Cassiopeia deu uma mordida na torrada em suas mãos, em silêncio, e levantou a cabeça quando Tonks entrou na sala de jantar.

— Sobrou alguma linguiça? — A mulher de cabelos coloridos olhou em volta da mesa.

— Você pode pegar as minhas. — A loira apontou para o prato. — Eu peguei bastante ovo.

Ela agradeceu a prima, sentou-se ao lado dela e pegou a carne de seu prato. Trabalhar na loja com os gêmeos significava que a loira tinha que correr o dia inteiro, limpando, reabastecendo, lidando com os clientes e procurando por produtos repetidamente. Ela nunca parava ou se sentava. Depois de desmaiar no segundo dia de trabalho, havia se tornado mais cuidadosa em armazenar energia, o que significava comer mais durante o dia.

— Eu vou chegar tarde hoje. — A menina informou a pequena família ao seu redor. — Jorge disse que Gui quer apresentar a namorada nova à família. Aparentemente, eu sou parte da família agora, então… Eles me querem lá.

Tonks deu uma cotovelada na prima, ao seu lado, com um sorriso malicioso.

— Bem-vinda a um relacionamento sério, Cassie! — Ela provocou a loira. — O que vem depois? Jorge vai aparecer aqui e pedir a sua mão em casamento?

Cassiopeia sentiu o rosto, o pescoço e as orelhas ardendo de vergonha. A tia virou-se para a filha com uma expressão descontente no rosto.

— Dora, não provoque sua prima!

Ela riu alto.

— O quê? Não é como se ela não quisesse que isso acontecesse! Ela é profundamente, extremamente e loucamente apaixonada pelo Jorge. — Ela apontou, sua voz abaixando de uma exclamação para um simples tom de explicação. — E, honestamente, eles são o casal mais fofo que eu conheço até hoje.

Cassiopeia abaixou a cabeça e o Sr. Tonks limpou a garganta.

— Diga a Molly e Artur que eu disse oi quando você chegar lá, por favor.

— Certo.

— E não se esqueça de levar algo bonito para o jantar. — Sua tia instruiu. — Você não quer usar as mesmas roupas do trabalho, você sempre chega em casa com elas sujas, com alguma coisa louca e impossível de tirar.

Ela segurou um sorriso.

— Sim, senhora.

. . .

Ver Jorge, de manhã, nunca deixava de trazer uma sensação de pura alegria a Cassiopeia. Ele estava sempre feliz em vê-la, envolvendo-a em um abraço e beijando-a, até que Fred começasse a reclamar.

— Alguém checou as poções do amor? — Ela questionou, verificando as prateleiras, à procura de qualquer coisa fora do normal. Eles a limpavam todas as manhãs antes de abrir e todas as noites após o fechamento, e essa não era exatamente sua parte favorita do trabalho.

— Você pode ir? — Fred pediu. — Eu acho que já está pronta.

— Tudo bem. — Cassiopeia pulou da escada, sorrindo com a visão de seu namorado rindo.

— Você continua tirando ela do serviço de limpeza todos os dias. — Ele olhou para seu irmão.

— Eu gosto de estar no lado bom dela. Sua namorada pode ser cruel quando quer, e ela é muito boa com poções para eu não tentar bajulá-la.

A loira chacoalhou a cabeça, entrando na sala de estoque e indo direto para os caldeirões. Fred estava certo, a poção estava pronta para ser engarrafado.

A poção de amor fraca era uma das mais vendidas da loja, junto com o antídoto — que ela havia terminado de fazer ontem —, então a loja estava sempre engarrafando poções novas a cada três dias.

Cassiopeia gostava daquilo tudo; Trabalhar na loja e ter uma rotina era algo que lentamente estava encontrando um lugar em seu coração. Ela se sentia bem trabalhando, o que era uma surpresa. Nunca em sua vida a loira imaginou que viveria assim – e feliz.

Quando a menina terminou com as poções de amor, já era hora de abrir, então ela correu para reabastecer, e teve que conter uma cara feia quando um garoto que ela sabia ser da Grifinória pulou de surpresa ao vê-la. Ele não foi o primeiro, e provavelmente não seria o último, a ficar chocado ao ver a garota Malfoy lá.

— Posso ajudar com alguma coisa? — Ela se virou para ele, segurando uma caixa agora vazia ao seu lado.

Ele corou profundamente, e ela tentou não revirar os olhos, suavizando a própria expressão. Cassiopeia ainda precisava trabalhar em suas habilidades social em relação a estranhos.

— Estou procurando uma pegadinha pra fazer com o meu irmão.

A jovem loira pensou por um momento no pediu.

— Que tipo de pegadinha?