Hogwarts Paralela-Interativa Hiatus
5 Capitulo 4
Notas iniciais
Sábado. Fim-de-semana. Dia de descanso e tranquilidade. Um dia no qual você pode usufruir de todas as suas vinte e quatro horas dormindo, comendo pipoca, gritando para o protagonista do filme que está passando na TV (apesar de ele não te ouvir) e engordar. Engordar até virar uma bola com pernas. Ou assim era suposto ser.
Nesse exato momento, no meu querido e precioso sábado, eu estou sendo empurrado por uma das ruas do Beco Diagonal a baixo.
Caliel me obrigou a vir com ela e com Quinn. Eu bem que tentei dizer que não, mas aí ela quase espetou a varinha no meu olho, e eu não tive como recusar. Então eu pensei “se eu descer no inferno, não vou sozinho” e arrastei Thomas comigo.
–Não tenho mais nada para fazer de qualquer forma.- quando ele disse isso Callie abriu um sorriso enorme, provavelmente satisfeita por ter adquirido uma nova vitima. Eu me senti imediatamente culpado ao ver aquele brilho maldoso nos olhos castanhos dela.
–Ai garoto, tira essa expressão da cara, assim você fica feio.
–Ele é feio.
–Sou seu gêmeo, se me ofender estará se ofendendo a si mesma. E lamento, mas essa é a única expressão que minha cara tem disponível no momento.
–Gêmeo não idêntico. Nunca que uma princesa como eu teria uma cara de vagabundo igual á sua.
–Afinal o que é que a gente está fazendo aqui, hein? E porque eu e Thomas tivemos que vir junto?
–Sua irmã veio espiar o encontro de Lyra e Steven. Eu vim ás compras e preciso de alguém que carregue as sacolas por mim.
–Você faz compras demais. Não vejo necessidade de tanta coisa. Todas as semanas chegam umas sete corujas carregadas de sacolas para você. E porque você não as carrega sozinha?
–Primeiro, nem tudo o que eu compro é para mim. Eu também compro muita coisa para Luke. Segundo, eu não carrego sozinha porque eu sou uma dama, e damas não devem carregar suas próprias sacolas ou ser submetidas a qualquer outro tipo de esforço desnecessário. Isso é trabalho para os primos e amigos das ditas damas.
–Você é uma preguiçosa, isso sim.
–Quem é Luke?
–Meu irmão casula.
–A única pessoa minimamente normal naquela casa. Caliel parece uma galinha quando está perto do moleque. Abraça sempre o menino tão apertado que ele quase morre asfixiado toda a vez que ela faz isso.
–Você não tem irmãos Tommy?
–Não, sou só eu.
–Hmm…
–Achei eles! Vou lá dar uma espiada.- Fofoqueira.
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Quinn perseguia o primo e a amiga fazia talvez uns sete minutos. Ela sabia que aquilo era errado, mas não dava para evitar. A loirinha era uma romântica incontrolável, e a curiosidade estava a matando.
Ao chegarem na rua de Gringotes, bem na frente da escadaria na entrada do banco, Lyra Winchester parou estática no meio da multidão. A sua pele ficou branca, e seus olhos verdes assumiram uma expressão fria, carregada de ódio. Quinn nunca havia visto aquele olhar na cara de Lyra. Estava ainda mais assustador do que quando a garota jogava Quadribol, perseguindo o pomo com uma fúria e velocidade que faziam derrubar da vassoura qualquer um que por ela passasse, fosse amigo ou inimigo.
Então um homem de cabelos curtos e cinzentos, que provavelmente seriam resultado da idade, se aproximou da mais velha. Ele parecia nervoso.
Steven pareceu reconhecê-lo, pois rapidamente se postou na frente dela.
–O que o senhor está fazendo aqui?
–Eu… eu tenho procurado minha filha por toda a parte. Eu não acredito que tive a sorte de os encontrar aqui. Eu preciso falar com vo-
–Eu não tenho nada para falar com um trouxa como você.
–Filha, me ouve, eu-
–Eu não sou sua filha!
–Por favor não fala isso. Vamos até casa, para conversarmos com calma e-
–Não! Eu não vou com você a lado nenhum! Ir para casa? Está tentando me trancar de novo, depois de tanto tempo? Eu não vou deixar. Eu nunca vou esquecer o que você fez
–Lyra, por favor, me escuta…
–Senhor, acho que já deu para entender que ela não quer conversar. Com licença. Vamos Lyra.
O homem ficou especado no meio da rua, olhando para o vazio.
Quinn, que assistia a tudo de longe, não conseguiu ouvir o que estava sendo discutido. Viu os dois seguindo para longe do homem de cabelos cinzentos. Estava prestes a segui-los de novo, numa tentativa de descobrir o porquê de Lyra estar tão alterada, quando algo (ou melhor, alguém) no outro lado da rua chamou sua atenção.
Um garoto forte, de cabelos cacheados, descia pela calçada, em direção á próxima rua. Trazia um exemplar da nova edição d’O Profeta Diário debaixo do braço, e lia distraidamente o que parecia ser um pequeno bloco de notas.
Quinn logo esqueceu do casal e correu para alcançar Gaetano Fiore, já prestes a virar a esquina.
–Oi Gaete!
–Ah, olá Quinn. Por aqui num sábado?- perguntou sem parar de andar.
–Pois é. Sempre é melhor do que ficar no dormitório sem nada que fazer. E você?
–Eu vim buscar um livro e encontrar com um amigo para ele me ajudar a consertar minha varinha. Já dá até para ver o cabelo de Veela.
–Porque você não vai lá no Olivaras?
–O Sr. Olivaras é contra o uso de varinhas com núcleo de cabelo de Veela. Diz que as torna demasiado temperamentais.
–Hmm…
–Quinn, você e o seu irmão são amigos do aluno novo, não é? O garoto chamado Jackson.- ela se surpreendeu com a pergunta. Gaetano nunca demonstrava grande interesse por ninguém.
–É, somos. Porquê a pergunta?- ele pareceu pensar um pouco e depois voltou seu olhar para o bloco de notas.
–Nada não, só curiosidade mesmo.- Quinn olhou para o rapaz durante uns segundos, mas logo resolveu aceitar sua justificação. Afinal, não era todos os dias que se via um aluno de Hogwarts andando por aí com um pato no seu encalço.
–Olha Quinn, eu gostava de continuar conversando, mas estou atrasado e… aquela lá não é a sua prima?- a garota olhou para a entrada de uma loja de artigos em segunda mão, onde uma menina gritava com um funcionário. Ao lado dela, um rapaz magrinho a tentava acalmar, enquanto outro fingia não conhecer nenhum dos dois.
–É ela sim. A gente se vê na escola Gaete.
–Claro. Tchau.- após se despedir, a gêmea de Carter Delano se dirigiu á entrada da mesma loja onde Caliel Füssair continuava brigando com o atendente.
–Mas você é louco?! Essa velharia não vale nem metade!- o coitado tremia e já começava a gaguejar.
–M-m-m-mas minha senhora, essa vassoura é u-uma edição limitada da MoonTrimmer. Ela consegue a-a-a-atingir uma velocidade de 100 km/h.
–E como é que quer que eu saiba que ela não emperra? É mais velha que minha avó! E ainda tem o cabo todo riscado! Desculpe-me, mas a meu ver ela não vale nem cem galeões, quanto mais duzentos e cinquenta.
No fim, Carter e Thomas voltaram para Hogwarts carregados de sacolas pertencentes a Callie. Entre elas uma das suas melhores compras; uma vassoura MoonTrimmer de edição limitada, a qual seria oferecida a Luke dali a dois meses, no dia de Natal. E ninguém acreditaria quando ela contasse que a conseguira pelo inacreditável preço de cento e vinte galeões de ouro e oito sicles de prata.
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