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14 Photograph
Notas iniciais
"Como ela está?" Perguntou Scorpius quando o amigo voltou do sótão com a tigela cheia de sopa na mão. Pelo visto, Rose não estava nada bem. Ela estava negando a comida. A única vez que lhe vira fazer isso foi duas semanas antes de encontrarem a mansão Malfoy destruída. Provavelmente ela já estava grávida naquela época, ao notar que agora tinha dois filhos. E agora estaria grávida? Tinha certeza que não. Ela estava apenas triste o suficiente com o que estava acontecendo em sua vida. Quase podia sentir a dor dela.
"Nada bem." Murmurou Albus colocando a tigela sobre a bancada da cozinha enquanto observava o Malfoy terminar de comer. Ele parecia meio desesperado pelo modo que devorava os legumes que flutuavam no líquido. "Quanto tempo faz que você não come?"
"Isso importa?" Respondeu irritado, levando um pedaço de pão a boca antes de se levantar e colocar a mão na tigela que deveria ser da ruiva. "Eu vou levar isso para ela."
"Não." Oswin apareceu repentinamente na cozinha. "Eu levo."
"Porque faz tanta questão?" Scorpius lançou um olhar ameaçador em direção ao homem que tinha aparência um pouco familiar para ele.
"Ela é minha namorada."
"Pensei que fossem noivos."
"Qual a importância disso? Vamos nos casar em breve."
Era como se Oswin soubesse do relacionamento deles e soubesse o ponto fraco dele porque aquilo lhe fez subir a temperatura corporal.
"Não me importa." O loiro tentou manter a postura. "Olha, você tem razão. Deve ir lá... Talvez com você ela consiga comer um pouco."
Oswin sentiu-se vitorioso ao sair dali com a tigela, mas não demorou para se ouvirem gritos irados seguidos dos passos de retorno dele. Scorpius sorriu vitorioso.
"O que você fez?" Perguntou Albus rindo baixo.
"Dei a ele o que ele queria." Deu de ombros. "Quando Rose diz que quer ficar sozinha, ela realmente quer ficar sozinha."
"Diz isso como se já tivesse namorado ela." Oswin apareceu, tentando limpar um pouco de sopa que havia caído em sua roupa.
"Andou bebendo? É claro que não. Ela me odeia desde que me conheço por gente... Mas por causa do amigo em comum" Scorpius olhou para Albus. "aprendi muito sobre Rose. Basicamente somos mais próximos do que imaginamos."
"Então você já...?"
"Sente-se tão inseguro assim? Rose já pegou coisa melhor." Balançou a cabeça como se estivesse decepcionado. "Não se preocupe, Oswin Oswald. Eu tenho talento com mulheres, mas com Rose... Ela é só uma colega." No mesmo momento, o loiro fez questão de esfregrar o dedo na aliança para chamar a atenção do homem a frente. "Mas sabe... Não deveria continuar fazendo isso. Vai se dar mal quando ela descobrir que não passa de um mentiroso."
"Está insinuando que eu estou enganado ela?" O castanho deu um passo a frente.
"Eu? Não! Que ridículo, cara. Você fica se culpando e eu levo a carga?" Fingindo estar ofendido, o Malfoy procurou uma outra tigela e encheu-a. "Com licença. Preciso alimentar alguém nessa casa que parece um leão doente."
Duas batidas leves na porta do quarto foram suficientes para ouvir um 'vá embora' um pouco irritante. Aquilo lhe fez sorrir de modo que não sorria a muito tempo. Lembrava-se de quando discutiram a primeira vez depois de casados. Como fez daquela vez, resolveu cruzar a linha inimiga, subindo diretamente para o sótão onde a ruiva estava abraçando o travesseiro em meio a soluços.
"Rosie?" Ele chamou-a carinhosamente.
"Por que está me chamando pelo meu apelido? Me deixe em paz, Malfoy..."
“Posso entrar?” Ele ignorou a ignorou, entrando no comodo com cuidado para não bater a cabeça como sempre fazia. “Obrigado.” Ironizou.
“Qual a parte que você não entendeu de que quero ficar sozinha?”
“A parte de que nunca te deixei ficar sozinha...” Scorpius encarou-a até que ela se virou para vê-lo com seus olhos vermelhos de choro.
“Na verdade, nestes últimos dez anos eu finalmente tive a paz que esperei durante sete anos...”
“Sentiu minha falta, não é?” Ele sorriu confiante.
“Nem um pouco.” Ela retrucou. “Você não faz ideia de quanto é bom para mim não ter que competir com você ou ouvir aqueles insultos infantis e estupido como...”
“Você nunca vai namorar ninguém sendo essa sabe-tudo-irritante-júnior que você é.” Ele completou a frase dela, se lembrando das coisas ridículas que ele dizia só para ver ela ficar vermelha de tanta raiva. Talvez ele tivesse sido um completo idiota quando em Hogwarts, mas não se arrependia de cada insulto que dizia, pois sabia que tudo isso era para manter ela por perto. “Mas tenho que admitir que você está muito bonita... E que eu estava errado.”
“Não vou cair na sua lábia, Malfoy.” Comentou ela, decidida. “Tenho pena da sua esposa.”
“Mantenha a calma, Weasley. Isto foi apenas um elogio.” Defendeu-se. “Não tenha pena dela, por favor. Ela sabe que amo ela o suficiente para não fazer besteiras do tipo que você está pensando.”
“É apenas um aviso.” Ela deu de ombros. “Além do mais...”
“Seu amigo, namorado ou noivo é um idiota por completo.”
“Está com ciúmes, Malfoy?” Ela ergueu a sobrancelha da esquerda.
“Eu? Com ciúmes?” Ele forçou uma risada.
“Exatamente, mas...” Ela suspirou e apertou o travesseiro mais contra si mesma. Podia inalar todo o perfume que continha nele.
Houve um silencio. Scorpius ficou pensativo e notou que na mão da ruiva havia uma imagem. Aquela imagem, mesmo que não pudesse ver direito, lhe fez lembrar das palavras de Albus. Seria ele mesmo o pai dos gêmeos? Só havia um modo de descobrir.
“Essa foto... É deles?” Perguntou, hesitante em se aproximar.
“Sim.” O sembrante de Rose mudou para algo extremamente deprimente.
“O que aconteceu com o pai deles?”
Novamente houve um silencio, mas desta vez foi constrangedor. Ele podia sentir uma frustração misturada com raiva emanando da mulher que permanecia sentada ali.
“Saia. Daqui.” Pediu, tentando manter a calma.
“Calma, Rose.”
Ela se levantou rapidamente, jogando o travesseiro de lado e correu em direção a ele. “Saia. Daqui. Agora!” Gritou empurrando-o.
“Desculpe! Rose, por favor! Desculpe!” Implorou, tentando manter o equilíbrio e não derrubar a sopa. “Eu só queria saber se era verdade o que Albus disse...”
“O que?” Ela parou repentinamente. “O que Albus disse?”
“Que você não se lembra...”
“Ele é um boca grande miserável!” Ela continuou os movimentos bruscos. “Saia, Malfoy!”
Mas ele não podia sair. Queria saber como eram as crianças. Queria mais informações. No último golpe, ele desviou, o que causou o desiquilibro da garota, e acelerou os passos até o colchão, pegando a imagem que ela havia deixado ali.
“O que é isso?” Ele perguntou como se não soubesse. “São seus filhos?”
Era uma foto simples e normal, onde Rose abraçava com seus braços sardentos as duas crianças faziam caretas engraçadas. Scorpius não conseguiu deixar de sorrir. A menina, que estava do lado esquerdo na imagem, tinha cabelos loiros longos e traços do rosto de Narcissa, sua avó. Já o menino, ele não podia negar, era como uma cópia de si mesmo, mas com os olhos castanhos de Hermione. Não tinha como dizer outra coisa. Eles eram seus filhos. Ele podia ver todos os traços Malfoy nos dois, embora estivessem levemente misturados com os traços dos Granger-Weasley.
“Tire as suas mãos disso, Malfoy.” Ela disse de braços cruzados.
“Eles são tão bonitos...”
“Eu sei disso.” A ruiva suspirou.
“Devem parecer bastante com o pai... Quer dizer, eles são loiros.”
“Cala a boca.” Violentamente, ela arrancou a fotografia das mãos do homem.
“Me desculpe... Sério... Eu não queria te magoar...”
“Tudo bem.” Ela deu de ombros como se não se importasse.
“E-eu trouxe isso para você.” Ele levantou a sopa.
“Não quero.”
“Rosie, você precisa comer.” Pediu. “Seus filhos precisam de você mais do que nunca... Se você não se alimentar direito, não vai conseguir fazer nada.”

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