Hope

2 Esperando por você


Notas iniciais
Boa leitura ;3

Já faz uma semana desde aquela missão. Eren ainda está inconsciente, mas as chances de recuperação são altas. Mesmo não tendo 100% de chances, eu ainda tenho esperanças.

Depois que ele desmaiou em meus braços, o segurei firmemente e fui em busca de um cavalo para que pudéssemos voltar rapidamente para dentro das muralhas. Felizmente, haviam doutores para atendê-lo, que logo o avaliaram e em minutos fui avisado que ele ainda respirava e seus ferimentos não eram muito graves, portanto ainda haviam chances de recuperação. Mantive minha pose, disse que tratassem dele e me avisassem qualquer diagnóstico. Após isso, fui até a sala de Erwin, notificá-lo sobre os ocorridos. Os demais já haviam voltado da missão e conseguiram capturar o titan, que agora estava sobre os cuidados de Hanji.

Me encostei na janela que se localizava atrás do assento de Erwin e passei a observar as pessoas lá fora.

—Você está bem? -Perguntou-me, enquanto folheava alguns papéis.

—Hm? -Virei meu rosto em sua direção.

—Digo, sobre o Eren. -Respondeu-me.

—O que isso tem a ver comigo? -Questionei-lhe, sem modificar meu tom de voz.

—Eu não sou lerdo. -Batia, na mesa, a parte de baixo dos papéis para ajeitá-los.

Eu voltei meu rosto para a janela, observando, mais uma vez, os movimentos das pessoas. Depois me virei e caminhei em direção à saída da sala. Antes de colocar o pé para fora, eu disse:

—Vai ficar tudo bem.

Sem respostas, segui até meu quarto, onde tirei minhas roupas e coloquei algumas mais casuais, uma camisa de mangas compridas e um shorts. Tranquei a porta e me joguei em minha cama. Tentei não pensar em nada, pois seria inútil e eu odiaria, porém eu não conseguia. E se ele morres... Ah, não posso... Olhei para o quarto, que estava bastante arrumado, mas uma limpeza a mais nunca fez mal a ninguém. Busquei alguns produtos no banheiro e alguns equipamentos de dentro do armário e comecei a limpar o, quase brilhante, quarto.

Levaram-se 30 minutos, agora conseguia ver meus móveis brilhando e refletindo minha imagem nada agradável. Me joguei na cama mais uma vez e passei a encarar o teto. O que eu poderia fazer para me distrair? Nada vinha em minha mente, então vaguei mais uma vez o meu olhar pelo meu quarto. Quando meus olhos pousaram sobre a mesinha, vi meu diário. O encarei por um tempo e então sentei sobre minha cama, tornei a encará-lo. Abri a gaveta da mesa de canto ao meu lado e peguei uma caneta. Alcancei o diário e sentei-me novamente na cama. Abri-o na página que datava hoje e comecei a relatar o que havia se passado. Minhas mãos tremiam um pouco, uma dor subia pelo meu peito... Parei de escrever no meio da página, pois eu não conseguia nem anotar seu nome. Larguei o caderno na mesa, junto a caneta e, pela terceira vez, me joguei na cama. Desta vez totalmente desleixado, escondendo meus olhos com o meu ante-braço. As lágrimas começaram a descer timidamente, como intrusas num ambiente nada acolhedor, mas com o passar dos minutos, elas mostraram a sua verdadeira natureza, escorrendo-se incansávelmente. A sua voz em minha mente me torturava, a sua imagem mechucava e as suas palavras quase me matavam.

—Eu disse que... Era uma ordem. -Sussurrei entre soluços. —Você não pode... -Me virei e agarrei o meu cobertor, escondendo o meu rosto. Depois de tanto chorar, cansado disso, adormeci sem perceber.

Após algumas horas, acordei meio desnorteado. Olhei para a janela e percebi que já estava de noite. Fui até o banheiro e vi meu rosto no espelho, que estava pior do que quando voltei da missão. Lavei-o e me sentei na privada, com a tampa fechada, e escondi minha face entre as mãos.

Passaram-se dias, eu fazia visitas diárias para ver seu estado, mas não recebia nenhuma resposta.

Hoje completou-se uma semana desde então. Mais uma vez eu estava em seu quarto, observando o seu semblante calmo e adormecido. Passei as costas da minha mão em seu rosto, sentindo a maciez de sua pele. Depois desci meus dedos até sua mão direita, levantei-a e depositei um beijo, enquanto encarava sua face.

—Levi. -Entrou na sala, Hanji, me pegando de surpresa. Quase dei um pulo de susto e soltei a mão de Eren imediatamente.

—Ahn? -Ela fez uma expressão surpresa. —Ele se mexeu?

—Que? -Respondi quase que instantaneamente. Mas nem me atrevi a olhá-lo, pois eu já percebera que era um mal entendido.

—Hmm. -Ajeitou seus óculos. —Acho que vi coisas demais. -Zoe se aproximou de mim e passou a encarar Eren. —Alguma novidade?

—Não, o mesmo de sempre. -Afirmei.

—Nunca esperei que ele ficasse tanto tempo desmaiado. -Sua expressão estava séria.

—Bom, dessa vez não é cansaço por causa de sua transformação.

—Por que você acha isso? Ele está se curando, sem ferimentos graves. -Ela levantou a camisa dele para observar os curativos.

—Se ele tivesse se transformado, estaria dentro de sua carcaça.

—Hmm, verdade, foi você quem o trouxe. -Ela fez uma expressão pensativa e colocou uma de suas mãos em baixo de seu queixo. Passei a encará-la. —Estou ocupada com os experimentos, me desculpe, mas irei me retirar.

—Tudo bem. Ficarei mais um pouco. -Ela sorriu, mas seu olhar não pareceria estar acompanhando sua expressão facial. Após isso, ela retirou-se do quarto.

Me aproximei mais da cama que Eren estava deitado e cruzei meus braços. Fiquei o encarando por um tempo e aquelas insistentes lágrimas voltaram a escorrer. Permiti que algumas descessem, mas depois as enxuguei com a manga de minha camisa. Segurei sua mão e sussurei:

—Estou te esperando. Volte logo... Minha paciência já está se esgotando, Jaegar. -Ao proferir essas palavras, aproximei meu rosto do seu e depositei um beijo em sua testa. Depois eu saí da sala e voltei para o meu quarto, arrumar alguns documentos.