— Foi horrível. — Jorge exclamou, com seu rosto vermelho e a cabeça deitada no colo de Cassiopeia. — O seu tio repetiu tudo o que eu estava tentando esquecer sobre as aulas de puberdade da McGonagall.

A própria Cassiopeia sentiu o rosto quente. Ela se lembrava daquelas aulas muito bem. Todos os alunos de segundo e terceiro ano tinham que atendê-las. A primeira – com os mais novos – era só com as meninas e falava sobre as mudanças em seus corpos e como elas logo menstruariam. A segunda, porém, não fora exatamente a mais privada. Snape havia todos os alunos do terceiro ano e explicado o que consistia uma relação sexual, o que era consentimento e sobre métodos anticoncepcionais. Era extremamente constrangedor, mas hoje ela concordava que aquela era a melhor forma de abordar o assunto com os alunos.

— Quem deu a primeira aula? — Ela perguntou.

— Madame Pomfrey. — Ele respondeu. — Ela não parecia muito feliz.

A loira soltou um riso.

— É, eu imagino.

— E a do terceiro ano foi tão pior. — Jorge lamentou. — Você se lembra?

Cassiopeia confirmou.

— Snape teve explicar consentimento pra nossa turma. — Ela contou, fazendo careta. — E métodos contraceptivos. Olha… Não dá pra ficar pior.

O ruivo cobriu o rosto com uma das mãos.

— E o meu pai apareceu pra falar com a gente um dia. — Ele contou. — E ele nem conseguia abrir a boca. Eu só queria arrumar um buraco pra me esconder pra sempre.

Cassiopeia riu. Narcisa havia tido uma conversa semelhante com ela, mas um pouco diferente. Sua mãe havia falando sobre como as coisas funcionavam, e como ela devia rejeitar qualquer tipo de toque ou interação que a deixasse desconfortável. Ela nunca mencionou nada como poções anticoncepcionais ou feitiços, e era rígida ao dizer que a filha só devia se deitar com o marido depois de se casar.

Um pensamento cruzou sua cabeça, e ela sentiu todo o rosto ficando quente em vergonha.

— Você… — A moça começou, procurando por palavras. — Sabe, você já… Pensou…?

Se George estava vermelho antes, Cassiopeia não saberia descrever a cor que havia tomado sua pele. Era quase como ele fosse se transformar num tomate ali na frente dela.

— Uma vez… — Ele praticamente forçou sua resposta. — Ou duas. Eu… Não… Sabe, você não precisa… Nós… Nós dois, não…

— Nós somos novos. — Ela decidiu. — E estamos juntos há pouco tempo.

O ruivo confirmou quase desesperadamente com a cabeça.

— Isso. Exatamente. E estamos juntos há tão pouco tempo. Não precisamos de pressa, certo?

— Isso. Exatamente.

Os dois caíram no silêncio depois daquilo, claramente envergonhados, embora a conversa tenha sido importante.

A menina respirou fundo por um momento, sentindo o vento contra seu rosto e fechou os olhos. Ela só os abriu quando Jorge se mexeu, e o encontrou a encarando com um olhar de concentração.

— Que?

— Você é linda. — Ele declarou. — Eu já te disse isso?

A menina sentiu o rosto vermelho.

— Uma vez ou outra.

Jorge sorriu e beijou sua bochecha.

— Você é linda… — Ele se afastou e segurou o rosto dela, movendo para beijar sua bochecha oposta. — Inteligente… — Ele beijou a testa dela. — Amável… — Ele beijou seu queixo.

Finalmente, os lábios de Jorge encontraram os seus, e as pálpebras de Cassiopeia se fecharam em resposta, deixando-o deitá-la na grama, e sorriu quando ele se afastou.

— E incrivelmente corajosa. — Ele finalizou. — E é por isso que eu te amo.

Ela o encarou de volta com o rosto completamente corado, e moveu uma mão para tocar o rosto dele.

— É sério?

Jorge confirmou com a cabeça e ela quebrou a distância entre os dois por um momento, beijando-o novamente.

— Eu… — A loira balbuciou e parou. — Bem… Eu…

Como ele conseguia falar aquelas palavras? Era como se ela estivessem lutando para não sair da boca de Cassiopeia.

— Tudo bem. — Ele murmurou, encostando o nariz no dela gentilmente. — Não precisa falar.

Ela não tentou novamente. Jorge a conhecia bem pra saber que não devia pressioná-la.

— Mas eu te amo. — Ele repetiu. — Muito.