Horas
1 Prólogo - Neve Branca
Notas iniciais
Porque isso teve de acontecer?
Porque algo tão puro fora rompido?
O rubro em contraste com a claridade nunca mais a agradara desde aquele dia.
Não seria diferente agora.
Atualmente, estavam do lado de dentro de um armazém de madeira. Do lado de fora, todo o som que se podia ouvir era o silvo do vento e a neve pesada batendo contra obstáculos naturais. Crona tinha os lábios azulados, e dentes batendo, aconchegada nos braços do noivo, que era o único que não sofria pelas condições do resto do grupo, graças ao corpo Shinigami. Estavam todos reunidos em uma roda ao redor de uma lamparina: Crona, Kid, Liz, Patty, Soul, Maka, Tsubaki e Black*Star. Eram um grupo grande, mas todo o barulho que escutavam era o de dentes batendo e pessoas se aconchegando, lutando desesperadamente por calor.
Aquela missão veio para interromper as vidas de todos. O casamento fora anulado, pois essa missão era simplesmente urgente — uma suspeita de que um Kishin havia se formado.
O Inverno no Vilarejo de Lan foi ficando pior, cada vez mais, com o passar dos tempos.. Mas, esse ano, foi implacável. Já estava durando meses a mais que o previsto para acabar esse ano. Além disso, as ovelhas da região estavam se agitando de forma estranha, insistindo e fugir. Em uma certa noite, duas crianças desapareceram de suas casas deixando um rastro de sangue, e então a situação já era insustentável. Shinigami-sama teve que enviar o melhor grupo. Na verdade, Crona não iria participar da missão, pois Ragnarok não suportava sair de seu corpo em um frio tão intenso, mas ela foi de qualquer maneira. Além de ter o casamento anulado, ficar longe do noivo, para ela, lhe era doloroso. E Kid certamente ficaria sufocado, sem previsão para voltar, principalmente por causa da Ligação sendo concluída tão recentemente.
Todos estavam nesse vilarejo. O problema é que faltam lugares com condições de recebê-los. Casas foram arrastadas e soterradas pela neve, tamanha as tempestades. O calor não era insistente, e a comida já estava em seu fim. As situações precárias poderiam resultar na morte de vários, dos que moravam ali. Não era muito grande o vilarejo, mas mortes são mortes.
– Hora de analisarmos a situação.
A voz do filho do Shinigami soou, enquanto apertava Crona mais forte no seu abraço, vendo todos se espremendo uns nos outros, procurando por calor.
– Maka, quais informações conseguiu, pesquisando durante o dia?
– N-Não coisas muito relevantes. Soube que da Montanha ao lado do Vilarejo vem sempre uma brisa mais gélida, e que ela tem muitas histórias místicas. Também soube que a Vila tem uma espécie de guardiã... Sheba, se me lembro bem. Mas tudo é mito, crenças desse povo sem muita escolaridade. Não sei o que devemos fazer, Kid.. E-Eu estou confusa... Não sei como ajudar essa gente!
– Não pode ser um Kishin?
– Não, não existe nenhuma onda de insanidade por aqui! Sejá lá o que for que esteja causando isso, não é nada como um Kishin ou algo que possamos lidar dessa maneira.
– ... Tenho a sensação que isso não é um assunto para que nós tratemos...
– Hum? O que quer dizer, Kid?
Perguntou Liz.
– Acho que essas crenças, sejam do povo. Talvez devessêmos acreditar nelas... Precisamos de alguém mais sábio nisso. Ajuda de uma pessoa que saiba a história desse povo... Amanhã, visitaremos a Guardiã Sheba.
Crona ergueu a cabeça, pela primeira vez, parecendo sonolenta e exausta.
– Quando voltamos para casa?
Perguntou em um sussurro.
– Não sei, Crona. Realmente não sei.
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