Hit Repeat
2 Farewell
Notas iniciais
Annabeth
Oito meses depois...
– Ele é tão incrível! – Piper, uma de minhas melhores amigas, dava pulinhos de alegria enquanto contava do novo namorado. Eu apenas ria de minha amiga histérica.
– Bom, pela sua alegria, nós sabemos no ele realmente é incrível não é. – Hazel ressaltou, sentando ereta e mexendo nos cabelos grandes e encaracolados. Eu voltei a rir e Hazel soltou risadinhas ao ver Piper parar de pular e ficar vermelha.
– Vocês duas são tão sujas... – Ela falou girando nos calcanhares e andando até a cozinha.
– Ah Pips... nós sabemos que você não é do tipo que espera até o quinto encontro para ver se o cara é bom de cama. – Eu gritei para ser ouvida por Piper e Hazel inclinou-se em minha direção, manobrando a taça com os dedos pequenos.
– Acho que ela não espera nem mesmo até o segundo... – Eu ri alto, mas parei assim que vi a cabeça de Piper sair pela porta da cozinha e nos fuzilar com o olhar.
– Eu ouvi isso! – Hazel deu a língua para ela e voltou a rir assim que ela sumiu na cozinha novamente.
– Bom – Ponderei. – negar ela não negou. – Eu disse, dando de ombros e beliscando os salgadinhos em seguida.
Hazel apostou para mim, estalando a língua.
– Bem ressaltado.
Piper voltou à sala, sentando no meio de nós duas e afundando no sofá vermelho do apartamento de Hazel, a qual dobrou os joelhos e apoiou a cabeça nos mesmos.
– E você hem? – Piper falou, virando o rosto para olhar Hazel e batendo seus cabelos chocolates em mim, me fazendo coçar o nariz. – Fala de mim mas anda se encontrando com o... – Ela parou para pensar. – Qual era o nome Annabeth?
Eu bebi mais de meu vinho, sentindo o leve gosto doce, e me inclinei para frente, olhando-as.
– Frank Zhang. – Falei com voz de falsete, ao mesmo tempo em que as bochechas de Hazel ficavam vermelhas. A morena gaguejou e nós rimos da mesma, fazendo-a nos acompanha nas gargalhadas.
– Ai meninas – Eu falava controlando os tremores causados pelas risadas. – Senti tantas saudades.
– Claro, você não para de trabalhar! – Piper arregalou os olhos e cruzou as pernas. Eu apenas dei de ombros e alterei o olhar entre elas.
– Eu sei que trabalho muito mas...
– Trabalha muito?! – Hazel me interrompeu e girou novamente a taça nos dedos. – Você trabalha que nem uma condenada! E nem mesmo faz o que gostaria...
Eu abaixei o olhar e balancei a cabeça. Sabia que minhas amigas tinham razão, porém, sempre que tomava a decisão de pedir demissão, aqueles olhos verdes e pidões, sempre divertidos, me hipnotizavam e a coragem esvaia-se de meu corpo. Quando abri a boca para falar algo, a conhecida musica tema do filme Psicose tocou, vibrando meu celular. Minhas amigas sorriram com o toque que elas mesmas escolheram para meu chefe e bufaram quando eu atendi o aparelho.
– Fala Percy... – Falei entediada, já sabendo que passaria mais uma noite acordada.
– Annabeth! Graças a Deus! Preciso de sua ajuda! – A voz grossa ficava em contraste com o tom infantil.
Revirei os olhos.
– Eu não vou até a sua casa.
– Mas é uma emergência! – Ele soava desesperado.
– Que tipo de emergência? – Perguntei cautelosa.
– Ãhhh... do tipo de cores...
– Cores?! – Levantei uma sobrancelha e olhei para minhas amigas, as quais faziam gestos entediados.
– Sim! É urgente! É relacionado aquele ultimo projeto se lembra? Preciso de você...
Bufei, já sabendo que fui vencida.
– Me dê 10 minutos... – Desliguei o telefone, irritadiça.
Piper revirou os olhos e olhou para Hazel.
– Perdemos nossa amiga para o trabalho novamente.
Hazel fez um biquinho.
– Na verdade Pips – A morena falou olhando-a de volta. – A perdemos para o Senhor Jackson.
Fiquei emburrada enquanto as duas sorriam. Levantei-me e deixei a taça na mesa de vidro, pegando em seguida minha bolça vermelha.
– A gente vê aquele filme outro dia. Desculpa meninas... – Olhei-as triste e mandei um beijinho para elas. Andei a até a porta, enquanto as duas assentiam compreensivas.
– Boa noite com o Senhor Jackson! – Piper gritou quando abri a porta.
– E tente não se divertir muito! – Hazel completou e eu pude ouvir os risinhos delas dentro do apartamento com a porta já fechada.
Suspirei triste, mas não contive um sorriso. Era verdade que eu sentia falta de minhas amigas, porem, se o problema era relacionado ao ultimo projeto da empresa Half Blood, era melhor me apresar e ver para que bobagem eminente Percy precisava de mim.
Ω
– Percy? – Bati na porta grande de madeira de seu quarto. Ninguém respondeu e eu bati impaciente a sola de meu salto preto no piso de madeira do segundo andar. Depois de não aguentar mais esperar, abri a porta e entrei.
O quarto estava uma bagunça, como sempre. Andei na ponta dos pés, desviando de todas as coisas no chão.
– Percy! Cadê você?! – Gritei quando tropecei em um pacote de salgadinhos.
Ninguém respondeu e eu bufei, continuando a andar e desviar da bagunça que era o quarto do meu chefe. Quando cheguei à porta fechada do banheiro da suíte, a mesma foi aberta, revelando o moreno alto e sorridente. Eu me assustei e dei um passo rápido para traz, pisando no maldito skate e caindo no chão enquanto gritava.
Percy ria escandalosamente de mim. Meus cachos loiros cobriam minha visão e eu os assoprei, irritada.
– Me diga, que tipo de empresário tem um skate?
– O do tipo incrível como eu. – Ele falava em meio às risadas e estendeu a mão para mim, a qual eu aceitei e me levantei, arrumando minha saia de preta.
Percy vestia uma camisa social e uma calça preta. Ele colocou as mãos nos bolsos enquanto parava de rir e eu me recompunha. O olhei irritada e apontei para ele.
– São onze horas da minha noite de folga Percy. Não me irrite. – Ele arregalou os olhos e assentiu rapidamente. – O que você quer?
– Já disse, problemas de cores.
– Ok, onde esta o desenho?
Percy levantou uma sobrancelha.
– Desenho?
– É, desenho. – Percy não falou nada e eu revirei os olhos. – O desenho do projeto que você precisava de ajuda Cabeça de Algas!
– Ah – Ele arregalou os dois olhos. – Não tem nada a ver com o desenho. – Ele se balançou nos calcanhares, impaciente. – Hoje é o dia da apresentação do projeto. – Ele tirou a mão esquerda do bolso e olhou o relógio de pulso. – Era para eu estar lá há meia hora mas não decidi a melhor cor de gravata, por isso eu te chamei. – Eu o olhava sem expressão, a raiva me consumindo por dentro, tornando minhas bochechas vermelhas. – E então, azul ou verde?
– Perseu Jackson – Ele deu um passo para traz, só agora notando a minha irritação. – Você me chamou aqui, no meio da minha noite de folga, quando eu estava me divertindo com minhas amigas – Levantei o dedo que eu apontava para ele. – Sem falar que nos vimos a exatas... – Segurei seu pulso e olhei o relógio de ouro. – duas horas e vinte e oito minutos. – O soltei rudemente. – para decidir qual era a melhor cor de gravata para você usar?!
Percy engoliu em seco.
– Sim...
Eu joguei as mãos para o alto e continuei andando até ele, o qual não parava de se afastar de mim.
– Eu não acredito Percy! Você esta me deixando louca! – Eu gritei e soquei seu peito.
Entramos no banheiro e ele ficou encostado na pia, porem, eu não parei de andar, enraivecida. Ele colocou suas mãos em meus ombros, me parando e me olhando no fundo dos olhos.
– Mas é uma emergência. – Ele falou calmo.
Eu suspirei fundo, e travei meu maxilar, furiosa.
– Isso não é uma emergência Percy! – Minha voz saiu mais fina do que eu esperava. – Há oito meses que eu trabalho 15 horas por dia fazendo todos os seus caprichos. – Percy ainda me segurava, evitando que eu voasse em seu pescoço. – Eu nem mesmo durmo mais! E quando eu durmo, eu sonho com você!
Percy pigarreou.
– Em minha defesa, você não é a única.
Eu rugi, sentindo a raiva queimar minha garganta e me fazer querer esmurra-lo.
– Eu gostaria de sonhar com você de outra forma que não fosse eu acordando no meio da noite por que você esta com insônia!
– Mas isso só aconteceu uma vez!
Eu rugi e levantei meus braços, pronta para estapeá-lo, porem, Percy segurou minhas mãos e me girou, prendendo meus braços como em uma camisa de força e me abraçando de costas. Eu me debatia com raiva.
– Me solta seu covarde!
– Para você me bater? Eu não. E pare de se mexer tanto, vai me amassar.
Eu continuei a me debater, fazendo Percy me abraçar mais forte e meus cabelos ficarem ainda mais descabelados.
– Chega! Eu desisto Percy! – Gritei, impedindo que a coragem fugisse de mim pela vigésima vez. – Eu me demito!
– O que?! – Agora sim Percy parecia nervoso. – Não, você não vai se demitir.
– Você não decidi isso Percy. – Parei de me debater e me encostei em seu peito, cansada. Ele relaxou o aperto e apoiou sua cabeça na minha, fazendo o cheiro de seu perfume me embriagar. – Eu me demito, desisto de tentar fazer o impossível por sua causa. Não aguento mais não fazer o trabalho que eu tanto queria.
– Não. Eu não vou te perder. Você foi a minha melhor assistente e a única que me aguentou por tanto tempo. E olha que nem mesmo transamos.
Eu bufei e senti minhas bochechas corarem, dessa vez não pela raiva.
– Claro, até porque você tem tanta ética... – Ironizei, encostando minha cabeça em seu peito.
– Eu só tentei ficar com você uma vez, não faça drama.
Bufei novamente.
– Ainda bem que pelo menos um de nós tem bom senso. – Percy suspirou ainda me abraçando. Eu sentia sua respiração em meus cabelos, fazendo todos os meus pelos se arrepiarem. – Eu me demito.
– Você sabe que eu não sou tão ruim assim... – Sua voz estava baixa. – Eu posso te promover e tentar não te chamar todas as noites...
Balancei a cabeça negativamente.
– Você sabe que não daria certo. Eu não aguento mais. Quero ir embora...
Suspirei e fechei os olhos, sentindo os batimentos cardíacos de Percy em minhas costas. Depois do que pareceu uma eternidade, ele me soltou e me girou, me fazendo ficar de frente para ele. Seus olhos percorriam todas as minhas feições e suas mãos seguraram meus cotovelos, fazendo-me ficar parada para encara-lo.
– Me dê só mais uma chance Annabeth. – Eu abri a boca para contraria-lo mas ele me interrompeu. – Me dê um mês para convencê-la a ficar comigo. Se no final de um mês você ainda quiser ir embora, eu deixo. Mas se decidir ficar, paro de te tratar como minha... – Ele revirou os olhos e voltou a me encarar. – baba, e ainda por cima te promovo e começamos a trabalhar juntos nos projetos. Já vi seus desenhos e sei como é boa. Infelizmente não tive tempo de falar isso antes de todo esse escândalo.
Franzi a testa.
– Não foi um escanda-lo.
Percy deu um sorrisinho e eu me perdi momentaneamente em seus olhos verdes.
– Você sabe que foi Sabidinha.
Revirei os olhos.
– Não me chame assim Cabeça de Algas.
Ele deu de ombros.
– Direitos iguais. – Eu suspirei. – Então? Negocio fechado?
Ponderei. Conhecia bem Percy, ele podia ser bem lerdo e crianção, porem, sabia sempre bolar um bom plano para convencer os outros a fazer o que ele quisesse.
– Esse é mais um de seus planos mirabolantes não?
Ele sorriu convencido.
– Mais uma chance Annabeth. Por favor.
Eu assenti devagar.
– Você tem um mês a partir de amanha entendeu?
Ele sorriu largamente e me soltou, olhando-me de cima a baixo e colocando as mãos de volta ao bolso, me fazendo sentir um frio repentino. Ele parou os olhos nos meus e eu troquei o peso de uma perna para outra.
– No dia 24 de Outubro eu deixo você escolher se quer sair ou se ainda quer ficar comigo. – Assenti. – Negocio fechado? – Ele estendeu para mim sua mão e olhou no fundo de meus olhos. Eu o encarei de volta e apertei sua mão quente.
– Fechado. – Ele sorriu e eu não contive retribuir o sorriso, mesmo que uma ponta de medo me corroesse por dentro. Só conseguia pensa o que Percy Jackson faria em seguida.
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