Hope: O Retorno de Urano - INTERATIVA
38 Capítulo 37 – Fuga
Notas iniciais
P.O.V. Derek Barllon
Eu ajeitei minha gravata bege em frente ao espelho. Já estava na hora da entrevista com o Jornal do Hefesto. Além de ser publicada no site, ela também seria filmada pela TV Hefesto e passaria em todos os locais olimpianos imagináveis. Então eu tinha que estar apresentável. Batidas leves na porta me tiraram a atenção, e eu vou logo atender. Assim que a abro, dou de cara com Louise, em seu vestido leve e meio rodado.
– Você está bonita. – elogio e ela sorri de canto, sem muita vontade.
– Tia Anastácia pediu para lhe apressar, a equipe já chegou e o cenário já está todo montado lá no pátio. – ela informa, e se vira para ir. Mas eu a seguro pelo cotovelo, a impedindo.
– Você está bem Loui? – pergunto preocupado. Era estranho ver minha prima cabisbaixa, sendo que ela sempre fora tão cheia de vida. A única vez que eu a vira assim foi quando seu pai faleceu. Mas agora ela está assim desde que Christian sumiu, e nem ao menos voltou a melhorar quando Christian voltou.
Ela me olhou e nesse seu olhar eu pude ter a certeza de que algo a incomodava.
– Você não notou nada estranho com Christian, digo, depois que ele reapareceu? – ela pergunta, mordendo o lábio desconfortável.
Eu penso a respeito disso. Desde que ele voltou ele parece normal. Animado, simpático e ainda responsável como guarda. Mas...
– Ele anda meio distante de você. Como se lhe evitasse. – falo assim que percebo. – Tem algo de errado nisso.
– É o que eu penso. – ela confessa, mas abana a cabeça como para espantar os pensamentos. – Estamos atrasados. Vamos descer logo.
Concordo e desço junto com ela para a entrevista.
P.O.V. Angelline Gryffiworld
Eu já estava cansada dessa prisão. Cansada de não ver a luz do sol. Gora entendia um pouco do que minha mãe passa com Hades. Viver em um ambiente escuro não é nada agradável. Eu queria sair. Eu precisava sair. Mas como?
Foi o que mais pensei nesses dias trancafiada nessa cela. Até que o acaso me deu uma grande ideia.
A cela bloqueava meus poderes de filha de Perséfone. Mas minha bênçãos de Eris?
Me aproximei da porta da cela, onde um guarda sempre ficava de sentinela.
– Já está na hora da troca de turnos, não é? – falo de uma forma maldosa.
– Não é da sua conta. Fique quieta. – ele responde frio. Odiava pessoas que me tratavam assim. E esse ódio apenas aumentou meu poder.
– Você não devia ficar cobrindo hora de alguém que não trabalha. Ah, isso é tão injusto.
Eu conseguia sentir a respiração dele ficando pesada. Conseguia sentir a adrenalina que corria por ele. Eu estava quase lá.
– Sabe, você sempre cumpre suas obrigações. Eu vejo o quanto trabalha, mas nunca recebe nenhuma grande gratificação. Sabe, eu andei ouvindo que o outro guarda vai ganhar uma promoção. Você vai deixar isso acontecer? – falei e ele bufou, me olhando de forma raivosa. Eu sorri de canto, esperando o show começar.
Alguns minutos depois o guarda chegou pra trocar de turno.
– Cara, desculpe aí. O Rei pediu para mim cobrir a segurança da entrevista de hoje. – o guarda falou.
– Você deve ter adorado, não é? Mais uma oportunidade de mostrar para o rei o quanto bom você é? – fiquei impressionada com o meu trabalho. Ele estava mais raivoso do que eu pensei.
– Do que você está falando?
– Você sabe muito bem. Não se faça de desentendido!
– Cara, eu vou levar na boa. Você deve estar cansado, então me passa as chaves e vai dormir.
Eu odiava o tipo de pessoa que não se ofendia. Dificultava meu trabalho.
– Ele está te ignorando completamente. Você não vê o quanto ele está rindo de você? – disse, numa cartada final.
– Não dê ouvidos a ela. – o guarda bonzinho advertiu.
– Não vou dar ouvidos a você.
– Me dê as chaves.
– Não.
Foi rápido. O guarda 1 pulou em cima do bonzinho e os dois estavam numa briga feia. E como eu planejei, não perceberam a chave cair. Peguei a vara que fiz com a minha tiara, que felizmente era flexível, e puxei a chave para perto de mim. Era incrível que eles estavam tão concentrados na briga que não perceberam eu abrir a cela e escapar. Fora da cela eu usei meus poderes de Perséfone e fiz eles adormecerem com uma erva especial.
Sai escondida, me ocultando nas sombras como uma vez aprendi a fazer.
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