Hold my hand
2 Capítulo 2
Notas iniciais
“Lonely, I'm Mr. Lonely,/ I have nobody for my own./ I'm so lonely, I'm Mr. Lonely,/ wish I had someone to call on the phone.”
Dia 1
Blaine, após horas, finalmente tinha conseguido cochilar um pouco. Ele estava esgotado física e mentalmente com tudo que tinha acontecido naquelas poucas horas.
Assim que a ambulância chegou ao hospital ele fora avisado que levariam o menor para conterem o sangramento e fecharem os machucados dele, e então seria colocado em observação como fazem com todos os pacientes suicidas, e o liberaram para ir para casa.
Mas ele não foi. Ele tinha prometido a si mesmo que cuidaria do garoto e deixa-lo só em um hospital, mesmo que desacordado, não era a definição de “cuidar” para Blaine. Além do mais, o castanho não carregava nenhum tipo de identificação consigo. RG, CPF, carteira de estudando, celular... nada, ele não tinha nada. Ele era só um adolescente desesperado que foi encontrado por um estranho. E isso era tudo que ele sabia.
Então Blaine esperaria por qualquer sinal de algum parente do menino, ficaria ali e esperaria, então quando identificassem o menino contaria o acontecido e ajudaria no que fosse preciso.
Ele não queria pensar em mais nada, ele só queria poder consertar a vida de alguém agora que a sua tinha desabado junto do seu relacionamento que foi seu chão por tanto tempo.
“I'm a soldier, a lonely soldier,/ Away from home through no wish of my own./ That's why I'm lonely, I'm Mr. Lonely,/ I wish that I could go back home.”
Dia 3
Blaine já estava estressado. Fariam 3 dias que ele tinha encontrado o menino e até agora ninguém tinha aparecido. Será que ninguém se importava com o garoto? Cadê a família dele?
Blaine fedia com um cheiro insuportável pelos três dias sem tomar banho e sem deixar aquele hospital, mas ele se recusava a sair dali. Ele não sairia até, pelo menos, alguém que tivesse a mínima ligação com o castanho aparecesse. Mas ele não aguentava mais esperar.
As pessoas que passavam por ele certamente o confundiam com algum necessitado de rua pelo seu cheiro e seu estado, com o cabelo desgrenhado e despenteado, com as bolsas em baixos dos olhos vermelhos e com a roupa rasgada e ensanguentada que usou para estancar um pouco do sangue do menino.
Ele próprio não se aguentava, mas não ousava sair dali.
Ele estava tentando, pela quarta vez aquela noite, cair no sono quando gritos desesperados ecoaram pela sala de espera.
— EU SÓ PRECISO SABER ONDE ESTÁ MEU FILHO! ELE SUMIU A DOIS DIAS E VOCÊS NÃO CONSEGUIRAM NENHUMA INFORMAÇÃO ATÉ AGORA SEUS INCOMPETENTES! ELE PODE ESTAR MORTO EM UMA VALA AGORA E VOCÊS ESTÃO PASSEANDO POR AI!
Um senhor não muito velho gritava com uma dupla de policiais que estavam parados diante da atendente. Ela tinha uma face assustado no rosto, mas os policias olhavam para o ataque do mais velho como se já estivessem acostumados com aquilo.
— Senhor, por favor mantenha a calma, esse é o nosso protocolo. Devemos primeiro vasculhar os hospitais e pontos policiais antes de colocar em alerta. Esse é o ultimo hospital, se não o encontrarmos aqui mandaremos o aviso.
Os policiais se viraram para a atendente e começaram as perguntas padrão enquanto o senhor dava um suspiro cansado sentando em uma cadeira próxima de Blaine. Aquele fuzuê todo tinha chamado sua atenção e o despertado mais uma vez. Teria esse homem algo a ver com o pequeno que tinha encontrado?
Ele observou o senhor mais atentamente. Olhos azuis claros e pele branca um pouco marcada pelo sol e pela idade. Devia estar pela faixa dos 45/50 anos, mas tinha uma aparência tão cansada que poderia facilmente ser confundido com um senhor idoso. Certamente a vida para ele não era fácil. Vestia um macacão sujo de graxa e, pelo estado da roupa, provavelmente foi a única coisa que vestiu nas ultimas 24 horas.
Seu olhar estava carregado de angustia e medo, e isso exalava contaminando todos que estivessem perto. Blaine sentiu um arrepio com aquela sensação tão negativa que emanava do outro homem.
Blaine levantou de seu lugar e andou até a cadeira ao lado do homem.
— Senhor... o que houve? – perguntou.
O homem, assustado, mirou o moreno com os olhos vermelhos e inchados. Ele pigarreou e limpou a garganta, provavelmente pensando se seria uma boa ideia contar o que se passava a um homem estranho, fedido e sujo de sangue, mas mesmo assim abriu a boca para falar:
— Meu filho... ele sumiu a mais de dois dias, estou que nem louco atrás dele, mas ele só... sumiu. Seja para onde tenha ido ele não levou nada, suas preciosas roupas, seu celular, as chaves de seu carro e seu carro, tudo está lá em casa. Eu não tenho pistas nem nada que possa me dizer que ele está bem e isso esta bem deixando louco.
Ele não carregava nada... o garoto que tinha encontrado também não possuía nada. E além do mais, o senhor falou “filho”, um garoto.
— E esses policiais nem alerta colocaram ainda. – falou com indignação e raiva transbordando de sua voz. Outro suspiro. – ele é minha joia mais preciosa, ele é o único bem que me sobrou... minha esposa... sua mãe, ela nos deixou muito cedo. – O senhor deu um sorriso tão amargo que o coração de Blaine se apertou – Câncer. Ele nos tirou ela, e desde então a única coisa que me importa é ele.
Blaine pegou a mão do homem que deixava algumas lagrimas saírem de seus olhos e se aproximou tentando conforta-lo enquanto os policiais, agora, davam em cima da recepcionista.
— Senhor, qual o seu nome? – perguntou com medo de chegar aonde queria e acabar dando falsas esperanças ao senhor, caso seu pensamento estivesse errado.
— Burt Hummel.
— Sr. Hummel, eu sou o Blaine Anderson e eu não quero que crie esperanças, mas a algumas noites atrás eu achei um adolescente no parque e vim com a ambulância junto dele para cá. Ele poderia ser o seu filho, mas eu não tenho certeza. Você teria alguma foto para eu poder confirmar?
Os olhos do senhor se arregalaram e, querendo ou não, Blaine encheu o coração do velho homem de esperança. Seu filho poderia estar vivo e sobre cuidados médicos.
Burt desajeitadamente retirou a carteira do bolso, e desta uma foto de seu menino uns dois anos mais novo, mas com o mesmo cabelo castanho, olhos azuis e rosto angelical.
— Esse é meu menino – mostrou a foto para Blaine – esse é meu pequeno Kurt.
Blaine sorriu.
— Bom Burt, eu achei seu Kurt.
Dia 7
Os médicos até hoje apareciam dizendo que a qualquer minuto o pequeno poderia acordar, pelo menos até hoje.
— Senhores, nós tentamos entender o por que o garoto ainda não acordou, mas não há realmente uma razão. Ele deveria ter acordado horas depois que saiu da área de risco. — o medico que cuidou do menino falou – presumimos que ele continua em coma por que... – ele parecia procurar as palavras certas – porque ele quer... Agora só nos resta esperar para ver se ele acordará ou não.
O medico se retirou do quarto deixando Blaine e Burt a sós com o castanho, e então Burt pôs-se a chorar novamente.
“Letters, never a letter,/ I get no letters in the mail./ I've been forgotten, yeah, forgotten,/ Oh how I wonder how is it I failed.”
Dia 14
Duas semanas tinham se passado desde que Blaine tinha encontrado o garoto, e a cada minuto a angustia do moreno aumentava. Ele não sabia porque, ele só sabia que desejava ver o castanho de olhos abertos com o sorriso que tinha visto na foto do pai.
Blaine e Burt tinham se aproximado muito nessas duas semanas, e juntos eles cuidavam do menino. Nunca deixariam o menor sozinho.
Sempre revezavam, enquanto Blaine ia para a faculdade a noite, tomar banho e descansar era Burt quem ficava com o filho, e quando Burt ia trabalhar de dia, e também tomar banho e descansar, era Blaine quem cuidava do pequeno.
Blaine ainda se sentia despedaçado pelo termino recente. Will tinha sido seu companheiro desde o ultimo ano do ensino médio, eles tinham criado momentos, historias e tinham compartilhados sentimentos. Ou era isso que Blaine achava antes.
Mas agora que toda aquela ilusão tinha acabado ele se sentia perdido. Ele sabia que não morreria por amor, não era tão sentimental e romântico a ponto de se perder por isso, mas não deixava de ser difícil saber que você amou por tanto tempo sozinho.
As noites que ele não passava no hospital ele chorava, ele não queria, mas era inevitável. A dor e a solidão o atingiam e a única coisa que poderia fazer era deixar as lágrimas rolarem.
Burt não estava nas melhores condições também, e Blaine sabia que não era atoa, ver seu filho desacordado por tanto tempo sem saber quando ou se iria acordar deveria ser horrível, principalmente por alguém que viveu sua vida quase toda pelo filho.
Hoje era sábado e os dois estavam no quarto naquele fim de tarde. O silencio tomava o ambiente e os dois perdidos em pensamentos.
— Eu nunca achei que as coisas estivessem tão ruins para ele. – Burt comentou.
Blaine o olhou.
— O que?
— Para Kurt, eu nunca pensei que as coisas estariam tão difíceis a ponte dele querer desistir... – ele olhou para as mão que seguravam uma caneca de café. Olhos vagos e tristes – Será que ele tinha me mostrado os sinais e eu não os vi?
Blaine desviou seu olhar do homem para o garoto que parecia dormir serenamente. Burt fez o mesmo.
— Eu sempre soube que o mundo era injusto com ele, mas ele parecia lidar tão bem com aquilo. Ele estava sempre sorridente e confiante... talvez fosse isso que ele queria que eu pensasse. Ele tinha amigos e eu pensei que eles o ajudavam, eles sempre me pareceram tão próximos e protetores, mas olhou agora e nenhum deles está aqui, talvez essa tenha sido mais uma ilusão da minha cabeça. Só quem está aqui é seu pai e um desconhecido.
Ele suspirou.
— Sabe, de vez em quando ele aparecia com uns machucados, mas ele sempre dizia que era das coreografias do clube do coral. Penso agora que talvez o coral não tenha sido o culpado. Batiam no meu menino? E eu não percebi? Que tipo de pai sou eu? – Burt deixou algumas lagrimas escorregarem e caírem em seu colo.
Blaine olhou novamente para o mais velho e se levantou, se aproximando e pegando na mão de Burt.
— Burt, eu sei que você é um pai maravilhoso. Olhe, você está aqui. Meu pai não fariam nem metade do esforço que você faz só para estar aqui, do lado dele. Se aconteceu algo com Kurt, se ele estava lutando, se ele estava com problemas, a culpa não foi sua. Se ele está nessa cama, a culpa não é sua. A culpa é do mundo, dos que não facilitam e nós colocam para baixo. Todos lutamos contra isso e ele também estava tentando. Mas você não estava lutando contra ele e sim com ele, então não se culpe.
— Eu só queria saber se eu poderia ter feito mais... se eu tivesse prestado mais atenção, algo seria diferente?
Blaine olhou novamente para o castanho.
— Eu acredito que não. Ninguém quer ajuda em suas batalhas internas, todos pensamos que podemos lidar com isso sozinho. Não queremos ser fichados de vitimas e nem queremos a pena nos olhos das pessoas, então guardamos para nós. – Blaine foi para o lado do castanho e pegou pela primeira vez em sua mão, acariciando-a – mas todos temos um limite. E ele atingiu o dele.
“I'm a soldier, a lonely soldier,/ Away from home through no wish of my own./ That's why I'm lonely, I'm Mr. Lonely,/ I wish that I could go back home.”
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