Hope: O Retorno de Urano - INTERATIVA
28 Capítulo 27 - Brincado de lutar ironia no ar
Notas iniciais
P.O.V. Derek Peter Barllon
Os monstros começaram a adentrar o Salão, seus olhos varrendo cada canto. Era esquisito eles ficarem só observando.
– Derek! Pega! – Christian me entregou uma espada. Ela era bem pesada e difícil de manusear, tinha o cabo de couro simples e logo reconheci que o material que ela fora feita era ouro imperial.
– Você sabe manusear, não é?
– Claro. – bem, eu tinha tido aulas de esgrima, mas nunca fora muito bom. E o fato de se tratar de um metal romano não ajudava muito. Mas também ele não precisava saber disso...
– Certo, tente retarda-los. Mas acima de tudo, mantenha-se em segurança! – e com isso Christian partiu junto com Louise, rumo a um monstro que atacava a mesa de doces.
Olhei para os lados, os monstros estavam em um número de vinte ou trinta, era difícil contar para ter certeza. Mas sabia que havia mais do lado de fora do salão. Quantos será que havia por todo o palácio? Me concentrei em tudo ao redor. Retarda-los... certo.
Corri para um dos monstros que estava num canto próximo à entrada. Mas quando o atingi com a espada, tive uma grande surpresa. Ele não era nem ferido pela espada. Ela passava por ele como se o monstro fosse apenas névoa. Mas como?
Não tive muito tempo para pensar, quando o monstro se virou para mim, e não posso dizer que sua cara era das mais felizes. Os olhos brilhantes dele literalmente queimavam de raiva. Era como fogo, que me mantinha hipnotizado, mas ardia quanto mais se chegasse perto. E eu realmente sentia meu corpo inteiro como se tivesse em chamas.
Até que o monstro parou de me olhar, e percebi que foi porque algo atingiu seu olho esquerdo. Uma grande... uva? Olhei para o lado e vi Jéssica.
– Sugiro que corra antes que ele recobre a visão. – ela diz com aquele sorriso divertido. Como ela consegue sorrir numa situação dessas?!
– Vamos. – pego a mão dela e passamos por várias pessoas. – Vou te levar até um guarda para te guiar até um esconderijo.
– Nada disso querido. Se você pode ficar e lutar, por que eu não? Além do mais, te livrei daquele monstrinho lá. – ela fala descontraída. Ao menos tinha um bom argumento...
– Certo, você tem razão.
– Me diga quando não tenho. – ela diz rindo e indo para um outro monstro. Acabei por sorrir também. Mas o caos voltou novamente.
Avistei dessa vez Lyna, que tentava acabar com um monstro arremessando esferas multicolores. O monstro não morria, mas se afastava.
– Pelo visto não precisa de ajuda. – falo quando chego ao lado dela.
– Não esperava que eu fizesse o tipo donzela né? – ela pergunta com uma sobrancelha arqueada.
– Nem de longe. – rimos e partimos para mais outro monstro.
Era uma coisa estranha eles não morreram. Mais estranho ainda foi que depois de um bom tempo, eles começaram a se auto retirar. Era como se tivessem se cansado da brincadeira e decidissem sair. Ótimo, ao menos não ficaram aqui até matar o último de nós.
Com toda certeza fizeram estragos lá fora... Mas o que mais deixava todos confusos era o porquê do ataque. Por que eles recuaram? O que vieram fazer aqui?
P.O.V. Nicholas Alexander Ellionder
Depois que percebi que as selecionadas não tinham a menor intenção de fugir da luta, eu desisti de tentar leva-las para um abrigo seguro. Os monstros dentro do salão estavam sendo muito bem apartados, então tratei de sair e dar uma olhada pelo restante do palácio.
Estava tudo um belo desastre. Quadros estavam fora do lugar, enfeites quebrados. Através de uma janela pude notar que praticamente todas as abóboras que estavam no pátio foram destruídas, provavelmente pela alvejada de monstros que entrou pisando nela. Nem pra ter educação eles servem...
O vento entrava em torrentes pelo lugar, deixando um calafrio pela minha espinha. Não, não estava com medo. Sinceramente, nunca senti medo de nada. Minha mãe dizia que era impossível nunca temermos algo na vida. Ás vezes acontece apenas que a coragem supera o medo, ela dizia. O que sempre me fazia pensar se algum dia eu descobriria algum medo.
Ouço um barulho de passos e sussurros de protesto vindo do outro lado da sala que estava. Paro atrás da porta que dava para o lugar de onde vinha esses barulhos, e apuro os ouvidos. É difícil escutar o que se passa, mas consigo entender algo.
– Ele realmente não podia ter um pouco mais de paciência?! – uma voz feminina e estranhamente familiar falou.
– Você não acha que ele já esperou demais? Realmente, se fosse eu, já teria encontrado essa caixa há tempos! – um rapaz fala egocêntrico.
– Ah claro, com essa cabeça de vento você acharia mesmo. – a garota transborda sarcasmo, e cada vez mais a voz lhe soa familiar. – Nem que ela tivesse na sua cara você conseguiria encontrá-la Hobbie.
– Ao menos você teve sua chance. Não poderia esperar que o chefe lhe desse todo o tempo do mundo, Anjo. – ele falou a última palavra com ironia. – Você entrou aqui com um único objetivo: encontrar a maldita caixa! Nem isso conseguiu fazer...
O cara não completou o que dizia. Não sei por que, mas logo ouvi um barulho de vidros quebrando e logo após era como se alguém estivesse sendo sufocado. Não pude esperar mais muito tempo, abri as portas e adentrei a sala. Fiquei em choque.
Cabos de ervas grossas saiam das duas janelas centrais, eles estavam torcidos e iam em direção ao pescoço de um guarda, sufocando-o. Olhei para o outro lado e segurei a surpresa. Os cabelos castanhos eram mais familiares do que da última vez que os vira e o porte elegante e alto da garota era inconfundível. Eu fiquei paralisado, o sentimento de traição ardendo cada vez mais forte.
O choque brilhou naqueles mesmos olhos a que sempre achei misteriosos, e percebi as ervas desenrolando o pescoço do guarda e voltando para o lado de fora das janelas.
– Você... o que você está fazendo? – nunca precisei de muito tempo para me recobrar de surpresas.
– Nicholas, esse guarda estava me atacando. Ele é um traidor! – ela apontava para o guarda que jazia no chão, se recuperando da perda do ar.
– E-eu... ela está... mentindo! – ele arfava.– Ela... ela que é a traidora.
– Não acredite nele. – a garota fala momentaneamente.
Estava calmo. Por que me estressaria? Tinha certeza do que tinha ouvido. Ela estava aqui como uma espiã. Uma traidora. O guarda não passava de um comparsa.
– Realmente, você acha que sou bobo? Eu ouvi tudo o que falaram. Por favor, ao menos tenha a dignidade de assumir a verdade. – falo diretamente para ela.
– Tudo bem... – ela agora tinha um olhar frio. – Eu estava cansada de toda essa palhaçada mesmo.
– Ótimo, então que tal começar a me explicar o porquê de tudo isso?
– Por que não nos divertimos um pouco, príncipe?
Ouvi um barulho de mais vidro quebrando, e me virei bem na hora em que mais grossas ervas vinham em minha direção. Recuei para o lado, mas elas me seguiram. Então levantei a espada e cortei-as no meio.
– Você pensa mesmo que ia me entregar fácil? Eu não desisto assim simplesmente. – ela fala, fazendo mais ervas brotarem do chão, dessa vez eram uma espécie estranha; um tipo de boca verde se abria, revelando presas com uma baba gosmenta que parecia ácido. Não reconhecia o que era. Eu realmente nunca me preocupei em estudar plantas. Quem é que sonha em ser atacado por uma?
Me concentrei, apenas espadas não resultariam em minha vitória. Então o jeito seria usar meus poderes. Coisa que nunca realmente precisei e nem gostei de fazer. Repugnava tudo que me lembrava Netuno. Mas me concentrei, e senti o fluxo de água dos canos. Ia ser um grande estrago, mas era preciso. Então eu era parte da água, elas faziam o que eu mandava e agora eu ordenava para elas alagarem o salão. Imediatamente elas explodiram, afogando tudo que estava pela frente. Me mantive agachado, com as mãos no chão, até todo o fluxo se esvair pelas janelas. Não levou muito tempo para a água se dissipar.
Olhei para os lados. As plantas não existiam mais e a traidora estava no chão, tossindo para se livrar da água no pulmão. Mais nenhum sinal do guarda apareceu. Ou ele foi levado pelas águas, ou fugiu. Nenhuma das opções era exatamente boa. Mas não me importei tanto. Acabei de descobrir uma traidora no meio de nós. Uma garota que tinha vindo para cá com a única intenção de prejudicar-nos, que estava nos enganado todo esse tempo. Que não se importava nem um pouco em matar qualquer um para seguir com seu objetivo.
Angelline. Tão traiçoeira quanto os espinhos de uma rosa...
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