Notas iniciais
Thomas e Dean estudam na UCLA e se tornaram amigos íntimos. Uma festa de Halloween pode mudar as coisas entre eles.

31 de Outubro. Halloween. E se tem uma coisa na vida que eu amo, é o Halloween. Na verdade eu amo qualquer festa na qual eu possa me fantasiar e parecer muito legal, porque é o único jeito de eu não ser zoado pelos caras populares. Desculpe, eu não me apresentei... Meu nome é Thomas Carter, tenho vinte anos e estudo cinema na Universidade da Califórnia — Los Angeles, mais conhecida pela sigla UCLA, e moro na universidade em um dos muitos alojamentos que a universidade oferece.

Todo ano, as fraternidades da UCLA ofereciam festas de Halloween com direito a fantasias e vários aparatos decorativos que deixavam o ambiente perfeito. Eu é claro nunca participava destas festas, porque eu sou o nerd que ninguém convida para festa alguma, então eu decorava meu quarto com lanternas em formato de abóboras, teias de aranha falsas e algumas luzinhas de natal que improvisava para iluminar o quarto. Em cima da minha mesa de estudos havia um enorme pote de vidro com doces de variados tipos, afinal eu sou completamente maluco por doces.

Porém este ano, a coisa aconteceu um pouco diferente.

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26 de outubro de 2015.

– Você tem que ir na festa de Halloween da Beta Theta Pi! — Dean estava deitado na minha cama jogando minha almofada da Corvinal para o ar e apanhando, enquanto eu estava sentado na poltrona que ficava encostada na parede junto a janela e trabalhando com o notebook no colo.

Eu não tinha colega de quarto porque geralmente as pessoas procuravam fraternidades para se associar e ir morar nas casas. Isso fazia com que os alojamentos pudessem ter um aluno por quarto, a não ser que você quisesse dividir seu espaço com alguém, mas eu sabia que algum dia poderiam solicitar um quarto para morar e eu se o meu fosse escolhido, eu teria que aceitar de bom grado quem viesse.

– E porque você considera que eu deva me enfiar na festa da fraternidade mais popular desta universidade e arriscar amanhecer morto na piscina? — Enruguei levemente o nariz e apertei os olhos enquanto pesquisava na internet algumas ideias para escrever uma nova história na qual eu estava há algum tempo desejando trabalhar. Uma coisa que poucas pessoas sabem a meu respeito é que eu amo escrever e faço isso o tempo todo.

– Você não acha que está exagerando? É apenas uma festa. Nós já fomos a quase todas as festas da sua amiga DJ.- Ele respondeu antes de rolar pela cama e ir parar no lado oposto da cabeceira, ficando assim muito próximo de mim.

– Se eu não tenho opção de não ir nas festas da Campbell, você também não tem. — Comentei puxando o notebook discretamente para junto de mim. Sempre ficava desconfortável com as pessoas tentando ler o que eu estou fazendo no computador. — E não, eu não estou exagerando quando eu sempre sou o alvo dos seus colegas de time. — Ergui a cabeça para encarar o garoto de olhos azuis que estava praticamente sentado ao meu lado e isso fez meu óculos deslizar pelo nariz. Levei o indicador empurrando-o novamente para o centro do meu rosto.

– Certo e o que você está escondendo de mim, aí? — Ele perguntou já tenso de curiosidade erguendo levemente a cabeça para tentar ler alguma coisa. Dean era uma dos garotos mais curiosos que já conheci em toda minha vida e isso era engraçado.

– Eu? Nada. É só uma pesquisa que estou fazendo e que pode ficar para depois. — Falei ao fechar a tampa do notebook e me levantei para deixá-lo sobre a mesa de estudos.

– Está me escondendo alguma coisa! — Dean se levantou também cruzando os braços sobre o peito o que fez a camiseta que ele vestia esticar o tecido e deixar seus bíceps em destaque. Acho que perdi uns três segundos olhando aqueles braços enormes. Bendito seja o football americano e as transformações que pode causar no corpo de um jovem de dezenove anos.

– Se eu aceitar ir nessa festa, vai parar de ficar tentando ler as minhas coisas? O que aliás é uma atitude bem invasiva, na verdade. — Me dei por vencido, encostando na mesa de estudos e levando os braços para atrás e assim poder sustentar meu corpo. Acabei me desequilibrando levemente enquanto ele sorria de forma empolgada para mim.

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Você deve estar se perguntando quem diabos é Dean, certo? Pois bem, ele é a personificação dos meus sonhos. Sem exagero. Ou um talvez com pouco de exagero, porque sou exagerado, mas ele é demais. E ele não faz ideia de que eu tenho um crush bem acentuado por ele.

Dean Pierce e eu nos conhecemos na cafetaria da faculdade. Ele é calouro e, diferente de mim, faz parte do que chamamos de populares da UCLA. Ele é aluno de Fisioterapia com bolsa por jogar no time de futebol da universidade. E além de tudo, ele trabalha comigo.

Quando eu coloquei os olhos nele a primeira vez quase perdi o ar, literalmente. O problema, que na verdade não é nenhum problema, é que além de lindo e carismático, ele se tornou meu assistente em um projeto de adaptação teatral e isso nos deixou cada vez mais próximos. Bem você precisa entender que ficar perto do Dean o tempo todo é quase impossível de não se apaixonar.

Ouvi algumas batidas seguidas na porta do dormitório e então me levantei para atender, pelas batidas desesperadas eu já podia imaginar de quem se tratava.

– Bonequinho! — Uma ruiva se jogou para dentro do meu quarto assim que abri porta e me abraçou com força enchendo de beijos.

– Ai! Bell! — Resmunguei enquanto eu dava passos para trás e finalmente consegui fechar a porta.

– Porque você não está fantasiado! — Ela perguntou me olhando da cabeça aos pés. — Você prometeu que iria nessa festa, todo mundo vai, Carter! — Briar Campbell era minha melhor amiga. Ela estudava Enfermagem e também trabalhava como DJ, além de ter uma filha totalmente linda a qual eu havia me apegado muito. Maddie era uma garotinha esperta e viva como a mãe.

– Eu… Hum… — Tentei pensar em uma desculpa rápida e plausível.

– Thomas Carter, você me fez fantasiar de aluna da Grifinória e eu nem gosto tanto de Harry Potter assim! — Eu rolei os olhos, mas a verdade é que eu estava mesmo com medo de ir a esta festa. — Se você não se fantasiar em cinco minutos, eu vou contar para um certo jogador de football o que eu andei descobrindo… — A ruiva tinha o dedo indicador apontado para meu nariz o que me deixava levemente vesgo ao encarar aquele indicador ameaçador.

– Dez minutos, pode ser? — Respondi ao começar a me movimentar pelo quarto a procura das minhas roupas. Certo, eu não fui original na minha fantasia. Eu já possuía um óculos de grau extra com armação redonda e só precisei fazer uma cicatriz no meio da testa em forma de raio, bagunçar meu cabelo e entrar dentro de um uniforme da Grifinória que eu e Campbell alugamos em uma loja perto da universidade.

– Você está lindo, Sr. Potter! — Bell disse assim que saí do banheiro enquanto me esforçava para manter meu cabelo no lugar. Ela veio até mim e me entregou a minha réplica da varinha do Ron Weasley, meu personagem favorito. — Vamos, o seu príncipe encantado está esperando no saguão. — Ela abafou uma risada com a mão.

– Shhh, Briar! — Eu entrava em pânico toda vez que ela tocava no assunto. Sempre que ela abria a boca para se referir ao Dean, me fazia arrepender de ter contado a ela a verdade sobre o que eu estava sentindo.

– Ok, ok… Vamos indo! — Ela praticamente me empurrava porta a fora.

– Hey, vocês estavam demorando tanto que eu resolvi subir. — Era o príncipe encantado parado do lado de fora do corredor carregando um martelo dos Deuses na mão.

– HEY! OI! — Eu gritei em pânico pelo medo dele ter ouvido a última parte da minha conversa e acabei forçando demais o sorriso. Eu não sabia o que fazer porque eu tinha claramente umas vinte borboletas voando em meu estômago. Ele estava lindo naquela fantasia de Thor que me fazia sentir um idiota dentro da minha.

– Oi. — Pierce abriu aquele sorriso que me derretia completamente. Precisei segurar o suspiro que subiu pelas minhas vias respiratórias. — Então vamos? — Ele perguntou enquanto Briar enfiava um dos braços em volta do braço dele. Eu brigava para tentar soltar a minha capa que ficou presa na porta quando a minha melhor amiga a fechou em uma tentativa de me sabotar, no mínimo. Assim que eu finalmente me livrei da maldita porta, segurei o outro braço de Bell e saímos em direção a festa da Beta Theta Pi.

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A pessoas que fizeram a decoração da festa realmente haviam se dedicado para fazer algo muito arrasador. Da calçada até a porta de entrada da fraternidade havia um caminho desenhado com abóboras iluminadas e diversos rostos fantasmagóricos desenhados, intercaladas por lanternas em formato de caveira cujo os olhos brilhavam iluminadas por pequenas lampadas vermelhas. Além disso, lâmpadas incandescentes ligadas por fios estavam penduradas por todo o jardim e decoravam também a varanda.

Dentro da casa a festa ocorria em todos os andares com um dj que controlava a música. Haviam fantasmas e morcegos feitos de cartolina pendurados desde o teto e muitos balões nas cores roxo, laranja, preto, branco e vermelho. Uma mesa cheia de aperitivos temáticos estava em um canto da sala no primeiro andar e a bebida… Bem, bebida saltava de todos os lugares. Haviam pelo menos três frezers verticais cheio de bebidas alcoólicas de todos os tipos, além de drinks coloridos que eram servidos em recipientes de laboratórios e tubos de ensaios com gelo seco que fazia uma fumaça sair de dentro da bebida.

– Oi Pierce, posso te morder mais tarde? — Uma loira disse quando Nós estramos na festa. Ela estava em grupinho com outras garotas, todas elas com uniformes da torcida do time da universidade sujos de sangue e suas maquiagens carregadas de falso sangue e muita máscara branca.

– Cheerleaders zumbis. Nossa, que original. — Disse com uma leve ironia em meu tom de voz. Sim, eu estava com ciúmes. Não, eu jamais admitiria isso. Dean apenas sorriu constrangido e se virou para ficar de costas para as meninas da torcida dos Bruins.

– Vocês querem alguma coisa para beber? Eu vou buscar. — Ele falou e eu apenas dei de ombros. Não costumo beber, na verdade sou realmente fraco para bebidas. Fiquei fazendo companhia para Briar enquanto me perguntava porque diabos eu estava ali. Ao longe eu podia ver Dean se servindo na mesa, enquanto uma daquelas zumbis conversava com ele.

– Sabe, você deveria contar para ele o que sente. — Bell disse e para isso precisou quase gritar, por conta do volume da música que tocava na casa. Eu podia sentir os olhos dela em mim naquele instante mesmo que eu ainda estivesse com meus olhos em Dean.

– Agora não é melhor hora de ter essa conversa. — Eu a respondi e virei o rosto na direção dela, já que Dean estava voltando para junto de nós. O que Campbell esperava que eu dissesse? “Oi Dean eu não sei se você é gay, afinal nunca conversamos sobre relacionamentos ou sexualidade, mas eu quero sair com você?” Eu não queria levar um soco na cara e de quebra, perder um excelente assistente de produção teatral.

– Desculpem a demora. — Ele sorriu entregando uma bebida estranha e de cor azul em minha mão. Seu sorriso era encantador como sempre. Eu apenas sorri de volta, indicando que estava tudo bem ele ter demorado.

Eu levei a bebida à boca e quando ela caiu na minha garganta, queimava tanto que a minha primeira reação foi cuspir tudo para fora. Isso seria só engraçado, se eu não tivesse feito em cima de uma menina vestida de anjo em um vestidinho de seda todo branco. Ela agora estava raivosa e com uma grande mancha azul em seu decote enquanto eu tentava limpar meu queixo por onde havia escorrido bebida.
– Oh, me desculpe! — Mas a garota apenas praguejou e meu deu um chute na canela que doeu bastante. — AU! — Resmunguei erguendo minha perna e segurei junto ao corpo. Meus olhos lacrimejaram de dor pelo chute na canela. Escutei Briar gritar algo como “sua vadia, desgraçada!”, mas ela não fez menção de seguir a menina para continuar os xingamentos.

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Algumas horas haviam se passado e depois do incidente com a bebida azul, eu achei melhor não beber. Mas isso não atrapalhou a nossa festa e por isso fomos dançar na pista improvisada na sala central da fraternidade. Nos cantinhos escuros pessoas se pegavam, mas isso acontecia em qualquer festa.

Eu estava com uma certa dificuldade de tirar meus olhos de Dean, ele estava realmente provocando minha imaginação com aquela fantasia e os braços perfeitamente visíveis no tecido colado. Havia momentos em que eu achava que ele estava retribuindo meus olhares, mas não… Ele era demais para mim. Damm it!

E foi nessa fração de segundos enquanto eu olhava para o garoto em minha frente que dançava animado embalado pelo efeito das doses que já havia tomado, que Briar simplesmente sumiu. Foi como se ela tivesse aparatado. Consegui localizar a maluca na mesa do DJ, dando um “chega pra lá” no cara e tomando dele o controle da festa. Foi então que In the Dark do Tiësto começou a tocar e a galera se animou bastante.

Dean se aproximou para sussurrar algo no meu ouvido.

– Vem dançar comigo! — Ele disse um tanto alto para que eu ouvisse.

– Quê?! — Eu perguntei sentindo um gelo subir minha espinha.

– Dançar… Comigo. — Na segunda vez ele me puxou mais para perto e começamos a dançar no ritmo animado da música. Quer dizer, Dean estava dançando. Eu estava parecendo uma minhoca mal matada me contorcendo junto a ele porque eu não sabia dançar de maneira decente. Senti a mão dele em minha cintura e os seus dedos apertarem meu corpo ali. Eu levei meu braço por cima do ombro dele e foi minha vez de trazê-lo mais para perto.

Não falamos nada, apenas nossos olhares estavam em uma conversa intensa e cara, aqueles olhos do Dean me matavam de um jeito que eu não sabia explicar. Era um olhar intenso, vivo, dentro do meu que fazia meu coração querer sair pela boca. Entreabri meus lábios. A música estava na metade. Ele se aproximou do meu rosto. As coisas na volta começaram a girar em câmera lenta. Senti os lábios dele nos meus e um beijo calmo começou ali e foi aos poucos ganhando urgência. Eu levei uma das mãos no rosto dele, porque dentro de mim um grande vulcão havia acordado no momento daquele beijo e eu precisava tocá-lo.

– Nossa, arranjem um quarto! — Uma garota resmungou ao passar por nós, o que fez nossos beijo acabar e ambos começarem a rir.

– Vamos dar o fora daqui. — Ele sussurrou com os olhos azuis vidrados em meus lábios. Eu não pensei duas vezes antes de sair da festa puxando Dean pela mão enquanto gargalhávamos. Eu não sabia para onde estávamos indo, mas onde quer que fosse eu sabia que seria o melhor lugar do mundo para estar em um Haloween.

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Notas finais
Os personagens descritos acima são originais. Espero que tenham gostado. :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.