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20 XX
Notas iniciais
Cassiopeia abriu os olhos quase em uma explosão, instantaneamente com medo de estar atrasada, mas parando ao registrar que não havia nenhuma luz lá fora ainda. Embora ela pudesse ouvir claramente alguém na cozinha, as meninas ainda estavam dormindo profundamente em torno de sua cama e ela foi cuidadosa ao sair da sala para não acordá-las.
Ela caminhou silenciosamente pelo corredor e se viu certa quando seus olhos caíram sobre a tia, que estava cozinhando algo junto ao fogão.
— Tia Andrômeda. — Ela chamou.
O casamento estava programado para começar às 11 horas, o que dava tempo suficiente a todos para se preparar, desde que as meninas estivessem de pé assim que o sol nascesse, precisamente às oito.
— Cas. — Ela exclamou, finalmente notando a sobrinha. — O que você está fazendo acordada?
— Que horas são? — Ela olhou em volta para o relógio da cozinha.
— Quase sete. — A tia respondeu. — E você não me respondeu.
Ela esfregou as mãos, nervosa.
— Apenas ansiedade, eu acho. — Cassiopeia murmurou. — Todas as minhas coisas estão na casa nova, exceto o vestido e as coisas do casamento. Eu… Eu não moro mais aqui.
Ela ofereceu à menina um pequeno sorriso.
— É uma grande mudança, certo?
Ela assentiu.
— Ainda estaremos aqui, independentemente de você morar conosco ou não. Você é nossa filha em todos os sentidos da palavra, eu já lhe disse.
Cassiopeia sorriu de volta para ela, sabendo que suas palavras eram nada menos que a verdade.
— Várias vezes.
A tia confirmou e a menina suspirou.
— Posso te perguntar uma coisa?
— Claro.
Cassiopeia olhou por trás das costas, por cima do ombro, para ver se as duas estavam realmente sozinhas antes de se inclinar para um sussurro.
— Eu não sei… Não sei o que fazer depois…
Ela não conseguiu terminar, apenas se contentando com o rubor em seu rosto e olhando para longe dela. Cassiopeia começava a tomar poções contraceptivas em agosto, apenas por precaução e após a insistência de sua tia, mas isso não cobriu o começo das coisas.
— Bem, tenho certeza que você conhece o básico, certo?
A garota assentiu, ainda olhando para a mesa.
— Bem… Teddy me disse uma ou duas vezes sobre ter encontrado vocês… — Ela procurou palavras. — Juntas.
O rosto de Cassiopeia ardeu de vergonha, mas ela não parecia se importar.
— Se você conhece essas duas coisas. — Continuou a tia. — Tudo o que posso dizer é pra você relaxar e ser comunicativa.
Agora, mesmo com a pele do peito e a nuca ardendo de vergonha, Cassiopeia moveu os olhos e as sobrancelhas para cima.
— Comuni–... Você quer dizer falar com ele? — A garota gaguejou. — Durante?
Andrômeda apenas olhou para a sobrinha, impressionada.
— Não me olho desse jeito! — Ela colocou as mãos nas laterais da cintura. — Ele será seu marido. Vocês precisam se comunicar um com o outro. Se você não gosta de algo que ele está fazendo ou precisa de um momento para se adaptar, ele precisa te ouvir. E se você gosta de alguma coisa… Bem, eu devo lhe dizer que Teddy sempre fica muito feliz em saber quando ele faz alguma coisa certa. Jorge parece sempre tão entusiasmado com você que tenho certeza de que ele vai tentar de agradar o máximo possível.
Cassiopeia escondeu o rosto atrás das mãos, absolutamente envergonhada.
— E não tenha medo de surpreendê-lo ou inovar. Você descobrirá as coisas à medida que avança.
— OK. — Ela murmurou por trás deles.
A garota ouviu um som e afastou as mãos do rosto, encontrando uma xícara de chá na frente delas.
— Seu favorito.
Ela ofereceu um sorriso para a sobrinha. Por mais embaraçoso que pudesse ser, Cassiopeia estava feliz por ter sua tia em sua vida.
— Obrigada.
Ela foi até ela e beijou sua testa antes de voltar para suas atividades, e Cassiopeia respirou fundo.
— Tia Andrômeda. — Ela ligou mais uma vez.
— Sim querida?
Ela engoliu um nó que estava se formando em sua garganta.
— Eu contei para minha mãe sobre hoje. — Cas olhou para o próprio chá. — Sobre o casamento.
Andrômeda parou e voltou a olhar para ela novamente.
— Como Cissa reagiu?
Cissa. Anos separadas e ela não perdera o nome que tinha para a irmã.
— Quando eu disse que ia me casar, ela perguntou se eu esperava que ela me parabenizasse. — Cassiopeia disse devagar. — Então ela me perguntou se era com Jorge que eu ia me casar. E ela foi embora.
A garota respirou fundo, tomando outro gole de chá e segurando as lágrimas que ameaçavam cair de seus olhos.
— Ah, querida.
Cas fungou e levantou a cabeça, recompondo-se.
— Eu só precisava contar para alguém. — A jovem afirmou, mais firme desta vez. — Não vou pensar nela, não vou pensar neles. Hoje é um dia feliz.
Sua tia sorriu e caminhou em sua direção, pegando a mão da sobrinha e tocando sua bochecha.
— Hoje é um dia feliz. — Ela concordou. — Volte para a cama e descanse. Vou te acordar quando chegar a hora.
— Sim, senhora.
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