Allison Cameron estava em sua casa, sentada em meio a um número absurdo de fotos de todas as pessoas e situações dos últimos... Quinze anos, podemos dizer. A primeira era do falecido marido, essa fez questão de passar logo e ligou o rádio para distrair-se.
A próxima era dela, Chase e Foreman, há uns quatro anos atrás. Ela trabalhava lá a pouquíssimo tempo, até mesmo o brilho do seu olhar parecia diferente, o sorriso, todos pareciam tão... Jovens. A foto nem era tão antiga assim.
Então veio, uma foto dela com House e os meninos, ele estava de costas e a taça de vinho em sua mão levantada para cima como se brindasse o ar.
Uma música de certa forma agitada começou a tocar na rádio:
He drowns in his dreams
Ele se afoga em seus sonhos
An exquisite extreme I know
Um extremo absurdo, eu sei
He\'s as damned as he seems
Ele é tão amaldiçoado quanto parece
More Heaven than a heart could hold
E mais paraíso do que um coração poderia aguentar
And if I tried to save him
E se eu tentasse salvá-lo
My whole world could cave in
Todo o meu mundo poderia desmoronar
Just ain\'t right
Apenas não está certo
Just ain\'t right
Apenas não está certo
Ela procurou pelo botão para trocar de estação e o fez o mais rápido que pode.
- Droga. – disse em um suspiro frustrado quando reparou que derramou o champanhe que tomava.
Por mais solitário que fosse tomar champanhe sozinha, ele era um bom companheiro afinal.
Céus, como ela amava aquele homem, por mais que estivesse com Chase agora ela nem ao menos mais se esforçava em disfarçar, era muito mais forte e muito maior que si própria.
Um beijo, um abraço, uma noite no passado e nada a conversar sobre. Tudo feito num acordo silencioso que só as estrelas ouviram, só o teto do seu quarto poderia descrever tudo o que se passou.
Precisava fazer algo de sua vida, estava cansada do vai-não-vai, das tentativas frustradas de entregar-se por completo a alguém que não fosse ele. De deixar alguém entrar de... Amar, pelo amor de Deus.
Na outra rádio começava a tocar um rock qualquer, nunca ligou para esse estilo musical, tão pouco o que ela era, tão o que ele era... Pensava em mudar antes de a letra começar, mas resolveu voltar sua atenção para as fotos ao seu redor novamente.
It\'s the tearing sound of love-notes
É o som rasgante das notas de amor
Drowning out these gray stained windows
Arremessados para fora dessas cinzas janelas manchadas
And the view outside is sterile
E a vista lá fora é estéril
And I\'m only two cubes down
E eu sou apenas dois cubos abaixo
I\'ll photocopy all the things that we could be
Eu irei fotocopiar todas as coisas que a gente poderia ser
- Só pode ser brincadeira. – trocando novamente a estação.
Com os anos de um sentimento crescente e dilacerante consumindo seu coração, Allison Cameron perdeu um pouco do brilho inocente em seus olhos, e seis anos envelheceram-na como quinze aos seus olhos.
Um fardo pesado forçava-lhe as costas para baixo. Precisava encontrar alguma solução. Seus olhos bateram em mais uma foto. Só os dois daquela vez. Sua cabeça lentamente virou-se para o lado indagando quando aquela havia sido tirada, ela não se lembrava, por quê?
Passava a mão cansada sobre a testa então massageava sua fronte.
Don\'t hold yourself like that
Não se segure dessa maneira
You\'ll hurt your knees
Você machucará os seus joelhos
I kissed your mouth and back
Beijei a sua boca e dei as costas
But that\'s all I need
Isso é tudo que eu preciso
Don\'t build your world around volcanoes melt you down
Não construa o seu mundo em volta vulcões te derreterão
What I am to you is not real
O que eu sou para você não é verdade
What I am to you you do not need
O que eu sou para você, você não precisa
What I am to you is not what you mean to me
O que eu sou para você não é o que você significa para mim
You give me miles and miles of mountains
Você me dá milhas e milhas de montanhas
And I\'ll ask for the sea
E eu pedirei o oceano
Levou a mão à boca com a realização de quando a foto fora tirada, era do exato dia em que foram para cama pela primeira e única vez.
Uma vez em confissão bêbada, ela e Cuddy haviam conversado – pelo que se lembra fora a única conversa das duas que não era relacionada ao trabalho. – E Cuddy contou-lhe como House sempre esperava mais, por mais que não dissesse.
Permitia que as mulheres se entregassem a ele, entregava-se a elas, mas jamais faria novamente se elas não tomassem alguma atitude e ela mesma, Lisa Cuddy, cansou-se além dos seus limites dos jogos e já havia lavado as mãos daquele amor que ainda sangrava-lhe o coração.
Precisava fazer algo, sua mente jorrava idéias na sua maior parte absurdas! Nunca dariam certo. Vamos lá Allison pense.
Pôs-se de pé, pegou as chaves do carro, trancou a porta da casa e saiu sem apagar as luzes, de pijamas e pantufas.
Imagens passavam em sua cabeça, a expressão no rosto de Chase enquanto ela treinava no espelho a explicação do porque amava House quando foram gravar aquele documentário no hospital, tudo o que Foreman lhe disse quando descobriu que ela amava ninguém mais ninguém menos que seu chefe... E tudo mais que lhe foi dito nesses anos.
Pisava o mais fundo que podia no acelerador, nunca havia perdido tanto seu medo de morte por acidente automotivo. Chegou na porta da casa dele num tempo que não imaginava ser possível.
Ao sair do carro que prestou atenção no quão patética devia estar parecendo, e um certo receio começou a arrebatar-lhe.
Bateu timidamente na porta com as bochechas vermelhas, já achando que tudo não passava de um grande e gordo erro, ele atendeu.
- Cameron? O que você está fazendo aqui? Não sabia que a moda japonesa de sair na rua de pijamas havia chegado aqui.
- Eu... Eu... – pôs as mãos cada uma de um dos lados da face amada e tomou-lhe num beijo. Quando recuperaram o ar, disse. – Ouvi alguém dizer que pra dar certo com você tem que tomar a atitude.
Ele não disse nada, apenas deu espaço para ela entrar.
---FIM---
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