Hitori De Itakunai

4 3 dias antes...


Notas iniciais
Aqui esta mais um capitulo. Posso dizer que esse foi dificil de escrever, as ideias não estavam fluindo bem, mas dei meu melhor para ficar aceitavel.
Alias, agradeço a todos os reviews e favoritos, eles me deixam muito feliz e alegram meu dia =D

- Lucy? Lucy? Onde você esta? – ele estava de bruços sobre a cama. Acordou devido aos raios de sol que entravam sem serem convidados pela janela do pequeno quarto, demorou um pouco para seus olhos se acostumarem com a claridade, seu cabelo rosa caia sobre o rosto, fazendo com que fosse difícil ver se havia alguém ao seu lado, mas sabia que ela não estava lá, não sentia seu cheiro, ou sua presença. Ele levantou de súbito, pulando da cama, mais especificamente, ela não estava lá, sabia disso, mas mesmo assim procurou pela casa, quarto, cozinha, banheiro, até mesmo debaixo da cama. Ela não estava lá.

Ele saiu correndo do apartamento seguindo o rastro que seu perfume deixava no ar. Viu-a andando ao lado do córrego, com uma saia curta xadrez rodada, com um pulôver vermelho de gola alta. Ele não atreveu se mexer ou mesmo falar algo, tinha a sensação que já vira aquilo antes. Ela virou-se em direção ao sol, o mesmo banhava com um caloroso raio de luz, fazendo com que seu cabelo cintilasse e refletisse um brilho dourado entorpecedor, que o fez ficar parado em seu lugar apenas como um mero espectador da grande beleza que estava a sua frente. Ela andou dois passos em direção ao córrego, com uma suavidade digna de uma bailarina ela subiu no degrau à margem do córrego e começou a fitar o nada, completamente perdida em seus próprios pensamentos.

- Lu- — começou a falar mais como um sussurro, mas não conseguiu terminar a frase. Ela virou-se em sua direção. Os olhos estavam devastados por lagrimas que corriam freneticamente pela face dela. Ele nunca havia visto tamanho sofrimento naqueles olhos tão alegres.

- ........, ..... – ele a viu mexendo os lábios, mas não conseguiu se concentrar em descobrir o que saiu deles, as lagrimas caíram cada vez mais rápido e em maior quantidade, então ela olhou para frente, com a cabeça erguida, como se estivesse decidida, então, como se estivesse simplesmente andando, ela deu um passo em frente, para dentro do córrego, para morte certa. Ele ficou paralisado pelo medo, mas a realidade foi mais cruel e lhe trouxe de volta de seu devaneio. Quando deu por si, estava correndo para o lugar onde Lucy estava parada há segundos atrás. Ficou parado na frente da margem, não queria se atrever a dar mais um passo em direção ao córrego, mas queria confirmar que ela ainda estava viva, então deu esse passo.

Ele caiu sobre seus joelhos, com lágrimas em seus olhos arregalados. A suave correnteza do córrego embalava o corpo de Lucy, fazendo seus cabelos dançarem conforme sua gentil música.

- NÃO! LUCY! NÃO! POR FAVOR! L-LUCY!!!! – berrava fora de controle estendo a mão tentando chegar até o corpo que estava de costas para ele.

- NÃO! Uuuhh... Ugh... Aaahhh... Oh pai... Porque esta acontecendo isso?! – Natsu sentou-se assustado na cama com as mãos na cabeça e pingando suor, ofegante e exausto.

- Natsu? O que foi? – perguntou Lucy alarmada ao seu lado, com a mão sobre o seu ombro. Ele estremeceu ao sentir o toque. Ele olhou para ela, examinado bem seu rosto, sua mão, a que estava sobre a cama, e seus olhos, que tinha aquele brilho alegre que lhe era tão familiar.

- Não foi nada, só um sonho ruim – suspirou aliviado, ela ainda estava lá, ao seu lado, não tinha porque se preocupar.

- Entendi, tudo bem então. Bem, como você já esta acordado, acho que devíamos nos dirigir à casa do cliente – disse Lucy recolhendo as mãos e olhando para Natsu. Ele estava tão estranho àqueles dias, mas preferiu não perguntar nada, porque o fato de ele estar estranho era meio que... Normal.

- Ok. Deixa-me só recolher minhas coisas. – ele se levantou e foi recolhendo seus pertences que estavam espalhados ao redor do colchonete onde havia dormido. Eles acamparam numa floresta há vários quilômetros da estação de trem e da cidade. Mas não tinha outra forma, era dois dias de caminhada, e Natsu se negou a andar de carruagem. O dia os saldou com um céu limpo e azul, com um clima agradável.

Eles começaram a andar em direção à cidade, se não houvesse nenhum atraso, chegariam lá até o por do sol. Mas isso era impossível, com Happy e Natsu juntos? É impossível eles não se distraírem e atrasarem tudo, mas não é como se Lucy se importasse, gostava da companhia dos dois e se divertia com suas trapalhadas.

- Olha! Olha Lucy! Um esquilo!! – berrou Natsu perto de uma arvore parecendo uma criança. Um pequeno esquilo estava comendo uma noz calmamente, mas ao ver a aproximação de duas criaturas estranhas, fugiu

- Viram o que fizeram! Vocês assustaram o bichinho! – falou Lucy

- Porque aqui não tem peixes voadores como em Edolas? – disse Happy indignado

- Lucy! Olha esse bicho! O que ele é? – Natsu se agachou no meio do caminho ao ver um bicho preto com uma carapaça e uma coisa na frente da cara que parecia ser chifres.

- Hm? Ah, isso é um besouro-de-chifres, muito raros por essas regiões – disse Lucy se aproximando para ver melhor

- UAAAHHH!!! QUE DEMAIS! – berraram Natsu e Happy em uníssono com os olhos brilhando. Lucy não se segurou e começou a gargalhar ao ver os olhos dos dois brilharem. Ela sentia o doce gosto da infância quando estava com eles, quando ainda não sabia de nada, quando tudo era novidade. E aquela cena lhe era tão familiar, lhe lembrava os tempos em que morava na Mansão Heartifillia, aqueles poucos momentos onde fora feliz, mesmo após a morte de sua mãe.

- Ele é muito estranho, e ele é meio duro também e esse chifre... – Natsu se aproximou de Lucy com o besouro na mão – Pega só para ver Lucy! – ele pegou a mão de Lucy e colocou o inseto em sua mão.

- Natsu, ela vai sentir, não ver! – disse Happy corrigindo Natsu.

- Kahahaha, é verdade Happy! Mas sente como ele é estranho, Lucy – ele olhou para ela, para ver sua expressão, porem ela estava pálida e tremia, suas pernas não pareciam ser de confiança naquele momento. Natsu assustado com a reação dela segurou-a pelo braço. – Lucy? – ainda bem que a segurava, pois a mesma começou a desfalecer, e se não fosse pela mão de Natsu, ela estaria comendo poeira no momento.

- Natsu! O que aconteceu com Lucy? – perguntou o gato alarmado

- E-eu não sei, ela só desmaiou do nada. Parece que ela não vai acordar tão cedo. Yooooto – ele colocou-a em suas costas. Não foi difícil, já estava acostumado com isso. Ela era leve, macia. Seu calor era familiar, mas seu cheiro... Nunca foi tão incomum, tão intoxicante, tão... Irresistível. Não, tinha que parar com aquilo, estava ficando fora de controle. – Lucy... – sussurrou. Então lhe veio à mente aquele sonho, e chegou a uma simples conclusão: não suportaria perde-la.

- Hm...? Onde estou? – gemeu Lucy baixinho sentindo um calor fora do comum em seu peito, certamente era ele.

- Hm? Acordou, Lucy? Não se preocupe, pode descansar. Já estamos chegando – disse suavemente

- Arigatou... ~nyan – então ela aconchegou sua cabeça no vão entre o ombro e pescoço de Natsu, e lá se acomodou.

=^_^=

- Anda logo Lucy!! Se você continuar demorando assim não vamos poder encontrar os besouros-de-chifre!! – gritou enquanto corria um pequeno rapaz de cabelos pretos, como um céu numa noite sem estrelas e lua, era bem novo de acordo com sua aparência. Tinha os olhos negros como carvão, mas um sorriso muito branco e polido, com os caninos bem salientes e visíveis.

- Eu... to... indo... – ofegava uma menininha indo logo atrás do rapaz. Estava com um vestido que ia até os joelhos, rosa escuro, e uma sapatilha, com o cabelo preso num rabo de cavalo, para que eles não atrapalhassem na busca pelos insetos, que balançavam como loucos conforme corriam – Ei! Espera! Eu não aguento correr tanto!

- Ninguém manda você vir com uma roupa dessas! Falei para você colocar uma calça ou outra coisa mais confortável! – berrou ele correndo de costas para poder vê-la

- Mas meu papai não deixa! Não tenho culpa!

- Ah, tá, tá, tá! Já entendi! Mas se você continuar assim não chegaremos lá antes do por do sol. – dito isso ele parou, encarou-a e andou em sua direção. Ele pegou sua mão e olhou em seus olhos – Vamos, eu te ajudo. – com isso deu um sorriso aberto e sincero para ela, que a fez corar, e começou a puxa-la, então os dois correram até a floresta.

Eles adentraram na floresta, a mesma era muito densa, porem também muito bem cuidada, por mais estranho que pareça. Haviam flores espalhada pelo caminho que os dois percorriam, Lucy olhava maravilhada para elas, eram tão lindas. Os pássaros voaram assustados ao ouvir as duas crianças berrando e correndo. As formigas faziam uma trilha organizada em fila única até um formigueiro que Lucy quase pisou. Ao vê-las, ela lembrou-se de uma canção que sua mãe lhe cantava. Na floresta a copa das arvores ofereciam um abrigo do sol, apesar do mesmo já não estar tão forte. Eles andaram pela floresta a busca de um besouro muito raro que só se encontrava naquela região. Olhavam para tudo, tão encantados com aquele lugar tão inusitado, era lindo, com certeza.

- Veja Lucy! Veja só o que eu encontrei! – gritou o menino com um bicho preto na mão, balançando-o na frente de Lucy. Eles se separaram para procurar o besouro, enquanto Lucy procurava em meio às flores e grama, ele procurava ao pé das arvores, foi quando avistou uma coisa estranha, pegou fascinado, iria mostrar para Lucy pra ver sua reação.

- Não fique balançando ele assim! Você pode machuca-lo! – disse indignada com o que ele fazia. Bem, essa não era a reação que esperava, pensou decepcionado.

- Ok, então segura ele você Lucy – ele colocou o bicho na mão dela e começou a andar em outra direção à procura de outros bichos – Oe! Lucy, olhe só esse cogumelo! Ele é muito estranho! – disse ao ver um cogumelo vermelho com pintas azuis e um cheiro nada agradável. Porem o rapaz não obteve resposta, ele virou-se em direção a garota, ela estava parada no mesmo lugar, com a mão estendida e os olhos arregalados – Lucy? Oe, Lucy! – o rapaz olhou para ela, ela estava branca e não se mexia, os lábios tremiam levemente, nem se sabia se ao menos respirava. Ele começou a correr em sua direção ao ver que ela estava caindo, segurou-a pouco antes de chegar ao chão – Lucy! Aguenta firme! Eu vou te ajudar! – berrou ele tendo a garota em seus braços, ele chacoalhou-a de leve, mas vendo que ela estava desmaiada , segurou-a com delicadeza, levantou-se com ela nos braços e começou a sair da floresta

- Onde...estou...? – disse ela fracamente, abrindo um pouco os olhos com muito esforço, ao se sentir sendo carregada. Aquele calor era tão bom, era tão agradável, ela podia ser embalada por ele pela eternidade se possível.

- Hm? Você acordou Lucy? Pode descansar, estamos quase chegando – disse suavemente, olhando para seus olhos cor de mel semiaberto.

- Arigatou... ~nyan... – com isso ela aconchegou-se mais ao colo do menino, sentindo seu calor tão reconfortante, aconchegante e, de certa forma, familiar, com a cabeça encostada em seu peito e as mãos em seu colo. O menino ao ver a figura adormecida em seus braços, sorriu e ao se pegar observando-a, corou. Era tão bonita dormindo.

Quando ela acordou, estava em seu quarto, sozinha, ele não estava mais com ela, e ela nunca mais o vira.

- Shou...chan – murmurou Lucy ainda às costas de Natsu.

- O... que? – Natsu foi surpreendido, não pelo que disse, mas por sentir um calor caindo na sua blusa. Lucy estava...

- Natsu, a Lucy esta... chorando... –comentou Happy ao ver Lucy com o rosto contorcido numa expressão de dor, com lagrimas deslizando suavemente pelo seu rosto. Natsu sentia as gotas caindo em seus ombros, e agradeceu em silencio por não conseguir vê-la. Ele inclinou a cabeça levemente em direção a de Lucy, encostando assim a sua na dela.

- Esta tudo bem Lucy... – murmurou Natsu para Lucy. Com algum esforço tirou uma mão que a segurava e puxou sua cabeça para mais perto, confortando-a. A mesma parou de chorar e sua expressão ficou mais leve.

- Gomen, Natsu... — ele parou e teve um vislumbre de Lucy em seu sonho olhando para ele com chorando e murmurando algo. Então era isso que ela disse... mas desculpa por quê?

Quantos mais sonhos viriam até ele entender, enfim, qual era a mensagem que eles carregavam?

Monstros do passado, monstros do futuro, mas quais eram os monstros que eles iriam enfrentar no presente?

Notas finais
Bem, espero que não tenha ficado tão ruim quanto eu imaginei e espero que tenham gostado.
Favoritem e deixem review se possivel ^_^