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10 Welcome Home
Notas iniciais
“Rose...” Disse Albus entrando calmamente no quarto das crianças, onde Rose, com lagrimas no rosto, olhava sem piscar para uma foto bruxa antiga dos gêmeos aos quatro anos de idade correndo no Central Park. Ele não queria interromper aquele momento sagrado, mas não tinha escolhas. “Nós precisamos ir.”
“Eu... Eu não vou.” Ela disse após um longo espaço de silencio.
“Rose, não há outro modo... Nós precisamos ir até eles. Em Londres.” Implorou.
“E se... E se eles voltarem? Alguém precisa estar aqui quando eles voltarem...”
“Eles não vão voltar se não formos atrás deles.” Confessou ele com um aperto no coração.
“Seu primo está certo, Rose.” Disse Oswin, aparecendo ao lado de Albus, com um corte cheio de pontos no rosto. “Precisamos ir.”
“É, preci... O que?” Albus engasgou. Havia entendido realmente o que aquele homem totalmente estranho havia acabado de dizer?
“Precisamos ir.” Ele repetiu. “Não acham mesmo que eu iria ficar aqui esperando? Eu sou seu noivo, Rose. Quase seu marido. Quase pai das crianças. Se tem alguém que deve ir e lutar por isso, sou eu.”
Rose observou o homem em silencio, tentando compreender o que ele dizia, por mais claro que fosse.
“Você não vai conosco.” Afirmou Albus. “Você nem sabe lutar direito, Oswald.”
“Pelo que eu me lembre, não foi você quem conseguiu trazer Rose de volta para a casa, não é?”
Então os dois se encararam, como se estivessem duelando mentalmente.
“Por que acha que devemos ir, Oswin?” Rose questionou, um pouco hesitante.
“Eu só acho que...” Ele tentou explicar.
“Você precisa confiar em mim, Rose.” Implorou o moreno.
“Isso não faz sentido...”
“Não para você...” O moreno suspirou. Talvez ele tivesse razão. Ela precisava confiar nele... Mas na verdade, não se lembrava em qual ponto da história havia perdido a confiança no primo.
“Está bem.” Rose disse depois de um minuto. “Mas eu... Eu... Acho que seria melhor se Oswin fosse conosco. Eu realmente preciso de alguém nesse momento...”
“Está bem.” O Potter aceitou totalmente irritado e demonstrando isso em seu rolar de olhos.
Algumas horas depois, o pequeno grupo desembarcou no aeroporto internacional de Londres. Albus, um pouco irritado pela companhia indesejada de Oswin, pegava as malas que não eram muitas, por questão de economia de tempo. Esperava que ao menos o homem intruso ajudasse em alguma coisa, mas tudo que lhe vinha em mente era que este iria dificultar muito mais as coisas.
“Ele tinha mesmo que vir junto?” Murmurrou, aproximando-se da prima que comprava três copos de café enquanto o Oswald estava no banheiro.
“Ele pode ajudar em alguma coisa...” Deu de ombros.
“Ou atrapalhar... Não lembra que ele não durou nem dois minutos no duelo na sua casa?”
“Podemos não falar sobre isso?”
Havia tocado na ferida, como sempre. Ela não queria se lembrar da noite anterior, pois havia sido a noite que perderá seus filhos. Ele ficou em silencio, um tanto constrangido com a situação. Neste meio tempo, Oswin apareceu.
“Então... Para onde vamos?” Questionou ele.
“A casa de um amigo meu...” Explicou Albus, em um suspiro.
“Ah, nem pensar...” Protestou a ruiva.
“Não se preocupe... Ele não mora lá há muitos anos.”
“E você vai invadir a casa? Está ficando louco?”
“Não vamos invadir. Eu tenho as chaves.”
“Ok.” A mulher respirou fundo, um pouco aliviada. Não queria ir contra as leis também. “E onde fica?”
“Escócia.”
“Está louco?” Zombou, Oswin. “São mais de sete horas de viagem.”
“E o que você sugere?”
“Ir para King Cross... Existe uma rede-flu lá que é conectada a Edinburgh. Foi criada para...”
“Diminuir a viagem de 5 horas para 30 minutos...” Completou Oswin. “Ninguém usa erra rede porque é enjoativo demais ficar 30 minutos girando.”
“Nós vamos.” Ela determinou, cortando o assunto do homem ao seu lado.
“Está bem, você quem manda.” Ele levantou as mãos em defensiva.
Quase uma hora depois, o trio saiu da linha especial da rede flu de London-Edinburgh e Albus jurava que iria vomitar a qualquer instante. Podia sentir o café rodando eternamente dentro de si. Porém, a viagem estava apenas na metade. Dali eles tiveram que pegar Nôitibus e descer em um pequeno vilarejo no interior. Um vilarejo que parecia ter se perdido no tempo. O restante da viagem foi a pé por uma velha estrada que parecia não ter fim. Quando o sol começou a se pôr, eles avistaram um gramado muito bem cortado – para a surpresa de Albus que imaginava uma cena desastrosa de uma casa abandonada – que circundava uma bela casa.
“É aqui?” Perguntou Rose, sentindo como se estivesse tendo um déja vu. Tinha certeza que já havia estado ali antes.
“Seja bem-vinda.” Ele respondeu desejando acrescentar ‘seu lar’ na frase, mas contendo-se. “Não mudou nada desde a última vez que eu vim aqui... As chaves devem estar.”
“Naquele vaso de girassol do lado direito da porta.” Completou. “Você disse que tinha as chaves.”
Albus havia sido pego no pulo, mas deu apenas um sorriso e levantou as mãos como se soubesse a verdade.
“Sinto muito... Mas como você sabe que as chaves estão lá?”
“Eu não sei.” Ela deu de ombros vendo Oswin correndo para o local indicado e logo em seguida levantando a chave. “Era só o lugar onde eu deixaria se morasse aqui.”
Albus ficou perplexo com a informação. Se Scorpius tinha alterado as memórias de Rose, como ela sabia que a chave ficava ali? Ela não deveria saber disso. Pensando nisso, ele correu atrás de Oswin e tomou a chave da casa, colocando-a imediatamente na mão da ruiva que chegou a porta pouco tempo depois.
“Faça as honras.” Ele disse.

O lado de dentro surpreendeu muito mais do que ele esperava. Tudo deveria estar cheio de poeira com coisas quebradas, mas ao invés disso era como se alguém tivesse contratado uma faxineira no dia anterior e ainda era possível sentir o cheiro do eucalipto no ar. Mas quem poderia ter feito aquilo? Scorpius não voltaria aquela casa. Ele sempre lhe dissera que não havia registrado o local no sistema bruxo, para garantir a segurança dele e de Rose quando se casaram... Ele não voltaria para aquela casa a não ser que tivesse certeza de que tudo estava bem. Ou ele voltaria? Bom, as crianças talvez estivessem certas sobre a ligação.
“Acho que seu amigo andou dando uma geral na casa.” Comentou Oswin, entrando curioso no local.
“Nem mesmo a minha casa é tão limpa assim.” Rose parecia encantada. “Seu amigo tem um enorme bom gosto.”
“Foi a esposa dele quem escolheu a maioria das coisas aqui.” Explicou.
Distraido, ele caminhou até a sala onde todos os móveis ainda estavam cobertos por lençóis brancos para não serem danificados com a poeira ou a luz do sol. Ele riu consigo mesmo ao lembrar-se de todas as noites que eles quatro sentavam naquele sofá, comiam uma torta de abóbora que Rose havia feito e tomavam cerveja amanteigada... Ela sempre brigava com ele por colocar os pés na mesa de centro. Tudo aquilo estava lhe dando uma imensa nostalgia.
“Então... Qual é o plano?” Rose interrompeu seu momento tristonho, parando em sua frente.
“Vamos descansar um pouco e depois eu e Oswin vamos até o vilarejo comprar comida...”
“E as crianças?” Exclamou, sentindo-se incomodada. “Como você pode pensar em comer e descansar em um momento como esse?”
“Rose, você nunca leu a arte da guerra?” Albus pareceu perplexo. “Um exercito sem comida é um exercito morto. E se o exercito não descansa, certamente vai cair mais rápido.” Explicou e resolveu complementar. “ E vou tentar falar com o departamente de Uso da Magia... Seus filhos são rastreados ainda, lembra?
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