Hope

4 Como se sente?


Notas iniciais
Boa leitura.

Eu estava prestes a entrar no quarto de Eren, quando vi que Hanji saia de lá, já fechando a porta.

—Ei, como estão as coisas? -Perguntei, surpreendendo-a, pois não havia percebido minha presença.

—Você não vai acreditar, ele acordou! -Ela disse animada, já esticando seu braço em direção à maçaneta, mas segurei seu braço. —O quê?

—Venha comigo, vou te explicar. -Puxei uma Hanji confusa, que me seguiu até a cozinha. —Eren acabou de acordar, vou deixá-lo descansar. Mas ele precisa se alimentar, então vou fazer algo. Enquanto isso, vá avisar aos outros.

—Isso não explica muita coisa, mas por enquanto vou deixá-lo passar. -Ela afirmou, se virando e seguindo seu caminho.

Entrei na cozinha e comecei a fazer um prato de comida para que ele pudesse nutrir-se, mas ainda não queria vê-lo. Isso vai ser um problema... Deveria ter pedido para que Hanji me esperasse e entregasse a comida... Ou não, seria uma situação muito complicada.

Enquanto eu estava em meus devaneios, Mikasa parou em minha frente e me questionou:

—O que está fazendo com um prato nessas horas, heichou? -Ela observava o conteúdo.

—Ah, sim. Aparentemente Eren acord-

—Sério? Vou vê-lo agora! -Fui interrompido por Mikasa, que quase gritava.

—Espera! Poderia levar esse prato para ele? -Pedi.

—Por que não leva você? -Ela me perguntou de volta, com uma expressão de suspeita.

—Por favor. -Estiquei a bandeja para que pegasse. Mikasa não compreendeu direito, mas aceitou e pegou a bandeja para ir visitá-lo.

Apesar de não querer ir conversar com ele, ainda estava curioso para saber como estava seu estado. Após ela entrar no quarto que Eren estava, passei reto pela porta, mas encostei-me na parede para ouvir a conversa dos dois.

—Nunca te vi ficar dormindo por tanto tempo. -Escutei-a dizendo. —Fiquei com medo de que não acordasse mais... -E eu pensava o mesmo.

—Eu também achei isso, mas... Aqui estou. -Eren respondeu, me deixando bastante aliviado.

Ele parecia estar bem. Então decidi sair de perto e não incomodar os dois, mas quando me virei para ir embora, tropecei com um pé no outro, porém não acabei caindo no chão, apenas meu corpo foi jogando para frente e logo após consegui me ressustentar, continuando meu trajeto.

Estava seguindo o caminho, ignorando o que eu havia acabado de fazer, quando Mikasa começou a andar ao meu lado, com a cabeça baixa e sem dizer nada.

—Por que você não quer falar com ele? -Perguntou enfim, depois de um certo tempo.

—Eu deveria? -Indaguei.

—Eren te disse, não é? -Ela fechou seu punho. —Tenho certeza que ele faria isso.

—Sim. -Respondi sem mudar o tom de minha voz.

—E você nem se importa? -Ela questionou, incrédula.

—As coisas são mais complicadas do que você imagina... -Suspirei.

—Não me diga que... você já está apaixonado ou algo do tipo? -A garota perguntou, com a voz mais baixa.

—Uhum.

—E por isso, você não pode vê-lo? Não é como se ele fosse matar essa pessoa ou... Sei lá.

—Não acho que seja possível ele cometer suicídio por isso. -Não sei o que eu esperava em resposta ou ao menos por que eu lhe disse isso, mas ela nem se quer abriu a sua boca.

Mikasa parou de andar, ficou apenas me encarando e depois seguiu outro caminho, enquanto eu ia até meu quarto.

Depois que entrei, sentei-me desajeitadamente na cama. Inspire fundo e soltei o ar, me senti bastante aliviado. Como se o maior peso de minha vida havia saído de minhas costas. Mas eu não creio que seja melhor ir vê-lo agora, pois ele precisa se recompor e eu nem sei o que lhe diria.

Levantei meu olhar e novamente encarei meu diário. Tive uma ideia e a puis em prática: comecei a escrever uma carta.

"Eren Jaegar,

Se está lendo esta carta, é por que cumpriu a sua ordem. Sobreviva, certo? Obrigado.

Durante todos esses dias, estive esperando pela sua volta, por mais uma chance de ver seu sorriso e quem sabe, te amar.

Eu poderia escrever uma enorme carta, apenas para demonstrar minhas emoções, mas prefiro fazê-lo à sua frente, enquanto admiro seus olhos e sinto o calor de suas mãos.

Assim que conseguir se levantar, por favor, venha me abraçar, assim como havia desejado naquele dia. Dessa vez, eu quero que você me abrace e não o contrário. E se tiver mais algum pedido, apenas me avise.

Do fundo de meu coração,

Levi Ackerman."

Quando terminei de escrevê-la, passei a relê-la e não conseguia pensar em mais nada que eu pudesse acrescentar nela. A dobrei, cuidadosamente, e a guardei em meu bolso. Porém, eu ainda não tinha como entrega-la.

No dia seguinte, fui visitar a sala de Erwin, para saber mais informações sobre a situação de todas as tropas e sobre possíveis missões. Após eu coletar todos os dados, ele me chamou a atenção:

—Vou visitá-lo hoje. Você ainda não foi, não é? -Erwin me fitava nos olhos.

—Não. Tudo que eu fiz, foi escrever esta carta, mas não tive coragem de entregá-la ainda. -Retirei o pedaço de papel guardado, que estava dobrado, mas não amaçado.

—Que medo é esse, Levi? -Ele riu um pouco. —Vou levar essas flores, com o intuito de desejar melhoras. -E apontou para o vaso que estava em sua mesa.

—Tive uma ideia estranha. Posso tentar? -Indaguei, encarando o objeto.

—Bem... Tente. -Após receber a confirmação, abri um caminho entre as flores e coloquei o papel ali, depois juntei-as novamente. —Quer que eu entregue no colo dele? -Questionou, após observar atentamente o que eu fazia.

—Não. Apenas não deixe que retirem esse vaso de lá e se possível que não molhem as flores... Assim ele lerá na hora certa. -Respondi e me afastei um pouco da mesa.

—Estou curioso, o que está escrito aqui? -Sua expressão era sarcástica.

—Por favor, não leia. -Cruzei meu braços.

—Haha, não irei. -Ele sorria.

—Bom, obrigado. -Sorri de volta por um breve momento. —Irei me retirar, depois me conte como ele está.

—Pode deixar. -Respondeu-me e eu sai da sala.

Fui até a cozinha, onde peguei um pedaço de pão para comer e logo após fui até as mesas e sentei-me para alimentar-me. Pouco tempo depois chegou Mikasa, que sentou-se logo à minha frente, com seus braços apoiados na mesa.

—Algum problema? -Principiei a questioná-la.

—O que está esperando? Já é o segundo dia. -Sua expressão era séria.

—Eu sei contar. -Mordia um pedaço do pão. —Por que a pressa? -Perguntei, após engolir.

—Não entendo essa enrolação, sendo que tudo que você teria que fazer é ir até o quarto para conversar. -Já estava começando a me cansar de sua reclamação.

—Olhe para o vaso que está nas mãos dele. -Apontei para Erwin que, para minha sorte, passava pelo corredor neste momento. —Tem uma carta que eu escrevi para Eren. Eu sei que não foi o melhor jeito de fazer isso, mas quero que as coisas ocorram na hora certa.

—Então... Vou entregá-lo o vaso. -Disse Mikasa, determinada.

—Não faça isso. A menos que ele peça. -Ordenei.

—Que complicado... -Ela me encarou e depois saiu da minha frente, deixando que eu comesse meu pão em paz.

No dia seguinte, enquanto eu observava através de uma janela, ouvi passos vindo de trás de mim, o que me fez virar imediatamente.

—Eren viu a carta, mas eu sai de perto para não atrapalhá-lo. -Mikasa avisou-me. —Ele quem me pediu para ver todas as flores. -Acrescentou.

—Entendi. -Proferi.

—Espero que não tenha escrito nada de errado naquela carta. -A garota me disse, num tom quase que ameaçador.

—Eu também espero. -Respondi, sem mudar minha expressão. Ela me encarou mais uma vez e depois se retirou.