Hocus Pocus
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Ele apareceu inesperadamente, correndo por aquele campo vasto. Eu logo vi como era bonito; contrastando com todo aquele verde, e a cor de seus olhos de um tom que combinavam perfeitamente com o azul do céu. Ah, que loucura a minha! Quando dei por mim, já estava com esta pequena pessoa em meus braços sob meus cuidados, era seria o meu papel daí por diante.
E sob os meus cuidados, ele crescia e aprendia. Compreendia bastante bem, visto que era muito esperto e inteligente. Sabia ouvir e assimilar tudo, comunicativo como ele só, embora algumas vezes se dispersasse ou desligasse um pouco das responsabilidades; era normal dele. “Ele daria um ótimo cavalheiro, altivo e nobre, todo ele à imagem de seu pai” Como ficaria orgulhoso daquilo! Mesmo eu, conseguira manter uma ligação com alguém, que parecia admirar-me e precisar do meu apoio. Eu era o exemplo, o modelo ideal a ser seguido e não mediria esforços para fazer sempre o melhor para nós;
Nem mesmo o francês estúpido ficaria no caminho de meus objetivos, pois juntos — eu e meu menino — dominaríamos o mundo.
Eu prosperava. Éramos muito felizes.
Embora tivesse planejado isso, algo parecia errado. Na minha cabeça teimosa esperava encontrar quando voltasse a casa como havia deixado quando havia ido. E o garotinho cresceu ainda mais, estava consideravelmente maior, mais forte que dantes!... Aquele breve hiato foi mais do que suficiente para transformá-lo, de uma criança chorosa que temia a solidão de se afastar da figura paterna para um adulto, confiante e desinibido, uma ameaça iminente. Aos poucos, as mudanças naquele tratamento — até às mais estúpidas, como achar que uma vestimenta da mais alta qualidade fosse algo desconfortável — foram mais do que suficientes para despertar em mim certa possessividade, a catarse, e a resignação.
O que fazer exatamente com esse orgulho ferido, toda essa frustração? A derrota nunca fora tão sentida!... Achando que um abraço poria um fim nesse sofrimento todo, mas a verdade é que nada melhor poderia ser feito.
Não foi fácil para nenhum dos dois. Nunca seria, eu poderia dizer. Nosso mundo é um globo, que em um giro alguém simplesmente deixou que nossos papéis se invertessem. Como uma ampulheta que enfim esvaziada a areia em um dos âmbulos, é virada do lado oposto, para que a areia possa transpassar ao outro lado dando início a um novo tempo. Uma nova era, sim... É a transitoriedade da vida. Inesquecível foi aquele dia, o qual eu finalmente pude encontrar a minha verdadeira posição neste mundo.
E ele era tão querido, nunca faria por mim um terço do que eu faria por ti.
Ele, de fato, dominou o mundo.
E os anos passam depressa. Terminada mais uma reunião, dessa vez, Alfred dspediu-se, com um abraço amigável, e um aperto de mãos. Apesar de ter achado algumas semelhanças, somos bem diferentes na verdade. Enquanto isso, sigo com o meu sistema mantendo o foco e mesmo com algumas faltas para comigo, não posso nunca deixar de zelar e torcer por ele. Ele foi e ainda será por muitos anos o meu maior e mais precioso tesouro na face da Terra.
Fale com o autor