E então ela bateu a porta e saiu. Talvez não fosse mesmo aquele o momento de falar sobre isso.

Mesmo após o ocorrido, James Pottercontinuou onde estava por cerca de trinta minutos. Apenas a entrada de súbito de Black na Sala Comunal vazia foi capaz de quebrar o silêncio que parecia perpétuo.

- Ainda não sei por que você não quis jogar hoje. – falou ofegante. – Richardson matou a gente, perdemos por 110 a 80.

O silêncio permaneceu. Pelo visto Potter não queria falar nada. Sirius então pôs sua veste do time da Grifinória em cima da mesa de centro, guardou seus protetores na estante e entrou no Dormitório. Potter então se perdeu novamente em seus pensamentos. Além de tudo a Grifinória havia perdido pra Sonserina. E logo pra Sonserina. Era a segunda derrota consecutiva. O sentimento de culpa invadiu a sua cabeça. Deveria ter jogado, com certeza teria mais presença de jogo que Matias LeHavre, mesmo passando por tudo que passava naquele momento.

Olhou pela janela, ainda estava claro, mas ia escurecer em pouco tempo. Resolveu então descer, tomar um ar. Encontrou Sabrina nas escadas, teve um casinho com ela ainda no primeiro ano, seus cabelos loiros esvoaçavam e viu que os seus grandes olhos verdes o fitavam. Sabia perfeitamente o que ela queria ao passo que ela se aproximava, e sem esconder o enorme sorriso disse rapidamente:

- Olha, eu sei o que você vai dizer, mas preciso insistir um pouco. Se você quiser ir ao baile comigo... — disse ela apreensiva.

– Escuta, e tenta prestar atenção dessa vez. – Cortou ele parecendo não se incomodar com o sorriso que se esvaía. – Pretendo ir a esse baile com uma pessoa e se ela não quiser ir comigo eu não vou. – disse como quem se desculpa.

- E até quando você vai manter a esperança de voltar com a Lilian?– respondeu a menina incisivamente. – Ela já tem par e pelo visto não é você. – entoou como se quisesse magoá-lo profundamente.

E conseguiu. O seu estômago revirou como se quisesse sair do seu corpo, sentiu como se não houvesse chão sobre os seus pés. Tentou não demonstrar aquilo, mas sua tristeza era visível. Também não imaginava que seu sentimento por Lílian era tão evidente e transbordasse tanto para quem quer que fosse. Afinal de contas, não havia dito nada e Sabrina foi capaz de perceber perfeitamente quem era que ele esperava que fosse o seu par.

- Bem, então vou indo. Tchauzinho! – e saiu sorrindo triunfante. Se ela não havia conseguido o par, ao menos se certificou que ele também não saísse por cima.

Mas James parecia não ter ouvido a despedida da moça. Simplesmente não aceitava o que acabara de ouvir. Em menos de duas horas a Grifinória havia perdido uma partida importante meio que por sua causa e ele havia perdido a esperança de ter a companhia de Lily no baile de Halloween. Não podia ser. Sabia que tinham brigado. Sabia que tinham terminado. Mas essa festa era a sua certeza de que tudo acabaria bem. Mas de repente estava sem par, faltando pouco mais de dois dias para o baile. Pensou em voltar lá, em voltar atrás e aceitar o convite de Sabrina, mas achou melhor não. Sabia que uma tentativa após tudo que tinha ouvido, só contabilizaria mais uma bola fora, e já tinha sofrido baixas demais por hoje.

Voltou ao Dormitório.

– Doce de laranja com mel. – Disse baixinho ao se aproximar do retrato da Mulher Gorda. – Senha aceita, boa noite! – respondeu ela sorrindo.

Entrou silenciosamente. Não queria acordar os seus amigos. Viu Lupin na escuridão, dormindo por sob uma revista de Quadribol. Conseguiu ver com dificuldade o que dizia a frase na borda da capa. "Os 15 melhores lances da temporada até o momento." e logo abaixo podia-se ler "Já são 2 vitórias consecutivas dos Dragonetes de Berlin. Lammarck se destaca." Na capa, Autus Lammarck sorria e comemorava com o pomo em mãos.

Remo Lupin não jogava no time da casa como os outros três, mas acompanhava o Campeonato de Quadribol com igual ou maior fervor.

Logo abaixo dele, Sirius dormia de boca aberta. James então presumiu que ele havia se empenhado bastante, em vão, no jogo de hoje. Como atacante, Sirius Black jamais deixava a deseja, mas James sabia que o jogo de mais cedo seria definido nos detalhes. Era o pomo que traria a vitória para a casa dourado-e-rubra. E novamente veio o arrependimento por não ter ajudado o amigo.

E onde estaria o Rabicho? Ah, lá estava ele. Devia ter entrado enquanto ele andava por aí. Não havia nem tirado as suas vestes esportivas e roncava de vez em vez, a sua camisa vermelha reluzia o nome P. Pettigrew em dourado e logo abaixo se identificava o número 5, em igual cor. Apesar da camisa de titular, todos sabiam que Pettigrew jogava na equipe apenas porque o capitão, Sirius, além de um bom estrategista, era também um bom amigo. E, neste caso, a segunda opção contava mais. Mesmo assim, eram constantes os recados anônimos recebidos pelo time e mensagens no mural, questionando a posição de Pedro na equipe. Ora, havia o John Matagglia, do quartoano, e ainda o Darko Milicovic, um novato promissor. Pena que Sirius era intransigente nesse ponto e insistia que o Pedro tinha muito a dar pelo time, mesmo com os fatos comprovando que Pettigrew não acertava um balaço na direção dos adversários já há mais de três jogos.

Subiu na bicama e fechou os olhos. O pensamento em Lílian resolveu brotar de repente. De novo. Abriu os olhos e não consegui mais fechá-los. Pensou nela. E já não sabia mais quantas vezes havia pensado nela ao longo do dia.

Dormiu.