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1 Death Eaters
Notas iniciais
Mansão Malfoy, Grã-Betanha — 10 anos antes
“Aconteça o que acontecer, não solte a minha mão.” Ordenou o jovem adulto, Scorpius Malfoy, agachado ao lado de uma arvore caída, olhando nos olhos azuis de Rose Weasley. A chuva caia forte, impossibilitando-os de verem mais do que um palmo de distância, ainda mais por já estar de noite. Provavelmente já passava das oito horas e tudo o que eles dois sabiam era que seus sapatos estavam encharcados por dentro e cheios de lama por fora, sem contar que as folhas secas das árvores que antes estavam no chão, agora estavam grudadas em seus corpos. No entanto, ao pensar pelo lado positivo, ainda estavam vivos e sem nenhum ferimento grave que poderia lhes custar a vida. “Você entendeu, Rose? Segure firme e não solte por nada.”
“Eu entendi, eu entendi...” Disse a ruiva com certo desespero na voz. Ainda acreditava que deveriam aparatar, mas ele tinha um plano que lhes daria mais segurança. Pelo que havia entendido até aquele momento, despistar seus perseguidores naquele momento lhes renderia provavelmente mais um mês ou mais de vida tranquilo. Mesmo assim, ela ainda sentia que algo terrível poderia acontecer aos dois... E seu corpo estava tão cansado que se perguntava quanto tempo mais conseguiria correr.
“Vai dar tudo certo.” Scorpius incentivou-a, reparando o quão belos eram os olhos dela e se controlando com a vontade imensa que tinha de beija-la. “Eles não podem saber que você está com medo, Lion heart, da mesma forma que não vão saber que eu também estou. Temos que ser fortes.”
Os olhos de Rose se fecharam logo que ele terminou de falar. Estava se concentrando em ouvir os ruídos ao seu redor, e ao deduzir, seus inimigos estavam se aproximando rapidamente. Conseguia ouvir perfeitamente o barulho inconfundível de corpos cortando o vento. Não demoraria muito até que este pequeno grupo encontrasse os dois ali, sozinhos com as varinhas em mão.
As mãos da ruiva, frias e úmidas, tocaram as mãos do parceiro e assim se uniram com a maior força que os dois poderiam fazer. Então, em uma contagem de cinco, eles saltaram, reiniciando o jogo de vida e morte, em desespero, mas como se não bastasse, um estrondo lhes pegou de surpresa. Sem muito tempo, talvez nem mesmo segundos, o loiro puxou a amada e em um abraço, encostou-a em uma árvore ao seu lado. A tentativa de proteger ambos – tanto ela quanto ele – dos pedaços da madeira que voavam, não foi tão bem sucedida e ele gemeu com a dor das farpas que invadiram a sua pele.
Passando o susto inicial, os dois voltaram a correr. Agora com uma nova direção, eles haviam perdido segundos preciosos e precisariam de um novo plano para conseguir mais tempo. Não estavam dispostos a dar de cara com a morte, eles ainda eram muito jovens e estavam tentando construir uma família.
Ninguém jamais imaginava que há apenas três anoss, o casal que se odiava e competia por qualquer coisa iria transformar a história deles em um belo romance à moda de Romeu e Julieta, mas que diferente da história original, teria um final feliz graças a compreensão – que levou um pouco mais de tempo que o esperado – de ambos os lados. Não precisando mais esconder o relacionamento e nem mesmo seus sentimentos, suas vidas pareciam perfeitas... Mas não foi por muito tempo. Como o velho ditado grego falava, tempos de calmaria são pressagio para mares agitados. Perseguidos por comensais que conseguiram se esconder do ministério, a família Malfoy precisou se ocultar na sociedade e temendo o perigo, o jovem casal selou seu relacionamento em uma pequena cerimonia para amigos e familiares mais próximos. E agora, após terem visto a mansão Malfoy quase totalmente destruída e em chamas, corriam pela floresta que cercava o local tentando sobreviver.
“Não consigo ve-los.” Informou a ruiva, em um tom mais alto do que um sussurro, olhando a cada três passos para trás. “Onde eles estão?”
“Não devem estar muito distantes...” Respondeu o loiro parecendo indiferente. Obviamente, ele não queria demonstrar que isso o preocupava imensamente. Uma coisa era crescer ouvindo sobre os comensais da Segunda Guerra Bruxa e outra coisa era estar sendo a raposa perseguida pelos caçadores.
Por dentro, por mais que Scorpius não fosse religioso e nem entendesse muito sobre isso, ele orava para que conseguissem sair vivos. Ou ao menos, Rose tinha que sair viva... Nem que ele precisasse morrer para isso... E isso lembrou-lhe do dia em que havia saído para caminhar com seu pai, uma semana depois de ter sido forçado a beber uma poção de memórias amarga. Ele precisou de tanta coragem para perguntar o verdadeiro motivo do pai para ter feito tudo aquilo e ele simplesmente respondeu algo que ainda permanecia em sua mente até atualmente: as vezes fazemos grandes sacrifícios pelas pessoas que amamos.
De repente um ruído quase imperceptível cruzou as árvores e a mão da ruiva aliviou a pressão, deixando que apenas ele a segurasse, mas em menos de um segundo ela já não corria ou andava, fazendo-o parar quase imediatamente. Em seguida, o grito cruciante de Rose encheu-lhe os ouvidos. Uma maldição imperdoável, deduziu ele, abraçando-a pela cintura e tentando coloca-la de pé. A adrenalina em suas veias aumentava seus batimentos cardíacos rapidamente.
“Parem!” Gritou. “Eu estou implorando! Parem! Eu me rendo!”
“Mas logo que a diversão só está começando?” Disse uma voz cujo o dono ainda não estava visível.
“Por favor! Não é a ela que vocês querem...” Prosseguiu ele pedindo por um pouco de misericórdia. “Torturem a mim!”
“Ora, ora... Alguém está bancando o herói...” Disse outro, também invisível.
“Vocês vieram atrás de mim e não dela.” O loiro ainda abraçava a mulher sensível que gritava e tremia. “Por favor, parem!”
“Está certo, Malfoy.” Retrucou o primeiro. “Mas o premio vale em dobro quando se trata de uma Weasley.”
“O que vocês querem? Diga e eu farei!”
Agora, os quatro comensais estavam visíveis, e os cercavam. Ao verem que o jovem estava disposto a qualquer coisa, todos eles riram, mas um deles – provavelmente era o líder – fez um sinal com a mão e os gritos da ruiva cessaram juntamente com as risadas dos companheiros.
“Quanto está disposto a pagar, garoto?”
Scorpius não respondeu de imediato. Em seus braços se encontrava a forma mais frágil de Rose Weasley. Era como segurar um recém-nascido que lutava para que seus pulmões se enchessem de oxigênio. Ela parecia como uma criança, com olhos esbugalhados, encolhida com medo de um famoso bicho-papão. De alguma forma, ele precisava tira-la dali... Mas como o faria? Ele não tinha ideia. Precisava de um tempo para pensar.
“Qual é o seu preço?” Perguntou, colocando um plano de ganhar tempo em pratica.
“Você sabe muito bem o motivo de estarmos aqui... Você tem algo que nos pertence.”
“Eu não posso ajudar vocês nisso...”
“Temos sua família e estamos a dois passos de você e sua namoradinha, bebê Malfoy.” Uma outra voz, desta vez feminina se intrometeu. “Quer mesmo bancar o bom homem e arriscar essas almas preciosas?”
“Você não é o herói desta história, garoto.”
De repente algo iluminou sua mente. Pendurado no pescoço da ruiva, algo brilhava levemente. Suas mãos ágeis e discretas rapidamente puxaram o cordão, de modo que este ficou entre os dois, e deu uma volta no relógio do vira-tempo. Essa era a chance deles.
“Sabe de uma coisa? Vocês têm razão. Eu não sou o herói...” Concordou, com um tom sarcástico. “Mas não sou o vilão... E muito menos a vítima.”
Antes que os comensais pudessem atacar, eles voltaram no tempo, mas nada daquilo significava que eles estivessem a salvos. Embora apenas uma hora de volta, eles precisavam correr para sair da área dos Malfoy e ele ainda estava preocupado com a ruiva. Ela ainda estava em pânico. Seu belo rosto estava tão pálido... A única vez que havia visto a garota assim foi quando ele a convidou para jantar com seus pais na mansão Malfoy. Ela tinha se recusado e eles brigaram... Somente dois dias antes que ele descobriu que havia sido naquela casa que a mãe da ruiva havia sido torturada.
“Me perdoe, Rose...” Sussurrou, tentando controlar as lagrimas que ameaçavam sair.
“E-está tudo bem.” Ela se esforçava para falar e sorrir. “Você me salvou.”
“Precisamos sair daqui...” Ele falou, se preparando para ajudá-la a se levantar, mas o corpo exausto dela desfaleceu. Sem pensar duas vezes, ele iniciou o processo de sempre – nas últimas semanas desmaios e enjoos haviam se tornado repentinamente frequentes, o que deixou o jovem preocupado com a saúde da ruiva -, então após checar os batimentos cardíacos e a respiração, ele tomou-a no colo e começou a andar para fora dos limites da área que pertencia a família. Precisava aparatar logo.

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