— As pessoas continuam desaparecendo e morrendo. – Cassiopeia largou o jornal na mesa de jantar. – Daqui um mês não teremos mais nenhum bruxo vivo no Reino Unido.

Tonks apenas suspirou, e Andrômeda chacoalhou a cabeça.

— Tem certeza que quer fazer isso? – A loira indagou a tia. – Eu não me sinto muito festiva.

E era verdade. O aniversário de 18 anos de Cassiopeia havia passado, mas depois de muita insistência, ela havia aceitado celebrá-lo ao lado de Harry, que estava fazendo 16 esta noite. Ele não ligava muito, mas a jovem não estava planejando nada pra este ano, especialmente com tudo o que estava acontecendo.

— Temos. – Senhor Tonks se pôs de pé. – É seu aniversário, e devemos celebrá-lo. Em momentos como agora, precisamos aproveitar cada momento de felicidade possível. Vamos?

Cassiopeia finalmente suspirou e confirmou, e os quatro aparataram no jardim da Toca, rapidamente sendo recepcionados.

— Cas. – Fleur exclamou, animada. – Comecei a temer que não viria.

— É meu aniversário. – Ela respondeu, desistindo de dar uma resposta honesta à francesa. – Eu não poderia faltar.

No momento que a jovem se afastou, Jorge já estava abraçando a namorada, pulando o usual beijo dos dois e abrindo um sorriso forçadamente educado para seus tios.

— Senhor e Senhora Tonks, é um prazer revê-los.

A loira rolou os olhos e deu um passo para o lado, fazendo-o soltar sua cintura.

— Me procure quando terminar de bajular os meus tios.

Ele não respondeu, e Cassiopeia seguiu para dentro da cozinha, encontrando Harry, Ronald e Hermione conversando entre si.

— Oi? – Ela ofereceu um sorriso ao grupo e dirigiu os olhos ao moreno. – Parabéns.

Ele sorriu timidamente em resposta, e ela ofereceu a ele o pacote que havia trazido.

— Eu trouxe um presente.

Meia hora depois, todos já estavam à mesa, e embora Molly houvesse tentado mudar o assunto diversas vezes, ele já havia voltado a todas as pessoas que estavam desaparecendo. Recentemente, Karkaroff havia sido encontrado morto e Fortescue – o dono da sorveteria no Beco Diagonal – havia desaparecido, assim como o Senhor Olivaras.

— Não temos escuros, os que estamos vivendo. – Andrômeda afirmou. – Temos que nos manter seguros.

— O Beco Diagonal não é mesmo de antes. – Fred afirmou, incomodado. – Sabe, se tivéssemos comprado a loja um pouquinho depois, teríamos pago metade do preço pelo prédio. E as vendas não estão tão boas quanto deveriam.

— E você está dizendo isso pra mim? – Cas ergueu uma sobrancelha pra ele, embora ainda utilizasse um tom descontraído. – Sou eu quem está sendo paga menos que um salário-mínimo pra trabalhar pra vocês.

— A ideia foi sua. – O gêmeo a lembrou. – Não me faça parecer malvado só porque você quis ser boazinha e nós aceitamos a proposta.

Ela revirou os olhos e voltou a comer, mas perdeu o sorriso em seus lábios quando seu olhar caiu em Lupin. As coisas entre ele e Tonks não haviam mudado, o que significa que ela ainda estava no mesmo estado, e Cas estava tentando mantê-los afastados pelo maior tempo possível; ela não queria que a prima fosse constantemente lembrada de como ele a havia tratado e não queria a noite terminando negativamente.

— Podemos ir lá fora por um momento? – Jorge indagou depois que todos já estavam de pé, conversando, e ela apenas confirmou com a cabeça antes de ir até o jardim e esperá-lo.

Quando seu namorado saiu, ele estava escondendo algo atrás das costas.

— Jorge, o que eu te disse sobre…

— É seu aniversário e nosso aniversário. – Ele a interrompeu, antes que ela pudesse continuar o sermão. – Nós não vamos brigar todo ano só porque você não me quer gastando dinheiro com um presente, só o aceite e siga em frente.

Ela suspirou.

— Tudo bem. – Ela deixou os ombros relaxaram. – Okay. Então?

Ele moveu a mão e ela sorriu quando ele lhe ofereceu uma rosa furta-cor que ela conhecia muito bem.

— Feliz aniversário de namoro. – Ele sorriu gentilmente. – Você não pensou que eu ia esquecer, achou?

Ela negou com a cabeça e segurou a flor, sabendo exatamente onde iria colocá-la: ao lado de sua cama, num vaso, com as outras duas.

— Nunca.

— E isso. – Ele puxou uma bolsinha de dentro do bolso. – É o seu presente de aniversário.

Cassiopeia o observou abri-la e sorriu para a pulseira que ele puxou dali de dentro.

— É linda. – Ela afirmou. – Obrigada.

Jorge segurou seu braço delicadamente, e pôs a pulseira em seu pulso em silêncio antes de segurar a mão dela, olhando em seus olhos com uma intensidade diferente.

— O quê? – Ela murmurou.

— Eu só… – Ele suspirou. – É bobagem.

Ela apertou a mão dele rapidamente.

— Não é. – Ela insistiu. – O que foi?

— Muita coisa está acontecendo. – Ele notou. – Eu preciso tomar conta de você.

Ela o encarou, confusa, por um momento.

— Jorge, eu posso cuidar de mim mesma. – Ela o lembrou, sorrindo um pouco. – Você não precisa se preocupar com isso.

Mas ele negou com a cabeça.

— Eu sei. Você é melhor que eu em muita coisa, mas eu preciso saber que eu posso te proteger. – Ele insistiu. – Eu não consigo nem imaginar o que eu faria se algo acontecesse com você, e eu não pudesse te salvar.

Ela ergueu uma das mãos e tocou o rosto dele.

— Você não precisa se preocupar comigo. – Ela pressionou a testa contra a dele. – Esse é o meu trabalho. Você é a metade divertida desse relacionamento, e eu sou a metade que se preocupa e planeja o futuro.

Jorge sorriu e a beijou gentilmente.

— Nós dois podemos ser a parte divertida e a parte planejadora. – Ele ofereceu. – Tudo bem?