Hollow
1 Introdução
Notas iniciais
Apenas a introdução para a história. Capítulo relativamente pequeno.
Eu nunca tive paciência em escrever, principalmente sobre mim mesma. Mas algumas coisas estão ficando confusas pra mim, e a forma que encontrei para me convencer de que não estou louca foi escrever esse "diário". Ninguém o lerá — assim espero -, servirá apenas como uma forma onde eu possa escrever o que aconteceu, e desabafar também.
Depois que me formei na escola, praticamente me exclui da sociedade. Meus amigos que eu costumava ver todos os dias foram seguindo suas vidas, cursos, trabalho, faculdade, e eu parei. Eu nunca tive paciência em manter contato com pessoas que não me são muito interessante, e só nisso, mais da metade das pessoas que eu convivia desapareceram da minha vida por completo. Meus amigos, aqueles que realmente me importo ainda mantive contato, mas pouco nos falávamos. Uma vez por semana. Talvez a cada duas semanas. Não é de se espantar que me tornei uma pessoa fechada, deprimida, ansiosa, carente de atenção, triste. Mas é óbvio que eu não admitia isso pra ninguém, nem pra mim mesma eu admiti. Eu moro com minha mãe. Meus pais são separados desde que eu era um bebê. Até meus 7 anos meu pai ainda convivia comigo, mas aconteceu alguma coisa, e então as únicas vezes que eu via meu pai era quando ele me levava para sair — o que foi ficando cada vez mais raro. Quando me tornei adolescente e consequentemente fui observando mais as coisas ao meu redor, fui descobrindo as coisas que meu pai fizera, comigo e com minha mãe. Fui perdendo a admiração que tinha por ele. Com 17 anos, eu aprendi a me desligar dele. Não de forma total, mas de modo que eu parasse de chorar por ele, como era de meu costume quando mais nova. Quando eu tinha 13 anos fui atingida por uma depressão. Na época eu não fazia ideia do que estava acontecendo, eu só sabia que estava passando por uma fase onde era difícil prestar atenção nas aulas, eu tinha que segurar o choro várias vezes durante o dia na escola, e quando eu não conseguia me sentia extremamente fraca e insegura. Eu lembro da vez em que eu estava num canto da escola, cercada por adolescentes rindo e brincando no recreio, enquanto chorava, encolhida dentro de um casaco e do abraço apertado e silencioso de Leo. Leo é meu melhor amigo, desde que tenho 11 anos. Minha memória sempre foi bem ruim, mas uma das primeiras lembranças que tenho dele é de ouvir suas histórias. Todos os dias quando ele chegava na escola ele me contava uma diferente. Ele dizia que eram os sonhos que ele tivera na noite passada. Eu não sei se ele sabe disso, mas aquela era minha parte favorita do dia. Após um ano inteiro com essa tristeza sem motivos aparentes, me recuperei. Fiz um bom ensino médio, e como todo bom adolescente, meu último ano na escola foi aquele que eu menos me importei em estudar. Eu lamentaria isso no futuro, eu sabia disso. Mas fiz assim mesmo. Era uma mistura de "quero curtir meu último ano na escola" com "não aguento mais essa escola" que resultou em bagunça, dormir e conversar durante as aulas. Mas nem por isso minhas notas caíram. Minha única nota ruim no ano inteiro foi no último bimestre em matemática, mas fiz a recuperação conseguindo um 10. Me formei. Fiquei um ano ainda estudando para vestibular, mas não consegui ingressar no que desejava. Com essa e outras frustrações pude perceber aquela conhecida dorzinha voltando pro meu peito. Mas eu fui empurrando ela pro lado, deixando lá espremida em algum canto do meu coração. E como toda coisinha inconveniente, ela ficou, de bom grado, só esperando explodir, jogando sua vingança em cima de mim por tê-la ignorado. Vivi bem — na medida do possível – até então. Acho que está bom parar por hoje. Ainda quero que essa folha de papel branco tenha uma boa impressão sobre mim.
Notas finais
E aí, o que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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