Horda de magos ocultos
1 Prologo pt1 - O nascimento de um mago
Já era de manhazinha, os guardas do castelo de Oneore começavam a se espreguiçar de uma noite longa e pacata. Os poucos raios de sol dissipavam a escuridão da noite, os pássaros saiam de seus ninhos, os habitantes faziam seus primeiros movimentos nas ruas. Os guardas que vinham para a troca de turno já estavam uniformizados e bem arrumados para algumas horas de trabalho, que normalmente nada de especial acontecia. Os tempos de paz entre os reinos já duravam uns 15 anos desde a ultima guerra que acabou com metade do continente.
Dois guardas tomavam rumo aos portões do castelo, conversavam algo sobre como estava difícil a ressaca devido a bebedeira na taverna na noite passada, reclamavam de dor de cabeça. Mal entraram no turno e já esperavam estar livre dele. No alto do muro escutaram um choro, parecia que cortaram as pernas traseiras de um porco e este estava a gritar feito louco, nunca haviam escutado algo parecido, interessantemente o som não era alto, mas podia-se ouvi-lo de longe. Espiaram de onde vinha o som e repararam que vinha da base do portão. Enrolado num pano estava um bebe se remexendo, quando viram aquilo se espantaram e foram ver se era realmente um bebe.
Quando se aproximaram, o barulho era realmente ensurdecedor. Molly passava por aquele momento na rua para pegar agua e levar para sua casa, ela foi chamada pelos guardas para que levasse o bebe para longe. Ela era filha da taberneira e poderia dar um jeito na criança. A maioria dos guardas tem famílias e não pretendem adotar outra criança. A garota embalou o bebe nos braços e foi andando para sua casa enquanto tentava faze-lo se calar. Por aquele barulho os moradores ficavam encarando ela por onde passava. Foi sussurrando cantigas pelo caminho e quando chegou a porta da taverna ja havia se calado.
A mãe estava arrumando e limpando o salão quando Molly chegou e logo perguntou, sem ao menos se virar:
– Cadê a agua, minha filha?
A pobre senhora não havia percebido o bebe nas mãos da filha.
– Olha mãe, os guardas acharam esta criança nos portões, ele chorava de um jeito estranho, mas cantei a musica que você cantava para eu dormir e logo ele se calou.
– O que é isso criaturinha, trazendo seres que não lhe pertencem para esta casa. A mãe dele deve estar a sua procura!
– Mas ele passou a manhã toda lá no frio sozinho, deve estar com fome. Tem alguma sobra de ontem?
– Primeiro de tudo obedeça a sua mãe. Segundo, bebes não tomam cerveja nem comem carne, eles precisam de leite e você já me sugou tudo o que tinha — disse ela apontando para os seios — Leve ele para sua tia Dessi, ela deve conhecer alguém para tomar conta do bebe.
– Posso ir lá agora então?
– Toma seu café e depois deixo ir. Fique sabendo que quando voltar vai me ajudar arrumar a bagunça que os guardas de ontem fizeram. Só porque estão na defesa da cidade acham que podem tudo, imundos...
A frase foi cortada ai, a garota pensou que iria ter continuação, mas não teve.
– Não fique ai me olhando com essa cara de dúvida, vai logo para voltar logo também.
A tia Dessi morava um pouco longe dali e com o bebe em mãos seria mais cansativo. Molly tinha apenas 10 anos e não era muito atlética, porém muito atrevida, já havia se cansado de ser castigada pela mãe depois de suas viagens. A cidade inteira já a conhecia pelas suas invasões, confusões, brigas, discussões que fazia em publico. Sua tia, a casamenteira da cidade, conhecia todos os casais e todos os romances de todas as pessoas, secretamente inclusive do conde e ainda vestígios de puladas de cerca do rei, mas, claro, nada era verdade, boatos andam mais rápido que cavalos de guerra e se modificam mais que borboletas, essas coisas não eram levadas muito a serio. Se tivesse alguém nessa cidade que saberia alguém que pudesse e gostasse de ter um bebe era ela.
No meio do caminho ela se depara com um homem alto e magro, enrolado nuns mantos escuros com capuz e uma enorme mochila com algumas coisas saltadas para fora, alguns panos, galhos e plantas faziam parte disso, logo que o viu sabia que era estrangeiro, a pele morena denunciava-o como morador das ilhas do sul, que eram sempre bem quentes, eles geralmente não vinham para o norte por causa do clima e também pelo desinteresse no povo. A curiosidade já esticava seus cabelos e agitava sua mente em perguntas, seguiu o homem por umas duas esquinas e logo depois o homem para e vira-se, serio como uma múmia. Ela consegue ver os olhos marrons como a casca de uma arvore.
Num tom misterioso ele a encara aproximando-se um pouco.
– Quem seria esta jovem mãe bisbilhoteira que esta a me seguir?
Fica assustada por uns segundos com a pergunta, já pensava em milhões de maneiras de ser raptada, roubada ou até mesmo que ele fosse seu pai desaparecido que não reconheceu a própria filha.
– Ele não é meu filho, como pode eu com 10 anos já ser mãe. Desculpe por te seguir é que vi que você não é daqui e fiquei curiosa, senhor...?
– S, para você é senhor S. Pude sentir sua curiosidade, mas mais do que isso senti a energia deste bebe, sou um mago preventor acima de tudo, posso ver que este garoto não é igual a todos nos, tome cuidado com ele.
Quase que ignorando a ultima parte da conversa, pois sua mente parou quando disse que era um mago preventor, diz.
– Que legal. O que faz aqui? Pode medir o meu futuro? Aonde você vai? Pode me levar com você.
Acabou de esquecer que tinha que levar o bebe para sua tia.
– Calma lá com as perguntas. Mas respondendo-as. Vim medir o futuro do filho do conde. Não vou medir seu futuro. Vou claro, para a cidadela e nem pensar que posso levar a senhorita comigo. Mas não vou esquecer-me de mencionar esse bebe para eles, para onde a jovem vai?
– Para a casa da tia Dessi. Depois vou para a taverna ajudar minha mãe.
– Então vá logo, o conde já esta a minha espera, depois de muito tempo ele me convenceu a vir a esta terra, quero acabar com isso logo e voltar. Que nosso futuro possa não se cruzar novamente.
Ela fez um cumprimento esticando a saia um pouco para o lado e se abaixando, o homem simplesmente se virou e continuou seu caminho. Travessa porem inocente Molly continuou rumando para seu destino, sem saber o que tinha acabado de iniciar a nossa historia.
Sua tia estava comendo uns lanchinhos quando a garota chegou.
– Entra minha querida, gostaria de chá? — ela olha para o bebe nas mãos de Molly — e quem é este anjinho que me trouxe? — os biscoitos que comia eram a coisa mais desinteressante em sua casa nesse momento.
– Não sei o nome dele, os guardas achara ele no portão hoje de manhã e quero achar alguém para cuidar dele.
– Me da ele aqui. — o bebe foi entregue a ela — Ele deve ter uns quatro ou cinco meses e não parece ser dos arredores. Tenho que falar com meus contatos para ter certeza, mas por enquanto ele pode ficar na minha casa que eu cuido dele. Você trouxe para a pessoa certa queridinha, sabe que adoro crianças.
– Minha mãe bem que falou que iria gostar de saber. Agora tenho que voltar para ajudar minha mãe lá em casa. Se achar alguém não se esqueça de me avisar, hein!
– Claro, vá lá ajudar sua mãe.
Ela volta para sua cadeira, com o bebe nas mãos. Da um leve sorriso quando o bebe agarra seu dedo indicador. Molly já tinha saído há alguns minutos, mas ainda assim ela ficava sentada ali olhando para o bebe, pensando já ter visto um rosto parecido, ou essa energia que ele emanava.
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