Honeymoon Avenue
2 Era Só o Que Me Faltava
Notas iniciais
– Mas que droga, ele tá demorando! — resmungou Gou, saboreando o restinho do picolé de limão.
– Deve ter acontecido alguma coisa. — ponderou Makoto, preocupado. — Ele não é do tipo que se atrasa.
– Até porque ele nunca se atrasaria pra nadar, não é? — exclamou Nagisa, que já estava na piscina.
– Você acabou de comer — reclamou Rei. — não devia entrar na piscina assim tão de repente.
– Ah que bonitinho você se preocupando comigo. — brincou Nagisa, com as duas mãos no rosto.
– Claro que eu tô preocupado! Você...
– Eu vou procurar ele. — interrompeu Makoto, falando mais consigo mesmo do que com qualquer outro.
– Não deve ser nada — Gou disse, jogando o palito no lixo. — ele deve estar tomando banho. Você mesmo disse que ele passa horas na banheira.
– Eu tô com uma sensação estranha, eu já volto. — e saiu correndo.
– Ei, me espera! Eu também vou! — exclamou Nagisa, colocando as roupas por cima do corpo molhado.
– Você vai acabar pegando um resfriado correndo molhado desse jeito, eu também vou! — concluiu Rei, ajustando os óculos.
E correram juntos atrás de Makoto.
– Vocês tão de brincadeira, né? — Gou gritou pra eles, mas ninguém respondeu. — Ah, que ótimo. Logo hoje que eu tava afim de ver músculos trabalhando.
Ela sentou no chão, sem saber o que fazer. Ficou alguns minutos olhando pra água e logo depois se levantou, decidida. Ela acordou querendo ver músculos e é músculos o que ela veria! Iria pro treino da Samezuka.
Não era uma má ideia, até porque fazia um tempo que não conversava com seu nii-san. Só teria que tomar cuidado com Momo, que era um "pouco" escandaloso. Pegou sua mochila e saiu.
Quando chegou na piscina, procurou seu irmão por todo lugar, se distraindo com um cara musculoso aqui e ali, mas nada demais. Quando percebeu que Rin não estava ali, resolveu falar com Sousuke.
– Hey Sousuke! — ela acenou. — Oi! Como vai?
– Gou! Oi! — ele respondeu, ajeitando a toca de mergulho na cabeça. — Que bom que você apareceu. Você viu o Rin?
– Ahn? — perguntou confusa — Eu ia te fazer a mesma pergunta.
– Ah é? — ele franziu o cenho. — Eu acordei hoje e ele não tava na cama, e agora ele não apareceu no treino.
– Que beleza. — reclamou Gou. — Primeiro o Haru, e agora o...
E então, a ficha caiu. Ela olhou boquiaberta pra Sousuke, que perguntou:
– O que foi? O que tem o Haru?
– Nada! — ela disfarçou. — Eu preciso ir, até outro dia.
E saiu correndo, deixando Sousuke sozinho e intrigado. Pelo que tinha percebido, Rin poderia estar com Haru, e a ideia não lhe agradou nem um pouco.
Enquanto isso, Makoto já estava, segundo Rei, invadindo a casa de Haru. Procurou em todos os cômodos da casa, mas nenhuma pista.
– Eu sabia que tinha alguma coisa errada. — murmurou Makoto, com uma mão no queixo.
– Vai ver ele foi arrebatado. — opinou Nagisa.
– Isso é impossível! — exclamou Rei.
– Tá, não precisa gritar. — respondeu Nagisa, com um dedo no ouvido. — Eu tava só brincando.
– Pessoal, o que vamos fazer? — perguntou Makoto, que parecia prestes a desmaiar.
– Não se preocupe. — tranquilizou Rei. — Provavelmente ele só se atrasou e acabou se desencontrando com a gente.
– É, você tá certo — suspirou Makoto. — não dever ser nada. Vamos voltar pro treino antes que a Gou fique ainda mais zangada.
Zangada não era a palavra certa pra descrever o que Gou estava sentindo. Intrigada sim. Tinha voltado pra piscina de Iwatobi, tentando encontrar uma explicação razoável para o sumiço de Rin e Haru, mas nada lhe veio a mente.
Na verdade, uma coisa tinha aparecido sim, mas Gou estremecia só de cogitar a hipótese.
Uma fuga.
Balançou a cabeça, tentando livrar a mente desse pensamento, mas não conseguia arranjar outra explicação. Tudo o que ela queria era outro picolé.
– Olá Gou. — uma voz doce disse atrás dela. — Cadê o pessoal?
Gou pulou de susto e olhou para trás. Era a professora Miho, sempre com o sorriso bobo e a sombrinha.
– Ah, oi. — ela murmurou. — Makoto, Rei e Nagisa foram procurar o Haru, que aparentemente desapareceu.
– Are? — Miho exclamou. — Eu vi o Haru hoje de manhã.
– Sério? — Gou encheu-se de esperança. — Onde?
– Eu estava fazendo compras — ela começou. — e quando estava voltando pra casa, vi o Haru em um carro bem bonito com o Rin. E eu acho que ele me viu.
Gou sentiu seu estomago se dissolver em água.
– V-você tem certeza? — perguntou com a voz trêmula. — Ele estava com o Rin?
– Sim. E ele ainda parecia feliz, mesmo com aquele rosto inexpressivo.
Então Gou estava certa. Eles fugiram juntos. Se sentiu tonta com tudo aquilo. Será que eles... eles.... será que eles estavam namorando ou coisa do tipo? Sentiu as pernas bambas.
– Gou? — perguntou Miho. — Você está bem?
Demorou alguns segundos pra Gou perceber que a pergunta era pra ela, até porque não tinha mais ninguém ali.
– Sim. — respondeu. — Eu tô bem. Você sabe pra onde eles...
Makoto, Nagisa e Rei apareceram e Gou engasgou. Miho cumprimentou todos e perguntou:
– Haru e Rin já voltaram?
"Droga!", pensou Gou. Ela não queria contar pra eles o que tinha acontecido, mas agora já era tarde.
– Espera aí — indagou Makoto. — Haru está com o Rin?
Gou abriu a boca pra responder, mas não fazia ideia do que dizer, então ficou apenas parada sem falar nada.
– Sim — respondeu Miho, ao ver que Gou não ia falar nada. — Eu os vi hoje de manhã juntos em um carro.
Makoto não respondeu nada, parecia triste.
– E pra onde eles foram? — perguntou Nagisa, coçando o nariz.
– Não faço ideia. — disse Miho, girando a sombrinha na mão.
Eles ficaram alguns segundos em silêncio, até que Makoto se virou e desceu a pequena escada.
– Hey, onde você tá indo? — perguntou Nagisa.
– Pra Samezuka. — respondeu Makoto, sem olhar para trás.
– O que? — exclamou Gou. — Espera, eu vou com você!
– Eu também! — exclamaram Nagisa e Rei em uníssono.
Já na Samezuka, os quatro espionavam o grupo de natação, que ainda estavam treinando.
– Alguém tá vendo o Sousuke? — perguntou Makoto.
– Ele tá bem ali. — apontou Nagisa. — Por quê?
– Ele é o colega de quarto do Rin, não é Gou?
– Ahn? — perguntou Gou, distraída. — Ah, sim, ele é sim.
– Ótimo. — concluiu Makoto, se afastando, com Nagisa, Rei e Gou indo logo atrás.
– Aonde estamos indo? — perguntou Rei.
– Pro dormitório do Rin. — respondeu Makoto, calmamente. — Gou, você sabe qual é, né?
– Sim, eu sei. — respondeu Gou, perplexa. — Mas o que você quer fazer no quarto do nii-san?
– Se eles sumiram de carro juntos, então a ideia provavelmente não foi do Haru. — Makoto explicou-se. — Então eu quero ver se eu acho alguma pista no quarto do Rin.
– Você está muito preocupado com isso, não é? — grunhiu Gou, impaciente.
Makoto não respondeu, apenas deixou Gou guiar o grupo. Chegando no quarto, a porta estava aberta e eles entraram. A primeira coisa que chamou a atenção de Makoto foi um cartaz de um parque aquático na escrivaninha.
– Um parque aquático? — perguntou Nagisa, pegando o cartaz antes de Makoto. — Eles foram pra um parque aquático? Que clichê!
– Eu acho que não — Rei disse, pegando o cartaz da mão de Nagisa. — olha isso. Esse parque é em outra cidade! São, mais ou menos, oito horas de viagem daqui até lá.
– Falando nisso — indagou Gou. — o nii-san não tem carro. Onde que ele conseguiu um pra viajar?
– Hey, o que vocês estão fazendo aqui? — uma voz rouca perguntou, vindo da porta.
Era Sousuke. Rei escondeu o cartaz atrás das costas.
– Ah, oi Sousuke. — exclamou Gou, tentando contornar a situação. — Nós só estávamos procurando pelo meu nii-san.
– Eu já disse que ele não está aqui. — retrucou Sousuke, que parecia irritado.
– É, mas sempre vale a pena procurar de novo, não é? Enfim, nós vamos embora.
Os quatro saíram correndo do quarto. Sousuke percebeu que o cara de cabelo azul estava escondendo alguma coisa, mas não se preocupou. Percebeu que era o cartaz do parque aquático que tinha visto de manhã. Juntou as peças e chegou a mesma conclusão de Gou: Rin e Haru tinham ido pra esse parque ou coisa do tipo. Apertou os punhos ao imaginar os dois se divertindo juntos. Não ia deixar que isso acontecesse.
No corredor, Makoto sentia uma pontada estranha no coração. Não lhe agradava a ideia de Haru sumir assim sem avisar pra ele, já que foram amigos por tantos anos. Chegou a conclusão de que o que sentia não era ciúmes, e sim preocupação, mas não acreditou muito em si mesmo.
– Gou-san! — uma voz estridente gritou atrás deles.
Gou sentiu a espinha se arrepiar. Reconheceria aquela voz de qualquer lugar. Olhou para trás vagarosamente e viu Momo correndo em sua direção.
– Gou-san, que saudade de você! — Momo disse rapidamente — Que tal se a gente saísse algum dia desses? Eu pedi pro meu nii-chan me ensinar a dirigir, mas ele percebeu que era pra te surpreender e se recusou. Acredita numa coisa dessa?
"Por favor, para de falar!", pensou Gou.
– Até porque — Momo continuou. — parece que ele emprestou o carro pra um amigo ou coisa do tipo, mas quando ele devolver, eu juro que vou aprender pra poder te levar pra onde você quiser.
O rosto de Gou se iluminou, assim como o de Makoto.
– Espera aí — exclamou Gou. — seu irmão emprestou o carro pra alguém?
– Aham — respondeu Momo, meio chateado por ela se importar apenas com aquilo, depois de tudo o que ele disse. — por quê?
– Você é um anjo! — e então beijou seu rosto.
Os lábios de Momo se abriram em um sorriso de orelha a orelha. Gou e o resto correram pelo corredor, mas Momo continuou parado com cara de bobo.
– Então o irmão do Momo emprestou o carro pro Rin? — perguntou Rei, enquanto corria. — Será que ele sabe de alguma coisa?
– É o que vamos descobrir. — respondeu Gou, arfando.
Foram até a casa de Seijuro, que Gou sabia onde era pois já tinha ido em uma festa lá. Bateram na porta e Seijuro abriu, sorrindo ao ver Gou.
– Gou-kun! — ele exclamou. — Você é o segundo Matsuoka que bate na minha porta hoje!
– Sim, é por isso que eu estou aqui. Você emprestou o carro pro meu irmão?
– Sim. — ele respondeu, olhando pro rosto de cada um. — Por quê?
– Você sabe pra onde ele foi?
– Não, ele só me disse que faria uma longa viagem e que iria demorar.
– Certo, muito obrigada!
E saíram correndo, deixando Seijuro parado na porta, se perguntando se tinha feito alguma coisa errada. Pararam na estação de trem, sentando em um dos bancos de espera.
– Então você acha que eles foram pra esse tal parque? — perguntou Nagisa, chupando um picolé de morango.
– Eu tenho certeza! — respondeu Gou.
– E o que vamos fazer?
Ela levantou um dedo no ar e respondeu decidida:
– Nós vamos atrás dele!
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