Notas iniciais
Hey! Hey, Cupcackes, Escrevi essa one há tanto tempo... Demorei bem menos pra produzi-la do que para convencer meu senso perfeccionista e inseguro de que estava minimante boa suficiente para ser publicada, aguardando betagem e capa (que a propósito, valeram super a pena). Boa Leitura :3

As palavras proferidas pelo tom arrogante e tedioso que carregavam a voz do professor à frente que regia a aula sobre algum período de guerras do qual Lydia não estava prestando a mínima atenção, mal se estabeleciam em sua consciência antes de sair pelo ouvido oposto ao que entraram.

Ela se preocuparia em não permitir-se viajar em devaneios durante a explicação, se não conhecesse sua capacidade de obter outra nota alta —não que ela necessitasse de muitas— apenas lendo outrora, por si só o capítulo do livro aberto sob seus cotovelos apoiados nele, que sustentava em um deles a cabeça segurada por dedos fincados nas madeixas avermelhadas, que pendiam em ondas sobre seu ombro, até a superfície da carteira.

No entanto, a despreocupação em se consertar na aula ia além de sua facilidade de entendimento, pois sua mente já estava ocupada pela obsessão de expulsar o que tanto prendia sua atenção, enquanto a loira morango buscou entender o porquê dos pensamentos que rondavam incessantemente sua cabeça impregnando-se de tal maneira.

E a ansiedade em tentar livrar-se deles devia-se ao fato que se constituíam, basicamente, no dono dos olhos avelãs a poucas carteiras a sua direita, nomeado de Stiles.

Não bastasse ela não conseguir deixar de lado a lembrança, na mais nítida forma que poderia ser, do garoto beijando a atual namorada de olhos castanhos antes do início da aula, a loira morango ainda precisava se preocupar em entender o porquê de estarem presentes de tal forma em sua mente. Afinal, o que ela tinha a ver com o romance dos amigos?

Mas o que mais a perturbava, não era nenhum desses fatos, ou qualquer coisa do tipo que invadia seus pensamentos no momento, mas sim, a sensação que a percorria cada vez que relembrava os lábios de Stiles e Malia se selando. Algo que ela não sabia nomear, mas que a inquietava e lhe estava sendo profundamente incômodo.

Recusava-se a aceitar que era egoísta ao ponto de que tal estranhamento devia-se ao fato de que sentia a ausência das inúmeras tentativas do garoto de chamar sua atenção, ou da intensa e nada disfarçada queda que ele transbordava sobre ela. Ela não deveria se sentir aliviada por ele tê-la superado e encontrado alguém com quem os sentimentos eram mútuos e aquela obsessão platônica por ela ter acabado, considerando que jamais o correspondeu? Então por que o que estava sentindo se parecia com o extremo contrário de alívio?

A imagem dos lábios de Stiles e Malia juntos ainda estava colada em seus pensamentos, analisou mentalmente os rostos deles encostados um no outro, até sua imaginação ir unicamente para o rosto do garoto, em seguida voltando para a imagem completa dos lábios dos dois se separando. E então, esta estava diferente, não apenas pelo fato da expressão tranquila de Stiles ter passado para uma de infinita surpresa em seus olhos estufados, mas por enxergar nos lábios vermelhos e grossos que se descolavam dos dele, não mais os lábios de Malia, mas sim os dela.

Nesse instante deu um leve salto na cadeira e piscou os olhos de um jeito atordoado, como se o impacto da tal lembrança a tivesse despertado do transe.

Por que raios ela havia lembrado daquilo de repente? Havia muito tempo, foi um beijo irrelevante em um momento de desespero, a atitude mais cabível que conseguiu pensar na tensão do momento, uma medida tomada unicamente para tentar ajudá-lo a recuperar o fôlego, certo Lydia? Pelo menos era isso que ela havia repetido para si mesma depois de retomar a consciência após o feito, conseguindo convencer-se disso.

Até aquela manhã, ao vê-lo beijando Malia. Até ver os lábios dele sendo tocados tão ternamente com os de outra garota que não era ela, após tocarem os seus.

Ah não, aquilo estava errado. Ela não devia estar tendo aqueles pensamentos ou sentir tamanho incômodo. Mas ela sentia, e muito.

Chegando tão relutantemente a essa conclusão, pôde parar de tentar compreender, finalmente libertando sua atenção, para que ela pudesse sutil e hesitantemente direciona-lá com seus olhos verdes, virando sua cabeça levemente para a direita, até sua visão encontrar Stiles, que parecia estar ainda menos atento na aula que ela, cochilando com a cabeça jogada de lado em cima dos braços cruzados sobre a mesa com a boca parcialmente aberta, fazendo- o ficar um tanto adoravelmente engraçado, dificultando a Lydia evitar que um sorriso se erguesse em seus lábios por um rápido instante. Ah não, Lydia, não devia estar sequer cogitando a ideia deles juntos. Obrigou-se mentalmente a iniciar um processo de esquecimento sobre toda aquela reflexão boba, porque tinha se convencido de que, além da mera possibilidade parecer infinitamente absurda, ele já havia a esquecido. E ela faria igual, antes mesmo que fosse possível precisar esquece-lo.

Antes que ela pudesse se forçar a voltar a olhar para a frente e parar de encarar o garoto dormindo, o sinal do fim da aula soou em seus ouvidos, fazendo Stiles se levantar e soltar um bocejo, coçando a nuca e virando a cabeça para os lados, como se estivesse se lembrando lentamente de onde estava, até se virar na direção de Lydia. Seus olhos então se encontraram por uma fração de segundo antes que se desviasse completamente dele. Os olhares dos dois haviam se chocados tão rápido que ele se convenceu de que a impressão que teve com ele de que a garota o estivesse observando, havia sido pura ilusão, reprimindo logo o pensamento.

Enquanto isso, Lydia se segurava para não empurrar aqueles que formavam o congestionento bloqueando a saída a sua frente e sufocavam-na a cada segundo que Stiles parecia estar mais próximo dela enquanto ele esfregava os olhos, jogando a mochila sobre o ombro depois recolher material espalhado. Ao colocar os pés para fora da sala, estava pronto para seguir a direita, mas virou para o caminho contrário assim que se deparou com Malia vindo naquela direção, distraída com os olhos vidrados na tela do celular tentando entender seu novo aparelho, dando a Stiles a chance de esconder a cabeça dentro do capuz do moletom enquanto andava a passos largos na direção oposta.

Ele achava impressionante o fato de estar conseguindo manter um relacionamento surpreendentemente bom com aquela garota. Eles pareciam se encaixar de forma tão sintonizada, que o fato de Stiles, baseado nisso, ter visto em Malia um caminho para, enfim, se livrar de sua intensa e insistente paixão platônica por Lydia, apenas aumentava a culpa que ele sentia por fugir da namorada daquele jeito. Mas sabia que o sentimento seria bem maior se tentasse encara-la normalmente, ainda mais se essa casualidade incluísse beija-lá. Não possuía capacidade nem consciência para isso, naquele momento. Não depois de todas suas expectativas em relação aos dois juntos, e principalmente, em relação a si próprio, serem destruídas, depois de seu despertar ter acabado de interromper um sonho que era composto por lembranças da primeira e única vez que sentiu contra os seus, os lábios da garota que por tanto tempo havia amado.

E que temia jamais realmente deixar de amar.

Notas finais
Deixei passar algum errinho? Faça -me ainda mais feliz que por ler e deixe sua sincera opinião neste quadro aqui em baixo, okay? Críticas também são bem-vindas ; D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!