Kurt:

Ontem tive um sonho muito estranho, acordei e fiquei tentando decifrá-lo, mas foi em vão.
Sonhei que eu e Blaine estávamos na Broadway, assistindo um dos meus musicais favoritos, quando de repente, Sebastian me puxava pela mão, me puxava até o palco e, depois de dançarmos juntos, me beijava. Mas seu beijo me dava a mesma sensação de borboletas no estômago que o beijo do Blaine. Acordei assusto e com medo.
Fiquei uns 15 minutos sentado na cama, ofegante. Tentava tirar a imagem do Sebastian da minha cabeça de qualquer jeito, mas quando fechava os olhos nos via juntos, de novo. Como era possível isso acontecer? Eu repugnava o Sebastian.
Precisava falar com o Blaine sobre isso. Ele é mais racional que eu, poderia me ajudar a descobrir a resposta pra isso, se é que há alguma.
Mas agora não é a hora certa, estamos todos no hospital esperando por noticias da Quinn e eu não sou egoísta ao ponto de chamar o Blaine para falar disso.

O horário de visitas acabou, e já estamos todos indo embora. Também não posso falar com ele no carro, porque a Mercedes veio de Carona conosco, mas tudo bem. Depois eu converso com ele.



Mercedes:

O Sam passou dos limites. Na verdade ele já havia passado com aquela coisa ridícula de brigar com o Shane, fui contra isso desde o começo e agora os dois estão machucados (Sam, claro, está bem mais) e ambos perderam quaisquer chances de manter uma relação amigável comigo. E, agora, o Sam acha que eu vou ficar com pena dele e dar outra chance; eu estou com pena dele, mesmo que ele tenha merecido, mas isso não faz com que eu mude de ideia.
Sinto falta dele, o verão que passamos juntos será inesquecível, com certeza. Mas agora eu preciso pensar mais em mim, não posso ficar com o Shane depois do que aconteceu e nem posso voltar com Sam, sei que o que ele sente por mim não é o mesmo que ele sentiu pela Quinn. Ele sabe disso.
Talvez ele ainda não tenha entendido que, acabou. Ele não pode mais me beijar como ele fez da última vez que conversamos, preciso dar um basta nisso.

-Sam? – entro no vestiário masculino, ele costuma se exercitar nesse horário.
-Aqui atrás!
Me aproximo dele. Ele estava levantando peso. Como ele consegue ser tão bonito, sem fazer esforço nenhum? Concentre-se!
— Sou eu. Precisamos conversar, mas sem gracinhas.
— Claro, tudo bem.
Ele se levanta, seca o rosto e fica olhando fixamente pra mim. Tenho que me controlar pra não me perder naqueles olhos encantadores que ele tem.
— Olha, da última vez que conversamos, talvez as coisas não tenham ficado tão claras quanto deveria. Sam, escute, eu estou em um momento meu. Preciso me concentrar em vencer as Nacionais, quero me empenhar ao máximo e não quero distrações. Nem você, nem o Shane podem me convencer do contrário, entendeu? Quero que o nosso relacionamento fique somente no Glee Club e só o necessário.
— Mercedes, não posso desistir de você. Me desculpe, não posso e não vou. Mesmo que você insista em negar o que sente por mim, eu vou lutar por você.
Ficamos nos olhando fixamente, ele veio se aproximando aos poucos. Me virei e saí. Não sabia se estava feliz por saber que ele gosta de mim ou triste, por tudo isso.

Blaine:
Enquanto saíamos do hospital, percebi que Kurt ficou calado. Achei que fosse por conta dos últimos acontecimentos, ele devia estar com a cabeça cheia.
Tentei distraí-lo cantando junto com a Mercedes no carro enquanto voltávamos, mas ele permaneceu calado, olhando pro nada, como se estivesse pensando em algo muito sério. Procurei sua mão, mas ele a afastou.

-Kurt, está tudo bem? – perguntei enquanto saíamos do carro.
— Hã? Sim, está tudo bem. Blaine, vamos tomar um café?

Seguimos andando sem dizer uma palavra. Eu estava realmente começando a ficar preocupado. Com certeza algo havia acontecido e não foi algo bom.
Sentamos e, enquanto tomávamos nossos cafés, perguntei por que ele estava agindo tão estranho.

— Kurt, olhe pra mim. Está REALMENTE tudo bem? Você está estranho desde que saímos do hospital.
-Sim... Na verdade não. Eu tive um sonho, um pesadelo, e estou com medo.
-Conte-me como foi.
-Nós estávamos na Broadway assistindo um musical. Sebastian aparecia, me puxava pra dançar e me beijava...
-Ah, mas não tem nada demais, foi somente um son...
-Calma! Não terminei. A questão é que, enquanto ele me beijava, eu senti o que eu sinto quando VOCÊ me beija. E... Eu me senti horrível. Horrível por ser o Sebastian, horrível por ter sentido alguma coisa. E eu não entendo porque sonhei logo com ele e não com você.
-Ora, Kurt, pare de bobagens, ok? Foi um sonho, só isso. Você não pode controlar esse tipo de coisa. Não se apegue à essas coisas bobas, tenho certeza que isso jamais acontecerá, confio em você.

Ele me olhou e deu seu sorriso mais bonito. Peguei suas mãos e deixei claro que nada daquele sonho me importava, porque, o que conta é a realidade, e nada mais.

Kurt:
Enquanto voltávamos, Blaine insistia em tentar me animar, mas eu estava sem cabeça pra fazer qualquer coisa. Eu me sentia culpado. Quando ele tentou pegar minha mão, eu recusei. Foi um instinto automático.
Quando chegamos, ele insistia em saber o que estava acontecendo e, já que a Quinn estava bem, achei que não haviam mais motivos pra nós não conversarmos.
Ele me chamou pra tomar um café. Fomos o caminho todo em silêncio. Nos sentamos e eu contei tudo o que havia acontecido, como eu me sentia em relação àquele sonho. Ou pesadelo.
Como sempre, ele me tranquilizou e me acalmou com suas palavras realistas, mas no fundo eu sei que existe sim alguma coisa por trás desse sonho. Meu sexto sentido nunca falha.
Talvez se eu conversasse com o Sebastian sobre isso... Não. Isso não, poderia causar muitas confusões. Por mais que ele diga que mudou, eu não confio nele. Mas talvez esse seja o melhor a fazer.

- Alô? Sebastian? Pode me encontrar daqui há 1h? É importante.

Notas finais
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