Hopeless
1 Am I dreaming?
“Eu preciso me apressar, chegar ao Hospital, olhá-lo nos olhos e só então poderei dizer o quanto... Eu o amo!”
Diria que passaram-se uns 3 anos para nossa personagem principal. Depois de seu ataque no hospital, infelizmente, ela não alcançou o seu desejo de declarar-se. Isso não é bom, claro, e o pior de tudo?
Ela mudou-se. De escola, de cidade, de vida.
Teve que deixar tudo para trás.
Eu, simplória narradora, irei lhes contar a história, diria trágica, de Takane Enomoto e seu amor.
Estava num daqueles dias quentes, desagradáveis e que deixaria qualquer um de mau-humor. Principalmente Enomoto, e ainda mais se ela tivesse um trabalho complexo da faculdade para entregar. Em três dias. Sim, ela pegou aquela mania desconfortável de deixar tudo para última hora, talvez fosse por esse e outros motivos que agora ela corria para fazê-lo em seu pequeno e cúbico quarto.
- Mas que droga, porque isso tinha que acontecer? – Culpava qualquer coisa para não ter tanto peso na consciência, ela já era quase uma veterana na escola e com o tempo foi-se tornando um tanto quanto esperta, inteligente. Mas não foi o suficiente para que diminuísse a gravidade de sua doença, que ainda a atrapalhava um pouco com os estudos e trabalho.
Pra lhes dizer a verdade eu não acho que o trabalho dela combine com a mesma, mas ser garçonete era temporário (?). Somente para ajudar com as despesas da faculdade, mas, como um costume e característica forte, ela ainda reclamava. E muito. Mas ela sabia que era necessário, e obviamente não abandonava o emprego.
Em outro lugar, outra cidade, está uma esquecida paixão chamada Haruka. Por sua doença o debilitar tanto ele somente estuda, Artes? Bem, ele era um jovem que gostava de desenhar. E como um bom amante de desenhos, e por algum motivo de jogos, lá estava ele. O último a sair da classe por estar terminando o quanto antes seu trabalho. Um ponto bastante forte em Haruka. Talvez por... Bem, poucos possuem essa capacidade, e é ainda mais impressionante levando em consideração seu ‘estado’ não saudável.
E como sempre, despreocupado e reservado. Inteligente, pessoas o vulgam como o melhor da turma. É estranho, para ambos, que sempre estudaram em uma sala especial. Haruka, Takane e o Sensei. E mesmo que nossa personagem principal não admitisse, esta diferença lhe fazia falta.
E onde a história começa? No final, é claro.
Claro? Não exatamente a história, mas a emoção (em minha humilde opinião) começa no final. Mas não sou de deixar buracos, então será uma história completa, isso lhes garanto.
E naquele mesmo dia quente, Enomoto, estava sendo chantageada e amolada por seus colegas quando chegou na escola. Porque? Uma viagem de final de ano com a sua turma para a cidade vizinha. Não era empolgante, divertido, para falar a verdade seria um saco, para ela. Já conhecia a cidade, não teria nada de novo e talvez aquelas memórias iriam lhe voltar a mente. Mas seus pais disseram que seria uma boa experiência, e que isso faria com que ela aumentasse seu laço com os colegas. Mesmo que com aquela expressão fria e cheia de desprezo que ela possuía. Talvez desse certo, já que na área em que trabalhava todos tinham – não tão acentuada como a dela – a mesma “cara”.
Não chegou o dia e ela já reclamava com a sua ‘turminha’, todos lhe diziam para não ser tão resmungona nem pessimista. Isso funcionava, mas de momento, como bem sabemos ela é uma pessoa difícil de lidar se não tiver os métodos corretos.
- Eu já conheço aquele lugar! Já sou uma adulta, posso muito bem decidir onde quero ir e quando, porque raios eles tinham que vir aqui e pagar a viagem? – Suspirou não se dando por satisfeita. – Mas que droga!
- Vamos lá, Takane-san, será divertido! Soube que alguns lugares lá foram reformados e todo mudados! – Disse o colega “estusiasmo” do grupo.
- Eu também já estive lá, mas mesmo assim era um bom lugar. Estou um tanto quanto ansioso para voltar. – Retrucou o outro, já um pouco mais sério, se quisesse dar algum motivo para ela mudar de ideia, foi totalmente falho.
- Takane! Já disse para se animar e parar de resmungar! Lá tem lugares novos... – Aquela garota era a... Hm... Melhor amiga da mau-humorada. Começou com raiva, mas teve um olhar umas três vezes pior então abaixou o tom e choramingou insistindo para que fosse com ela. — ... Takane, por favor. Vamos. Não precisa ir para se divertir, vá por mim!
Testes emocionais não funcionavam nem um pouco com Takane, talvez aquilo fosse para que ela não desistisse da vaga ou toda a turma teria de desistir também. Mesmo que ela fosse odiada pelo resto de seus anos ali, ela não se importava. Mas insistiram.
Ela disse que pensaria no caso.
Ela não pensou.
Chegou em casa exausta, o dia anterior e aquele haviam sido destrutivos para nossa pequenina que não pensou duas vezes em se jogar na cama e suspirar. Tomaria banho depois, trocaria de roupa depois. Tudo o que precisava naquele momento era um descanço.
“{...} Você está com medo! Você está sendo covarde.
Correndo? Porque eu estava correndo mesmo? Porque queria tanto ir para aquele hospital? Lágrimas? Porque? Eu estava mesmo chorando?
Eu te amo... Ha- Quem é Haruka? E porque... Está tudo tão escuro?”
- ... Mas que droga de sonho foi esse? – Acordou um tanto assustada batendo no rosto algumas vezes. – Eu não me esqueci de quem é ele, que porcaria foi essa?
Questionava-se frustrada, mas julgou-o somente como um sonho estúpido e mal formado. E aquilo seria mais um motivo para desistir da viagem, ou o único para querer realizá-la. Fez o que antes fora prometido, indo tomar um longo banho e colocar as roupas de dormir. Seu sono havia sido curto graças ao sonho, mas não se importou. Estava tarde, de qualquer forma. Só colocou qualquer coisa, que encontrou na cozinha, para dentro da barriga e foi dormir. No dia seguinte poderia dizer que todos estavam quase beijando seus pés, recebeu mil e um “Obrigado!!” e mais mil e um beijo e olhares chorosos de emoção. Aquelas pessoas realmente sabiam que se Takane não quisesse, então ela não faria. Mas algo, naquela vontade, havia mudado. Ela não parecia triste, incomodada, nem estar sendo forçada a nada. Estava esperançosa, e isso era não notável para os outros que ainda a agradeciam profundamente. A cena chegou a ser cômica.
A viagem ainda estava á 1 semana de sua realização, mas todos estavam ansiosos, especialmente Takane. Talvez algo lhe houvesse revivido, uma saudade, um vontade, uma paixão. Ela se perguntava porque sonhou com aquilo, haviam se passado 3 anos. Acreditava que tinha superado algo tão forte quanto seu inocente amor. Ninguém diria que algo tão puro como aquilo seria esquecido e deixado para trás nem em cem anos. Mas nós temos conosco uma personagem teimosa e orgulhosa. Nossa jovenzinha ainda se culpava pelo ocorrido de anos atrás, algumas imagens ainda lhe vinham a mente em forma de sonhos sobre aquele dia. Era algo triste, algo incompleto. Takane estava incompleta, e só descobriria isso tarde demais.
“- Haruka... Eu queria ter lhe dito o quanto eu te amava, o quanto eu queria ter cuidado de você. – Engoliu parte do choro que já lhe escorria pelos olhos e os soluços que lhe travavam a garganta. – Queria ter cuidado de você mesmo que fosse por pouco tempo, mas mais uma vez eu fui egoísta. Fui culpada, te deixei sozinho mesmo depois do final.”
Passou-se a semana e todos estavam em frente a escola esperando o ônibus, que parecia atrasado dando a nossa amiga ruiva algumas rugas e fios de cabelo brancos. É, aquela mesma amiga que tentou errôneamente conseguir que Takane fizesse a viagem. Estava ao prântos, que revezava-se com a ira. Takane estava quase indo dar-lhe uns cascudos e os outros colegas estavam pingando de sono. Todos acordaram bem cedo para chegarem ao hotel, pensão, qualquercoisaassim, ainda de manhã. Daria para se acomodarem e ainda dar uma voltinha na cidade antes de voltar para o almoço. E assim foi feito, chegaram lá entre as 9hrs e todos pareciam um pouco alvoroçados, mas logo se acalmaram cada um indo para seus respectivos quartos. Alguns aproveitaram para tirar uns minutinhos merecidos de sono em uma confortável cama, outros preferiram comer, mas Takane, impressionantemente, escolheu andar pelo antigo lar.
Parou em uma lanchonete por ali perto e comeu algo para ‘despertar os ânimos’ e partiu para sua aventura. Passou em uma praça que adorava ir, passou pela frente da antiga casa até chegar na antiga escola. Parada, olhando o lugar e escondendo, do frio, as mãos nos bolsos. O corpo coberto, pensava em como o Japão era um país de clima bipolar. Em meros 3 dias já havia virado de calor infernal para frio gritante. Decidiu que já estava na hora de voltar e se aquecer antes que pegasse um resfriado. Não seria bom, claro, passar os últimos 5 dias espirrando e debaixo das cobertas.
Aquele foi um momento de apertar o peito de qualquer um, uma surpresa inesperada. Feliz, talvez. Quem imaginaria que Haruka estaria parado ao lado dela com aquele mesmo sorriso idiota do passado? No rosto de Takane qualquer um notaria facilmente uma mistura de aflição com asiedade. Realmente não deve ser agradável topar com seu ‘antigo amor’ em frente a escola onde tudo, basicamente, aconteceu. Ouvia-se seu berro de longe, em seguida a risada do outro. Tentava gaguejar algo, mas o frio e o susto não ajudavam nem um pouco.
- Ei, não fique tão surpresa. Eu senti sua falta, Takane-san. Foi tão solitário de você por aqui. – Haruka possuía um olhar deprimido, mas com aquele meio sorriso era quase inotavel. Depois das tentativas falhas de falar, Takane desistiu puxando forte o ar, que lhe fora todo arrancado com o abraço que recebeu. Sem muitas alternativas, tudo o que fez foi retribuir deixando-se aquecer naquele momento que por muito tempo sonhou. Desejou. Se não fosse tão orgulhosa talvez tivesse derramado algumas lágrimas, mas o sentimento de felicidade vindo do outro era muito maior.
- ... Você é idiota? Agarrando os outros assim, vão achar que é um tarado. – Brincou com o ‘idiota-tarado’ quando foi solta, mesmo que nenhum desejasse aquilo. Depois de tanto tempo sem se verem, era quase claro que decidiram ir para algum lugar, reservado à pedido de Haruka. Um pequeno café que tinha por ali perto, quase vazio por sinal. Takane pediu uma bebida quente, Haruka recusou, disse ter comido recentemente. Fez com que a garota se sentisse levemente assustada, ao que se lembrasse ele era comilão, mas não questionou. Continuaram conversando naquele canto da pequena loja até que recebesse uma ligação incômoda dos colegas perguntando onde ela estava.
- Onde raios você está? – Perguntou alguém meio desesperado, mas foi quase impossível de ouvir com os outros choramingando e fazendo um alvoroço do outro lado da linha. Nossa delicada Enomoto pediu para que se acalmassem e calassem a boca, que já estava voltando. Desligou o telefone nervosa, como de costume, voltando novamente sua atenção para a companhia.
- Então você fez amigos, Takane-san? Isso é ótimo! – Haruka disse com seu jeito entusiasmado e inocente, com um estampado sorriso no rosto. Apesar de tudo a garota ainda se sentia incomodada perto dele, sabendo sobre seu quase-amor-esquecido. Sua recusa era notável, assim como seu rosto vermelho.
- É, eu fiz alguns. – Sorriu de volta. – Bem, agora tenho que ir, Haruka. Nos vemos amanhã de novo? – Perguntou inconscientemente, dando uma levantada brusca da cadeira. Deu-se conta do que havia dito, aposto que sentiu o rosto queimar mais ainda. Não parecia se incomodar com a pergunta em si, mas estava receosa com a resposta que teria e até sentiu-se idiota quando a obteve, e mesmo assim não conteve mais um sorriso. “Sim” foi o que lhe fora dito antes de voltar para o hotel. Sua caminhada foi lenta, e passou-a toda pensando nos momentos anteriores. Eles ainda não tinham colocado a conversa em dia, por isso ainda marcariam encontros antes de sua partida.
Passaram-se três dias e eles ainda se encontravam, no mesmo horário, no mesmo lugar. Estavam juntando os cacos de seus corações partidos, de um passado incompleto. Suas conversas eram sempre cheias de animação, com trocas de sorrisos e olhares. Talvez eles tenham percebido, mas não se importaram. Até porque ambos se desejavam secretamente, mas não queriam estragar aquele momento com declarações baratas e tentativas falhas disso. Uma ideia que lhes pareceu boa foi passar o resto do dia juntos, andando para lá e para cá sempre rindo, mesmo que não se encarassem com coragem e atraíssem olhares cheios de estranheza, talvez por estarem rindo um pouco em tom elevado. Quem sabe.
Chegou a noite e naquele breu da praça encontravam-se o casal e pombinhos ainda conversando.
- Bem, Haruka... – A garota baixou o olhar, um pouco receosa, se mexia para tentar aliviar o nervosismo, tornando o banco um espaço pequeno. – Preciso ir agora, então...
Qualquer um que olhasse o rosto de Haruka notaria uma certa curiosidade, e junto a isso um sorriso bobo e inocente. Mesmo depois de tanto tempo ele ainda era uma alma infantil em um corpo adulto. Mas era isso que Takane gostava nele, então jamais reclamaria verdadeiramente.
- Tudo bem, Takane-san. – Ergueu a mão tocando-lhe o topo da cabeça em um gesto carinhoso, em seguida um beijo em sua testa. Aquele ato fez com que a principal quase pegasse fogo, seu rosto esquentou e vemelhidou. E mais uma vez Haruka dava uma risadinha das reações da outra, mesmo que ela reclamasse com ele.
- B-baka, do que está rindo? – Perguntou irada, juntando as sobrancelhas e o olhando raivosamente, e, claro, causando um certo medo no outro. Se sentiu arrependida ao ver aquele par de olhos se afastar de si sentindo a própria face relaxar. Já estava meio de pé quando tocou o rosto do outro com as mãos. – Bem... Você me deu algo de despedida, então.. T-te darei algo também, certo...? – Engoliu a seco, aquilo desceu arranhando a garganta. Mas de forma alguma deixou que seu medo a impedisse de se aproximar de Haruka com a intenção de um beijo puro. Ele a olhava um tanto surpreso, mas sem nenhuma reação a não ser de susto quando a música do celular alheio tocou. Tocou alto, quebrando todalmente o silêncio da praça.
Takane se afastou de imediato dando um pulo para trás. Não sabia o que fazer, se atendia o celular, se xingava o mesmo por tocar naquele momento, ou se desse explicações para Haruka. Ambos se desculparam fervosamente com seus rostos vermelhos e os corpos um pouco trêmulos, mas acabaram por sair correndo em direções diferentes. Nessa corrida Enomoto pegou o celular e o atendeu com uma voz meio chorosa, talvez pela vergonha. Resmungou qualquer coisa e o desligou, fazendo o trajeto para o hotel novamente.
Aquele final de dia foi cansativo e constrangedor, ela caminhou o dia todo e no final não conseguiu, de novo, falar o que queria. Ela já tivera percebido que seu amor nunca diminuiu, mas poderia dizer que naqueles poucos dias com Haruka ele aumentou. Aumentou de forma que não coubesse mais no peito, que o fizesse queimar e quase derreter, como se fosse ir embora por qualquer ralo que houvesse por perto.
Suspirava debaixo do chuveiro com a água quente escorrendo por sua cabeça, costas e peito até alcaçarem o pé. Tinha uma expressão triste, talvez um pouco alíviada, mas ainda se sentia envergonhada pela que antes aconteceu. Vestiu-se e foi para a cama onde deitou e dormiu até de manhã.
Passou algum tempo só pensando se deveria ir para o local do encontro ou se continuava lá, para que preparasse as coisas para ir embora no dia seguinte. Poderia partir sem se despedir? De novo? Ela não sabia, mas acabou por decidir ir. De noite, claro. Ela ainda não se sentia pronta para voltar e vê-lo. Sequer sabia se ele estaria lá no final do dia, mas também não pensaria nisso. Estaria sendo covarde? Ela também não queria pensar, e se quer saber creio que ele também não quisesse saber. Ela sabia que novamente estaria sendo egoísta, egocêntrica, mas como poderia lidar com algo como aquilo? Mesmo já se julgando adulta, seu coração era mais fraco quando tratava-se de Haruka.
Enfim chegou a hora de ir, passou deitada com seus fones de ouvido e alguns salgadinhos. Ela não era a melhor em lidar com situações assim.
Não muito longe do local ela vê um rosto conhecido. Seria... Sensei? É, só ele teria algo tão estranho debaixo dos braços. Outro espécime raro? Uma boa resposta.
- Sensei! – Gritou de longe puxando o par de olhos meio cegos para si, acenou e correu em direção a ele com um grande sorriso, que lhe fora retribuído ao ser reconhecida. – Sensei... Quanto tempo, não? Hehe – Falou com grande entusiamo e até arfando de leve pela corrida.
- Heh? Enomoto Takane?! Você está mesmo grande, como tem passado? – Já virado completamente para ela fez questão de aproximar-se mais. – Como tem estado sua doença...?
- Ah, tenho estado bem, Sensei. Obrigada. – Surpreendeu-se um pouco com a pergunta, mas sorriu mais e respondeu-o. – Mm, ela não tem dado mais sinais de estar 'ativa'. Mas ainda continuo com os remédios, sabe?
- Isso é bom, Takane-san! E... – Começou animado, mas seu tom mudou um pouco de modo com que a tensão no ar aumentasse. Não aguentando sensei abaixou e desviou o olhar para qualquer coisa, tornando a falar. – Sinto muito... Por ele...
- Hm? Ele quem, Sensei? – Conseguia notar sua expressão confusa, Takane já se perdeu em meio a conversa e pensamentos.
- Você não veio aqui pelo Haruka?
- ... E-EEH?? Não exatamente, é uma viagem com a escola! Escola! – Falou entre gaguejos já com as maçãs vermelhas novamente.
- Então você não soube? – Voltou a fitar a ex-aluna, talvez mais sem jeito ainda para falar. – Ele... Haruka morreu há uma semana, Takane... Sua doença...
Aquelas palavras. Enomoto não as entendia. Morrer? Ela havia estado com ele por aqueles três dias, e agora iriam se encontrar de novo. Takane julgou-o louco, a princípio, mas assim que ele a ofertou uma visita ao túmulo ela simplesmente não conseguiu conter a aceitação. Mesmo que sua mente gritasse por não, dizendo-lhe que não queria saber da verdade, seu corpo seguia o mais velho até o local.
Podemos dizer que suas lágrimas já escorreram pelo rosto assim que pisou na terra fria do lugar. Uma aparência escura, morta. Mesmo que totalmente cobertos, podiam sentir o frio do chão passar por seus pés até a cabeça e neste mesmo momento takane agarrou os próprios braços já não conseguindo ler direito o nome do colega na sepultura. Seus olhos marejados pediam por descanço e seus joelhos alcançaram o chão. Não segurou alguns soluços e gritos que corriam de sua garganta para fora, estava desolada. Não acreditava que o que havia vivido naqueles poucos dias com Haruka foram apenas... Ilusões, em sua cabeça.
Talvez Haruka quisesse mostrar-lhe, mesmo depois de sua morte, que amava Takane. Aquela mesma Takane de três anos atrás, aquela egoísta e teimosa. Aquela mesma, que podia ter seu lado amável e surpreendente. Talvez ele nunca a culpou por nada, nunca carregou raiva dela. Mas sim amor e admiração. E mesmo que em três meros dias, teve certeza de que era isso que Haruka havia lhe dito.
- Takane-san... Temos que ir... – Murmurou o velho ao lado que continha fortemente as lágrimas e a tristeza que lhe apunhalava o peito. Em forma de consolo deixou uma mão pousada no ombro alheio transferindo um pouco de segurança para a outra.
Passou mais alguns minutos ali, somente chorando e se desculpando com a pedra polida. Fora obrigada a voltar para o hotel, mas antes secou o rosto para que não parecesse tão suspeita e tampouco que havia chorado. Despediu-se do antigo professor e partiu em silêncio, e assim continuou até que o dia clareasse.
Acordou, surpreendentemente, mais cedo que alguns e retornou ao local onde havia estado na noite passada. A marca circular de seus joelhos ainda se encontravam marcadas na terra em frente ao túmulo. Ainda lhe doía, ainda ardia. Não queria acreditar que em anos de felicidade para ela, poderiam ter sido de sofrimento para seu quase amante. Não queria acreditar que o tinha abandonado novamente, que ele havia partido e ela não tivera a chance de declarar seu amor para ele, no qual escondeu por tanto tempo.
- Haruka... Eu queria ter lhe dito o quanto eu te amava, o quanto eu queria ter cuidado de você. – Engoliu parte do choro que já lhe escorria pelos olhos e os soluços que lhe travavam a garganta. – Queria ter cuidado de você mesmo que fosse por pouco tempo, mas mais uma vez eu fui egoísta. Fui culpada, te deixei sozinho mesmo depois do final.
E assim a garota partiu, com lágrimas nos olhos e um buraco, não visto por qualquer um, no peito. Seu coração chorava e se mutilava, estava novamente em pedaços, mas não ousou se culpar tanto quanto antes. Trairia as crenças de Haruka, e tudo o que menos queria era feri-lo novamente.
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