Homem-Aranha: Assunto de Família
2 Capítulo 2: Grandes Poderes, Novas Responsabilidades (Parte 2)
CAPÍTULO 02
Grandes Poderes, Novas Responsabilidades (Parte 2)
O Clarim Diário. Um dos jornais mais lidos na cidade de Nova York e nos Estados Unidos. Seu prédio ficava no coração de Manhattan, característico pelo enorme e imponente letreiro "DB"¹ no topo do prédio. Um apressado jovem homem corria no térreo, chegando a esbarrar em algumas pessoas, para poder chegar até o elevador, conseguindo com sucesso. Logo em seguida, lá estava ele, apressado novamente para abrir a porta que o levava ao setor da redação do jornal, animado pelas fotos que havia tirado na noite de ontem:
— Olhem aqui, caçadores de notícias! Seu fotógrafo favorito conseguiu de novo! Fotos de ação do Homem-Aranha derrotando a Gangue da Demolição na noite de ontem!
— Ora ora, vejamos o que temos aqui…
— Pode apostar que estão ótimas, senhor Jameson!
— É o que veremos…
E na sala do redator-chefe, lá estava o ranzinza e muquirana John Jonah Jameson. Um homem que fazia jus a frase “osso duro de roer”, onde agia com os seus funcionários quase que como um déspota. Claro que ele não pensava assim, na sua imaginação, ele apenas queria exigir o máximo deles, porque a vida faria o mesmo, como fez com que ele para chegar até ali. Não que ele fosse um homem mau, muito pelo contrário, apenas era alguém que era difícil de se trabalhar ou que poucas seriam as pessoas capazes de se conviver com ele.
— É… não estão boas, mas dá para o gasto.
— O quê? Mas elas foram tiradas em um ótimo ângulo! E estão em boa qualidade!
— Olha garoto, essas fotos mostram que o Homem-Aranha deteve os membros da Gangue da Demolição, mas nós sabemos que isso não é verdade!
— Como não? Todo mundo viu!
— Balela. Aposto que ele só apareceu lá para roubar o que eles roubaram, porque ele é um egoísta nato! Já até vejo como será o título da matéria principal de hoje: “Homem-Aranha tenta tirar proveito de assalto da Gangue da Demolição! ” Isso será ótimo para as vendas! Bem Parker, aqui está a grana pelas fotos.
— Mas… isso é pouco demais para as fotos que eu tirei!
— Ora, vejam só! Ainda estou sendo piedoso até demais pelas fotos que você tirou! Dinheiro não cai de árvores, Parker! Se quer mais grana, tire mais fotos do Homem-Aranha!
Era algo esperado. Jameson nunca estava contente com nada e sua obsessão em querer tornar o Homem-Aranha em um indivíduo repugnante para a sociedade, atrapalhava ainda mais as coisas. Nem mesmo o consolo de Robbie Robertson, ajudou a frustração de Peter Parker:
— Sinto muito Peter, eu sei que precisa dessa grana para ajudar a sua filha…
— Não tem problema, Robbie. Jameson tem razão, dinheiro não cai de árvores… mas pode cair de prédios.
— Hein?
— Nada Robbie, até mais!
Robbie não havia percebido, mas quando Parker disse tal frase, ele observava à distância, o prédio das Indústrias Stark e então relembrou da conversa atípica que teve com Tony Stark de noite. A tal proposta do qual Tony se recusou em dizer por telefone, deixando-o tentado em saber o que ele queria dizer. Diante de circunstâncias drásticas, era necessário tomar medidas drásticas. Peter se encaminhou então ao local e se apresentou a recepção do prédio que representava o maior símbolo da família Stark:
— Bom dia, meu nome é Peter Parker e gostaria de falar com Tony Stark.
— É mesmo? – Disse a recepcionista em um tom sarcástico – Por acaso, tem hora marcada?
— Bem eu…
— Desculpe, mas eu assumo a partir daqui, Veronica. Olá, senhor Parker, meu nome é Sexta-Feira, assistente pessoal do senhor Stark. Ele está esperando-o na sua sala. Por favor, venha comigo.— Disse um holograma de coloração rosada, com a imagem de uma mulher bastante parecida visualmente com Pepper Potts:
— Ah, ok…
Peter não esperava ser recepcionado e acompanhado por uma imagem holográfica de uma mulher virtual que nem sequer existia de verdade. E ficar dentro de um elevador sozinho com ela, não ajudava em nada:
— E então… você é uma I.A.?
— Exato. Por acaso minha presença o incomoda?
— Não! É que eu não esperava ser recepcionado por uma… bem, eu só tinha visto isso antes apenas em exposições ou em filmes e séries mesmo.
— Não se preocupe, eu não mordo.
— É melhor eu ficar calado.
— Chegamos.
Depois de um momento constrangedor, finalmente Peter havia chegado a sala da presidência, de onde avistou um Tony Stark vestido como sempre com roupas elegantes, com um terno e calça nas cores preta, camisa na cor bordô e gravata acinzentada, era bem visível que o conjunto todo era da melhor qualidade. Tony estava com o seu celular, falando alguma coisa relacionada a negócios e não conseguia ficar parado em algum lugar:
— Sim, sim… olha, eu preciso desligar, a ligação tá muito ruim. Alô, está me ouvindo? Alô? Alô? – E interruptamente, Tony desligou o seu celular – Você chegou em uma hora certa, Peter. Os acionistas não cansam de me perturbar com inutilidades. Mas odeio falar de coisas chatas, então vamos lá. Sexta-Feira, poderia nos deixar a sós?
— Claro, Tony.— E subitamente, a imagem holográfica desapareceu, a pedido de seu criador.
— E então Peter? Quer algo para beber? Martini? Swarovski?
— Achei que tinha parado de beber.
— E parei, só queria brincar com o maior piadista que conheço. Café?
— Ok. Mas acredito que não tenha me pedido para vir aqui apenas para beber café.
— Como havia dito a você ontem, admiro o fato de você ter formado uma família, sei que é um pouco atrasado, mas meus parabéns a você e a Mary Jane pela criança.
— Obrigado.
— Sabe Peter, eu não tive uma família que possa ser chamada de família feliz. Minha relação com o meu pai sempre foi… problemática, acho que é essa palavra adequada. E minha mãe sempre procurou ser a pessoa que intervia nessa tumultuada relação.
— Sinto muito, Tony.
— Às vezes eu tenho vontade de voltar no tempo e tentar consertar certos erros que cometi no passado, inclusive com o meu pai. Por mais que tivéssemos nossas desavenças, eu o amava e ele também. Mas nunca gostei de olhar para o passado, sou um homem de futuro e somente o que me importa é o amanhã. E sua filha faz parte desse amanhã, Peter, quero que ela faça parte de um amanhã melhor. E sei que o que você ganha no Clarim, é irrisório.
— Bom… Espera um pouco, você andou fazendo pesquisa sobre a minha vida?
— Meio que sim. Queria saber o quanto que aquele velhote te pagava. Como você aguentou por todos esses anos, hein?
— Bem… devo reconhecer que não foi nem um pouco fácil.
— Eu já cometi erros demais com inclusive amigos próximos meus e estou procurando o que chamam de "redenção". Capitão, Thor, Hulk… e você. Peter, a minha proposta é que você deixe o Clarim… e trabalhe para mim. Bom, não diretamente para mim, quero que você trabalhe em uma empresa que adquiri recentemente.
— Não. Tony, já passamos por isso… e não terminou nada bem.
— Sim, não terminou porque eu agi como um verdadeiro babaca. Hoje, as coisas são outras e olhe para você, tem uma filha para cuidar agora. Tome, veja isso.
Tony entregou então seu tablet para Peter, no qual fazia uma espécie de check-up do corpo de alguma pessoa:
— O que estou vendo…?
— Um check-up que a minha médica havia me pedido para fazer dias atrás. Descobri que tenho um grave tumor no meu cérebro.
— Meu Deus, Tony… não sei o que dizer, sinto muito.
— Não sei quanto tempo de vida me lhe resta. Minha médica lhe deu um prazo de que pode ser por alguns anos, meses, talvez dias… sobrevivi a estilhaços de uma bomba no meu peito e mal sabia que eu tinha uma outra dentro do meu cérebro. E então eu percebi o quanto que nossa vida é curta e que temos que aproveitar os dias da melhor forma que pudermos. Não sei qual legado que eu deixarei pro futuro, mas acho que é com as menores coisas que fizemos, que acabamos fazendo algo grande.
— …que lugar é esse que você comprou?
— Zenitech Labs. Já deve ter ouvido falar.
— Ah sim. Era uma companhia que estava revolucionando no campo científico, com progressos expressivos…
— … e que secretamente seu maior financiador era o Mandarim. Eu descobri isso e impedi um desastre que pudesse causar uma pandemia global. Entretanto, vi o potencial que a Zenitech Labs poderia realmente trazer e comprei a empresa. Agora estou querendo reconstruí-la exatamente do zero, com jovens cientistas talentosos e eu me lembrei de um jovem com poderes de aranha que se formou na Universidade Empire State em Biofísica.
— Já existe e se chama Fundação Futuro.
— É bem diferente, Peter. Então, você aceita ou não?
— Bem, se essa é uma entrevista de emprego, eu também gostaria de saber mais sobre as vantagens que o contratado receberá.
— Entendo. Bem, aqui estão – Tony entrega novamente o tablet para Peter, que ficou impressionado para o que estava olhando na tela do dispositivo.
— Isso… é realmente sério?
— Não sei, me diz você.
— Eu… preciso pensar.
— Peter, Peter… o que você precisa pensar mais? Te ajudarei no que você precisar, meu caro!
Seu rosto esbanjava alegria, alegria que ele não sentia há muito tempo. E ele havia saído dali balançando teia por teia na cidade, querendo mostrar para a cidade toda o quanto estava alegre. Há muito tempo ele ansiava para ter uma oportunidade dessas, onde finalmente poderia trabalhar em algo que ele realmente gostaria de fazer. E ele foi diretamente para casa, compartilhar tal felicidade com sua esposa e sua filha:
— Peter? O que está fazendo aqui…?
Mary Jane não teve tempo nem de evitar. Peter nem havia retirado seu uniforme, apenas levantou um pouco sua máscara para deixar a sua boca a mostra e então deu um longo e apaixonante beijo em sua esposa, o que foi capaz de tirar quase que por completo, o fôlego dela:
— Uau, isso foi… espetacular.
— Você merece isso! E nossa princesa merece também! – Peter deu um beijo na testa da ingênua Annie, imatura demais para entender a felicidade de seu pai naquele momento.
— Posso saber o motivo dessa felicidade?
— Boas notícias, pessoal! Parece que eu tirei a sorte grande!
Era momento de felicidade para a família Parker, algo que eles precisavam há muito tempo. Peter resolveu levar a família toda para jantar no restaurante mais próximo que eles encontrassem, em comemoração de seu novo emprego, sem ter ideia do que o futuro lhe reservava. Distante da visão deles, uma motociclista observava a família de longe, até que resolveu retirar o seu capacete, revelando os seus longos cabelos platinados, mostrando ser uma velha conhecida da família Parker:
— Então vocês moram aqui agora, não é mesmo… Peter e Mary Jane?
— Procurando por alguém, moça? – Disse um jovem que andava de skate por perto ao notar o olhar penetrante de Felicia:
— Não, eu… entrei na rua errada, desculpe.
Para não chamar mais atenção, Felicia colocou o seu capacete de volta e deixou o local por outrora, presa em seus pensamentos preocupativos:
— Jurei para mim mesma que não voltaria mais para esta cidade…, mas não tive outra escolha. A única pessoa que pode ajudar Kaine, é você Peter!
FIM DO CAPÍTULO
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