Horda de magos ocultos

4 Prologo pt4 - Mistérios no aniversario


Notas iniciais
Ai ai. espero que gostem. a historia esta apenas começando a tomar forma.

Dois dias se passaram e finalmente todos os preparativos para a festa estavam prontos. Vários moradores da cidade baixa e da cidade média foram convidados. Todos estavam muito empolgados. A festa de aniversario de Caligan prometia vários eventos, até mesmo uma apresentação teatral, mas o ápice seria a noite. O conde importou uns equipamentos feitos com uma tecnologia nova do reino Ducham que faz fronteira no leste. Boatos diziam que ele iria colorir o céu escuro.

Tia Dessi não se desgrudava de Kirian um momento sequer, mas estava sempre ao lado do conde e seu filho. Quem não soubesse da historia poderia jurar que aquele novo bebe era do conde e da tia Dessi. Molly e sua mão estavam lá também, mas com a equipe da taverna para ajudar a servir todos os convidados. O que não agradou nem um pouco a menina, ela não iria trabalhar num momento de festa e assim no primeiro momento que a mãe desviou o olhar prestando atenção e outra coisa ela foge. Molly já tinha entrado no castelo antes, mas nunca sendo convidada, ela conseguia invadir sem ao menos se notada, por isso já conhecia bastante os corredores do castelo.

Quando escapava em direção a escadaria que a levaria para o teto do castelo parou quando o conde começou a fazer um discurso, sentou-se num degrau e olhou atentamente. Ele bateu algumas palmas para chamar a atenção das pessoas e começou a falar:

– Senhoras e senhores convidados obrigado por comparecerem neste dia tão especial para mim e para meu filho. – Todos gritaram hey em sintonia, levantando suas taças de vinho e os camponeses, suas canecas de cerveja. – Darei inicio neste momento a festa de aniversario do meu filho Caligan. – A noticia da mudança do nome do filho do conde já tinha sido bastante discutida nos dias anteriores, então ninguém questionou. – Teremos um banquete a todo o momento, acompanhado de músicos, poetas e ainda a presença de um grupo de teatro. Ao cair da noite espero que todos vocês venham para o jardim atrás do castelo para apreciar de um magnifico espetáculo de luzes, mesmo na escuridão, tenho certeza que todos irão adorar. – As pessoas cochicharam um pouco sobre isso, era algo que nunca haviam visto e era facilmente perceptível a palavra magia sendo dita por varias pessoas. – E isso não será feito com magia se foi isso que imaginavam. Tudo isso foi feito por trabalho manual e sem uso de magica. Agora vamos aproveitar este dia comendo, bebendo, sorrindo e festejando. – Diz isso levantando os dois braços e ao final gritou viva, sendo seguido por todos da sala.

Molly percebeu que a atenção se concentrava no conde e aproveitou o momento para continuar a subir as escadas. Andou por mais alguns minutos por corredores, entrava em lugares errados e tinha que voltar varias vezes até se lembrar do caminho. Quando chegou ao teto reparou que havia muitos pedaços de bambu ocos numas plataformas no chão, do topo deles tinha um fio saindo, mas era aos montes, podiam ter algumas dezenas ali. A curiosidade mais uma vez falou alto em sua mente e não demorou em espiar o que tinha no final dos fios. Dentro do buraco dos bambus tinha uma bola de couro bem firme e pesada, mas foi até ai. Aquilo estava muito bem organizado e alinhado, com certeza demoraram bastante para arrumar tudo e sabia que se algo desse errado e ela fosse descoberta seria severamente punida por sua mãe, e não era nada legal isso. Então ela se sentou no muro que protegia as pessoas de caírem e esperou pelo por do sol que esperava ser lindo neste dia.

Dentro do salão a festa continuava, um bardo terminava sua musica e todos repetiram juntos o ultimo refrão:

Ca nom poss'eu desto forçar

Deus, que me vos faz muit'amar

As pessoas batem palmas alegres, o bardo agradece gentilmente se curvando para todos. Agora a próxima atração é uma peça de teatro. O salão era enorme, as mesas gigantes formavam uma meia lua e ao centro as pessoas se apresentavam. Tia Dessi e o bebe kirian sentavam ao lado do conde e seu filho. Dessi vira-se para o conde e diz:

– Obrigada por nos colocar ao seu lado, estou muito agradecida.

– Mas é claro que iria colocar você aqui, esse bebe agora está sob meus cuidados e sendo assim você faz parte disso também.

– Ora, obrigada assim mesmo. E agora posso pedir desculpas formalmente pelo meu modo de dizer aquele dia, não sabia suas intenções para com este garoto, mas agora penso da mesma maneira que o senhor.

– Não precisa se desculpar, eu sabia que iria interpretar isso desse jeito, eu deveria ter dito isso de uma maneira melhor. Mas eu sei que Kirian e Caligan irão ter um futuro unido e nada melhor para assegurar isso que sob minha supervisão.

– Disso não tenho duvida, ainda mais que...

Sua fala foi cortada pelo pequeno Caligan que puxava o braço do pai para pedir atenção.

– Pai, Pai olha só o que eles estão fazendo, eles pulam e fazem graça, é muito divertido. – Sua voz mostrava entusiasmo e espanto devido às piruetas dos atores.

– Sim meu filho, eles são mesmo incríveis.

Tia Dessi cutuca seu ombro e diz quase que sussurrando:

– Por acaso já falou para ele sobre o Kirian?

– Na verdade ainda não. Pretendo contar a ele num momento mais calmo, talvez amanhã de manhã mesmo.

A festa continuou por mais algumas horas o grupo de teatro fez várias apresentações, de drama a comedia, algumas acrobacias, que deixava os convidados de queixo caído. Alguns bêbados se reuniram no meio do salão e começaram a cantar, isso fez todos rirem, eles cantavam asneiras sobre as historias e os heróis lendários, uma comedia sendo cantadas pelos homens bêbados.

Chegando a noite Molly volta do telhado para sua mãe, que não estava desesperada, pois já se acostumara com os sumiços de sua filha, mas se não voltava em 3 horas dai sim ela começava a gritar com todos para acha-la. Ela simplesmente se juntou aos ajudantes, fisgando aqui e ali um docinho ou um salgado. Certo momento foi em direção a sua mão com alguns pratos sujos:

– Mãe, posso deixar esses pratos na cozinha e ir ficar com a tia Dessi e o bebe? – Essa ultima parte fui dita num tom um pouco baixo e como sua mãe estava ocupada em seu serviço não reparou.

– Claro filha, mas faz isso logo.

Fez um sorriso pelo seu plano ter dado certo, deixou os pratos na cozinha para que alguém lavasse e correu para os braços da tia Dessi.

– Oi Dessi, posso sentar com você?

Dessi estava dando comida para Kirian, virou-se espantada com a chegada da menina, sorriu e disse:

– Mas com toda certeza, sente no meu colo e coma alguma coisa. Já não vou comer mais, tanta gordura assim não irá me fazer bem.

– yey! E como vai o bebe? Ele é bonitinho não é? – Disse se acomodando em seu colo.

– Ele é uma graça, assim como a maioria dos bebes e assim como você quando era mais nova.

– Será que ele vai lembrar que fui eu que o peguei?

– Provavelmente não, mas vai gostar de saber disso, sem duvida.

– Fiquei sabendo que ele vai passar uns dias na sua casa também, quando ele estiver por lá posso ir também para ficar com ele?

– Venha quando quiser, e mesmo quando não estiver para tomar um pouco de chá.

As duas continuaram a conversar. Sir Menior estava a falar com o conselheiro do castelo. Era um homem honesto e de bom caráter, era o braço direito do conde, quase como seu substituto quando o conde viajava. Sua feição era rígida, sempre serio, sempre pensando ou organizando alguma coisa, sua estrutura magra enganava, pois podia ser mais forte que um touro e ainda sabia manejar duas adagas como ninguém.

– Como assim o senhor está adotando aquela criança. – dizia indignado o conselheiro.

– Escute-me Dáureo, ele será importante para este reino, disso não tenho duvidas.

– Mesmo assim, o que é ele, algum bastardo inconsciente?

– Não.- Disse num tom grave- Não sei quem são seus pais, apenas sei que devo cuidar dele.

– Ainda assim não concordo com sua decisão, mas vou procurar saber seus precedentes, guarde minhas palavras. Sinto que este não será uma boa pessoa.

– Então se conseguir achar seus pais ficará grato, também gostaria de saber quem são eles. Mas por favor, não seja rude com o garoto. Vamos ver o que o futuro nos mostra.

– Se o senhor está com tanta confiança assim, não sou a pessoa certa para questionamentos. E irei lhe informar sobre qualquer informação que conseguir sobre ele.

– Estou agradecido, por tudo que já fez por mim e por me apoiar em minhas decisões, não sei o que seria de mim sem seus conselhos meu velho amigo.

– Posso não concordar com tudo que faz, mas sei que faz o possível para o bem de seus companheiros.

– Bem, está chegando a hora para nosso grande espetáculo, chame os ajudantes e vá para a parte superior do castelo para coordenar a soltura das bolas de fogo. Eu vou chamar os convidados para o jardim.

– Farei isso já senhor.

Os dois seguiram em caminhos opostos. Quando chegou ao salão o conde bateu palmas novamente para chamar a atenção dos convidados que riam com todos que estavam no centro agora. Os bardos, poetas e atores estavam improvisando alguma comedia, pois todos gargalhavam. Logo o conde tinha a atenção de todos.

– Amigos, chegou a hora dos fogos. Peço para que me sigam ao jardim e ver o espetáculo. E por favor, Dessi, poderia trazer meu filho com você?

Ela deu um grito no meio das vozes felizes que gritavam e iam para fora.

– Sim, pode deixar comigo.

Ela se dirigiu a Molly que estava ao lado dela brincando com o bebe.

– E você ficará feliz em levar o pequeno Kirian, não é?

– Yey! Sim. Obrigada.

– Vamos então!

E as duas se juntaram a multidão que se espremia pelas portas de saída. O jardim estava maravilhoso naquela noite, foram colocadas algumas velas para iluminar o caminho. A trilha com pedras que serpenteavam ao redor de pequenas arvores e montes com grama logo ficaram lotadas com as pessoas que se ajeitavam ansiosas para ver o que iria a acontecer. Dessi e as crianças ficaram sentadas num banco de mármore no centro do jardim. Mais a frente, entre o castelo e o jardim, o conde ficou em pé no degrau mais alto para que todos o vissem e começou a dizer:

– Em alguns segundos vocês irão presenciar algo que nunca foi visto até hoje. –Claro que era mentira, os que inventaram isso, por logica, já viram o que essas coisas fazem, mas para entreter as pessoas uma mentirinha não faz mal. – Algumas pessoas estão lá no teto – Apontou para a superfície do castelo – estão prontas e esperando nossa contagem para começarem, então vamos. Todos comigo.

E então começou a contagem. CINCO. A emoção martelava o coração das pessoas ali presentes. QUATRO. Os gritos ficavam mais intensos. TRES. Molly já nem se aguentava parada no banco de tanta ansiedade. DOIS. Dáureo apontava para a sequencia que iriam lançar as bolas de fogo. UM. Finalmente.

Começou. O primeiro a subir foi o mais surpreendente, todos se assustaram com o barulho que fez, e ainda mais com as cores vermelhas que apareceram logo depois. As bolas iam a mais de 150 ou 200 metros de altura. Mais dois subiram, faziam círculos após um estrondo enorme, esses eram verde e azul. Outros subiram. Vermelho, outro roxo, mais um azul. Foram subindo mais e mais com muitas cores, algumas se repetiam uma ou outra vez, mas mesmo assim encantavam as pessoas. Num certo momento todos se acostumaram com o barulho e passaram a apenas apreciar as cores, se perguntando como aquilo pode realmente não ser magia. Os bêbados começaram a gritar quando estouravam. Isso durou alguns minutos e quando acabou as pessoas ficaram mais um pouco ali, algumas sentadas outras deitadas, apreciando o momento que acabaram de presenciar.

Pouco a pouco as pessoas se levantavam, iam até onde Caligan estava, davam seus parabéns, felicidades e despedidas. Diziam adeus e agradeciam pela noite adorável ao conde e abraçavam uns aos outros e iam em bora para suas casas. O próprio conde dispensou os ajudantes que iriam limpar toda a bagunça. Agora era hora de todos descansarem. Isso contava para as crianças também. Dessi se aproximou do conde para se despedir.

– Obrigada por tudo Sir Menior.

– Não há porque agradecer, eu que devia fazer isso por olhar meu filho em certos momentos. Posso lhe ofertar a noite aqui se quiser ficar mais um pouco com o Kirian. Vou coloca-los para dormir agora mesmo e posso lhe arranjar um quarto.

– Não obrigada, amanha vou viajar para Niemars e fazer umas compras para a casa. Mas agradeço a oferta.

Molly entrega o Kirian para o conde e se despede do pequeno bebe. E corre para o lado da mãe impaciente em voltar para casa e descansar depois de tanto trabalhar. Depois disso Dessi e Sir Menior vão ao quarto para colocar os garotos para dormir.

– Eles são umas gracinhas. – Disse Tia Dessi depois de colocar Kirian no berço.

– Quero saber o que eles vão se tornar. Se pudesse acelerar o tempo. – Solta um ar de desanimo.

– É o destino deles serem poderosos, disso tenho certeza.

– Uma pena ser apenas eu para cuidar desses dois, acho que será difícil quando forem mais velhos.

– Saiba que estarei aqui para ajudar, não se esqueça disso.

– Agradeço desde já.

Os dois trocam alguns olhares por uns segundos, sem saber o que dizer.

– Bem. Acho que já vou indo, vou sair de manhã.

Meio envergonhado o conde ajeita a roupa e diz meio sem jeito.

– Ah, é mesmo, você vai viajar amanha. Tinha me esquecido. – Na verdade não tinha esquecido não. – Vou te acompanhar até a saída.

– Obrigada

Os dois vão até a porta do salão, iluminado apenas por algumas velas. Eles param a uns dois passos da porta. Encaram-se por mais alguns segundos. Finalmente tia Dessi estende a mão. Meio bobo o conde a pega e da um beijo.

– Obrigada pela noite maravilhosa.

– Eu que agradeço. Tenha uma boa viajem.

– E você cuide bem deles em minha ausência.

Ele fica ali parado, apenas observando a linda tia Dessi andar pela trilha de pedras até o portão principal. Antes de sair ela vira-se e assopra um beijo com uma mão em direção ao conde, que o finge pegar no ar. E assim ela vai em bora.

Notas finais
Alguém esperava esse possível romance entre Dessi e o conde?