Honestly? I love you!
22 Engula o maldito medo
Notas iniciais
Ainda que fosse madrugada, o silêncio chegava a assustar. Hanna tinha os olhos fechados e não sabia se estava com medo por literalmente não conseguir ouvir nada ao redor além do zumbido que emanava de seus próprios ouvidos devido à falta de som do ambiente ou se por ainda estar em meio a um sonho ruim. Ela conseguia ter uma boa percepção da quietude que a circundava; sentia a garota aconchegada à seu corpo em posição de conchinha, que respirava calmamente e não tinha a mais remota ideia de que Hanna estava lutando para abrir os olhos.
A loira não sabia do que se tratava o sonho, seu sexto sentido apenas dizia-lhe que era sobre o que estava por vir. Apoiou o queixo ao ombro esquerdo de Mona – talvez a sensação da pele da garota contra a sua a fizesse despertar – e ouviu-se choramingar baixinho. Na verdade, apenas arranhou a garganta na tentativa de produzir qualquer som que a acordasse de vez. E funcionou. Sentiu que Mona remexia-se sob as cobertas, ficando então de frente para ela.
— Está tudo bem, meu amor – a morena murmurou, sonolenta, passando os braços ao redor de Hanna – Foi só um pesadelo.
Hanna expirou forte algumas vezes, enormemente aliviada por ter recobrado a consciência, envolvendo em seguida a morena no abraço mais forte que seu corpo era capaz de dar a ela às duas da manhã. Mas ela estava feliz por serem apenas duas da manhã. Isso significava que elas teriam mais ou menos seis horas antes de precisarem levantar.
E Hanna então, fazendo as mãos passearem em carícias descompromissadas pelas costas de Mona, quis, como já quisera infinitas vezes, que aquele momento se eternizasse. Queria sentir Mona colada a si para sempre, simplesmente. Não queria mais que ela fizesse aquela cirurgia. Quer dizer, era óbvio que Hanna queria que Ali se curasse, mas não queria que Mona fosse a que precisasse se arriscar por conta disso. Que se danassem os contos de fadas e os finais poéticos, droga, ela estava com medo.
— Eu te amo demais, sabia? – sussurrou, ainda meio apavorada com a possibilidade de aquela ser sua última chance de poder dizer aquilo, que insistia em não abandoná-la. E pôde constatar que Mona sorria por trás, colocando uma força ainda maior naquele abraço.
— Eu também te amo.
Após ouvir tal resposta, Hanna já começava a se sentir menos nervosa. O sangue voltou a correr, quente, em suas veias, mas, mesmo ela sentindo o corpo inteiro formigar, ainda precisava de mais uma confirmação para que conseguisse voltar a dormir. Então, infantilmente, perguntou:
— Promete que nunca vai me deixar?
— Só vou te deixar em seus mais traiçoeiros e irracionais pesadelos – Mona voltou a murmurar, agora soando estar apenas parcialmente acordada – Aliás, se eu, por alguma razão, te deixei neste último, peço desculpas. Mas saiba que jamais será real.
Hanna conseguiu dar uma leve risada, pois identificou certo humor na voz da garota, sem razão aparente.
Lembrou-se, então, de horas antes, quando finalmente recebera o tão esperado telefonema de Mona.
— Han? Eu consegui! – dissera a garota simplesmente, antes de intimar Hanna para que fosse para lá, soando estar radiante do outro lado da linha. E genuinamente emocionada.
Isso por volta das dez da noite, quando Mona já tinha certeza de que nenhum problema com sua própria saúde a impedia de realizar aquele transplante. E ela recebera Hanna em sua casa com o maior dos sorrisos! Seus olhinhos brilhavam e o beijo de saudação tivera um gosto evidente de creme dental, sendo que ela já estava efetivamente proibida de colocar qualquer coisa no estômago pelas próximas doze horas.
Hanna mal reconhecera-a como sendo a garota com quem estivera naquela tarde, depois da escola. Parecia que um peso enorme havia sido retirado dos ombros de Mona. Então, como diabos Hanna poderia não estar de acordo com isso? Algo que deixava sua menina tão realizada? Apenas a remota ideia de impedí-la de prosseguir com aquilo já era um supremo ato de egoísmo.
Beijou-a castamente no pescoço e deixou que sua testa ficasse recostada ali, até que pegasse no sono novamente. Ela não fazia a mínima ideia de como faria isso, mas teria que engolir aquele medo estúpido, de um jeito ou de outro. Pelo bem geral da nação.
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