Hora de voltar para casa
3 Capítulo 3
SOPHIA
– Não gosto dela. – comentou Carie, contrai os lábios.
– É... E por quê? — Ela fitou o quadro.
– Ok, turma façam suas duplas. – disse nosso professor de biologia. Carie juntou a sua carteira com a minha.
– Ela parece não gostar de você. Nem de mim.
– Ela nem te conhece. – falei com um leve sorriso. Carie deu de ombros.
– Vou ao banheiro. – avisou. Ela se levantou e foi até o professor... Sussurrou alguma coisa e ele assentiu. Em seguida ele passou as mãos nos braços sussurrando “Que frio”. O professor passou a entregar as folhas de carteira em carteira. Quando chegou minha vez.
– Sinto muito por seus pais, Sophia. — Contrai os lábios.
– Obrigada. – respondi, sem se quer levantar os olhos. Ele me entregou a folha e deu as costas, Carie voltou.
– Olá. – cumprimentou, pegou a folha e escreveu nossos nomes.
– Bem, Soph... Qual é o tempo de vida de um espermatozóide? — Sorri.
– Essa eu sei. — Comecei a responder a prova e em quinze minutos estava gabaritada.
– Uau. Esse foi seu recorde. – deu uma pausa — Professor? – Os olhos dele percorreram toda a sala.
– Alguém me chamou? – perguntou. Eu ergui a mão.
– Traga aqui seu trabalho, Sophia. – pediu, balancei a cabeça.
– Só meu não, professor... Carie fez comigo. – corrigi. Um coro de vinte adolescentes rindo ecoou pela sala.
– Os que terminaram, já podem sair. – disse ao pegar a folha de minha mão. Eu e Carie saímos da sala quase correndo.
– Por quê? – perguntei, sentindo meu coração martelar o peito.
– Eles são idiotas... Não ligue para isso, Soph. — Respirei fundo tentando engolir o choro.
– Eu os odeio! — Ela deu de ombros.
– Eu também – disse, sorrindo — Que tal se nós jogarmos um jogo?
– Hmm... Qual?
– Fazendo perguntas. – declarou pegando um caderninho e uma caneta — Eu começo.
– Ok.
– Não pode olhar para mim.
Ela: Meu cabelo?
Eu: Preto azulado até os cotovelos. — murmurei revirando os olhos.
Ela: Olhos?
Eu: Azuis.
Ela: Cor favorita?
Eu: Vermelho. — respondi com tom de desânimo.
Ela: Número da sorte? – ela marcava no caderno.
Eu: Sete?
Ela: Um lugar?
Eu: Londres.
Ela: Um desejo? — Sorri.
Eu: Sexo.
Ela: Retardada. – revirou os olhos- Minha melhor amiga?
Eu: Eu. – declarei.
Ela: Um medo? — Pensei...
Eu: Me perder? – respondi, depois de um tempo. Ela contraiu os lábios e me abraçou.
– Eu te amo. – falou.
– Normal. – soltei uma risada.
– Idiota... – murmurou — Sua vez. — Me entregou o caderno e a caneta, sorrindo.
Eu: Meu cabelo? — Comecei assim como ela.
Ela: Feio e armado. — Dei um soco em seu braço. — Aí! É brincadeira... Comprido e castanho claro. — Marquei um ponto no caderninho.
Eu: Hm... Meus olhos. – perguntei.
Ela: Verdes. – respondeu.
Eu: Um amor. — Ela sorriu.
Ela: Eu.
Eu: Um sonho.
Ela: Ir para Londres comigo.
Eu: Não exatamente... — dei uma curta risada — Err... Meu medo. — Ela baixou os olhos.
Ela: De ficar sozinha. — Ficamos mais um tempo em silêncio. — Nunca tinha percebido que nossas vidas são tão... – começou.
– Estranhas? — assentiu.
– Soph... Prometa-me uma coisa.
– O que? – perguntei depois de uma curta pausa.
– Prometa que nunca irá me deixar. — Senti um frio na espinha.
– Eu...
– Prometa – pediu ela parando na minha frente — Por favor...
– Eu... Prometo. – sussurrei.
Assim que disse essas palavras, saiu de minha boca algo estranho parecido com milhares de agulhas e elas se enfiaram em minha coluna. Com a dor, minhas pernas amoleceram e acabei caindo de joelhos.
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