SOPHIA

– Não gosto dela. – comentou Carie, contrai os lábios.

– É... E por quê? — Ela fitou o quadro.

– Ok, turma façam suas duplas. – disse nosso professor de biologia. Carie juntou a sua carteira com a minha.

– Ela parece não gostar de você. Nem de mim.

– Ela nem te conhece. – falei com um leve sorriso. Carie deu de ombros.

– Vou ao banheiro. – avisou. Ela se levantou e foi até o professor... Sussurrou alguma coisa e ele assentiu. Em seguida ele passou as mãos nos braços sussurrando “Que frio”. O professor passou a entregar as folhas de carteira em carteira. Quando chegou minha vez.

– Sinto muito por seus pais, Sophia. — Contrai os lábios.

– Obrigada. – respondi, sem se quer levantar os olhos. Ele me entregou a folha e deu as costas, Carie voltou.

– Olá. – cumprimentou, pegou a folha e escreveu nossos nomes.

– Bem, Soph... Qual é o tempo de vida de um espermatozóide? — Sorri.

– Essa eu sei. — Comecei a responder a prova e em quinze minutos estava gabaritada.

– Uau. Esse foi seu recorde. – deu uma pausa — Professor? – Os olhos dele percorreram toda a sala.

– Alguém me chamou? – perguntou. Eu ergui a mão.

– Traga aqui seu trabalho, Sophia. – pediu, balancei a cabeça.

– Só meu não, professor... Carie fez comigo. – corrigi. Um coro de vinte adolescentes rindo ecoou pela sala.

– Os que terminaram, já podem sair. – disse ao pegar a folha de minha mão. Eu e Carie saímos da sala quase correndo.

– Por quê? – perguntei, sentindo meu coração martelar o peito.

– Eles são idiotas... Não ligue para isso, Soph. — Respirei fundo tentando engolir o choro.

– Eu os odeio! — Ela deu de ombros.

– Eu também – disse, sorrindo — Que tal se nós jogarmos um jogo?

– Hmm... Qual?

– Fazendo perguntas. – declarou pegando um caderninho e uma caneta — Eu começo.

– Ok.

– Não pode olhar para mim.

Ela: Meu cabelo?

Eu: Preto azulado até os cotovelos. — murmurei revirando os olhos.

Ela: Olhos?

Eu: Azuis.

Ela: Cor favorita?

Eu: Vermelho. — respondi com tom de desânimo.

Ela: Número da sorte? – ela marcava no caderno.

Eu: Sete?

Ela: Um lugar?

Eu: Londres.

Ela: Um desejo? — Sorri.

Eu: Sexo.

Ela: Retardada. – revirou os olhos- Minha melhor amiga?

Eu: Eu. – declarei.

Ela: Um medo? — Pensei...

Eu: Me perder? – respondi, depois de um tempo. Ela contraiu os lábios e me abraçou.

– Eu te amo. – falou.

– Normal. – soltei uma risada.

– Idiota... – murmurou — Sua vez. — Me entregou o caderno e a caneta, sorrindo.

Eu: Meu cabelo? — Comecei assim como ela.

Ela: Feio e armado. — Dei um soco em seu braço. — Aí! É brincadeira... Comprido e castanho claro. — Marquei um ponto no caderninho.

Eu: Hm... Meus olhos. – perguntei.

Ela: Verdes. – respondeu.

Eu: Um amor. — Ela sorriu.

Ela: Eu.

Eu: Um sonho.

Ela: Ir para Londres comigo.

Eu: Não exatamente... — dei uma curta risada — Err... Meu medo. — Ela baixou os olhos.

Ela: De ficar sozinha. — Ficamos mais um tempo em silêncio. — Nunca tinha percebido que nossas vidas são tão... – começou.

– Estranhas? — assentiu.

– Soph... Prometa-me uma coisa.

– O que? – perguntei depois de uma curta pausa.

– Prometa que nunca irá me deixar. — Senti um frio na espinha.

– Eu...

– Prometa – pediu ela parando na minha frente — Por favor...

– Eu... Prometo. – sussurrei.

Assim que disse essas palavras, saiu de minha boca algo estranho parecido com milhares de agulhas e elas se enfiaram em minha coluna. Com a dor, minhas pernas amoleceram e acabei caindo de joelhos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.