Notas iniciais
Sempre tive essa fanfic em mente.
Em memória ao nosso querido Marco Bodt que nos deixou tão cedo.

isayamaseufilhadaputaesperaeuteencontrarnaruadesgraçado

Os primeiros raios de sol começaram a surgir pela janela e a esquentar seu rosto, aquela sensação agradável continuou até que a luminosidade alcançou seus olhos e passou a incomodar. Virou-se na cama, ainda sonolento, buscando mais alguns minutos preciosos de sono antes da sirene tocar, anunciando o início do dia no quartel. Esticou seu braço direito e então notou que a cama parecia estar mais larga que o normal, isso o fez franzir o cenho, virando-se agora de barriga para cima, tateando o lençol ao seu redor e notando que o tecido era mais agradável, não do tipo grosseiro presente no dormitório dos soldados em treinamento. Havia algo de errado. Começou a lutar contra a sonolência matinal, aquela que a todo custo evita o despertar, e abriu os olhos e constatou: sim, havia algo muito errado. Podia ver claramente o teto do seu quarto e isso era impossível, pois dormia no lado de baixo da beliche e quem ocupa o lugar de cima é o...

Era o Marco.”

Levantou, ainda demorando a assimilar o que estava acontecendo, colocou a mão sobre os olhos, coçando-os com os dedos e soltando um bocejo.

-Mas o que... – murmurou, com a voz arrastada, os olhos semicerrados para a janela que recebia a luz do sol.

Levantou-se, zonzo, não acreditando no que estava lá fora.

“I-isso... é... é aquilo que o Armin disse uma vez, ele leu em um livro, mas que merda, o nome, o nome... OCEANO!”

A janela dava para um trecho de areia que logo era engolido por águas azuis e calmas, com pequeninas ondas quebrando na beirada, pássaros voavam em círculos no céu azul e o vento trazia um cheiro diferente, nem bom e nem ruim, apenas diferente.

-Acordou cedo hoje, Jean.

Aquela voz.

-Mas não faz mal, eu já fiz o café. Daqui a pouco vou pescar, você quer vir junto?

O coração de Jean acelerou. Ele conhecia muito bem aquela voz, aquela voz que muitas vezes o irritou, muitas vezes o acalmou, o aconselhou, o consolou... nunca iria se esquecer do dono daquela voz que a cada dia lhe fazia mais falta.

-M-Marco?! – virou-se, quase sem voz, o coração parecendo que ia escarpa-lhe pela garganta a qualquer momento.

O rapaz não vestia a tradicional farda militar dos recrutas e sim uma calça verde com uma camisa branca de algodão, o cabelo ligeiramente bagunçado e um sorriso sereno enfeitavam o seu rosto.

Jean avançou, hesitante, ainda não crendo naquela visão.

“Mas ele está morto. EU VI. EU QUEM O ENCONTREI, EU QUEM DISSE O SEU NOME PARA DAR BAIXA, ELE ESTAVA LISTA, EU O VI SENDO CREMADO, EU SENTI SUAS CINZAS NAS MINHAS MÃOS. NÃO É O MARCO, NÃO É!”

-Por que está chorando, Jean? – o sorriso do moreno se desfez e ele avançou em direção ao outro. – Teve um sonho ruim?

-E-Eu... eu sonhei... que você estava morto. – não havia sentido as lágrimas quentes escapulirem de seus olhos. Tentou limpá-las, mas Marco segurou sua mão e ele mesmo as secou com a manga de sua camisa.

-Eu estou aqui, com você, acalme-se. – sorriu, terminando de secar a última lágrima e acariciando a bochecha de Jean.

-Como você quer que eu me acalme?!Eu vi o seu cor---

Agora Jean realmente achou que seu coração iria sair de sua boca saltitando por aí. Os lábios de Marco eram macios e seu beijo era delicado e quentinho. Exatamente como ele havia imaginando tantas vezes em seus momentos de devaneio. Aleatoriamente pegava-se imaginando com seria o amigo em sua versão feminina, com as sardas salpicadas no rosto, a voz doce e o sorriso meigo sempre alegrando a todos, mas logo a versão feminina deixava de ser necessária e, por mais que se envergonhasse por isso, várias vezes imaginou como seria o Marco como namorado... tais pensamentos o constrangiam, e tentava afastá-los, era mais constrangedor ainda quando pensava nesse tipo de coisa durante o banho e já passou por muitos apuros por conta disso.

-Você estava morto e agora eu acordo aqui, nesse lugar, e você me beija? Quem você pensa que é, Marco? – deu um soco de leve no peito do moreno, que riu baixinho.

-Não estou morto, Jean, preciso provar novamente? – fez menção de beijá-lo novamente, no entanto foi repelido.

-I-Isso está errado. Muito errado. S-Somos homens e soldados e—

-Não há necessidade de sermos mais soldados. Os titãs se foram, as muralhas se tornaram desnecessárias e foram demolidas. Somos livres, Jean. Somos homens livres, podemos fazer o que bem entendermos. – Marco o envolveu em um abraçou apertado, beijando agora seu pescoço, de forma lenta e carinhosa.

-M-Marco... – Jean gemeu baixinho, as carícias eram leves, no entanto, não estava habituado àquilo, qualquer toque lhe causava um estranho prazer.

Marco foi andando, ainda envolvendo Jean com seus braços e o mesmo foi obrigado a dar passos atrapalhados para trás para que não caísse, sentiu a perna bater na cama, tentou protestar, inutilmente, e caiu deitado com o companheiro sobre si.

-A-Alguém pode chegar, M-Marco... – não conseguia encarar o outro, suas bochechas queimavam tanto que envergonhava-se ainda mais de estar assim em uma situação que sempre imaginou-se como o dominante e Marco a donzela enrubescida.

-Shh, ninguém irá chegar... pare de tentar evitar o inevitável, eu sei que você quer. Eu dormia na beliche acima, Jean, se soubesse quantas vezes eu ouvi seus lábios deixarem escapar meu nome... – riu, enfiando a mão por baixo da camisa de Jean e passeando com seus dedos por seu tórax.

-O-O que?! – Jean mordeu os lábios, não querendo entregar os pontos tão facilmente. Não havia como fugir mais, queria isso tanto quanto Marco, talvez até mais, entretanto um lado de sua consciência ainda resistia àquele ato que sempre imaginou como pecaminoso entre dois homens.

Jean pegou Marco pela gola de sua camisa e o beijou. O beijou como em muitas vezes o fazia em seus devaneios, não de modo dócil e calmo como o outro sempre fazia, e sim de modo agressivo e necessitado. Queria que Marco percebesse o quanto ele era importante e o quanto ele lhe fez falta. Queria também provar para si mesmo que não era algo nojento a se fazer com outro homem, sobretudo quando havia um sentimento intenso envolvido.

Marco gemeu alto, chamando pelo nome do amigo. As mãos de ambos correram para os lugares certos, assim como seus lábios e tudo o que podia se escutar eram respirações pesadas misturadas a gemidos e palavras entrecortadas.

-M-Marco...- Jean gemeu, antes de tudo desaparecer a sua frente.

Frio agora era tudo o que sentia. Sentou-se assustado na cama, sentindo o suor frio molhar sua roupa.

Sonho. Fora tudo um sonho. Um sonho cruel.

Constatou a situação constrangedora que se encontrava. O sonho foi intenso e verdadeiro demais, agradeceu por aquela noite Eren não estar presente no quarto e Armin...

-Merda... – olhou de relance e o loiro estava na parte superior da outra beliche, sua respiração era lenta e pesada, provavelmente não ouviu nada ou pelo menos era nisso que Jean preferia acreditar.

Levantou-se da cama a fim de checar a beliche acima da sua, como se um fio de esperança ainda restasse dentro se si. Estava vazia, com o manto dos recrutas estendida sobre ela, em sinal de respeito ao soldado falecido que ali costumava dormir. Teve vontade de chorar, mas por algum motivo as lágrimas não saíam. Seu peito doía e estava difícil de respirar, sentia dor de cabeça e tudo o que mais queria era voltar a dormir, mas tinha medo de sonhar com ele de novo. O sonho era um falso momento e não queria se entregar a isso, não se podia entregar às pequenas ilusões de felicidade.

-Boa noite, Marco. – sussurrou baixinho, fechando os olhos e logo sendo recebido pelo sono.

Notas finais
midisgupem por qualquer coisa que não tenha saído como o planejado ç_ç
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!