Horas
3 C2 :: Filho
Notas iniciais
desculpem pela demora, mas se vc comparar o numero de reviews do prologo com o do primeiro capitulo, voc6e entenderá meu desespero e-e´
Bom, aqui está!
Então, o dia amanhecera devagar. Ela podia ver as sombras no quarto ficarem menores, o que indicava que o Sol estava fazendo o máximo de seu esforço hoje. Ela tinha saudade do riso animador dele, que um dia havia feito com que sentisse medo, mas hoje se sentia muito entusiasmada em relembrar.
Olhou ao seu lado.
Kid, dormindo um sono leve e com a testa franzida, dormia sem se mover, com a respiração calma, mas pouco profunda. Crona não conseguira dormir bem novamente. A tatuagem em seu braço esquerdo lhe dava medo, temia que fosse algo que Medusa havia deixado em seu corpo antes de morrer.
Noite passada Kid a tranqüilizou, disse que não havia traço algum de insanidade, onda nenhuma, saindo daquela tatuagem. Não havia com que se preocupar, e no dia seguinte ligaria para Nocturna a procura de ajuda, para que tudo fosse esclarecido.
- Crona?
Kid murmurou, afastando a franja de Crona de cima dos olhos, já prevendo que ali estariam olheiras.
- Você não dormiu, não é?
Ele questionou, com um rosto que transmitia algo como tristeza.
Crona balançou a cabeça, em negação, com um nó se formando na garganta. Antes que pudesse falar qualquer coisa, as lágrimas já escorriam pelo seu rosto. Não sabia exatamente porque chorava, mas sabia que tinha algo a ver com o medo que sentia daquele braço. Kid a abraçou, apoiando sua cabeça em seu peito e murmurando algumas palavras para que a deixasse calma.
- Relaxe. Está tudo bem, vamos cuidar disso.
- E-Eu queria que acabasse! Que tudo acabasse! U-Um pouco de paz, s-só isso!
- Vamos fazer com que passe, está bem? Mas se você ficar chorando, não vai passar mais rápido, Crona... Leve isso de maneira mais leve, estou aqui com você, vai dar tudo certo.
Crona começou a soluçar, então decidiu parar de falar qualquer coisa, seriam apenas alguns murmúrios que não podiam ser entendidos. Afinal, iria escutar Kid. Sempre deu certo, não ia mudar agora.
- Venha, temos que ir. Quanto mais cedo partimos, mais cedo voltaremos.
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- E então?
Perguntou, olhando para sua mãe com um olhar cansado. Finalmente conseguiu paz para ligar parar Death City sem ser incomodado. Crona estava ajudando Maka nos últimos preparativos para a viagem.
- Se você diz esse tipo de coisa sobre a tatuagem, acho que devo concluir que a magia de Crona amadureceu o suficiente para reagir ao ambiente, não é nada demais, considerando que existe outra bruxa nesse vilarejo.
- Sábia, mãe.
- Bruxa. Se fosse apenas uma sábia, a magia de Crona iria continuar adormecida. A mantenha longe dessa mulher. Você lembra da última vez que a magia de Crona se manifestou, não é?
Ele sentiu um arrepio na espinha, ao lembrar do que houve nas termas. Se certificaria de deixar Sheba á alguns muitos montes de neve longe de Crona.
- Bom, se é o que você instrui, não vou deixar de faze-lo.
- Pela saúde de Crona.
Murmurou a mulher.
- Pela saúde de Crona.
Concordou o filho.
- ... Aliás, quando você e Crona me darão netos?!
- Adeus, mãe.
E cortou a ligação.
- Todos prontos?
- Absolutamente. Vamos!
Maka respondeu, com uma face pálida pelo frio, mas ainda assim determinada a subir a montanha e averiguar o vento mais frio que descia de lá como um bafo gelado. Soul suspirou, odiava aquele frio. Black Star fora proibido de gritar, pois não sabiam quais as áreas onde poderia ocorrer uma avalanche. Tsubaki assumia um ar melancólico naquele frio, portanto, apenas suspirava consideravelmente.
- A partir daqui, evitemos falar o máximo possível. Não interagir com o lugar também é algo útil, não sabemos nada sobre a natureza daqui. Sendo assim, vamos.
E então, começaram a rumar para o topo da montanha.
Apenas duas horas depois, Black Star já não estava se agüentando, reclamava de tudo em sussurros. Do jeito que as pedras o incomodavam para caminhar, da quantidade de neve no chão – iaaté mais do que os joelhos – até mesmo do jeito que as nuvens cobriam o céu como um tapete. O sol nunca ficara tanto tempo sem aparecer.
Crona se agarrou ao braço de Kid, quando viu que o lugar onde iria pisar era bem mais baixo que ela pensava.
Ah, que inferno.
- Hm? O que é isso, Crona?
Kid perguntou, enquanto afastava a neve de onde seria o objetivo do pé direito de Crona. Havia sido estranhamente desgastado. Como se algo bem pesado tivesse se arrastado ou golpeado o chão.
Crona tremeu, percebendo como a pedra grossa havia sido quebrada de um jeito recente.
- Me ajudem, afastem essa neve.
Em menos de cinco minutos, uma grande parte do chão estava limpo. Estava cheio de marcas, desgastado, como se muitas pessoas tivessem passado por lá. Ou coisas. Não haviam pegadas, e sim um desgaste enorme.
- O que... Que... Estranho.
Maka murmurou.
- Parece que apontam para a montanha. Seria algo como uma sinalização?
- E-E-E-Eu não quero seguir isso!
- Hãn? Qual o problema, Crona?
- Kid... Me parece algum animal grande... Grande demais, entende? Muitos. Eu não acho seguro.
- Certo. Mas o caminho que seguem colide com o nosso. No máximo, são apenas animais perdidos. De ficar tanto na neve, já devem ter morrido.
- O-Ok...
E a viagem seguia. Logo mais alguns passos, o caminho começou a ficar estreito. Pedras começaram a atrapalhar o caminho dos ‘viajantes’, os cercando. Os sinais pararam de aparecer a essa altura, o caminho era muito estreito para o tamanho de seja lá o que poderia ter passado no trecho em que haviam estado. E então, chegaram á um lugar estranho. O caminho entrava em uma caverna. Talvez, aquilo seria o início da montanha, porque não se via fim exato para ela.
- Vamos entrar?
Tsubaki perguntou, atrás de Black Star, encolhida. Ela tinha medo desse tipo de lugares.
- Vamos.
Foi a única resposta de Black*Star.
XXX
Das paredes, escorria algo verde e viscoso. Eles já tinham entrado na caverna a algum tempo, o suficiente para perceber que, quando aquilo chegava ao chão, derretia a neve como brasa. O mais sábio era com certeza ficar longe daquilo. Seguiam em fila reta, evitando chegar perto daquela viscosidade estranha.
Logo, um barulho de arrastar vindo de cima fez com que parassem. Havia algo insistindo em entrar, e era por cima. De fora, perceberam como o teto era coberto por uma grande quantidade de neve grossa, mas não seguia uma linha reta, como o normal. Na hora, quase todos já perceberam que havia alguma coisa ali em cima.
E agora, a coisa iria botar o teto abaixo.
Com um estrondo, o teto ganhou um lindo buraco.
Crona teve certeza que era o bicho mais horrível, nojento, desprezível que tinha visto. Era como uma grande, branca, e cega cobra de Medusa. Um verme com fileiras e fileiras de dentes afiados como os de um tubarão, a cabeça balançava para qualquer lado, com a boca aberta, como se qualquer coisa viva que abocanhasse servisse. Se arrastava e debatia de um jeito desesperado e cheio de habilidade ao mesmo tempo.
Se jogou para cima de Crona, com a cabeça recuando como se fosse dar um bote. Antes que mergulhasse num ataque fatal, o corpo foi golpeado pela lâmina de Soul. O bicho recuou, mas sem ser cortado. Os tiros de Kid também não tiveram efeito. Apenas quando conseguira acertar dentro de sua boca cheia de dentes enormes e pontudos, o bicho soltou um grunhido de dor, e abriu caminho com seu enorme corpo até a saída da caverna, não muito longe a esse ponto. Deu para ouvir o barulho dele se enfiando entre a neve, mas não ver exatamente.
- O-O que foi isso?
Maka perguntou, desolada pelo golpe não ter o mínimo efeito contra aquela pele grossa.
- Sem conversa. Vamos.
Kid segurou o ombro da menina de forma até rude, e empurrou pra frente. Caso começassem a conversar, viriam mais desses vermes. Aliás... Eles não fizeram barulho. Não tocaram em nada. Como a cobra descobriu que estavam ali?
A primeira coisa que vinha em sua cabeça, era que ela podia sentir o cheiro.
Olhou ao redor. Tudo que vira, foi a gosma estranha nas paredes, como uma pele suada.
Acharam uma saída, coisa que não deveriam achar. Pelo que viram, um buraco feito recentemente em uma das paredes da parte profunda da caverna. Saia para um lugar estranhamente amplo, com uma casa grande, de dois andares no centro. Parecia uma casa muito moderna para o lugar, toda de madeira forte, como um pequeno castelo maciço.
- Eeeeh? Um lugar para descansar!
Black Star já se animou.
- Mas nós mal começamos a viagem, não estamos nem perto de-
- Exatamente! Não estamos nem perto, e já está quase de noite! Teeemos de descansar!
- Não é tão tarde, Black*Star. Devem ser apenas seis horas, cinco horas. Temos de aproveitar nosso tempo.
- Qual é, Kid! Olha só isso! A gente nunca vai achar mais uma dessas na viagem!
- Faz o que quiser, Black*Star.
O mais baixo largou mão, bufando irritado enquanto Black*Star arrastava Tsubaki para aquela casa grande e estranha.
- Kid... Eu acho que Black*Star tem razão.. Também podemos aproveitar as chances que aparecem no caminho, não é?
Maka falou, com voz mansa. Soul só suspirou, a olhando. Kid lhe lançou um olhar frio, e suspirou.
- Já disse. Façam o que quiserem, mas eu lavo minhas mãos.
Estendeu a mão para Crona, acenando com a cabeça para o lugar aconchegante. Pelo menos do lado de fora.
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- É um prazer receber visitas do vilarejo! Desde que esse tempo frio chegou, eu achei mesmo que Sheba tivesse nos amaldiçoado, para que nunca mais conseguíssemos descer até lá! Você sabe, a Montanha virou um lugar muito perigoso desde que o filho daquela velha veio para cá.
Uma mulher não tão nova, nem tão velha, sorriu a eles, enquanto servia uma sopa quenteque tinha um cheiro bom. Aquela moça chamava-se Ariel. Tinha cabelos grandes e ruivos, assim como aquela sereia do filme, mas os olhos claros como uma albina. A pele pouco morena, e uma altura bem considerável. Como havia explicado, viva naquela casa com seu marido Dante faz algum tempo, e seus conceitos de sociedade atual não agradavam ao povo do vilarejo, muito menos a implacável velha Sheba. O frio impede que ambos façam uma visita ao filho, que vive no vilarejo, mas agora, que Kid e outros haviam explicado o que houve, se sentia aliviada. Como sinal de gratidão, concordou em abrigá-los em sua casa durante uma noite, para que descansassem para o dia seguinte.
- Filho? Sheba tinha um filho?
Maka perguntou, interessada.
- Ah, sim. Ele era estranho, assim como a mãe, e tinha uns poderes estranhos. Eu agradeço que ele esteja morto.
Crona sentiu um arrepio na espinha, mas engoliu em seco.
- O que aconteceu quando ele veio?
- Ah... Você sabe. As ovelhas do povoado começaram a sumir, comida estocada também, principalmente a caça que o povo se esforçava tanto em ter. Depois que um casal de irmãos, crianças da vila, desapareceram, o povo apedrejou o menino até que fosse forçado a abandonar o vilarejo. Ele não sobreviveria na neve só com as roupas do corpo, então concluímos que ele esteja morto.
- Que estranho. Ninguém nos contou sobre isso.
- Realmente... O povo se envergonha muito do que fez. Estão todos muito arrependidos. Uma morte é um peso muito forte para se carregar... Foi um ato de fúria, sem pensar. Ainda assim, creio que Sheba nunca vá perdoar o povoado.
- Espera, você disse que a neve já estava aqui quando o menino foi expulso...
Kid interferiu, se servindo.
- Ah sim, já estava a algum tempo. Os sumiços pararam por um tempo, mas logo voltaram, com dupla freqüência. Alguns dizem que Sheba amaldiçoou o povo pelo que fizeram ao seu filho.
- Hm.
- Pelo visto, já se alimentaram... Gostariam que eu mostrasse os quartos? Nós temos só um, dos hóspedes, vago, mas podemos jogar colchões e... Bom, ninguém vai ficar sem dormir!
Ela riu, mostrando mais uma vez uma linda fileira de dentes perfeitos.
- Oye, Death. Não é melhor manter contato? Ainda não entendi porque você quer que nós deixemos eles sem falar conosco.
- Não se preocupe. Enquanto soubermos o que vai acontecer depois, não é necessário o contato. Essas crianças, todas cheias de perguntas, sede por respostas... Não podemos simplesmente dar tudo. Cada coisa a seu tempo.
- Eu, não sei de nada.
- Você vai saber. Confia em mim, não é mesmo? Estou dizendo que vai dar tudo certo.
- Bah, que seja.
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