cínico.

Eu continuei sem entender e ele sabia disso. Apenas fiz cara de paisagem e ele continuou.

— Que gostou do que aconteceu. — Ele encostou no meu rosto, com o polegar limpou o sangue que estava na minha bochecha e continuou. – Que adorou todo aquele poder, a força, a agilidade. Que adorou torturar e matar todos eles com a sua própria permissão, que adorou tudo isso e saiu vencedora. — Ele concluiu e ficou com aquele sorriso vitorioso no rosto.

— O que? Eu acho que a adrenalina te deixou um pouco mais sem juízo que o normal, Klaus. — Eu disse séria e ele sussurrou tão perto de mim que pude sentir seu hálito roçar no meu rosto.

— É tão difícil assim para você assumir que quer abraçar esse lado sombrio, amor? Que gosta de quando está comigo, porque é aí que consegue parar de recalcar essa recusa em aceitar essa parte? — Klaus concluiu a fala e eu me arrepiei toda. – Foi o que pensei.

— Você só pode estar louco.

— Eu vi o que fez e vi o que foi capaz para preservar a própria vida. Você não é muito diferente de mim, Caroline. — Ele disse olhando dentro dos meus olhos.

— Sim, Klaus! Eu acho que não querer morrer é um ótimo motivo! Mas não, eu NÃO sou igual a você, psicopata, que o faria mesmo que tivesse motivo algum! — A essa altura eu estava mais gritando do que falando. E eu desviei meus olhos do penetrante olhar dele.

— Não parece, Caroline! Eu devolvi a sua vida e você insiste em ficar. Por que?

— Você ainda pensa que pode mandar nas pessoas!? — Eu gritei e com certeza o irritei.

Virei de costas e a minha intenção era ignorá-lo com louvor... Se ele não tivesse retrucado.

— E eu posso!!! — Ele gritou mais alto ainda e eu me virei.

— Não em mim!!! E isso te deixa louco, não é?! — Eu gritei na mesma altura e Klaus segurou meu pulso. – Klaus...

— Você ir embora não é uma opção, Caroline. Você não é só uma ameaça a mim, você é uma ameaça a si própria.

— Eu acho que sei me virar sozinha, Klaus. — Puxei meu pulso de sua mão mas não o suficiente para soltá-lo e Klaus me puxou para mais perto de si.

— Eles virão atrás de você. Todos eles. Klaus me soltou e olhou fixamente nos meus olhos. — Se eu não usasse verbena, podia dizer que ele estava me compilando. – Eles sabem o que eu fiz hoje. Eles sabem que você é a minha fraqueza, Caroline. E você consegue ser pior que uma criança se tratando de teimosia. Eu não posso deixar que me manipulem dessa forma, não quando você corre perigo. Então amor, você ir embora realmente não é uma opção. É uma ordem!