Histórias de Garota

2 Capítulo 2 - Um dia quase normal...


No dia seguinte...

Eu acordei de manhã, era quase meio-dia, eu estava suja, tinha dormido com a mesma roupa da festa, mas estava sem sapatos e com o cobertor sobre mim, eu amo meus pais!

Eu levantei, fui até o banheiro e me olhei no espelho, estava descabelada e com remelas nos olhos, lavei o meu rosto e penteei o meu cabelo, tomei um banho e vesti o meu moletom da Minnie e uma calça legging preta, depois calcei minha adorável botinha. Fui até a cozinha.

— Bom dia, dorminhoca! – Falou mamãe.

— Bom dia, mamãe! – Falei, enquanto a abraçava — O que terá para o almoço?

— Macarrão, feijão, arroz e carne bovina.

— Hummm!!!

Papai já deveria estar no trabalho, eu nunca sei quando ele volta e raramente ele está em casa almoçando conosco. Mamãe trabalha a tarde, enquanto eu estou na escola.

Eu fui até a sala e liguei a televisão, troquei para o canal de desenhos, estava passando Bob Esponja, um dos meus desenhos favoritos. As horas passaram e mamãe me chamou:

— Filha o almoço está pronto!

Eu corri até a cozinha e me servi.

— E então, o que achou do aniversário, gostou? – Perguntou.

— Sim, muito obrigada pela festa! – Eu não queria decepcioná-la.

Mamãe sorriu, eu amava vê-la sorrindo, eu sorri de volta.

Depois do almoço, eu fui para o meu quarto, coloquei um perfume de flores e um creme para o rosto e procurei no fundo da gaveta da minha penteadeira uma tiara de flores roxas, achei e a coloquei na minha cabeça. Eu verifiquei se a minha mochila estava completa, estava tudo lá, mamãe entrou no quarto e me alcançou uma garrafinha de água, eu a coloquei na mochila. Estava tudo pronto para mais um dia de aula.

Minhas aulas começavam às uma da tarde, mas eu gostava de chegar um pouco mais cedo para conversar com Lívia.

Eu e mamãe saímos do apartamento, ela trancou a porta e descemos pela escadaria, mamãe não gostava de usar o elevador, ela tinha medo de lugares muito fechados “claustrofobia”.

Nós fomos até a garagem do prédio e mamãe desligou o alarme de sua Prisma, entramos no carro e saímos do condomínio.

As ruas passavam pela janela, várias árvores enormes estavam por todos os lados. Então, de repente, o carro parou, estava na frente da minha escola, uma escola estadual com um pouco mais de 1000 alunos.

— Boa sorte! – Falou mamãe, enquanto me dava um beijo na bochecha- E preste bastante atenção nos professores!

— Sim! – Abri a porta do carro, saí e acenei para mamãe – Tchau!

— Tchau filha!

Minha mochila estava nas costas, eu era uma das únicas pessoas na minha escola que usava as duas alças, eu achava desconfortável todo aquele peso sobre um ombro e se existem duas alças, são para usá-las. Todos olhavam para mim enquanto entrava na escola, eram olhares desconfortáveis, as pessoas debochavam de mim, mas eu não via motivos, eu queria muito parar com aquilo, mas não tinha coragem. De repente, alguém gritou:

— Ei, tu mesmo, você aí de duas alças!

Eu virei para ver quem era, foi um erro, tacaram bolinhas de papel no meu rosto e começaram a rir.

— Sua nerd, não gosta de papel não, “Favorita”? – Alguns falavam.

Eles me chamavam de favorita, por meio que, o professores gostavam de mim, sabe? Eu era aquela nerd, comedora de livros, queridinha dos professores, enfim.

Eu estava envergonhada, saí correndo, mas quando menos esperava, tropecei no pé de alguém. A multidão ria cada vez mais. Saí depressa, mas com cuidado e entrei nos corredores da escola. Eu já estava acostumada, acontecia todos os dias. Eu procurei Lívia, ela estava no nosso lugar, debaixo da escadaria, escondida, eu fui até ela.

— Oi Lívia!

— Olá Chloe!

— Aconteceu novamente? – Perguntou.

— Sim – Falei num tom desanimado.

— Comigo também, quando que eles vão largar do nosso pé?

— Acho que nunca – Suspirei profundamente.

Eu não tinha coragem de contar para os meus pais sobre o que acontecia. Eu sabia que não mudaria nada. Eu já pedi para mudar de escola, mas aqui na cidade só tem 5 escolas, todas distantes uma das outras, essa era a mais perto de casa; a mais próxima, depois dessa, ficava a 30 minutos daqui e mamãe chegaria atrasada no trabalho.

Nós ficamos lá, até a aula começar. Entramos na sala de aula e sentamos nos nossos lugares. A aula inteira o pessoal do fundo ficava atirando bolinhas de papel nas minhas costas, a professora era cega, não via um palmo na sua frente. Assim eram todos os dias.

Depois de algum tempo, a aula acabou. Eu fui na frente da escola, papai estava lá, eu fui correndo até ele.

— Pai!? E mamãe? O que aconteceu?

— Filha, sua mãe passou mal no trabalho, ela está no hospital, mas não se preocupe, os médicos falaram que não é nada de mais.

Meu coração começou a bater rápido, eu o abracei, com lágrimas de preocupação.

— Eu quero vê-la!

— Vamos para casa filha, você come algum lanche e eu te levo lá.

— Não! Eu quero ir agora!

— Filha, você precisa comer algum lanche!

— Eu não estou com fome!

— Está bem, eu te levo lá.

Eu entrei rapidamente no carro e comecei a chorar cada vez mais.

— Filha, fique calma! Foi só um mal-estar!

Eu estava tentando me acalmar, mas não conseguia, vários pensamentos vinham na minha mente. Mas mamãe não podia me ver assim, chorando, eu enxuguei minha lágrimas e respirei fundo.

Estávamos na frente do hospital da cidade, eu desci do carro, nós entramos, papai conversou com uma moça, eu estava desligada de mim, não consegui escutar uma palavra, só escutava o meu coração bater. Eu olhei ao meu redor, estava lotado de pessoas com olhares tristes, cheios de dor. Então eu não me senti solitária, eu não era a única apavorada, desesperada, ali.

Papai me deu a mão, nós entramos num elevador, eu vi os números mudando, de andar para andar. Só conseguia pensar em mamãe, ela tinha medo de andar de elevador.

Nós andamos por corredores enormes, escuros, sombrios, silenciosos, eu me sentia desconfortável, eu olhava para dentro de algumas portas, haviam pessoas deitadas em camas, todas enfaixadas, machucadas, aquilo era horrível.

De repente paramos, estávamos em frente de uma porta, li “ 278 ”. Papai bateu na porta e abriu. Mamãe estava sentada num sofá, eu fiquei aliviada, ela estava bem. Eu corri e fui abraçá-la.

Nós ficamos ali, conversando, por mais ou menos 1 hora.

— Filha, papai vai ficar aqui com sua mãe, tia Ana já está em casa, ela vai cuidar de ti.

— Ok.

— Eu vou levar Chloe para casa, mas depois volto – Falou papai para mamãe.

Eu me despedi e eu e papai saímos do quarto.

Quando chegamos em casa, tia Ana estava na sala olhando o celular, papai se despediu e saiu. Eu estava com fome, olhei no relógio era 18:46.

— Tia Ana, estou com fome!

— Hum, vou pedir uma pizza- Falou.

— Tá!

Eu fui no meu quarto, larguei minha mochila num canto e me sentei na penteadeira. Eu escutei um barulho na janela, eram pedrinhas. Eu fui até ela e a abri. Lá estava Edu, parado com algumas pedrinhas brancas na mão.

— Oi Pimentinha!

— Oi Cinzento! Que milagre! Tu está em casa!

— Pois é... Eu estou um tempão aqui, tu tinha saído?

— Eu estava no hospital.

— O que aconteceu?

— Minha mãe passou mal.

— Ela está bem?

— Sim, mas ela vai passar a noite lá.

— Tu está sozinha?

— Não, minha tia está aqui em casa.

— Ah bom! Ainda bem né? Uma guria indefesa sozinha em casa.

— Ei! Eu sei me defender muito bem!

— Uhum, sei.

— É verdade!

— Tá bom, não estou duvidando.

— E tu? Está sozinho?

— Não, meu pai está na sala brincando com meu irmão.

— Espera aí, tu tem um irmão?

— Sim, Arthur de 2 anos.

— Hum, tu não tinha me falado dele.

— Não? Pensei que já tinha, mas do mesmo, nós só nos conhecemos a 5 meses, não deu muito tempo para conversar.

— É...

— E tu, tem irmãos?

— Não, sou filha única.

— Ah bom, legal!

— Chloe!!! Vem aqui, nós vamos sair...-Gritou tia Ana da sala.

— É, eu preciso ir...-Falei-...Tchau Cinzento!!!

— Tchau Pimentinha!!!

Eu fui até a sala.

— Nós vamos numa pizzaria, eles não estão fazendo entregas hoje- Falou tia Ana.

— Ok.

Eu fui até o carro dela, entramos, tia Ana não parecia saber dirigir muito bem. Ela parecia muito nervosa. “Lá vamos nós” pensei.

Ela acelerou, depois de um tempo chegamos na pizzaria, sentamos numa mesa.

— Qual pizza? – Perguntou tia Ana para mim.

— A de chocolate? –Perguntei, vendo se ela aprovava.

— Ok! –Disse — Garçom!

O garçom veio até a mesa e anotou o pedido. Tia Ana mexia no celular. A pizza chegou, cortei uma fatia e comi.

— Não vai comer? – Perguntei.

— Ah é!

O celular tira a atenção do mundo real, papai falava isso, por isso eu não tinha. Mas eu não sentia necessidade de ter um. Eu queria estar bem "acordada"...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.