Hoje a Noite Não tem Luar

5 V – Um Rosto lindo como o verão.


Seu nome era Cauã, ele era carioca, tinha 19 anos, fazia faculdade de Propaganda e Marketing e tinha uma risada contagiante. Ele também me apresentou seus amigos: Marcella, uma menina negra, alta, que usava um turbante azul; Gustavo, namorado de Marcella, que também era alto e usava óculos escuros parecidos com os do Ozzy Osborne; Clara, que de acordo com Cauã ‘nunca saía do telefone’; e Erick, irmão gêmeo de Clara, que não era nada parecido.

Sentamos em uma das cangas que a menina de cabelos loiros, Clara, estendeu na areia. Ele me contou que desenhava seus próprios quadrinhos, que criou uma Boy Band quando mais novo e que seu sonho era viajar pelo mundo, apenas ele e uma mochila e alguns dólares.

— Mais ninguém?

— O quê?

— Você disse que quer viajar sozinho. Mais ninguém especial?

Percebi que o menino estava com as maçãs do rosto avermelhas quando ele olhou para mim. Talvez fosse o sol.

— Depende. Se eu tiver achado alguém especial que não se canse da minha risada o suficiente para querer me abandonar em Barcelona em menos de três horas.

— Eu nunca me cansaria... – mas ele não ouviu.

∞

As ondas vinham beijar a praia.

Caminhávamos pela areia, a sós. Apenas eu e a senhorita da tatuagem de lua no pulso esquerdo. Seu nome era Liza, tinha 19 anos, era paulista e fazia direito.

— Liza? É um apelido?

— Sim.

— De quê?

— Hum... Vou deixar você descobrir sozinho.

— E essa tatuagem de lua?

— Você tem muitas perguntas! – ela riu. – Tive uma ideia, você pensa e eu te conto hoje à noite. Pode ser? – Então, eu aceitei. O sol brilhava de tanta emoção. Ou era apenas eu que estava feliz mesmo.

Paramos debaixo de uma sombra que ela encontrou, e ali continuamos conversando. Ela me contou do seu livro favorito, como ela amava seus gatos Rosa e Príncipe e das festas que seus amigos estavam dando na casa do seu amigo Samuel.

— Eles fazem as mesmas merdas toda hora! Eu já cansei. Vim para relaxar, não para sair numa ambulância! – sua exaltação me fez rir, o que a assustou. Quando parei de rir, olhei para ela e para aquele rosto lindo, como o verão.

— Não se preocupe Liz, agora você está comigo! Que-quer dizer, conosco: eu, Marcella, clara...

—Cauã, cala a boca! – parei, instantaneamente, enquanto ela se aproximava de mim. – Você fala demais. – ela colocou uma das mãos geladas no meu rosto puxando em sua direção.

E um beijo aconteceu.