Hoje a Noite Não tem Luar
9 Epílogo
Notas iniciais
O telefone tocou dentro da caixa mais uma vez. Uma mulher abriu para pegá-lo e entregou-o para a senhora Rocha, mas ela o recusou, fazendo com que eu o pegasse. Olhei para a tela: sete chamadas não atendidas e uma mensagem.
— Você sabe que a culpa é sua, não sabe? – a senhora Rocha repetia para mim sempre que podia.
— Ângela, deixe o menino em paz!
— Pensei que você gostasse dela, quisesse o melhor para ela. Você destruiu minha família — haviam me falado para ignorar o que os outros pais dissessem, eu já tinha problemas suficientes para lidar, não precisava de outro. – Só peço para que você nunca mais fale comigo. E pensar que você ia para a minha casa. Passava o fim de semana com ela. Dizia que era sua melhor amiga!
— Vamos beber uma água. O que você acha, Ângela?
Assim que elas saíram dali, também me retirei da sala. Eu precisava tomar um ar. Fui para o lado de fora e tentei lembrar-me do que havia acontecido na noite passada, mas não conseguia, era impossível. Talvez a culpa fosse minha mesmo. Peguei o telefone que estava no meu colo para ler a mensagem. Era dele:
“Onde está, meu amor?”
— Samuel, os seus pais estão te procurando – virei o rosto. Era uma das enfermeiras de lá. – Está tudo bem?
— Ah, sim. Só um pouco de dor na cabeça. Já estou indo.
— Quer ajuda? – Com a cadeira, obviamente.
— Não, obrigada, já aprendi a me virar sozinho.
— Então vamos, aqui fora está frio! – Ela riu, mas eu não.
Quando estava entrando o telefone dela tocou novamente e Cauã brilhou na tela. Apenas recusei a chamada e desliguei o celular antes de entrar novamente no hospital, onde meus pais estavam me esperando para me levar de volta para São Paulo.
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